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Minha Seleção 2018 ABS-SP

28 de Novembro de 2018

Como um dos Diretores de Degustação da ABS-SP, neste artigo faço uma seleção dos dez melhores vinhos degustados na entidade ao longo de 2018. Alguns dos critérios escolhidos foram preço acessível, disponibilidade do produto, originalidade, e uma seleção com vários tipos de vinhos. É evidente que se trata de uma escolha pessoal onde alguns outros vinhos também interessantes ficaram de fora. Enfim, os dez escolhidos seguem abaixo.

1. Huet Vouvray Pétillant Brut 2007

Este é o único espumante da lista, e ainda assim um Pétillant (pouquíssimo gás dissolvido no vinho). Essa era a maneira tradicional de se elaborar Vouvray na chamada Old School. Apelação importante do Loire onde reina a casta Chenin Blanc. O produtor dispensa comentários, Domaine Huet. Esse vinho, a princípio um branco tranquilo, é engarrafado com algum açúcar residual natural, muito comum na região. Com o passar do anos em adega, ele adquire uma pequena quantidade de gás dissolvida, resultado de lenta fermentação daquele açúcar residual pelas leveduras naturais presentes no vinho. O resultado é um vinho extremamente gastronômico, de rica textura, e leve efervescência das borbulhas. Aromas elegantes e complexos denotando mel de flor de laranjeira, maracujá, amêndoas, e notas de pâtisserie. Pode ser uma bela opção para entradas com foie gras ou patês de caça, especialmente aves. Um vinho que vale no mínimo, pela curiosidade. Importadora Premium (www.premiumwines.com.br). 

2. Viña Aquitania Sol de Sol Chardonnay 2009

Se não for o melhor, está entre os melhores Chardonnays chilenos. Mais do que ser muito bom, provou que pode envelhecer bem, pois este exemplar com quase dez anos, estava em seu esplendor. Ainda muito rico em frutas tropicais, madeira bem integrada, e um equilíbrio notável. Tem um estilo europeu, bem diferente do que se espera de um vinho chileno. Já um clássico do Chile, é elaborado com uvas do frio Valle de Malleco, bem ao sul do país. Importadora Zahil.

ABS 2018 RICCITELLI SEMILLON

Descorchados: 92 pontos

3. Matias Riccitelli Old Vines Sémillon 2017

Um branco que foge totalmente dos padrões argentinos, velhas vinhas de Sémillon plantadas no anos 70 na fria região da Patagônia, bem ao sul do país. O vinho é amadurecido por seis meses em barricas  (60%) e tanques de concreto (40%). O contato com as leveduras após a fermentação por algumas semanas, confere textura e complexidade ao conjunto. Bela riqueza aromática, mesclando ervas, mel, baunilha, e pêssegos. Sempre macio, sem perder o fresco. Notável persistência aromática. Importadora Winebrands.

 

números 4 e 6

4. Travaglini Gattinara DOCG 2012

Travaglini é a grande referência quando falamos de Nebbiolo da DOCG Gattinara. Localizada bem ao norte da denominação Barolo, seus vinhos primam muito mais pela elegância e sutileza, do que pela potência. Com toques florais e de alcaçuz, este tinto é muito equilibrado e elegante. Seus taninos são delicados para a casta em questão, além de expansivo em boca. Preço bem razoável para Nebbiolos deste porte. Importadora World Wine.

5. Cantina Cellaro Due Lune IGT 2013

Com a Sicilia em voga, este é o segundo de uma série de italianos da lista. Um corte clássico da ilha com Nerello Mascalese predominando (70%) e Nero d´Avola como coadjuvante (30%). O vinho passa cerca de oito meses em barricas francesas. Um tinto moderno, mas de muita tipicidade, com bom poder de fruta, toques tostados elegantes, florais, e chocolate escuro. Bem balanceado em boca, taninos de boa textura, e final bem acabado. Preço bem honesto para o que oferece. Importadora Casa Flora.

6. Castellare di Castellina Chianti Classico 2014

Dos vários toscanos degustados ao longo de 2018, este Chianti Classico chamou a atenção pela elegância e por seu preço honesto. Madeira bem colocada, aromas típicos da Sangiovese, e taninos muito bem moldados. Seu belo frescor o torna muito gastronômico. Vinícola tradicional da região histórica de Castellina in Chianti. Importadora Mistral.

 

números 5 e 7

7. Chateau Fayau Bordeaux Superieur 2015

Premiando a bela safra 2015 de tintos bordaleses, este Chateau relativamente simples, mostrou tipicidade, equilíbrio, elegância, e sobretudo bom preço. Neste típico corte bordalês, uma expressiva porcentagem de Cabernet Franc presente, dá um toque a mais de elegância ao conjunto. Pronto para ser tomado. Importadora Mistral.

8. Vinhas da Ciderma Grande Reserva 2007

Nas últimas degustações do ano, apareceu este belo tinto do Douro com castas locais, esbanjando classe e vivacidade. Embora já com dez anos de evolução, não denuncia a idade. Muita fruta no aroma, toques resinosos e de alcaçuz com taninos de ótima textura. Madeira bem equilibrada e bela expansão em boca. Ótimo momento para ser apreciado. Importadora Premium.

 

números 9 e 10

9. Quinta do Noval Porto LBV Unfiltered 2009

Podemos considera-lo como um mini-vintage, tal a concentração e qualidade deste Porto. Cor retinta, aromas de frutas escuras, toques florais, de torrefação e algo mineral. Seus taninos são densos e muito bem construídos. Doçura e equilíbrio notáveis, além de uma bela persistência aromática. Convém decanta-lo para aeração e também na separação dos sedimentos, já que não é filtrado. Dentro da categoria LBV é dos mais distintos. Importadora Adega Alentejana (www.alentejana.com.br).

10. Alois Kracher Noble Reserve Trockenbeerenauslese 

Finalizando a lista, um belo vinho botrytisado da Áustria. O produtor Alois Kracher é referência na região de Burgenland, famosa pela regularidade em propiciar o fenômeno da “podridão nobre”. Num corte inusitado de Welschriesling (Riesling Itálico), Chardonnay, e Traminer, o vinho é maturado em grandes toneis de madeira inerte. Com 195 g/l de açúcar residual, sua doçura é perfeitamente equilibrada por uma revigorante acidez. Os aromas marcantes de Botrytis, mel, flores, e pêssegos, são notáveis. Untuoso em boca e de grande persistência aromática. Pela complexidade e estilo de vinho, tem um preço bem convidativo na importadora Mistral. Vale lembrar, neste tipo de vinho estamos falando em meia-garrafa.

Passando por vários tipos, estilos, preços, e regiões de vinhos, espero que esta lista possa ajuda-los nas compras e presentes no fim de ano com a aproximação das festas e comemorações. As safras e preços podem ter sido alteradas ao longo do ano, mas nada que prejudiquem a qualidade e indicação destes vinhos. A maioria varia entre 150 e 300 reais. Aproveitem!

Almoço da Terrinha …

9 de Março de 2018

Num agradável almoço no Rancho Português em São Paulo, comida farta com vinhos da Terrinha. Essa é a proposta deste grupo que alia centenas de rótulos portugueses dos mais variados estilos e preços, harmonizando com pratos da cozinha lusitana, sem incorrer em erros e nem aventurar-se em combinações sem sentido. Em suma, vinhos das várias regionais portuguesas com pratos tradicionais deste encantador país.

 frutos do mar muito bem apresentados

Acima, Frigideira de Frutos do Mar e Camarões Porto Santa Maria. Estes foram os pratos do início do almoço, acompanhados por um branco do Dão com as castas Encruzado e Malvasia, sobretudo. 20% do vinho estagia em barricas de carvalho francês, enquanto o restante fica em cubas de aço inox. Branco de muito frescor com toques citrinos e florais. Belo equilíbrio com final fresco e estimulante. Sua acidez e mineralidade combateram bem a gordura e maresia dos pratos. Importadora Zahil.

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Brancos do Dão: sempre elegantes e equilibrados

Continuando o sacrifício, vamos agora ao Bacalhau da Terra da “Mamãe”. Um prato farto com uma linda posta de bacalhau, acompanhando uma polenta cremosa. Delicado, mas ao mesmo tempo com sabores marcantes.

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um molho semelhante à moqueca

Dentre os nove vinhos tintos servidos no almoço, alguns deles abaixo que acompanharam com competência o prato ícone português. O Pedra Cancela Reserva 2013 da região do Dão mostrou seu charme com toques terciários no aroma (couro), de acordo com os sabores do bacalhau e as notas de azeite trufado. O segundo, Dois Terrois da vinícola Corte de Cima, importadora Adega Alentejana, mostrou boa fruta com leves toques amadeirados. O terceiro vinho, Quinta do Penedo do Salto Reserva, tem um estilo bem Novo Mundo. Muita fruta com toques mentolados. Foi o que menos conversou com o prato.

vinhos: Dão, Alentejo, e Douro

Como se já não bastasse, mais um prato de resistência, Bife a Café Lisboa. Como tive o privilégio de sentar ao lado de Dias Lopes, grande escritor da gastronomia, ele me contou que na antiga Lisboa, nos tempos de Fernando Pessoa, a fama de uma série de bifes espalhados pela cidade fazia grande sucesso, inclusive o famoso bife acebolado. Voltando ao prato, o molho farto e bem balanceado lembra um pouco o do Steak au Poivre.  Neste caso, com um sutil toque de café que dá nome ao prato.

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cozinha sem frescuras

Acompanhando a carne, Quinta do Vallado Touriga Nacional. Um vinho de força, presença, e muito bem elaborado. Um verdadeiro pote de geleia de frutas escuras permeado por lindos toques florais. Taninos elegantes, profundidade de sabor, e longa persistência. O Quinta das Marias do Dão, surpreendeu pelo corpo e potência, muito provavelmente pela bela safra 2015. Um vinho denso com toques defumados e minerais, fugindo um pouco da habitual delicadeza. Contudo, um tinto intrigante e de muita personalidade. Já o alentejano, Herdade Grande Gerações, assumiu a delicadeza do Dão para padrões da região. Corpo médio, aromas delicados de licor de frutas e um sutil toque de menta, quase lembrando anis. 

novamente o trio: Alentejo, Dão e Douro

Os três acompanharam bem o prato, mas o Alentejano ficou um pouco abaixo, faltando punch para a intensidade do prato. Como relatado, estava muito delicado para a natureza dos vinhos desta região.

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Pão de Ló de Ovar

A sobremesa foi para chutar o balde, ou como diz o jornalista Sardenberg, enfiar o pé na jaca. Mais uma das tradicionais receitas com ovos, este Pão de Ló de Ovar estava muito bem feito e apresentado. É uma espécie de petit gâteau de ovos onde você parte a massa delicada do bolo e encontra um creme de ovos. A doçura estava na medida certa, sendo uma ótima desculpa para acompanhar um cálice de Moscatel de Setúbal.

Mais uma vez, a dieta foi adiada. Agradecimentos à fidalguia de todo o pessoal do Rancho Português, especialmente do sommelier Araujo, aquele dos bons tempos do Antiquarius. Profissional de larga experiência, praticando uma sommellerie de eficiência e discrição.

Estendendo também os agradecimentos a Fellipe Toledo da Gina Comunicações por promover e proporcionar esta experiência enogastronômica da rica e farta cozinha portuguesa. Agora, só me resta voltar à dieta …

World Wine: Encontro Ibérico II

6 de Abril de 2017

Nesta segunda parte do evento, vamos destacar mais alguns vinhos entre brancos, tintos e especialmente os Vinhos do Porto.

Além dos vinhos evidentemente, toda uma estrutura bem montada na recepção dos convidados. Comidinhas variadas durante todo o evento, e até massas para aqueles que resolvessem jantar, por exemplo. Enfim, ambiente bonito e bastante funcional.

Brancos

bodega ponce reto blanco

Este branco de Cuenca, denominação Manchuela, safra 2015, é elaborado com a pouco conhecida casta Albillo, utilizada em pequenas proporções no corte do grande Vega Sicília em safras antigas. Um vinho de muito frescor, mineralidade e bom equilíbrio. Boa opção para fugir das mesmices.

herdade do rocim brancocarm rabigato branco

Mais dois brancos, à esquerda um alentejano, à direita um Douro. O alentejano da Herdade do Rocim é composto por Antão Vaz, uva que fornece estrutura, complementada por Arinto e Roupeiro. Branco delicado, com toques florais e frutados, bem acabado em boca. Já o duriense com a uva típica da região, Rabigato, mostrou muito frescor, toque cítricos e herbáceos com final bem estimulante.

Tintos

borsão garnachabodegas ponce bobal pé franco

As boas surpresas para os tintos ficaram reservadas para o Borsão Garnacha à esquerda, e o Bobal Pé Franco à direita. O primeiro trata-se da denominação Campo de Borja, região abaixo de Navarra, especializada nas Garnachas de altitude e vinhas velhas. O vinho comprovou esta vocação, com muita fruta, maciez e interessante mineralidade. Já o Bobal da denominação Manchuela, surpreendeu pela concentração. Nunca fui muito fã desta uva, extremamente plantada na Espanha. Entretanto, este exemplar com videiras pré-filoxera fez a diferença. Vinho de boa concentração, profundidade, e ótima persistência aromática.

valderiz jovem 2015carm maria de lourdes 2011

Dois tintos acima com propostas completamente diferentes. O da esquerda, Ribera del Duero, é um tinto Joven sem passagem por barricas. Por 86 reais, mostra boa concentração de frutas, bem equilibrado, e pureza de aromas. Muito adequado para começar uma sequencia de tintos em uma degustação ou jantar. Já o vinho da direita, tinto de corpo e grande guarda. Baseado em Touriga Nacional, uva de grande elegância, é complementada por Touriga Franca. Muito bem balanceado entre madeira e fruta, macio e de final longo. Condizente com a ótima safra 2011 no Douro.

Portos

Quanto aos Portos, é só escolher a preferência de cada um. Grandes safras, estilos bem definidos e algumas preciosidades.

krohn colheita 2000krohn colheita 2000 contra rotulo

O Porto acima foi o único Colheita a ser degustado. Notem que é importante termos no rótulo tanto a safra (2000), como a data de engarrafamento (2013), ou seja, o vinho passou 13 anos em pipas de carvalho. O mínimo por lei são sete anos. É comum nesses casos, o produtor soltar uma parte do lote de tempos em tempos, envelhecendo o mesmo vinho até sua evolução final. Este tipo de Porto envelhece em pipas de maneira oxidativa, e não de maneira redutiva em garrafa.

krohn quinta do retiro novo 2011quinta vale dona maria vintage 2011

Acima, a maravilhosa safra 2011 para os Vintages. A diferença básica além das Casas, é que o da esquerda é um Vintage de Quinta (Retiro Novo) e o da direita, um Vintage Clássico. Teoricamente, o Clássico é mais complexo, pois provem de várias Quintas da propriedade. De todo modo, os dois tem muita concentração. Pessoalmente, acho o Vale Dona Maria mais elegante. Contudo, os dois devem evoluir bem por décadas. Os preços se equivalem.

krohn vintage 1965

O final apoteótico ficou por conta desta raridade, Krohn Vintage 1965, em época que não havia internet. É de fato uma viagem no tempo. Pouquíssimas Casas declararam Vintage neste ano, já que 1963 e 1966 foram colheitas espetaculares e históricas. É um vinho pronto, na sua plenitude, tudo que um Porto pode oferecer. Maciez, complexidade e o equilíbrio dos grandes vinhos. Os aromas de figos e tâmaras são notáveis. Até o preço pela raridade, não é um absurdo. Para acompanha-lo, basta um queijo da Serra da Estrela ou um queijo azul inglês Stilton, e não se fala mais nisso.

Maiores informações sobre preços, safras, e outros exemplares além desses comentados, consultar a importadora: http://www.worldwine.com.br

World Wine: Encontro Ibérico I

4 de Abril de 2017

Mais um interessante painel de vinhos proposto pela World Wine, importadora de destaque no cenário nacional. Desta feita, só vinhos ibéricos com marcas consagradas entre Portugal e Espanha, nos mais variados estilos.

Marques de Murrieta

Bodega tradicional de Rioja, trabalhando a Tempranillo com muita elegância. Seus Reservas e Gran Reservas são famosos e bem pontuados. Dois vinhos mereceram destaques quando se pensa em grandes Riojas.

murrieta gran reserva 2009

Este Gran Reserva Limited Edition 2009 são lotes especiais dos Reservas com potencial para maior envelhecimento em bodega. Passam cerca de 25 meses em carvalho americano, mais 36 meses em garrafa, antes da comercialização. Concentrados, elegantes, com perfeita interação entre fruta e madeira. Um clássico da denominação.

murrieta gran reserva especial 2005

O grande tinto da bodega, Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2005, elaborado só em grandes safras. Proveniente de vinhedos bem localizados, o vinho passa cerca de 30 meses em barricas americanas, mais 36 meses em garrafa, antes de ser comercializado. Ainda mais elegante que o anterior e de larga persistência aromática. Deve ser decantado para o consumo como também, pode ser guardado por longos anos em adega.

murrieta pazo barrantes albarino

Por fim, um branco de Rias Baixas, Pazo Barrantes 2014, elaborado com 100% Albariño. Vinho de muito frescor e destacada maciez, dada por breve contato sur lies. Aromático, elegante, e muito bem acabado. Um destaque da denominação.

Vivanco

Outra bodega riojana com vinhos clássicos e bem equilibrados. Destaques para as novidades chamadas parcelas Colección Vivanco, mostrando vinhos diferentes e muito didáticos.

vivanco mazuelo 2009

Começando pelo 100% Mazuelo safra 2009, produzindo cerca de mil e quinhentas garrafas, o vinho passa 14 meses em carvalho francês novo. Percebe-se bem o aporte de acidez, frescor, que esta casta dá ao corte riojano. Vinho de bom corpo, já com aromas balsâmicos, terciários, e muito equilibrado.

vivanco graciano 2007

A outra uva do corte riojano é a Graciano, elaborada nesta parcela com cerca de mil e seiscentas garrafas. Passa 18 meses em barricas de várias tostagens e origens, sem trasfegas, mantendo um contato sur lies com bâtonnage para domar seus taninos selvagens. Vinho de grande corpo, estrutura, e textura mastigável. Aromas intensos de frutas escuras, cacau e defumados. Vinho de longa guarda.

vivanco dulce de invierno

O vinho mais exótico sem dúvida, é este acima de colheita tardia, elaborado com quatro uvas tintas (Tempranillo, Graciano, Garnacha e Mazuelo) vinificadas em branco. As uvas tem super maturação e são atacadas pela Botrytis. O mosto sem a participação das cascas é fermentado em barricas francesas com posterior amadurecimento por 12 meses. Um vinho muito interessante, sem aquela acidez habitual das uvas brancas, mas bem equilibrado. Vale a pena prova-lo, nem que for só pela curiosidade. O açúcar e o álcool são comedidos.

Quinta Vale Dona Maria

Sou suspeito para falar desta vinícola do Douro com seus tintos macios e sedutores. O clássico Quinta Vale Dona Maria 2014 provado confirma sua consistência. A surpresa foi o branco abaixo chamado Three Valleys com vinhas antigas fermentado em barrica. Frescor, complexidade e harmonia, resumem bem a presença deste branco.

quinta vale dona maria branco 2016

Voltando aos tintos, dois vinhos topo de gama, provindos de quintas específicas. O primeiro abaixo, Vinha da Francisca 2012 com pouco mais de quatro hectares. Plantada com a casta local Tinta Francisca, em homenagem à filha, o vinho amadurece em barricas francesas novas cerca de 18 meses. Tinto de muita concentração e frescor, bem casado com a madeira, e longa persistência.

quinta vale dona maria vinha francisca 2012

Encerrando em grande estilo, temos a minúscula Vinha do Rio com menos de dois hectares de vinhas centenárias. O vinho passa cerca de dois anos em barricas francesas novas. Este tinto é quase mastigável, tal a concentração de sabores e taninos. Falta só a fortificação para se tornar um Vinho do Porto. Deve ser decantando por longas horas para um consumo imediato. Está no mesmo nível dos maiores do Douro como Vinha da Ponte e Vinha Maria Teresa, da Quinta do Crasto.

quinta vale dona maria vinha do rio 2012

De fato, Cristiano Van Zeller, um dos “Douro Boys”, faz um belíssimo trabalho em sua Quinta, passando esse talento para seus familiares. Seu Porto Vintage 2011 provado nesta oportunidade, confirma concentração, classe e profundidade, de quem conheceu de perto e tão intimamente a histórica Quinta do Noval.

Quinta da Falorca

Vinícola tradicional da região do Dão, molda vinhos bastante originais e de grande tipicidade. Os vinhos apresentam muito frescor e provavelmente é o berço da Touriga Nacional, a tinta mais badalada do moderno Portugal.

quinta da falorca encruzado

Apesar do destaque para os tintos, o branco com a uva Encruzado merece ser provado. Normalmente com passagem em madeira (neste caso, só uma pequena parcela), é um branco estruturado, complexo e com uma notável mineralidade. Grande pedida para o irresistível bacalhau da Semana Santa.

quinta da falorca touriga nacional

Esse é um clássico do Dão com a queridinha casta Touriga Nacional. Gera vinhos elegantes, de boa estrutura e de longa guarda. Os aromas florais (violeta) e resinosos (eucalipto) são bastante típicos.

quinta da falorca vinhas velhas 2009

Encerrando esta vinícola, o grande tinto de vinhas velhas. Misturando Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Rufete, entre outras, este vinho tem a profundidade que só as vinhas antigas são capazes de fornecer. Bem balanceado em álcool, taninos e acidez. Um grande parceiro para carnes de caça.

O evento mostrou mais vinhos interessantes que continua no próximo artigo. Brancos, tintos e principalmente os Portos. Até breve!

Maiores informações sobre preços,safras e outros vinhos do portfólio: http://www.worldwine.com.br