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A safra 1959

9 de Janeiro de 2020

Cheguei bem no mundo em 1959, nascendo grandes vinhos na França, sobretudo Bordeaux e Bourgogne. Em mais um ano de vida tive a felicidade de provar algumas garrafas desta safra memorável. Sobretudo em Bordeaux, minha grande paixão, os 59 foram muito bem, em especial o Mouton-Rothschild, nota 100 inconteste. Algumas garrafas até melhores que o grande 82, outro nota 100 incontestável. Mas tudo é um questão de sorte, pois em anos antigos não existem grandes safras, e sim grandes garrafas!

eb8ec6a6-77b7-4c79-8aac-56fb02195ec8briga de titãs 

Nessa disputa não há perdedores, dois grandes vinhos lado a lado. O 59 ganha fácil a principio pela generosidade  e abordagem mais simpática, acolhedora. Já o 61 deixa uma certa distância, apesar da distinção. Taninos mais firmes e aromas mais contidos. Dois grandes Moutons, mas o 59 ganha no fotochart. 

A safra de 59 é muitas vezes comparada a 61 pela proximidade das datas. No entanto, elas têm estilos bastante diferentes. A safra 61 tem um estilo mais sisudo, taninos mais fechados, de muita lenta evolução. O caso clássico é o Latour 61 que está começando a abrir um pouco mais. Muitos não tem paciência de espera-lo, mas é um mamute engarrafado, tal a força e estrutura que um grande Latour possui. Outro 61 memorável é o La Mission Haut-Brion, bem mais acessível e encantador.

29054754-6c36-4133-ae52-1de239cbc023outra bela disputa!

Latour é sempre soberano, ainda mais em belas safras como 59. Um vinho sedutor com a força de um grande Latour. Poucas vezes ele perde para o Mouton, e 59 foi uma destas vezes. Embora com certa dificuldade, há um pouco mais de profundidade no Mouton 59, fato raro nesta disputa.

Quanto ao Margaux 59, está uns degraus abaixo dos dois, Latour e Mouton. Não que não seja um belo vinho, mas não tem a elegância e profundidade dos grandes Margaux. A safra 59 não foi grande para este astro. Já seu concorrente Chateau Palmer se saiu melhor em 59 com 95 pontos Parker. A última garrafa provada de Margaux 59 estava surpreendentemente jovem, nem parecendo com as garrafas anteriormente provadas. Uma garrafa muito bem conservada. O vinho tem dessas coisas.

Voltando a 59, o saudoso Emile Peynaud já dizia que esta safra era rica em extrato, taninos, frutas e demais componentes, apesar de não ter tanta acidez. Semelhante a 82, esta safra pode ser prazerosa jovem, além de envelhecer soberbamente por várias décadas.

96384eba-7f42-4730-9cf1-238a0925fb4eo melhor margem direita em 59

Quanto à margem direita, 59 produziu belos vinhos como Latour à Pomerol, La Conseillante, e L´Eglise Clinet, mas o melhor de todos foi o Trotanoy da foto acima. Trotanoy independente da safra, está no time de elite de Pomerol, entre os melhores chateaux. Este 59 estava inteiro, com fruta exuberante, uma bela estrutura, e muito bem equilibrado.

Alguns Sauternes foram muito bem neste ano, destacadamente os chateaux Rayne-Vigneau e Chateau Gilette. Logicamente, Yquem não foge à regra com um vinho soberbo. Apesar de já ter provado várias safras do rei de Sauternes, esta ainda esta na lista de desejos.

4dcfada5-85d3-47bf-aa57-ae18619db73aBorgonha old school!

Borgonha sedutor, no ponto de ser tomado, com todos os terciários de livro: sous-bois, terroso, licor de cerejas, e um fundo de especiarias finas. Difícil até de combina-lo com comida, tal a delicadeza de aromas e texturas.

Na Borgonha não foi diferente, classificado com outstanding, 59 produziu grandes tintos na região. Alguns dos destaques foram Gros- Renaudot Richebourg, Maison Leroy La Romanée, Romanée-Conti Grands-Echezeaux e Lamarche La Grande Rue Cuvée 59. Lembro-me deste Pommard acima, maravilhoso com todos os terciários desenvolvido de um grande Borgonha.

Aproveitando o ensejo, agradeço imensamente a todas as mensagens de felicitações por mais este ano de vida, sempre postando os melhores vinhos, as melhores mesas, e tudo que a enogastronomia é capaz de proporcionar. Sempre juntos em 2020!

 

A elite do Rhône e DRC de carona

7 de Setembro de 2019

Além da Bourgogne e Bordeaux, os franceses contam com o Rhône e seus belos vinhos, alguns deles muito especiais, tanto tintos como brancos. Num ótimo almoço no restaurante Vecchio Torino pudemos comprovar esta excelência com vinhos de tirar o fôlego.

 harmonização sensacional!

Não é todo dia que provamos um Hermitage branco, principalmente desta categoria. Uma seleção parcelar especial de Chapoutier com vinhas Marsanne praticamente centenárias em solo granítico. O vinho fermenta e estagia em barricas entre 10 e 12 meses com bâtonnages regulares. O resultado é um branco untuoso, macio, e super equilibrado. Deve ser decantado, pois seus aromas e sabores se revelam em camadas. Aromas florais, de mel, de resina, frutas secas, e algo mineral. Persistência aromática intensa e marcante. Os Hermitages brancos envelhecem muito bem, adquirindo sabores exóticos. Ficou muito bom com esta posta de bacalhau com trufas negras (foto acima), tanto em intensidade de sabores de ambos, como a harmonia de texturas. 100 pontos Parker. Espetacular!

outra harmonização de sucesso

Neste momento chega um intruso em meio aos vinhos do Rhône, sua Excelência Domaine de La Romanée Conti Montrachet 2011. Ainda novo e com muita vida pela frente. Poucas vezes vi um Montrachet DRC um pouco acanhado diante do suntuoso Ermitage branco acima descrito. Normalmente, estes DRCs são encorpados e bastante densos na família Montrachet. Entretanto, o Ermitage era mais denso ainda, deixando o DRC com certa leveza. De todo modo, sempre um grande vinho. Aromas elegantes, intensos, muito equilibrado em boca, e uma persistência aromática expansiva. Caiu muito bem com o ravióli de ricota com molho cremoso de queijo, de textura rica, assim como o vinho. Os sabores delicados do prato realçaram a imponência deste branco.

Rayas: um estilo único

Continuando o almoço, o Rhône-Sul foi representado pelo estupendo Chateau Rayas 2007. Um tinto elaborado com uvas  100% Grenache de parreiras antigas. O vinhedo possui um terroir único. Localizado no meio de um bosque com solo arenoso, sem aquele modelo clássico do Chateauneuf-du-Pape em solo de galets (pedras arredondadas). Nestas condições, a Grenache amadurece plenamente sem perder a acidez, já que as noites são relativamente frias com a presença da floresta. O vinho é pacientemente envelhecido em barricas usadas, sem jamais a madeira interferir em seus aromas. Um tinto macio, sedoso, de grande equilíbrio. Seus aromas são sedutores com frutas vermelhas decadentes em compota, lembrando morangos e framboesas. Seus toques de ervas e especiarias tem um ar provençal, embelezando o conjunto. Envelhece muito bem, adquirindo com o tempo toques de sous-bois e de caça. Exemplar magnifico!

hermitage climatsClimats da Montanha de Hermitage

Encerrando o almoço, o Rhône-Norte se faz presente com um magnifico nota 100, Paul Jaboulet La Chapelle 1978. Os tintos de Hermitage têm a fama de enorme longevidade, atravessando décadas em adega. Na foto acima, vemos os vários climats (parcelas) da imponente montanha de Hermitage. No Caso de La Chapelle, é uma cuvée dos melhores vinhedos tais como: Les Bessards, Le Méal, e les Greffieux, entre outros. Essa mescla de terroirs traz complexidade e estrutura ao vinho, proporcionando longa guarda. O único comparável a La Chapelle, são os vinhos do mestre Jean-Louis Chave, referência absoluta nesta apelação.

img_6608comparável ao lendário La Chapelle 1961

Este exemplar com quarenta anos estava magnifico, comparável ao mítico La Chapelle 1961. A cor já impressiona de cara. Estava bem menos evoluído que o Rayas 2007, provado lado a lado. Os aromas são de livros denotando frutas escuras em licor, alcaçuz, tostado de bacon, chocolate, especiarias, e uma nota da caça de envelhecimento perfeito. Combinou maravilhosamente com uma codorna assada com seu próprio molho. A boca é densa, harmoniosa, taninos de rolimã, e um final de prova sem fim. Um vinho praticamente imortal. Lembrando de um La Chapelle 1990 provado a pouco anos, entendemos claramente que estará no ponto por volta de 2030, outra safra estupenda. Não tem jeito, esses vinhos além de dinheiro, é preciso muita paciência para esperar o ponto certo. A recompensa vale a espera!

Yquem: dois nota 100

o Yquem à esquerda da foto é da safra 2001, uma das mais perfeitas deste novo século. O 2015 à direita da foto, foi provado semana passada, também um nota 100. A diferença dos dois além dos catorze anos que os separam, portanto falta evolução no mais novo, talvez seja mais no estilo de cada um. O 2001 é um Yquem clássico, untuoso, imponente, e de grande presença em boca. Já o 2015, parece ter mais frescor, uma textura mais delgada, e portanto menos impositivo nas harmonizações. Talvez um pato com laranja para o 2015, enquanto um potente queijo Roquefort para o 2001. Contudo, a equivalência entre os dois, só o tempo dirá. 

aromas etéreos para encerrar o dia

Passando a régua, nada melhor que uma boa conversa ao redor de Puros e destilados. Neste caso, um Montecristo edição especial (foto acima) inspirado no ícone Montecristo n°2. Este Gran Pirâmides tem bitola um pouco maior, mantendo o modelo figurado. Ring 57 contra ring 52 do Montecristo clássico. A mistura de tabaco é especialíssima e de muita elegância, fugindo da potência do módulo clássico. Para acompanhar, a elite dos Cognacs: Louis XIII da Remy Martin e Richard da Hennessy. Blends da mais alta qualidade com misturas de cognacs antigos, alguns centenários. Elegância e suavidade que acompanhou bem o Montecristo Gran Pirâmides.

São nesses almoços que percebemos que nossa maior riqueza são os amigos em torno de uma mesa, onde os problemas e nossas diferenças ficam esquecidos. O que impera nesses momentos são a generosidade e o congraçamento entre todos. Que Bacco nos ilumine!

Um almoço das Arábias: Parte II

23 de Março de 2016

Após a bela e agradável recepção, fomos convidados à antessala para a apresentação dos pratos e evidentemente, nos servimos à vontade em todos os sentidos.

mini charutinho

charutinhos divinos

Normalmente, a folha de uva traz uma certa tanicidade à textura, mas estes charutinhos estavam dos deuses. Nenhum resquício de tanino e um sabor muito bem equilibrado. O mesmo se pode dizer do prato abaixo, quibe de peixe, sabor suave e muito bem integrado ao trigo, na proporção correta.

quibe de peixe

quibe de peixe

Tanto o homus, como o babaganuche, perfeitos na execução. Muito equilibrados quanto ao sabor, texturas corretas, e sobretudo o babaganunhe, sem aquele defumado muitas vezes dominante e desagradável.

homus

homus

babaganuche

babaganuche

yquem 99 e 90

Yquem em duas safras

Aqui, foto acima, percebemos didaticamente a qualidade e potência das safras. Embora o 99 seja mais novo, percebemos que o mesmo está mais perto de seu ponto ideal de evolução, enquanto o 90 tem muito chão pela frente. Em boca, a potência e a persistência aromática é fator diferencial entre as duas safras. 1999, muito prazeroso no momento, mas 1990 é um Yquem quase perfeito. Equilibrado, expansivo e sedutor.

marjolaine

marjolaine (La Paillote)

ataif

Ataif: sobremesa clássica

bolo de nozes

bolo de nozes

A dupla de Yquems acompanhou as três sobremesas acima. Todas muito bem executadas com açúcar na medida certa. Marjolaine, um clássico do clássico La Paillote, combinou muito com a textura untuosa do vinho. O Ataif com calda de flor de laranjeira e rosas enfatizou o lado delicado do Yquem 99. Já o bolo de nozes com tâmaras combinou com toda a riqueza do estupendo Yquem 1990. Em resumo, um show de doçura e equilíbrio.

fonseca 1977

Fonseca 77: safra lendária

Já fora da mesa, após o café e o início dos Puros, um Vintage Fonseca 1977. Com quase quarenta anos, mostrou todo seu potencial que só as grandes Casas de Porto podem proporcionar. Poucas pessoas tem a oportunidade de desfrutar de um grande Vintage maduro. Íntegro, exuberante, no esplendor de seu apogeu, selou com chave de ouro o almoço, acompanhando bem o primeiro terço  de belas baforadas cubanas. E que cubanos!. Cohiba Behike ring 54, foto abaixo, esbanjou classe e potência. Além da bitola 54, temos Behike 52 e Behike 56. Toda a linha com excepcional mistura de folhas de Vuelta Abajo. Em meio a conversas amenas e despretensiosas, a tarde foi caindo …

behike 54

Behike: a Ferrari dos Puros

armagnac lafite

Armagnac com a grife Lafite

É claro que para um charuto portentoso como este, era necessário um destilado à altura. Que tal uma reserva especial de Armagnac selecionada por Lafite Rothschild!. Foi o tiro de misericórdia.  Um duelo de potências que se perpetuou até o fim. Nada mais faltava, senão os agradecimentos ao espetacular encontro. Vida longa ao aniversariante!

almoço raul

tamanho não é documento!

Um resumo da ópera. Vinhos bem escolhidos, sequência correta e quantidade suficiente, sem exageros. A propósito, Lafite Rothschild tem reservas também de Cognac, além de Armagnac, nas versões Réserve, Vieille Réserve e Tres Vieille Réserve. São eaux-de-vie com idades entre 20 e 60 anos, dependendo da categoria.

Parte II: Entre goles e amigos!

24 de Junho de 2015

A vida é dura, mas temos que continuar o sacrifício. Após a apresentação  e a recepção com o belo La Grande Dame Rosé do artigo anterior, vamos ao início do almoço.

Menu amplo e bem executado

O foie gras em  linhas retas.

A cebola assada com creme de mexilhões e o foie gras com brioche, chutney de cebolas e avelãs, escoltaram bem o primeiro e único branco do almoço, o Imperial em todos os sentidos (garrafa de seis litros), Corton-Charlemagne Grand Cru 2006 da Maison Champy (Hospices de Beaune), conforme foto abaixo.

Montagne de Corton: terroir diferenciado

O que são nove anos para um Corton-Charlemagne? quase nada. Cor pouco evoluída, aromas com predomínio de cítricos e minerais. Muito frescor em boca, denso na medida certa e muito bem acabado, fruto de um belo equilíbrio. Persistente, marcante, vislumbrando bons anos de guarda. Muito bem conservado e adegado.

Fazendo o par borgonhês, entramos no mundo DRC, um Grands-Échézeaux Grand Cru 1988. Apesar da idade, quanto caminho ainda a percorrer. É bem verdade que o nariz apesar da seriedade, estava extremamente prazeroso. Sous-bois, as rosas, as especiarias, estavam todos lá. Em boca, seus taninos poderosos perpetuam sua vida sem pressa. Meu grande amigo Marcos diz de maneira sucinta: “DRC Grands-Échézeaux é um vinho duro”. De fato, comparado a seu irmão, o Grand Cru Échézeaux, sobressai claramente sua incrível masculinidade. Enfim, um grande Vosne-Romanée que exige pelo menos duas horas de decantação, além de densos sedimentos.

Acima de Clos de Vougeot reina o Grand Cru da foto no alto da colina

Logo em seguida, o primeiro infanticídio, Château Petrus 1998. Grande safra, 98 pontos de Parker, mas e daí; ele não quer conversar. Ele é quase o João Gilberto dos vinhos, de difícil abordagem, mas quando quer cantar, todo mundo silencia para ouvi-lo. Cor absolutamente jovem, aromas fechados, tímidos, algo de mineral, frutas escuras contidas, e muitos segredos guardados. Em boca, apesar dos poderosos taninos, um equilíbrio fantástico, digno dos grandes tintos. Haja paciência, mas um dia ainda pego ele de jeito.

O Rei Petrus canta quando quer

Quer mais um pequeno infanticídio? Château Mouton-Rothschild 1988. Safra fechada, de taninos poderosos. Um pouco mais abordável que nosso João Gilberto. Cor ainda densa, aromas um tanto reticentes, mas deixa transparecer os belos toques animais, chocolate e o característico café torrado. Boca poderosa, com taninos de rara textura. Marcante, profundo e amplo em seu final extremamente equilibrado. Marcas registradas de um Premier Grand Cru Classe. Mais uns dez anos de promissora evolução.

Um dos poderosos Pauillacs

O arroz de pato abaixo moldou-se bem frente ao vinho. Enquanto isso, seu irmãozinho mais velho estava chegando, o fabuloso Mouton 1982. Um dos cem pontos desta safra histórica e que mostra atualmente porque os tintos de Bordeaux fazem jus ao prestigio e sua incrível longevidade.

Arroz de Pato

Eu sou altamente suspeito para falar de Mouton 82. Degustados várias vezes e sempre com extrema consistência. Conversa fácil com as pessoas. Seus aromas são sedutores, mesclando tabaco, café, as frutas escuras e concentradas (cassis) e um toque de fazenda nas boas estrebarias. Em boca, se agiganta com um equilíbrio maravilhoso, onde o álcool se funde a seus poderosos e aveludados taninos. Seu final reverbera todas essas sensações nos deixando silenciosos. É o respeito aos grandes vinhos. Perdão, acho que me empolguei demais …

Deslumbrante Double Magnum

Para acompanhar o Mouton e o último tinto do almoço (Vieux-Chateau-Certan), um leitão de leite na foto abaixo e uma costela de boi cozida a baixa temperatura. A gordura dos pratos moldou-se bem com os taninos e acidez dos tintos.

Leitão de Leite e  um delicado Vinagrete de Vagem

A apoteose estava reservada para um belo margem direita, Vieux-Chateau-Certan 1986, uma das melhores safras do chateau nesta década. Apesar de ser um Pomerol, reino absoluto da Merlot, este tinto tem um Q de margem esquerda, pois em sua composição, embora haja uma predominância da casta emblemática, há também boas porcentagens de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, o que não é habitual neste terroir. De todo modo, o vinho estava magnifico, no ponto certo de ser apreciado. Aromas amplos com toques de ameixa, trufa e um mineral maravilhoso (terroso). Seus taninos sedosos chancelam os tintos de Pomerol com um final de alta costura.

O tinto que encarou o todo-poderoso Mouton 82

Para encerrar o almoço e acompanhando a sobremesa, que tal um Yquem 1976! Uma das grandes safras antigas deste mito juntamente com o Yquem 1975. Cor âmbar brilhante, combinando com os aromas de damascos, entre outras frutas secas, mel, caramelo, e os toques de Botrytis como esmalte de unha e curry. Em  boca, glicerinado, untuoso e perfeitamente equilibrado entre açúcar e acidez. Bom momento de evolução, mas promete mais para quem tiver paciência. Neste instante, fiquei com saudades do foie gras …

O rei dos Sauternes numa grande safra

Este já seria um grande final se não fosse o pelotão de raros fortificados à nossa espera. Uns velhinhos de tirar o fôlego. Safras de 1863, 1880, 1860, entre outros. Mas isso é assunto para o próximo artigo. Preciso respirar um pouco.