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Kyoho: uva mais plantada no mundo

18 de Março de 2018

Vira e mexe, pinta aquela curiosidade sobre as uvas mais plantadas no mundo. As famosas uvas francesas, ditas internacionais, logo vêm à mente, guiadas por nossa intuição. É claro que elas são importantes e mundialmente conhecidas, mas algumas de nomes absolutamente desconhecidos, têm expressiva área plantada em regiões e países pouco divulgados na mídia. É o caso da uva tinta Kyoho, a mais plantada na China e no mundo. Segue ranking abaixo, na primeira tabela.

Kyoho é uma uva híbrida desenvolvida no período pós segunda guerra mundial. É uma uva de mesa, uma espécie de moscatel, de sabor bem doce. Uva de grande rendimento e resistente a doenças. Em 2015, alcançou 365 mil hectares de cultivo mundial com de 90% na China. É uma uva essencialmente asiática com foco no Japão, Coreia, e Tailândia.

vinhedos no mundodistribuição mundial dos vinhedos

Cabernet Sauvignon

Esta é a segunda uva mais plantada no mundo com 341 mil hectares de vinhas. Disseminada pelo mundo, tem destaque na França, Chile, Estados Unidos, Australia e China. Neste último país, China, seu cultivo entre as castas internacionais é muito expressivo, superando com folga exemplares como Merlot, Chardonnay e Carmenère.

Sultanina

Esta é a terceira uva mais plantada no mundo com 273 mil hectares de vinhas. Uva branca de mesa de origem afegã, antiquissíma. Fundamentalmente utilizada para uva passa, é muito cultivada no Oriente Médio (Turquia e Irã), Ásia Central e Estados Unidos. De sabor muito doce e extremamente produtiva.

Merlot

Mais uma uva internacional com 266 mil hectares de área plantada. Assim como a Cabernet Sauvignon, a Merlot é dissiminada mundo afora. É a uva mais plantada em Bordeaux e também na França com 112 mil hectares de vinhas. Tem boa difusão na Itália também.

Tempranillo

Uva espanhola que assume vários nomes na própria Espanha, além de Portugal, país vizinho. Seus 231 mil hectares de vinhas estão essencialmente na Espanha com 88% da área mencionada. Tem certa expressão na Argentina e Austrália. Em Portugal sob os nomes de Tinta Roriz no Douro e Aragonês no Alentejo, participa de vinhos clássicos regionais.

Airén

Já foi por muito tempo a uva mais plantada no mundo, e ainda é a mais plantada na Espanha. Com seus 218 mil hectares de vinhas majoritariamente na região de La Mancha, presta-se essencialmente à destilação para Brandies e vinhos simples de corte. Com sua produção em forte queda, em mais alguns anos a Tempranillo assume definitivamente a primeira posição na Espanha.

uvas mais plantadas 2015setas: tendência de alta/baixa 

Chardonnay

Finalmente, a primeira uva branca internacional neste ranking em sétimo lugar com 210 mil hectares de vinhas. Assim como a Cabernet Sauvignon, é uma uva vastamente cultivada mundo afora. Sua fama vem dos grandes brancos da Bourgogne, além dos belos champagnes onde sua vocação para a espumatização é notável.

Syrah

A Syrah assume a oitava colocação com 190 mil hectares de vinhas plantadas. Embora seja cultivada em vários países, a Austrália conta com 40 mil hectares de vinhas, sendo a uva mais plantada no país dos cangurus. Ainda assim, a França assume a liderança mundial com 64 mil hectares cultivados essencialmente no vale do Rhône. Países como Chile e África do Sul produzem belos  vinhos com esta uva.

espanha varietaisEspanha: maior vinhedo do mundo

Grenache ou Garnacha

Assumindo a nona colocação, a Grenache conta com 163 mil hectares de vinhas. De origem espanhola, esta uva é bastante cultivada na França, sobretudo no vale do Rhône. França e Espanha perfazem 87% da área mundial cultivada. Normalmente, gera vinhos macios, redondos, e cheios de fruta.

Red Globe

Na décima colocação, mais uma surpresa da China, a uva tinta de mesa Red Globe. Com 159 mil hectares de vinhas em forte ascensão, assumirá em pouco tempo a nona colocação. Mais de 90% de seu cultivo está na China. Uva de grande vigor e altos rendimentos.

frança varietaisCabernets: números modestos

Sauvignon Blanc

A grande rival da Chardonnay em termos de estilo e projeção, assume a décima primeira colocação com 123 mil hectares de vinhas mundo afora. É a uva mais plantada na Nova Zelândia, onde tem estilo próprio. A França é seu país de origem com maior área cultivada, mas países como Chile e África do Sul apresentam destaque em seu cultivo.

Pinot Noir

No décimo segundo lugar, a temperamental Pinot Noir com 112 mil hectares de vinhas plantadas. Uva de dificil cultivo e raramente expressiva fora da Borgonha, sua terra natal. Países mais frios como Alemanha e Suiça tentam dar um ar mais delicado ao vinho. Já nos países do Novo Mundo, seus vinhos costumam ser extraídos, descaracterizando sua essência.

portugal varietaisdistribuição equilibrada

Ugni Blanc ou Trebbiano

Em décimo terceiro lugar, temos a Ugni Blanc com 111 mil hectares de vinhas. Na França com 82 mil hectares plantados, é a segunda mais plantada em território francês com ampla destinação ao fabrico de Cognac e Armagnac. Na Itália assumindo o nome Trebbiano, presta-se a vinhos brancos bem simples e espumantes relativamente neutros.

brasil varietaisonde estão as viníferas?

Nosso Brasil

Depois de nove uvas de mesa com mais de 60% da área de cultivo de vinhas no Brasil, aparece em décimo lugar com mil hectares de vinhas, a famosa Cabernet Sauvignon. Essencialmente, ainda somos um país de uvas de mesa e de suco de uva. Por sinal, a industria do suco vai de vento em popa. A maciça maioria de vinhos não é de uvas viníferas.

Conclusão

A China como vinhedo será certamente a área mais plantada no mundo, embora sua destinação seja uvas de mesa como volume. Entretanto, qualquer incremento no setor de vinhos costuma ser relevante, dada as dimensões do país.

A França no setor de vinhos vai continuar por muito tempo ditando as regras, haja vista a influência e penetração de suas principais uvas, ditas internacionais, mundo afora.

A Malbec na Argentina e a Riesling na Alemanha continuam como uvas emblemáticas de seus respectivos países, sem concorrentes à altura em outros países de produção bem mais modesta. Na Alemanha temos 24 mil hectares de Riesling e na Argentina, 40 mil hectares de Malbec.

Os Estados Unidos têm sólida posição mundial em seu quarto lugar com grande equilíbrio em seu vinhedo, entre vinhos, uvas passas, e uva de mesa. Uma grande liderança entre os países do Novo Mundo.

Vinhos do Peru

23 de Dezembro de 2017

Nesta época do ano aparecem nas mesas aquelas aves quase artificiais como Peru, Chester, e outros descobertas de laboratório. Elas vem com apito, um temperinho secreto, e um Feliz Natal!

peru de natal

mesa natalina

Pois bem, que vinho pode acompanha-las?. Certamente um branco, mas qual branco?. Normalmente, a carne é branquinha, sabores relativamente neutros, e com tendência de pouca suculência. O forno ajuda a promover esta secura. As características básicas para o vinho em questão são bom poder de fruta e uma textura agradável e macia. De cara, um bom Chardonnay com inúmeras ofertas no mercado. Como normalmente este tipo de vinho passa por madeira, convém que a mesma seja discreta, privilegiando o lado frutado. Há bons exemplares brasileiros com destaque para os vinhos da vinícola Pizzato, sempre bem equilibrados.

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eis um Chardonnay com madeira bem dosada!

Alvarinhos maduros, brancos do Rhône, Soaves da região do Veneto, são boas alternativas aos onipresentes Chardonnays.

No caso de haver molhos ou temperos agridoces, o branco deve acompanhar esta doçura. Neste contexto, os alemães são a solução ideal. Conforme a categoria, Kabinett, Spätlese ou até mesmo, Auslese, calibram com perfeição o açúcar desejado. Os alsacianos podem cumprir bem o papel, embora não tenham esta sintonia fina do açúcar residual.

Tintos

Se você não abre mão de tintos, o vinho precisa ser delicado, com bom poder de fruta, e textura macia. Pinot Noir, Gamay e Dolcetto, costumam dar certo. Sempre de safras maduras com textura mais agradável.

grand cru tasting 2017 nero d´avola passivento

fruta intensa sem ser pesado

Os vinhos do sul da Itália costumam ter bom poder de fruta, mas podem ser um tanto dominadores. Os varietais de Nero d´Avola da Sicilia são bem dosados neste sentido. Os Tempranillos jovens de Rioja e Ribera del Duero têm fruta e madeira bem dosadas. Não convém ir além da denominação Crianza. Bons Côtes-du-Rhône frutados, de safra recente, têm suculência para o prato.

Rosados

Pensando em vinhos rosés, eles precisam ter fruta, corpo e maciez. Um dos melhores italianos é o Scalabrone da Tenuta Guado al Tasso, região de Bolgheri. Uma mescla de Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. Cheio de aromas e textura, amolda-se bem à ave. Importadora Winebrands (www.winebrands.com.br).

antinori scalabrone

rosé bem temperado

Outro rosé original é o Pinotel da Bodegas RE, um corte de Pinot Noir e Moscatel. Aromático, gastronômico, e de sabores marcantes com muita fruta.

Se você fizer questão dos espumantes, continue nos rosados. Eles são mais macios, com mais fruta e corpo. O Excellence da Chandon é muito bem feito. Alguns Cavas rosados como Gramona e Raventós são bem gastronômicos.   

Em resumo, uns bons goles de vinho macio, frutado, e com frescor na medida, são componentes ideais para enfrentar a secura da carne e da farofa, equilibrando o sabor e a doçura das frutas. Taninos e alta acidez dos vinhos são inconvenientes neste caso.

Por fim, para quem gosta de uma fatia de panettone de frutas, uma taça de espumante Moscatel é a pedida certa. Feliz Natal!   

Top Ten Wine Spectator 2016

2 de Dezembro de 2016

A lista sempre provoca polêmica, mas é uma das mais esperadas no final de ano, Top 100 Wine Spectator. E aqui vamos falar dos dez primeiros que dia a dia vão sendo anunciados, até chegar ao vinho do ano.

A lista dos Top Ten é mais ou menos como seleção brasileira, cada um tem seu time. Eu sei que a pontuação pode ser manipulada, que pode ter um favorecimento para os americanos, que pode haver interesses comerciais, e assim por diante. O importante já que ela existe, é falar um pouco de cada um desses vinhos e sua reputação. Afinal, seja como for, não há dúvida que os vinhos têm qualidade. Então, vamos a eles!

top-ten-2016

amplo domínio americano

10 – Hartford Zinfandel Old Vine Russian River Valley 2014

O grande diferencial deste tinto é o clima refrescante de Russian River, famoso por belos Pinot Noir. Normalmente, os vinhos com Zinfandel (a Primitivo da Puglia) são alcoólicos, enjoativos e pesados. Neste caso, além do clima com destacada amplitude térmica, as vinhas têm média de idade bastante alta com muitas chegando a cem anos. Apenas nove meses em madeira, sendo somente 40% barricas novas, faz deste vinho uma bela expressão de fruta, toques defumados e uma acidez vibrante, compensando seus 15,7° de álcool num final intenso. 93 pontos – 38 dólares – 2200 caixas

9 – Château Smith Haut Lafitte Pessac-Léognan White 2013

A safra 2013 não foi das melhores em Bordeaux, sobretudo para tintos. Uma safra fria e muita dificuldade em maturar as uvas. Em compensação, apareceu uma acidez refrescante para os brancos, num bom balanço de fruta e madeira. Neste caso, o blend pouco usual é composto por Sauvignon Blanc (90%), Sémillon (5%) e Sauvignon Gris (5%). A fermentação dá-se em barricas (metade novas) com posterior bâtonnage (revolvimento das lias). O resultado é um vinho vibrante pelo amplo domínio da Sauvignon Blanc, mas ao mesmo tempo, complementado por uma maciez justa, dando equilíbrio ao mesmo. A pitada de Sauvignon Gris fornece um exotismo ao conjunto com notas minerais e de especiarias. Este Chateau tem sido grande destaque entre os brancos de Bordeaux nos últimos anos com safras muito consistentes. 96 pontos – 106 dólares – 2500 caixas

chianti-classicopiemonte

vinhos: 8 (toscana) e 5 (piemonte)

8 – Antinori Tignanello Toscana 2013

Tignanello é um ícone da Toscana que mostra como se deve trabalhar um Sangiovese com o complemento exato de uvas internacionais sem tirar sua essência, mas ao mesmo tempo, fornecendo-lhe elegância e complexidade. Aqui temos Sangiovese (80%), Cabernet Sauvignon (15%) e Cabernet Franc (5%), cultivadas em altitudes ideais (350 a 400 metros) dentro da região do Chianti Classico. O trabalho de cantina de Renzo Cotarella é preciso no sentido de extrair taninos (estrutura) na medida certa, complementando um estágio bem dosado em barricas de carvalho por 12 a 14 meses. O resultado é um vinho de acidez vibrante, taninos bem moldados, e todo o potencial para bons anos em adega. 94 pontos – 105 dólares – 2500 caixas

7 – Ridge Monte Bello Santa Cruz Mountains 2012

Aqui temos um clássico corte bordalês de margem esquerda com predomínio da Cabernet Sauvignon, além de Merlot, Cabernet Franc, e Petit Verdot. O famoso vinhedo Monte Bello localizado em Santa Cruz Mountains, zona de altitude perto da costa ao Sul de San Francisco, conta com solo argilo-calcário, dando elegância ao vinho. De fato, lembra um Bordeaux bem equilibrado com seus toques minerais de grafite. A Cabernet Sauvignon neste clima ameno, tem seu amadurecimento  com maturação prolongada, fornecendo estrutura para um consistente envelhecimento em garrafa. Ótima pedida, fugindo um pouco de Napa Valley. 94 pontos – 175 dólares – 5243 caixas

california-wines

Sonoma (Russian River), Santa Cruz

vinhos americanos (10), (7) e (6)

6 – Orin Swift Machete Califórnia 2014

O rótulo e o vinho são tão polêmicos, quanto ousados. Sem dúvida, é o vinho que você se pergunta: como ele está no Top Ten 2016? Resposta também polêmica: 94 pontos- 48 dólares – 15500 caixas produzidas. O critério da revista levando em conta além da pontuação, seu preço de mercado, e a capacidade de produção, muitas vezes abrem brechas para esses vinhos bizarros. O blend tenta lembrar algo do Rhône, envolvendo as uvas Syrah e Grenache. Contudo, o ator principal trata-se da uva Petite Sirah, também conhecida como Duriff (cruzamento da Syrah com Peloursin). Não é um vinho de vinhedo. Na verdade, é um mix de vinhedos da vasta região de Northern Califórnia. O vinho amadurece cerca de dez meses em barricas francesas (40% novas). Vinho potente (15,7° de álcool), cheio de fruta, e aromas tostados e de baunilha. Há quem goste … 94 pontos – 48 dólares – 15500 caixas

5 – Produttori del Barbaresco Asili Riserva 2011

Fazer Barbaresco de prestigio com pequenos produtores em vinhedos exclusivos é normal. Agora, fazer esta denominação reputada do Piemonte numa cooperativa local é algo louvável. É o que vem acontecendo com Produttori del Barbaresco de algum tempo pra cá. Neste caso, trata-se de um Riserva do vinhedo Asili de pouco mais de dois hectares. O vinho estagiou por 36 meses em botti (toneis de grandes dimensões) e 12 meses em garrafa, antes da comercialização. Alia complexidade, elegância e longevidade. 96 pontos – 59 dólares – 1100 caixas

bordeaux

vinhos: 9 (pessac-leognan) e 4 (barsac)

4 – Château Climens Barsac 2013 1° Cru 

Climens na verdade é o grande rival de Yquem num estilo mais delicado, mais sutil. Elaborado exclusivamente com Sémillon, uva propícia ao ataque da Botrytis, o grande diferencial é seu solo calcário que fornece acidez e elegância ao vinho. Os rendimentos giram em torno de nove hectolitros por hectare e o amadurecimento dá-se em barricas de carvalho (30 a 40% novas) por 20 a 22 meses. Esta safra ressaltou as qualidades de Climens fornecendo-lhe uma elegância impar. 97 pontos – 68 dólares – 1417 caixas

3 – Pinot Noir Ribbon Ridge The Beaux Frères Vineyard 2014

O clima frio de Oregon (estado acima da Califórnia) é um aliado para Pinot Noir mais frescos. A preocupação da vinícola em preservar o vinho em suas várias fases de elaboração do oxigênio é primordial. O vinho permanece com as lias até seu engarrafamento sem filtração. A despeito de amadurecer em barricas francesas (50% novas), a expressão de fruta é notável. 95 pontos – 90 dólares – 2405 caixas

oregon-wines

willamette valley

(principal sub-região do Oregon)

vinhos americanos (3) e (2)

2 – Domaine Serene Chardonnay Dundee Hills Evenstad Reserve 2014

Linha de luxo desta vinícola de Oregon (Willamette Valley), Evenstad é uma seleção dos melhores vinhedos dentro da AVA Dundee Hills. Chardonnay fermentado à moda da Borgonha com 13 meses em barricas de carvalho (31% novas). Belo balanço entre fruta, acidez e madeira. A seleção clonal, de barricas, e a melhor mescla da vinificação de cada safra, resultam em vinhos elegantes e de muito sabor. 95 pontos – 55 dólares – 2000 caixas

Vamos deixar o Vinho do Ano para o próximo artigo, complementando com mais algumas sugestões pessoais entre os Top 100 da lista completa.

Pratos, Vinhos, Harmonizações

28 de Maio de 2016

Num apanhado dos últimos eventos, vinhos e pratos surpreendentes merecem destaques. Os pratos do artigo são de um jantar oferecido pelo amigo Patrick Delfosse, grande conhecedor de Puros, música (especialmente Jazz) e obras de arte como quadros, esculturas, peças de decoração.

Muito dos vinhos são de um belo evento da Qualimpor com a divulgação competente de Gabriela Galvêz, onde além dos vinhos tivemos uma série de azeites portugueses e queijos nacionais diferenciados.

creme brulee salgado

entrada super original

A entrada acima surpreendeu a todos, criação da amável Emilie no jantar do amigo Patrick. Um crème brûlée salgado à base de salmão defumado, ou seja, a textura do creme lembrava o doce original, mas com o sabor salgado e um defumado bem elegante. A fina camada de açúcar tostado fez um contraponto muito interessante. Para este prato, sugiro um Vouvray Sec Tendre (com leve açúcar residual) ou um Riesling alemão do Mosel categoria Spätlese. Bela combinação, sem marcar muito o paladar. O copo trata-se de um creme de ervilha suave que não interfere na harmonização.

aperitivo suze

cocktail: fond de culotte

O coquetel acima chamado de fond de culotte é mistura de Suze, água com gás e creme de cassis. A proporção dos ingredientes gera bebidas diferentes. Um pouco mais de água com gás deixa o drink refrescante, enquanto um pitada apenas de cassis não o deixa muito doce. A propósito, Suze é um bitter de origem francesa criado em 1889. Agradavelmente amargo.

cubo de salmão

cubo de salmão em crosta de gergelim

O salmão fresco grelhado é um bom parceiro para vinhos com a uva Pinot Noir, sobretudo Sancerre tinto ou Borgonha. Apesar de peixe, sua carne escura, sanguínea e de textura firme, pede mais um tinto, desde que seja delicado em taninos e não muito invasivo. Este cubo de salmão estava crocante por fora e extremamente úmido em seu interior. Comme il faut!

williams selyem

Russian River: Côte d´Or de Sonoma

Que tal este Pinot para o prato de atum? William Selyem faz dessa uva uma cópia quase fiel à original. Muito bem balanceado, com elegância, e uma madeira criteriosamente dosada. Estilo fora da curva das inúmeras tentativas do Novo Mundo. Acesso e preços quase proibitivos.

tabua de queijos

queijos variados em todos os sentidos

A foto acima é um clássico num final de jantar francês. Os queijos têm como função finalizar o último vinho, além de dar sequência ao provável vinho de sobremesa ou outros que se seguiram. Um dos bons parceiros nesta hora é o vinho do Porto, principalmente quando a potência e a textura de certos queijos se fazem presentes.

taylor´s 30 anos

Taylor´s 30 anos: grande pedida nos tawnies da casa

Neste estágio, um 30 anos exige muito equilíbrio e complexidade. Se estes requisitos forem atingidos, então percebemos que a mão do homem foi sábia. Assim é dito: “Vintages estão nas mãos de Deus, Tawnies nas mãos do homem”. Portanto, é esta precisão do blend tanto em proporções, como na escolha dos vinhos de reserva certos, que foram bem envelhecidos e que por sua vez, tinham extrato e concentração para tal. É uma tarefa de perfumista. Importado pela Qualimpor (www.qualimpor.com.br).

taylor´s colheita 1966taylor´s 1994

Taylor´s: Colheita 66 e Vintage 94 – lado a lado

Continuando em Porto, continuando em Taylor´s, a foto acima mostra claramente como as categorias Tawny e Ruby podem sublimarem-se em Colheita e Vintage, respectivamente. O Vintage 94, já comentado várias vezes neste mesmo blog, vai maturando lentamente em garrafa, provado felizmente em vários momentos e estágios de evolução. Já este Colheita estagiado em cascos por 50 anos, mostra toda a complexidade e maciez que um Porto pode atingir. Lançamento da Taylor´s num bonito estojo pela Qualimpor, foto abaixo.  

taylor´s colheita 1966 (2)Colheita de altissimo nível

Para encerrar o assunto Taylor´s, temos este monumental Vintage safra 2011. Infelizmente, não estarei mais aqui para ver seu esplendor, provavelmente no final deste século. Escuro, denso, multifacetado em várias camadas de aromas. Precisa ser decantado por horas nos prováveis infanticídios que virão. Bom presente para seu neto que está nascendo agora, ou para aqueles em que o ano 2011 foi significativo e marcante.

taylor´s vintage 2011

Vintage: safra e engarrafamento obrigatórios no rótulo

ameal solo loureirogrande mineralidade

Quinta do Ameal é uma propriedade portuguesa na região dos vinhos verdes mais especificamente, na sub-região do Lima, cultivando a casta Loureiro. Pessoalmente, a melhor casta da região depois da gloriosa Alvarinho. Esta cuvée chamada Solo, expressa um vinho de grande mineralidade, equilíbrio e persistência. Vale apena ser provado. Importado pela Qualimpor.

quinta do crasto vinhas velhas

Um clássico nos tintos durienses

Finalizando o artigo, o tinto acima requer paciência e decantação na hora do serviço. Partindo de vinhas antigas (diversas castas, algumas centenárias), este tinto exibe alta concentração, tipicidade, e profundidade. Seus taninos são abundantes e finos. Requer muita paciência para seu lento desenvolvimento em adega. Deve ser obrigatoriamente decantado. Páreo duro em qualquer painel de alto nível do Douro.