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Muito além das sete notas musicais …

30 de Setembro de 2017

Esta sinfonia é regida por treze cepas no sul da França, Chateauneuf-du-Pape. Entre tintas e brancas, o corte é comandado pela Grenache. O problema é que esta apelação tem um mar de vinhos muito aquém de seu glamour. Separando o joio do trigo, chegamos a poucos produtores devidamente sintonizados com este complexo terroir. Neste contexto, num agradável almoço no restaurante Varanda Grill, quatro Domaines irretocáveis desfilaram seus vinhos em três flights.

Relembrando as treze cepas, entre oito tintas e cinco brancas.

Tintas: Grenache, Syrah, Mourvèdre, Cinsault. Essas quatro costumam entrar em maior volume, sobretudo a Grenache. Counoise, Vaccarèse, Muscardin e Terre Noir, são as outras quatro em pequenas proporções, e funcionam como uma espécie de tempero para o corte principal.

Brancas: Roussanne, Bourboulenc, Clairette, Picpoul e Picardin, completam o corte, fornecendo sutis aromas florais e certa vivacidade em termos de acidez.

varanda chevalier montrachet

referência na apelação

Antes porém, uma Magnum de Chevalier-Montrachet Domaine Leflaive 2008. Uma aula desta apelação que tem na elegância seu ponto forte. Jamais pesado, tem uma vivacidade impressionante, harmonizando com rara felicidade fruta e madeira, num final altamente complexo. Combinou muito bem com pequenos filetes de costela de tambaqui fritos. A gordura do prato deu o contraponto exato com a acidez do vinho, além das texturas de ambos casarem perfeitamente.

tambaqui e assado de tira

Devidamente embalados pelas taças deste belo Grand Cru, partimos para o sacrifício, iniciando o primeiro flight já de cara arrebatador, conforme descrição abaixo.

varanda beaucastel e pegau

200 pontos na mesa

O que falar de dois vinhos notas 100?. Apenas reverenciar seus méritos. Os dois com todos os acordes, treze cepas. Chateau de Beaucastel Hommage a Jacques Perrin 2007, um tinto sedutor, macio, com taninos ultrafinos, e longa persistência aromática. Seu característico brett, quase uma impressão digital de seu terroir, estava presente com notas animais e de couro perfeitamente integradas ao conjunto. Por outro lado, Domaine Pegau Cuvée da Capo 2010, deslumbrante. Ainda em sua fase primária, esbanjava fruta e concentração impressionantes. Tudo muito bem equilibrado e um final longo. Pode descansar sossegado pelo menos mais dez anos em adega. Nota 100 com louvor!. Estendendo este conceito de longevidade, nosso Capo terá vida longa …

varanda chateau rayas

elegância ao extremo

Neste segundo flight, duas ótimas safras de Chateau Rayas. Aqui a música é “samba de uma nota só”. Apenas a Grenache em jogo numa interpretação magnífica. A safra 1990 é perfeita e encontra-se em seu auge. Delicadeza extrema, todos os aromas terciários em perfeita harmonia. Taninos totalmente polimerizados e um final longo e expansivo. Como tirar ponto de um vinho desses!. Já o da safra 2000 antes de mais nada, uma bela garrafa. O nariz é tão encantador quanto seu par, mas a boca naquela comparação cruel, desempata a questão. Sozinho seria um sonho num vinho muito bem construído, embora a safra não tenha a mesma dimensão  que a magnífica 1990. Aromaticamente Rayas lembra alguma coisa de Haut-Brion e dos famosos La, La, Las do Guigal.

varanda henri bonneau

vinhos celestiais

Por fim, outro mestre da Grenache, Henri Bonneau, falecido em 2016. Flight duríssimo, extremamente pareado. Dois Réserve des Célestins, anos 1990 e 1986. O primeiro, 1990, outro nota 100. Comparando com o Rayas de mesma safra, podemos dizer numa sintonia fina que Henri Bonneau é mais viril, mais incisivo, enquanto Rayas, mais delicado, feminino. Contudo, são tão espetaculares, que vou ficar em cima do muro. Empate técnico!       

Agora esse 1986, deu trabalho!. Uma garrafa perfeita. Sem a influência de notas, podemos dizer que 86 superou 90, tal a concentração de sabores. Aqui as notas de chocolate amargo e alcaçuz falam alto. Muito bem conservado e íntegro. Grande final de prova!

varanda yquem 1979

 a elegância de sempre

Encerrando sempre com doçura, mais um Yquem no currículo. Desta feita, um 1979, quase a idade do aniversariante. Trata-se de um Sauternes que prima muito mais pela elegância do que pela potência. Está numa fase intermediária entre a juventude e a maturidade. Cor lindamente dourada, bem equilibrado entre açúcar e acidez. Falta um pouco de meio de boca num final agradável, mas relativamente curto. Enfim, uma doce lembrança neste almoço com as maravilhas do Rhône.

Mais uma vez, abraços aos amigos, votos de sucesso e felicidades ao aniversariante, na certeza de grandes encontros, cultuando sempre a boa mesa e os bons vinhos. Saúde a todos!

Cult Wines

27 de Novembro de 2016

Existem belos vinhos no Novo Mundo, mas com o nível de sofisticação dos Cult Wines americanos, é difícil confronta-los. Sobretudo, quando falamos de Cabernet Sauvignon ou também, o chamado corte bordalês com predominância da Cabernet, o que em Bordeaux chamamos de Margem Esquerda. Foi neste contexto, que a degustação abaixo de grandes tintos de Napa Valley rolou com quatro safras históricas: 1990, 1994 e 1997.

marcassin-chardonnay-2002

Chardonnay de Gladiadores

Inicialmente, um branco de Sonoma, região com influência costeira, elaborado com Chardonnay. Estamos falando de uma fera chamado Marcassin, safra 2002. A figura do javali no rótulo demonstra bem a força deste vinho. Encorpado, intenso, amanteigado, e bastante persistente. Dentro de seu estilo é muito bem feito, mas passa longe de qualquer comparação com similares da Borgonha.

grace-family-1990dominus-1990

Grace: 100% Cabernet

30 meses de barricas francesas

                                                 Dominus: Cabernets, Merlot, Petit Verdot

30% barricas novas

Neste primeiro embate da safra 1990, pessoalmente, foi o duelo mais díspar da degustação. Embora, o Grace Family estivesse mais pronto, e de fato estava, sua acidez um pouco exagerada e taninos não tão finos como os demais vinhos, incomodaram numa avaliação geral. É certamente, um vinho que deve ser tomado, e não adega-lo por mais tempo. De todo modo, o pessoal gostou bastante por sua prontidão.

Bem diferente estava seu oponente, Dominus 1990. Certamente, foi a garrafa com mais depósito (borras), tal a opacidade apresentada na taça. De estilo bem bordalês, este tinto passa facilmente num painel de grandes Bordeaux de Margem Esquerda. Denso,  terciário nos aromas, uma montanha de taninos ultrafinos, e de grande persistência. Já muito prazeroso, embora tenha estrutura para mais uns bons anos. De novo, pessoalmente, o grande vinho da degustação, lembrando belos bordaleses.

bife-chorizo-varanda-grill

Bife de Chorizo Varanda Grill

Entre um gole e outro, um bifinho para incrementar. Para esse perfil de vinhos, potentes, com muitos taninos, nada mau a suculência de uma carne vermelha nobre. Não há melhor alimento para doma-los (taninos). Realmente, uma combinação clássica.

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Aqui, 100% Cabernet Sauvignon em carvalho francês

O embate acima envolve dois 100% Cabernets elaborados pela mesma winemarker nesta bela safra 1994, Helen Turley. Aqui, foi cabeça a cabeça. Tanto é verdade, que Parker concedeu notas 98 e 96 respectivamente, a Bryant Family e Colgin. Concordo com Parker, dando a Bryant Family uma pontinha a mais de elegância. De todo modo, são vinhos de muita estrutura que ainda devem ser adegados por pelo menos mais cinco anos. Mesmo assim, devem ser decantados ao menos, por uma hora antes do consumo.

harlan-1997

Foto de 200 pontos

Acima, briga de gigantes, 100 pontos cada um. Pontuação é sempre algo polêmico, mas claramente, este ultimo flight da safra 1997 é superior ao anterior. Mais concentração, mais estrutura, mais complexidade. É sobretudo uma questão de gosto. O curioso é que a meu ver, o Harlan pareceu mais potente, dando a impressão de ser o Screaming Eagle. E este último, vice-versa. Foi o mais elegante Screaming Eagle que provei. Concentrado, macio, e muito longo. Este é um dos poucos exemplos em que um 100% Cabernet (Screaming Eagle) consegue ombrear-se a um corte bordalês (Harlan Estate). O Cabernet Sauvignon sozinho sempre deixa algumas arestas pela potência e rusticidade da cepa. Sabiamente, os bordaleses tem esse feeling, mesclando outras uvas.

quilceda-creek-2005

potência e maciez incriveis

No final, apareceu uma carta fora do baralho, Quilceda Creek 2005, um belo Cabernet de Washington (Columbia Valley), extremo noroeste do país. Com toda sua juventude e 14,9° de álcool, esbanjou volume, maciez e vivacidade em fruta. Muito bem balanceado por cima, o vinho apresenta estrutura e taninos muito macios, apesar de seus 22 meses em barricas francesas novas. Talvez essa maciez, seja o ponto que marque a diferença para os Cabernets de Napa, um pouco mais austeros. Um vinho hedonista, difícil de não gostar.

É sempre bom lembrar que o grupo degusta com duas taças premium, Zalto e Riedel Sommeliers. Embora magnificas em si, proporcionam sensações diferentes. Os aromas na Riedel são mais sutis, enquanto o paladar na Zalto, é mais concentrado. Em resumo, se você encontrar algum defeito no vinho, é só trocar de taça …

fine-e-marc-bourgogne

Fine e Marc: apelações regulamentadas na Borgonha

Por fim, tive a difícil missão de confrontar  dois destilados exclusivos, de grandes Domaines da Borgonha, Fine de Bourgogne Domaine de La Romanée-Conti e Marc de Bourgogne Hor d´age Domaine Dujac. Nos dois casos, trata-se de transformar materiais residuais advindos do processo de vinificação destes dois grandes Domaines.

Explicando melhor, vamos começar pelo Marc de Bourgogne. Após o processo de fermentação dos grandes vinhos Dujac, as cascas, engaços (eventualmente) e sementes que sobram nos tanques, são destilados e posteriormente envelhecidos em madeira. Este produto equivale a boas Grappas (Itália). O termo Hors d´Age prevê um envelhecimento mínimo em madeira por dez anos. Este, especificamente não tem safra. No caso, é uma mistura de destilados dos anos 1978 a 1991, a qual foi engarrafada em 2012.

Já este Fine de Bourgogne é a destilação de tudo que sobra nas barricas dos grandes vinhos do Domaine de La Romanée-Conti. No processo de engarrafamento, é comum sobrar no fundo das barricas um pouco de vinho junto com as borras e lias (leveduras mortas). Pois bem, a junção destas sobras são destiladas, dando origem ao produto. Este por sua vez, deve ser envelhecido por lei em madeira. Neste caso, estamos falando da safra 1991, engarrafada em 2008. Em resumo, é algo similar a um brandy (cognac).

h-upmann-magnum-50-e-marc

belo fecho de refeição

O confronto das duas eau-de-vie foi mediado por um Puro H. Upmann Magnum 50. É um charuto de fortaleza média para dar neutralidade ao embate. Evidentemente, o primeiro terço foi dominado amplamente pelos destilados, dada a potência de ambos. Já no segundo terço, o lado mais macio, mais cremoso do Fine Bourgogne, casou melhor com a evolução do charuto. Em compensação, no terço final, com toda a potência imprimida pelo Puro, os aromas terciários e refinados do Marc Dujac foram providenciais. Final dramático!

Mais uma vez, só tenho a agradecer a companhia de todos os presentes, os grandes vinhos, e as grandes lições aprendidas. Na expectativa de muitas surpresas ainda este ano! Abraços,

Belle Époque: Parte II

22 de Maio de 2016

Após o desfile de toda linha Belle Époque, chegamos ao prato de carne, especialidade inconteste do restaurante Varanda Grill. E que carnes! dois Kobe beefs com diferentes cortes e diferentes graus de marmorização (gordura entremeada na carne). A harmonização segue abaixo.

perrier jouet menu

menu Belle Époque

Duo de Kobe – Tenderloin 5/6 e Strip Loin 7/8

Chateau Cos d´Estournel 1997

kobe beef

ponto perfeito da carne

cos d´estournel 1997

Bordeaux pleno de aromas

Nesta harmonização cabe uma explicação sobre os dois cortes de Kobe. Tenderloin é o nosso corte de filé mignon e Strip Loin é o famoso bife de chorizo (contrafilé). Os códigos 5/6 e 7/8 são os respectivos graus de marmorização da carne (gordura entremeada).

Embora os dois cortes estivessem divinos e macios, o contrafilé tende a uma trama de carne mais compacta, exigindo mais suculência. Daí, os vinhos mais tânicos e sobretudo mais jovens têm sua adstringência melhor trabalhada, tornando a harmonização mais agradável. No caso do vinho acima, pela polimerização praticamente concluída de seus finos taninos, o Tenderloin ficou mais adequado.

Agora um parêntese para este Bordeaux. Cortesia do impecável anfitrião João Camargo, este deuxième de Saint-Estèphe estava divino em termos de evolução e prontidão para ser tomado. Detalhes de conhecedor. A safra 1997 é um bom ano sem ser excepcional e tem características de precocidade. Esses dois fatores aliados aos seus praticamente 20 anos de guarda, entregam toda a elegância e complexidade que um Grand Cru Classé pode oferecer. Fruta deliciosa, toques de tabaco, ervas finas e uma nota animal extremamente elegante (bastidores de Jockey Club). Sensacional!

 Dessert by Giuliana Cupini

Belle Epoque Rosé 2005

abacaxi e sorvete de framboesao mesmo design da entrada

mousse de chocolate

mousse de chocolate

belle epoque rose

rosé de assemblage

As sobremesas, independente da harmonização, foram um show à parte. Executadas pela chef Giuliana Cupini, foram duas releituras servidas no jantar. A primeira foto lembra fielmente a entrada de vieira composta de mousse de coco, sagu de mirtilo, ovas de cereja e violeta cristalizada. Embora o sabor do coco não tenha muito a ver com o champagne, em termos de textura e acidez, a harmonização correu bem.

Quanto à foto abaixo da “vieira”, a ideia foi reproduzir a bela garrafa estilizada da versão Belle Époque. A composição se deu com mousse de chocolate com boa porcentagem de cacau e inserção de compota de framboesa. A cobertura de chocolate branco na cor rosé, além da flor e do beija-flor dourado, refletiram o design da garrafa. Novamente, apesar da harmonização não ser perfeita, os sabores de chocolate e principalmente a acidez da framboesa, equilibraram bem o sabor do champagne. O que pecou foi a falta de sintonia de texturas entre o prato e o vinho. Um Porto estilo Ruby seria perfeito. De todo modo, valeu a experiência ousada.

Parabéns à toda equipe da Pernod Ricard e também do Varanda Grill na execução e coordenação deste belo evento. Menção especial ao sommelier Tiago Locatelli, ao chef Fabio Lazzarini e a chef pâtissière Giuliana Cupini.

taça champagne

Taças de champagne: passado e presente

Um pouco mais de Perrier Jouët

Champagne de estilo delicado com sede em Épernay. No inicio do século passado, época da belle époque, seus champagnes eram muito prestigiados com exportações de mais de um milhão de garrafas. Em alusão a este áureo período, sua cuvée de luxo Belle Époque foi criada em 1964 e lançada no mercado em 1969.

Os vinhedos são praticamente todos grands crus nas três sub-regiões de Champagne:  Cramant e Avize (cote des blancs), Mailly (montagne de Reims), Aÿ e Dizy (vallée de la marne).

Como curiosidade, em 1856 a Maison lançou o primeiro champagne seco (sec), já que na época imperava o estilo doce. Com essa iniciativa, em 1876, a Inglaterra começou a pedir champagnes neste estilo sec que mais tarde abriu caminho para o termo Brut. Para se ter uma ideia, no século XIX (1882), os ingleses consumiam os champagnes mais secos com açúcar residual entre 22 e 66 g/l. Os americanos, um pouco mais doce, entre 110 e 165 g/l. Já os russos com inacreditáveis índices de açúcar entre 275 e 330 g/l, ou seja, um terço da garrafa era açúcar. Em nossos dias, o termo Brut admite açúcar até 12 g/l, sendo que muitas casas ficam bem abaixo deste valor.

Em 2009, foram degustadas champagnes Perrier Jouët antigas das safras 1825, 1848, 1858, 1874, 1906 e 1911. A safra 1825 mostrou-se surpreendentemente palatável e com ótima complexidade aromática. É considerado o champagne mais antigo com duas garrafas guardadas na Maison.

Atualmente, a Maison conta com 65 hectares de vinhas e uma produção anual em torno de dois milhões e quinhentas mil garrafas.

Belle Époque: Parte I

19 de Maio de 2016

Perrier Jouët Belle Époque deveria ser o champagne oficial do inesquecível filme Midnight in Paris, do mago Woody Allen, onde nas cenas de devaneio; a irreverência, o despojamento, a descontração, eram a tônica de memoráveis encontros. A começar pelo visual, a cuvée de luxo Belle Époque traz um pouco de tudo isso. Abaixo, a música tema, Si Tu Vois Ma Mère, Sidney Bechet.

https://youtu.be/bmVTnLR02Nc

Noite agradável no restaurante Varanda Grill com um belo desfile de champagnes Perrier Jouët em sua versão mais nobre, a cuvée de luxo Belle Époque em todos os estilos (Brut, Blanc de Blancs e Rosé). As presenças dos diretores do grupo Pernod-Ricard (distribuidor do champagne Perrier Jouët no Brasil), Quentin Meurisse e Clement Quilichini, abrilhantaram o evento. O Château Cos d´Estournel 1997, grande deuxième de Saint Estèphe, marcou presença acompanhando pratos de carnes nobres, o famoso Kobe beef.

Abaixo, o menu do jantar com as devidas harmonizações:

perrier jouet menu

Menu Perrier Jouët

Amouse-bouche: Vieira fresca

Nelle Epoque Blanc de Blancs 2000 (100% Chardonnay com nove anos sur lies)

vieira fresca

frescor e maresia

belle epoque blanc de blancs

delicadeza e mineralidade

Nesta harmonização, os sabores de maresia, a salinidade e acidez do molho e o picante do gengibre, vão de encontro às características de um Blanc de Blancs. Além da delicadeza de ambos (prato e vinho), a acidez  do champagne combate bem a maresia dos frutos do mar, a salinidade e a picância do gengibre, deixando um final rico e harmonioso.

Cappuccino de lula  e creme de batata

Belle Epoque Brut 2004 (50% chardonnay, 45% pinot noir, 5% pinot meunier). seis anos sur lies.

cappuccino de lula

prato bem executado

belle epoque 2004

exuberância de aromas

Esse foi o ponto alto das harmonizações, onde houve mais ousadia. Os sabores marcantes do molho e da lula embaixo da taça, acrescidos de uma textura delicada do creme de batata, tiveram a força precisa para este millésime rico em sabor. Esta safra teve a exuberância da fruta e um corpo acima do padrão, fatores decisivos no sucesso da harmonização, inclusive no equilíbrio de texturas entre prato e vinho. Superbe!

Pescada cambucu com legumes e crema de ervilha

Belle Epoque Brut 2002 (mesma composição do 2004)

pescada cambucu

frescor e delicadeza

perrier jouet 2002

uma grande safra clássica

Os champagnes millésimes marcam exatamente as características das safras. Esta bela safra de 2002 é enfatizada pela acidez e mineralidade com grande poder de longevidade. Tanto é verdade, que nesta prova não há nenhum sinal de oxidação, pelo contrário, muito frescor. O prato de peixe extremamente delicado, guarnecido por legumes e um creme sutil, foi o preâmbulo para fazer brilhar toda a riqueza e sutileza deste belo champagne.

Peito de pato com frutas do bosque

Belle Epoque Rosé 2005 (50% pinot noir, 45% chardonnay e 5% pinot meunier). Assemblage com vinho tinto (11% Pinot de Ambonnay e Aÿ). seis anos sur lies.

peito de pato com frutas de bosque

bela apresentação

perrier jouet rose

rosé delicado

O segredo nesta harmonização é o prato ter acidez suficiente para o vinho. Em preparações com pato, há sempre um toque de doçura no molho. Este fator desperta a acidez do champagne e ao mesmo tempo, ela deve ser nivelada com a acidez do prato. Com isso, a harmonização ganha frescor, sem descaracterizar o vinho. É bom frisar que o champagne deve ser rosé, pois é um vinho mais estruturado e de aromas sintonizados com carne vermelha. Este é um rosé de assemblage, ou seja, é adicionado uma pequena parcela de vinho tinto da região no vinho-base, sendo feita posteriormente a tomada de espuma na própria garrafa (champenoise).

Próximo artigo, mais Perrier Jouët à mesa.