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Château Gilette: Origininalidade em Sauternes

13 de Agosto de 2012

Este château completa a trilogia em Sauternes, juntamente com Yquem e Climens. Se Yquem é a opulência, Climens a delicadeza, certamente Gilette, é a originalidade de um grande terroir. Falando neste conceito, aqui não é a cepa, o clima ou o solo, os fatores determinantes, e sim, o homem. A filosofia na vinificação e sobretudo no amadurecimento do vinho, transforma Gilette num vinho único.

Num terreno pedregoso na comuna de Preignac, de solo arenoso com subsolo calcário, quatro hectares e meio são cultivados com uvas Sémillon, complementadas por Sauvignon Blanc e uma pitada de Muscadelle. O vinho é fermentado em aço inox e amadurecido em cubas de cimento por quinze a dezoito anos em média. Eu disse anos, não meses. Completando mais dois anos em garrafa, é então comercializado.

Normalmente, os vinhos doces na região de Sauternes são fermentados e amadurecidos em barricas de carvalho por longos meses. Château Gilette não tem qualquer contato com madeira, preservando integralmente todo o potencial aromático da fruta e dos efeitos da Botrytis. Um detalhe importante para quem for degustá-lo, é que imperativamente deve ser decantado por pelo menos uma hora. O ideal seria mais de duas horas. A explicação é simples. Além de um longo período nos tanques de cimento, há muitas vezes um longo período em garrafa. Portanto, nestes dois ambientes, há um forte caráter redutivo, ou seja, ausência de oxigênio. Daí, a necessidade da decantação para que a aeração devolva com o tempo toda a riqueza aromática deste grande vinho.

Terroir Barsac: Château Climens

6 de Agosto de 2012

Neste mesmo blog, já falamos em outras oportunidades sobre os vinhos de Sauternes, a região de Bordeaux, a influência da Botrytis Cinerea na elaboração de vinhos doces, e alguns outros assuntos correlacionados. Contudo, desta feita trataremos de um terroir específico na região de Sauternes denominado Barsac. O château abaixo está para esta comuna, assim como Yquem está para Sauternes.

A safra 2001 na região foi excepcional

Os châteaux Climens e Gilette (este da comuna de Preignac) são tecnicamente dois grandes rivais do todo poderoso Yquem, embora a fama e glamour deste último, seja inquestionável. Falaremos oportunamente, das peculiaridades do Château Gilette.

Detalhes geográficos de comunas famosas

Dentro do mágico território bordalês dos grandes vinhos botrytisados, apelações satélites como Sainte-Croix-du-Mont, Loupiac, Cérons e Cadillac, foram abordadas na série Bordeaux em cinco partes, neste blog.

A região de Sauternes, a mais famosa neste tipo de vinho, é desmembrada em cinco comunas clássicas, conforme mapa acima do lado esquerdo, ou seja, Barsac, Sauternes, Fargues, Preignac e Bommes. Notem que o rio Ciron, um importante afluente do Garonne, corta a região, separando a comuna de Barsac à esquerda, das demais comunas à direita. Outra peculiaridade, é que Barsac possui denominação própria, conforme rótulo acima do Château Climens, Appelation Barsac Controlée. As outras comunas são englobadas na apelação Sauternes. Contudo, a grande diferença de Barsac para as demais comunas em termos de terroir está na geologia, referente à formação de seus respectivos solos.

Em Barsac, o subsolo predominantemente calcário, apresenta várias fissuras, proporcionando uma drenagem excelente. A parte mais superficial, é composta de argila, areia e óxido de ferro, dando um aspecto avermelhado. O calcário além de fornecer finesse, agrega mineralidade e alto índice de acidez nas uvas, proporcionando vinhos equilibrados e elegantes. Numa comparação genérica com os vinhos de Sauternes, Barsac molda vinhos com maior frescor, transmitindo uma sensação menos untuosa que seu concorrente.

Em particular, Château Climens localiza-se próximo aos rios Ciron e Garonne a vinte metros acima do nível do mar, uma das mais altas da região conhecida como Haut-Barsac, com exposição sudeste. Essas condições proporcionam um ataque precoce da Botrytis Cinerea com ótimo nível de atuação, antecipando sempre a colheita no château com relação a seus concorrentes. A facilidade da botrytisação é um dos motivos para que Climens seja um varietal de Sémillon (100%), dada a afinadade desta cepa com o nobre fungo. A forte presença de fósseis marinhos no subsolo calcário indica a existência de mar no local em outras eras geológicas, transmitindo uma mineralidade adicional, além da destacada acidez. Tudo isso é potencializado pela proximidade da rocha-mãe, já que o solo é relativamente raso. Esses fatores são extremamente importantes para o belo equilíbrio de um vinho 100% Sémillon. Normalmente, em muitos châteaux, uma certa proporção de Sauvignon Blanc é necessária para garantir o frescor do vinhos.

Os châteaux Coutet e Doisy-Daëne são belas referências em Barsac, após o soberano Climens. Estes châteaux como todos os bordeaux, não têm exclusividade em importadoras, mas Doisy-Daëne elaborado pelo mestre Denis Dubourdieu, é importado pela Casa Flora (www.casaflora.com.br).

Harmonização: Queijo Gorgonzola

21 de Junho de 2012

Continuando nossa série de queijos, vamos falar hoje sobre Gorgonzola, um dos mais reputados queijos azuis, elaborado nas regiões de Lombardia e Piemonte, exclusivamente com leite de vaca. É o terceiro queijo em produção na Itália na categoria D.O.P (Denominazione di Origine Protetta), fazendo concorrência a outros dois grandes queijos azuis: Roquefort (França) e Stilton (Inglaterra).

Gorgonzola: Dolce à frente, Piccante ao fundo

A combinação de queijos azuis com vinhos da região de Sauternes ou vinhos fortificados como Porto por exemplo, é clássica. A força aromática entre vinho e queijo, a combinação de textura entre ambos e os contrapontos entre açúcar e sal, e entre gordura do queijo e acidez do vinho, abrem caminho para uma completa harmonia.

No caso do Gorgonzola, temos basicamente dois tipos distintos de queijo, conforme foto acima. A versão mais picante e visualmente com mais atuação do fungo, e a versão dolce, mais cremoso e menos salgado. Evidentemente, a primeira versão é mais conhecida e comercializada em nosso mercado, inclusive nas réplicas tipo Gorgonzola de vários países. Nestes casos, vinhos doces e com força aromática costumam harmonizar melhor, ou seja, vinhos fortificados (Porto, Madeira Moscatéis, …) ou vinhos de colheita tardia com as uvas Sémillon, Moscatel ou Gewurztraminer. Não vale a pena arriscar tintos, mesmo que potentes, pois os taninos chocariam-se com o sal do queijo, provocando amargor acentuado.

No caso do Gorgonzola Dolce, por ser menos salgado e de aromas menos acentuados, a chance de tintos potentes pode surpreender. Vinhos como Amarone ou Shiraz australiano mais concentrado, apresentam força aromática suficiente e taninos bastante dóceis. Normalmente, são vinhos com alto teor alcoólico que ajuda na harmonização. Como alternativa ao Amarone, podemos partir para uma escolha mais original como Sforzato di Valtellina, tinto lombardo elaborado com a uva Chiavennasca (nome local da Nebbiolo) pelo mesmo processo de passificação do Amarone (vide artigo sobre Amarone neste blog). A importadora Tahaa (www.tahaavinhos.com.br) traz o belo produtor Conti Sertoli-Salis. A boa alternativa australiana vem da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) com a vinícola Glaetzer. Potente Shiraz de Barossa Valley com o nome Bishop, apresenta fruta concentrada entremeada com toques de baunilha e especiarias.

Se a preferência continuar pelos vinhos doces, vários Passiti italianos podem harmonizar bem. Aliás, vinhos elaborados com uvas passificadas são uma especialidade italiana. Do norte, temos o ótimo Recioto di Soave (Anselmi e Pieropan são produtores superlativos). Do sul, só para citar um exemplo, temos o Passito di Pantelleria, já abordado em artigos anteriores. A ilha de Pantelleria pertencente à Sicilia, localiza-se bem próxima à costa africana. De Bartoli e Donnafugata são produtores de referência trazidos pelas importadoras Decanter (www.decanter.com.br) e World Wine (www.worldwine.com.br), respectivamente.

Harmonização: Foie Gras

6 de Dezembro de 2010

Todo mundo sabe que Sauternes combina com foie gras (literalmente fígado gordo), fígado este, que pode ser de ganso (oiel) ou pato (canard), nas preparações mais sofisticadas. De fato, o vinho botrytizado adquire características específicas para a harmonização em questão: intensidade e requinte de sabores de ambos, o contraste entre doce e salgado, acidez do vinho combatendo a gordura do prato, e por fim, a similaridade de texturas. Neste último item, cabe a observação da untuosidade de ambos, provocada por agentes externos. No caso do vinho, um dos efeitos colaterais é a produção excessiva de glicerol frente ao ataque do fungo Botrytis Cinerea. Já no caso do fígado, a alimentação induzida de cereais (milho) conhecida como gavage, provoca excesso de gordura no mesmo (anomalia conhecida como Esteatose Hepática), tornando-o claramente gorduroso.

Peça inteira de Foie Gras

O foie gras entier como na foto acima, é a base para todos os tipos. Evidentemente, neste estado virgem, nas mãos de quem sabe manipulá-lo e prepará-lo, apresenta textura e sabores inigualáveis, conforme receita abaixo.

Foie Gras com mostarda em grãos e cebolas glaceadas

Fugindo um pouco da harmonização óbvia, poderíamos pensar em alternativas com vinhos fortificados, por exemplo. Para algumas pessoas, a harmonização tradicional pode se tornar um tanto cansativa pelo excesso de untuosidade do conjunto, além de causar problemas de readaptação do palato na sequência da refeição.

A idéia é trocar parte do açúcar por um incremento de álcool, componentes que estão do mesmo lado da balança. Experimente um Porto Tawny ou um Madeira Verdelho com patê de foie gras. A doçura é bem mais comedida, compensada pela força do álcool. Os sabores se completam, com o vinho fornecendo notas balsâmicas e oxidativas ao conjunto.

No caso de uma fatia de foie gras grelhado com molhos de frutas e certa doçura, o vinho precisa ser calibrado. Os Portos no estilo Tawny devem ser mais jovens como um 10 anos, por exemplo. Podem ser de estilo Ruby, no caso de frutas vermelhas. Os Madeiras precisam ser do tipo Boal ou Malmsey para fazerem frente ao açúcar do molho. Se o molho envolver frutas cítricas como a laranja, os moscatéis podem entrar em ação. Particularmente, acho os de Sétubal um pouco pesados para este caso, mas um Beaumes-de-Venise ou um Muscat de Rivesaltes, podem ser surpreendentes.

Enfim, a enogastronomia nos permite certas aventuras, fugindo do tradicional. Porém, sempre fundamentadas em princípios lógicos, buscando alternativas que possam repensar conceitos.

Vinho sem Segredo: um ano Online

24 de Outubro de 2010

Passa muito rápido, mas Vinho Sem Segredo está completando seu primeiro ano na tela com motivos para comemorar. As estatísticas do blog mostram números crescentes em visitas e comentários. Embora esses números não sejam muito expressivos frente a outros blogs badalados, prefiro ainda, qualidade à quantidade.

Um dos pontos mais motivantes em continuar escrevendo, é a total liberdade para abordar assuntos ligados à enogastronomia, sem qualquer pressão externa, seja de importadoras, associações, restaurantes, e principalmente, qualquer veículo ligado a marketing. A isenção, sinceridade e comprometimento apenas com assuntos que diz respeito a vinhos, são os grandes alicerces deste blog.

Harmonização: O verdadeiro sentido do vinho

Para não perder o costume, vamos à harmonização clássica da foto acima do refinado livro de Phillipe Bourguignon, queijo Roquefort com Sauternes (na foto, um Yquem 1983). Primeiramente, a tipologia dos dois. Produtos divinamente elaborados sob ação de fungos (Botrytis Cinerea para o vinho e Penicillium Roqueforti para o queijo). Por similaridade, a intensidade de sabores com equilíbrio superlativo, além das texturas darem as mãos (cremosidade do queijo e untuosidade do vinho). Os contrastes não ficam atrás: o excelente contraponto da acidez do vinho, frente à gordura do queijo, e o realçante antagonismo entre a doçura e o sal. Uma bela pausa para a dieta!

Não quero absolutamente, ser o dono da verdade, apesar de muitas vezes externar opiniões pessoais. O importante é o intercâmbio de informações através dos comentários sempre benvindos e quase sempre, prontamente respondidos. Neste contexto, quero deixar os leitores à vontade, para críticas, sugestões de novos temas, que à medida do possível, serão abordados futuramente.

Por fim, um agradecimento especial ao meu amigo Roberto Rockmann, jornalista e enófilo diferenciado, pelo incentivo e pela força, ao dar os primeiros passos na construção e nascimento de Vinho Sem Segredo.

Obrigado a todos e continuem online.

Vinho Sem Segredo

Harmonização: Prato de Queijos

22 de Março de 2010

 

Queijos nas refeições: uma opção pouco explorada

Arrematar uma refeição com queijos é um hábito natural da europa ocidental, notadamente, França e Itália, quer para terminar a última garrafa antes da sobremesa, ou mesmo para iniciar o vinho de sobremesa.

Para aqueles que preferem pular a entrada e a sobremesa em casa ou num restaurante, os queijos podem ser ótimas alternativas. Hoje não é tão difícil restaurantes oferecerem no cardápio um prato de queijos. Normalmente vem um assortiment com pequenas porções de queijos frescos de cabra, queijos de massa mole e/ou dura e alguns queijos azuis, podendo haver alterações, conforme a solicitação do cliente.

Nestas condições, assim que chegar o prato de queijos, você pode fazer o pedido do prato principal e o vinho que o acompanhará. Neste interim, quando os queijos estão relativamente gelados (eles só são tirados da geladeira no momento do pedido), podemos começar pelos queijos frescos de cabra, acompanhando uma taça de espumante ou um vinho branco fresco (Sauvignon Blanc é a pedida clássica).

Chegado o prato principal, sua garrafa estará devidamente preparada para o prato (se for vinho branco deverá estar à temperatura correta ou um tinto eventualmente já decantado). É uma estratégia interessante para que as coisas fluam naturalmente.

Neste ponto, esquecemos o prato de queijos, nos concentrando apenas no prato principal. Geralmente, sobra um pouco do vinho principal e que muitas vezes ficamos bebericando-o isoladamente. É nesta hora que volta o prato de queijos em ação. O tempo que ele ficou parado serviu para a temperatura dos queijos restantes atingirem o ponto ideal e principalmente adquirirem a textura correta. Arremate então o final da garrafa com os queijos, exceto os azuis, mesmo porque, este tipo de queijo normalmente vai sobrepujar o vinho principal, principalmente os tintos tânicos, com o sal agredindo-os   impiedosamente. Os queijos em questão, de massa mole (brie, camembert, …) ou dura (grana padano, parmesão, …) combinarão melhor com sua garrafa de branco ou tinto, respectivamente.

Por fim, chega a hora do vinho de sobremesa. Tanto um Sauternes, como um Late Harvest ou até mesmo um Porto escoltarão com sucesso os queijos azuis restantes. Para esses vinhos, há sempre boas opções em taça.

Neste roteiro observamos uma tábua de queijos devidamente degustada, harmonizada com vinhos variados no momento certo. Agora, se você não gosta de queijos, esqueça este post.

Bordeaux: Parte V

24 de Fevereiro de 2010

 

Sauternes/Barsac e apelações satélites

Os vinhos doces de Sauternes não deixam espaço para outros exemplares de regiões vizinhas, mesmo a notória região contígua de Barsac. Encabeçados pelo grande Yquem, châteaux como Rieussec, Guiraud, Suduiraut e Fargues reforçam este imperialismo.

Os vinhos são baseados na supremacia das uvas Sémillon, que podem chegar a 80% ou mais na composição do corte, complementadas pela Sauvignon Blanc, além de eventualmente, uma pitada de Muscadelle. A magia destes vinhos  deve-se à atuação precisa do fungo chamado Botrytis Cinerea, o qual submetido a períodos de alternância entre neblina matinal  e ensolação, provoca nos grãos de uva (particularmente a Sémillon, que é muito suscetível a seu ataque)  perdas de água significativas, concentrando níveis de açúcar importantes. Para completar o processo, a luta entre as uvas e o fungo gera teores de acidez incríveis, proporcinando aromas e sabores diferenciados, além da característica untuosidade, advinda da produção extra de glicerina. São vinhos macios, complexos e untuosos, sem perder um equilíbrio invejável.

Um dos segredos destes vinhos são as várias passagens no vinhedo em busca de colheitas seletivas, já que a botrytização não ocorre de maneira uniforme. Daí a explicação de sucesso do Yquem e outros grandes châteaux que só trabalham com uvas plenamente botrytizadas. Já os Sauternes baratos são meras caricaturas da apelação, misturando uvas majoritariamente não atacadas com uma parcela reduzida atacada às vezes parcialmente pelo famoso fungo.

Vale a pena aqui fazer justiça à comuna de Barsac que erroneamente parece transmitir uma certa submissão à apelação Sauternes. Na verdade, essas apelações são altamente e igualmente reputadas, diferenciando-se em estilo de vinho. Sauternes que geologicamente apresenta um solo pedregoso de natureza calcária com presença de argila, gera vinhos mais potentes e untuosos. Já Barsac, com solos mais arenosos e avermelhados (presença de ferro) e forte presença de calcário (tanto em rocha, como em pedras denominadas calhaus), gera vinhos mais sutis e elegantes, sem toda a untuosidade do seu rival.

Nesta comuna de Barsac, principalmente o Château Climens tem papel destacado, seguido de perto pelo ótimo Château Coutet. Outro menção que se faz necessária é o Château Doisy-Daëne, elaborado pelo craque Denis Dubourdieu, um dos maiores especialistas em vinhos brancos de Bordeaux.

Os châteaux até então mencionados de Sauternes e Barsac já eram famosos no século XVIII. Portanto, foram incluídos também na classificação de 1855, juntamente com os tintos do Médoc. A lista completa com 27 châteaux de Sauternes e Barsac está à disposição no site www.bordeaux.com.

Existe um Sauternes não classificado que deve ser mencionado entre os grandes. Trata-se do Château Gilette da comuna de Preignac. É um vinho de alto nível que passa mais de 15 anos na adega do próprio château em tanques de cimento, sem nenhum contato com madeira. Chega pronto ao mercado com todos os atributos que um Sauternes evoluído deve possuir.

Outro injustamente não classificado e já mencionado acima é o Château de Fargues (curiosamente da mesma família Lur-Salices, proprietária do Yquem).

Apelações Satélites

Voltando ao nosso mapa, percebemos uma série de comunas que rodeiam o centro nevrálgico da região (Sauternes e Barsac). Sobretudo as comunas de Cérons, Loupiac e Sainte-Croix -du-Mont costumam elaborar vinhos interessantes com duas grandes vantagens. Evidentemente o preço é uma delas. A outra é a prontidão destes vinhos e o caráter menos untuoso que às vezes, por uma questão de gosto ou adequação enogastronômica, é extremamente benvido. Contudo, fatores como complexidade e persistência aromática devem ser devidamente restringidas à relativa simplicidade das  respectivas apelações em questão.

Considerções finais

Com este quinto e último post sobre Bordeaux procuramos fornecer os elementos de foco para o que há realmente de interessante em seus vinhos, fazendo jus à toda magia e glamour que envolve a região. O conhecimento mais aprofundado e preferências pessoais acirram ainda mais a discussão pelos melhores châteaux.

Infelizmente um mar de vinhos na região aproveita a onda de fama e prestígio daqueles que realmente merecem para promover vinhos insípidos e decepcionar consumidores despreparados. Entretanto, um grande Bordeaux a gente nunca esquece.

Tendo um bom champagne de ínicio, não haverá motivos para mudanças de curso durante um jantar,  entre brancos, tintos e doces bordaleses. Principalmente,  quando não fazemos concessões ao conceito de terroir.