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Principais Apelações do Loire

7 de Abril de 2020

Na última live, senti que o pessoal ficou meio perdido fora da apelação Savenniéres e Vouvray. Resolvi então, dar umas dicas de outros estilos de vinho no vale, bastante gastronômicos e didáticos.

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Fines Bulles

Vouvray

Aqui é 100% Chenin Blanc com espumantes interessantes e os mais variados graus de doçura que a Chenin Blanc pode oferecer. Elegância e delicadeza ímpares. A produção de espumantes é expressiva e de muito boa qualidade.

Crémant de la Loire

Você tem a versão branca e rosé com as uvas Chardonnay e Chenin Blanc sempre com o método clássico, respeitando a legislação dos Crémants na França.  Para o estilo rosé, temos as uvas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, e Pinot Noir, além de uvas locais.

Anjou, Saumur e Touraine

Fazem um esilo mais genérico, misturando uvas com vinhos brancos espumantes, brancos e tintos tranquilos, e finalmente os rosés. As uvas brancas e tintas são locais, em vinhos menos expressivos que os demais acima comentados.

Vins Blancs

Vouvray

A apelação Vouvray novamente para uma série de vinhos brancos de alta qualidade com os mais diversos níveis de açúcar residual sempre 100% Chenin Blanc.

Uma série de apelações de Anjou e Touraine

Vinhos que fazem vários estilos com as mais variadas castas da região. Geralmente genéricos e sem grande expressividade.

Uma série de Muscadets

Esse não é espoco de nossa apresentação baseada em Chenin Blanc. Aqui a uva Muscadet, também conhecida como Melon de Bourgogne, é que faz uma série deles, entre os destaques o Sévre et Maine com passagem sur lies e Gros Plants bastante cortante e mineral. Ideal para anchovas, alices, sardinhas e cavalas, peixes de forte personalidade.

Coteaux du Layon, Coteaux du Layon Villages e Coteau du Layon Premier Cru Chaume

Não é à toa que deixe por último os Coteaux du Layon em sua verão Moelleux, ou seja, levemente doce, mas com uma acidez sempre presente. São os vinhos das entradas mais refinada e de certa untuosidade como pâtes, rilletes e toda a sorte de caça mais pastosa.

Eles se apresentam em três níveis crescentes de concentração e qualidade, sendo último Chaume, quase uma apelação própria.

As apelações Savennières, Roche aux Moines, e Coulée de Serrant, com a uva Chenin Blnc, já foram comentadas posteriormente, no último artigo.

Vins Rosés

Chinon, Saint Nicolas de Bougueil, e Crémant de la Loire

Podem ser interessantes num estilo mais seco, sempre com a presença da Cabernet Franc, a qual se dá muito bem no médio Loire.

Os rosés d´Anjou e uma série de Coteaux e Touraines

Uma série de rosés insipientes, com leve açúcar residual, e sem grande expressão gustativa. Procure fugir destas apelações.

Cabernet d´Anjou e Saumur

São baseados nas uvas Cebernet Sauvignon e principalmente na Cabernet Franc. São mais secos e de melhor persistência e personalidade.

Vins Rouges

Fuja dos Anjous e Touraines, a não ser que for um Anjou-Villages, à base de Cabernets, mais exclusivos e mais secos.

Chinon, Saint Nicolas de Bourgueil, e Saumur-Champigny

São os melhores estilos de Cabernet Franc do Loire, especialmente o Saumur-Champigny, mais encorpado. Os estilos são delicados, sutis, e minerais.

Uma curiosidade apelação Anjou-Villages Brissac

Uma apelação diminuta baseada nas Cabernets. Um tinto de guarda com persistência e estrutura acima da média. Difícil de encontrar.

Vins Moelleux e Liquoreux

Os grandes Coteaux du Layon, Bonnezeuax , Quarts de Chaume, e eventuais Savennières, são os melhores no estilos doce ou moelleux. São vinhos atacados pela Botrytis, mas conservam uma acidez destacada. São ideais com torta de frutas como figos, damascos, amêndoas, marzipã, e patês de foie gras, queijos mais pronunciados como Mairolles e Livarot são indicados na harmonização.

Sem contar os grandes Vouvrays que podem ser espumantes ou com vários graus de açúcar residual. Atenção especial a eles à mesa, pois são muito delicados e sutis. A linha asiática com pratos agridoces podem ser um bom começo. Que tal um crème brûlée de salmão, por exemplo, bastante exótico.

Harmonização: Peras em Calda

30 de Agosto de 2012

Frutas em calda é um clássico dentre as sobremesas de vários países. Cada um tem sua fruta preferida e também uma técnica peculiar na elaboração. O fato é que frutas de um modo geral combinam muito bem com vinhos calcados na uva moscatel, a começar com a salada de frutas que vai muito bem com Moscato d´Asti ou Asti Spumante. Uma das frutas mais delicadas e ao mesmo tempo ingrediente principal de um ícone no gênero é a pera em calda, ilustrada na foto abaixo.

O visual já transmite muito frescor, geralmente acompanhado de sorvete. No caso da receita acima, as peras foram elaboradas numa calda de frambroesas ou amoras, dando um tom avermelhado. Existe sempre um contraste entre a doçura marcante da calda com o frescor da fruta. Vinhos de colheita tardia ou mesmo botrytisados, apesar de compensarem o açúcar necessário para a harmonização, apresentam textura dominadora, comprometendo a sensação de frescor e um certo equilíbrio dado pela fruta. O ideal é partir para vinhos fortificados, pois fornecem doçura suficiente e textura mais adequada ao prato, além de enfrentar o sorvete com boa alcoolicidade.

Dos vários moscatéis fortificados, um dos melhores para este tipo de sobremesa é o Muscat de Rivesaltes, também classificado como VDN (vin doux naturel), da região de Languedoc-Roussillon, sul da França. Além de Rivesaltes, temos uma vasta gama de apelações Muscat no Languedoc tais como: Muscat de Frontignan, Muscat de Lunel, Muscat de Mireval, todos eles fortificados, mas sempre com o lado frutado bastante fresco. Como sugestão, seguem dois produtores de destaque na região:

Ainda na França, um vinho que pode harmonizar bem é o Vouvray Moelleux, dependendo da textura e do açúcar residual  que podem variar muito. Como sabemos, é uma das mais reputadas apelações do Loire, utilizando a nobre casta Chenin Blanc. Favor pesquisar neste mesmo blog, artigos sobre Vale do Loire em seis partes. Voltando à harmonização, a versão Moelleux não extremamente doce e um tanto untuosa, pode calibrar bem a doçura e textura que o prato exige, mantendo um belo frescor.

Vale do Loire: Parte II

16 de Janeiro de 2012

Continuando nossa viagem pelo Loire, após passar por Pays Nantais no extremo oeste da região, caminhamos um pouco adentro no continente, chegando ao berço espiritual da temperamental casta Chenin Blanc, a sub-região de Anjou-Saumur.

Anjou-Saumur: Dê um zoom no mapa acima

Nesta sub-região ainda temos boa influência do Atlântico, trazendo ventos e umidade. Nos solos argilosos em Anjou predominam o xisto e a ardósia, favorecendo o cultivo da Chenin Blanc, também conhecida como Pineau de la Loire. Nas apelações como Coteaux du Layon, Bonnezeaux e Quarts de Chaume, os vinhos costumam ser intensamente doces, mas muito bem equilibrados por uma incrível acidez. São vinhos delicados, longevos e nos melhores anos, elaborados com uvas atacadas pela Botrytis Cinerea. Coteaux du Layon é uma apelação mais extensa e seus vinhos não costumam ser tão doces, mas a acidez é marcante. A alternância de umidade e calor nestas apelações favorecem sobremaneira a boa atuação do abençoado fungo. O rótulo abaixo da Domaine Baumard é importado pela Mistral (www.mistral.com.br)

Baumard: Referência nesta apelação

O estilo seco e mineral da Chenin Blanc fica por conta da apelação Savennières com vinhos bastante longevos. Duas apelações próprias destacam-se como verdadeiros Grands Crus da região: Coulée de Serrant e Roche-aux-Moines. Principalmente a primeira, propriedade do pai da biodinâmica, Nicolas Joly, é a perfeição do estilo seco em Chenin Blanc. Extremamente longevo, este é um dos poucos brancos que deve ser obrigatoriamente decantado. O estupendo Coulée de Serrant é importado pela Casa do Porto (www.casadoportovinhos.com.br).

Quanto aos tintos, apelações como Anjou, Anjou Villages, Rosé d´Anjou e Cabernet d´Anjou para os rosés, não apresentam grandes atrativos, com vinhos leves e na maioria, sem grandes predicados. As castas Gamay (a mesma do Beaujolais),  Cabernet Franc e um pouco de Cabernet Sauvignon são cultivadas na região. Contudo, os melhores tintos estão em Saumur, assunto do nosso próximo artigo.

Vale do Loire: Parte I

11 de Janeiro de 2012

Dando prosseguimento às regiões clássicas da França, nada mais propício que falarmos dos delicados vinhos do Loire nesses meses de verão. É uma região com inúmeras apelações, sub-regiões, uvas e estilos de vinhos. Para começarmos este estudo, o mapa abaixo nos mostra as principais referências:

 Loire: Quatro Climats importantes

O Loire é o maior rio da França com pouco mais de mil quilômetros de extensão, nascendo no Maciço Central em latitude próxima a Valence, norte do Rhône, e desaguando no Atlântico, próximo à cidade de Nantes, conforme mapa abaixo:

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Regiões vinícolas na segunda metade do rio

Voltando ao primeiro mapa, obervamos quatro sub-regiões importantes com clima, solos e uvas diferentes, gerando vinhos que expressam seus respectivos terroirs.

Na porção mais a oeste, conhecida como Pays Nantais, é a terra do delicado branco Muscadet, elaborado com a uva homônima e também conhecida como Melon de Bourgogne. Existem várias apelações, mas a de maior prestígio e a mais famosa é conhecida como Muscadet de Sèvre et Maine sur lie. O contato prolongado com as borras, enriquece sabores e texturas. O clima é bastante úmido e chuvoso devido à proximidade do Atlântico, e o solo tem base granítica e de gnaisse (um metamorfismo do próprio granito).

A recente apelação Gros Plant compete em produção com a apelação Sèvre et Maine. No entanto, Gros Plant é elaborado com a uva Folle Blanche, gerando um vinho mais simples e bastante incisivo por conta de sua ríspida acidez.

Esses vinhos acompanham muito bem um prato de frutos do mar, especialmente as ostras. Sua bela acidez e seu sabor relativamente neutro deixam a harmonização sempre revigorante.

No Brasil, o produtor Haute Fevrie importado pela Zahil, é referência desta apelação (www.zahil.com.br).

Próximo post, a sub-região de Anjou-Saumur com a uva Chenin Blanc mostrando seus vários estilos.

Produtor de destaque: Thierry Germain

26 de Maio de 2011

Os vinhos do Loire fascinam por sua autenticidade, sobretudo quando estamos diante de um produtor diferenciado como Thierry Germain. Biodinâmico, perfeccionista e talentoso. Esses atributos juntos geram vinhos especiais, artesanais. Neste caso, não se trata de um daqueles vinhos franceses de sonhos, mas um vinho muito bem elaborado, acabado e prazeroso. Importado pela simpática Dorothée da  Cave Jado (www.cavejado.com.br) ao custo de R$ 114,00. Vale cada centavo.

 Cabernet Franc: Expressão autêntica

Saumur-Champigny juntamente com Chinon e Bourgueil são as grandes apelações para Cabernet Franc no Vale do Loire. Não são vinhos potentes, de grande corpo, mas são elegantes, gastronômicos, capazes de nos fazerem beber com prazer boas taças durante a refeição, sem jamais serem dominadores, permitindo que os sabores do prato compartilhem de sua companhia.

A safra de 2009 é a cereja do bolo para nosso vinho, conforme foto acima. Uma cor rubi de grande profundidade e brilho. Os aromas de frutas vermelhas e escuras são de grande pureza. Os belos toques minerais, entremeados com ervas e especiarias completam o conjunto. Muito equilibrado, a acidez convive em harmonia com seus jovens taninos, provocando uma suculência sempre revigorante. O álcool contribui apenas para fornecer maciez e corpo, sem jamais ofuscar seu belo frescor.

Um escalope de filé mignon num molho de mostarda de grãos guarnecido por um fricassé de champignons c´est parfait. Bon appétit!


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