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World Wine: Encontro Ibérico II

6 de Abril de 2017

Nesta segunda parte do evento, vamos destacar mais alguns vinhos entre brancos, tintos e especialmente os Vinhos do Porto.

Além dos vinhos evidentemente, toda uma estrutura bem montada na recepção dos convidados. Comidinhas variadas durante todo o evento, e até massas para aqueles que resolvessem jantar, por exemplo. Enfim, ambiente bonito e bastante funcional.

Brancos

bodega ponce reto blanco

Este branco de Cuenca, denominação Manchuela, safra 2015, é elaborado com a pouco conhecida casta Albillo, utilizada em pequenas proporções no corte do grande Vega Sicília em safras antigas. Um vinho de muito frescor, mineralidade e bom equilíbrio. Boa opção para fugir das mesmices.

herdade do rocim brancocarm rabigato branco

Mais dois brancos, à esquerda um alentejano, à direita um Douro. O alentejano da Herdade do Rocim é composto por Antão Vaz, uva que fornece estrutura, complementada por Arinto e Roupeiro. Branco delicado, com toques florais e frutados, bem acabado em boca. Já o duriense com a uva típica da região, Rabigato, mostrou muito frescor, toque cítricos e herbáceos com final bem estimulante.

Tintos

borsão garnachabodegas ponce bobal pé franco

As boas surpresas para os tintos ficaram reservadas para o Borsão Garnacha à esquerda, e o Bobal Pé Franco à direita. O primeiro trata-se da denominação Campo de Borja, região abaixo de Navarra, especializada nas Garnachas de altitude e vinhas velhas. O vinho comprovou esta vocação, com muita fruta, maciez e interessante mineralidade. Já o Bobal da denominação Manchuela, surpreendeu pela concentração. Nunca fui muito fã desta uva, extremamente plantada na Espanha. Entretanto, este exemplar com videiras pré-filoxera fez a diferença. Vinho de boa concentração, profundidade, e ótima persistência aromática.

valderiz jovem 2015carm maria de lourdes 2011

Dois tintos acima com propostas completamente diferentes. O da esquerda, Ribera del Duero, é um tinto Joven sem passagem por barricas. Por 86 reais, mostra boa concentração de frutas, bem equilibrado, e pureza de aromas. Muito adequado para começar uma sequencia de tintos em uma degustação ou jantar. Já o vinho da direita, tinto de corpo e grande guarda. Baseado em Touriga Nacional, uva de grande elegância, é complementada por Touriga Franca. Muito bem balanceado entre madeira e fruta, macio e de final longo. Condizente com a ótima safra 2011 no Douro.

Portos

Quanto aos Portos, é só escolher a preferência de cada um. Grandes safras, estilos bem definidos e algumas preciosidades.

krohn colheita 2000krohn colheita 2000 contra rotulo

O Porto acima foi o único Colheita a ser degustado. Notem que é importante termos no rótulo tanto a safra (2000), como a data de engarrafamento (2013), ou seja, o vinho passou 13 anos em pipas de carvalho. O mínimo por lei são sete anos. É comum nesses casos, o produtor soltar uma parte do lote de tempos em tempos, envelhecendo o mesmo vinho até sua evolução final. Este tipo de Porto envelhece em pipas de maneira oxidativa, e não de maneira redutiva em garrafa.

krohn quinta do retiro novo 2011quinta vale dona maria vintage 2011

Acima, a maravilhosa safra 2011 para os Vintages. A diferença básica além das Casas, é que o da esquerda é um Vintage de Quinta (Retiro Novo) e o da direita, um Vintage Clássico. Teoricamente, o Clássico é mais complexo, pois provem de várias Quintas da propriedade. De todo modo, os dois tem muita concentração. Pessoalmente, acho o Vale Dona Maria mais elegante. Contudo, os dois devem evoluir bem por décadas. Os preços se equivalem.

krohn vintage 1965

O final apoteótico ficou por conta desta raridade, Krohn Vintage 1965, em época que não havia internet. É de fato uma viagem no tempo. Pouquíssimas Casas declararam Vintage neste ano, já que 1963 e 1966 foram colheitas espetaculares e históricas. É um vinho pronto, na sua plenitude, tudo que um Porto pode oferecer. Maciez, complexidade e o equilíbrio dos grandes vinhos. Os aromas de figos e tâmaras são notáveis. Até o preço pela raridade, não é um absurdo. Para acompanha-lo, basta um queijo da Serra da Estrela ou um queijo azul inglês Stilton, e não se fala mais nisso.

Maiores informações sobre preços, safras, e outros exemplares além desses comentados, consultar a importadora: http://www.worldwine.com.br

Os Grandes Portos: Vintage ou Colheita?

4 de Agosto de 2014

Essa questão mais uma vez ficou sem resposta após bela degustação de Portos na ABS-SP (Associação Brasileira de Sommeliers). Na apresentação foi mostrado os dois lados da moeda, ou seja, o caminho da preservação da cor, o pouco contato do oxigênio na sua elaboração e o envelhecimento em garrafa, em meio redutivo. Do outro lado, a intensa micro-oxigenação  dos vários anos em madeira, culminando em cores e aromas fascinantes.

O painel completo era composto somente de Portos de categoria especial, de produção extremamente reduzida em relação ao volume total anual. O LBV (Late Bottled Vintage) 2007 da Burmester abriu os trabalhos com cores e sabores jovens, vislumbrando muita vida pela frente. Em seguida, começou a série de Tawnies com um belo 10 anos da casa Ramos Pintos da distinta Quinta da Ervamoira, muito bem elaborado e equilibrado. Logo após, o Porto 20 anos da jovem casa Churchill com aromas um pouco tímidos de início que foram se mostrando numa bela evolução na taça. O ponto culminante encerrando a série, foi o excepcional Porto Krohn Colheita 1983. A safra por si só já é muito boa, mas o longo período em barricas (27 anos) lapidou de forma brilhante este não tão admirado estilo de Porto. Para encerrar a festa, um Porto Vintage de Quinta da mais antiga casa inglesa de Portos, a tradicional Warre´s do grupo Symington,  fundada em 1670, bem antes da famosa demarcação da região em 1756. Veja os exemplares na foto abaixo:

Os dois estilos perfilados

O estilo Tawny ou aloirado é bem aceito e conhecido dos apreciadores de Porto. Entretanto, o Porto Colheita, ícone maior desta categoria é pouco conhecido e compreendido. Apesar deste assunto já ter sido explanado em outros artigos deste mesmo blog, vamos enfatizar os pontos principais. Como o próprio nome diz, este Porto nasce de uma única safra expressa no rótulo. Ele deve permanecer em madeira, geralmente pipas de 550 litros, por pelo menos sete anos, conforme legislação vigente. Evidentemente, as grandes casas especializadas nesta categoria obedecem a lei com folga, deixando o vinho por longos anos em madeira, antes de engarrafa-lo. E a grande transformação ocorre neste longo período, onde a lenta e progressiva micro-oxigenação promove mudanças de cores, aromas e texturas, culminando num grande equilíbrio e complexidade. Sua cor torna-se esmaecida, seus aromas etéreos e uma textura sedosa. O pulo do gato neste estilo é a destacada acidez, componente essencial para transmitir frescor, e manter o equilíbrio perfeito frente ao elevado teor alcoólico e de açúcar deste tipo de vinho fortificado. Portanto, além da declaração da safra no rótulo, é obrigatória a declaração da data de engarrafamento do Colheita, o qual pode ter várias partidas engarrafadas ao longo de sua vida, ganhando cada vez mais complexidade com os anos em madeira. Após o engarrafamento, esta categoria de vinho cessa seu período de evolução, podendo ser consumido imediatamente ou guardado para um momento propício. No exemplar abaixo, os vinte e sete anos em madeira fizeram muito bem ao belo Krohn Colheita 1983, engarrafada somente em 2010.

Cor topázio, típica dos grandes Colheitas

Já no outro lado da moeda, o grande rival Vintage da casa Warre´s, Quinta da Cavadinha 1996. Os Vintages bem elaborados, de grandes safras e de grandes casas, parecem ser quase imortais. Reparem a pouca evolução de cor deste exemplar, conforme foto abaixo:

Cavadinha 1996: Vintage de Quinta

Os aromas também não estavam totalmente evoluídos. Com muita fruta escura macerada em álcool, lembrando belos licores, os aromas de fumo, especiarias e chocolate vinham logo em seguida. Em boca, taninos ainda muito presentes, equilibrados com os demais componentes de acidez, açúcar e álcool. Persistente e marcante, vislumbra pelo menos algumas décadas pela frente. Enfrentou muito bem seu companheiro de mesa, o clássico Stilton, queijo azul de origem inglesa.

Lembrete: Vinho Sem  Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

 


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