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Espumantes para as Festas

10 de Dezembro de 2012

Não tem jeito, todos os anos na época das festas em dezembro, os espumantes são lembrados, procurados e da mesma forma, praticamente esquecidos no restante do ano.

Já falamos diversas vezes neste blog que espumantes e champagnes podem e devem ser consumidos ao longo de todo ano. Não são vinhos apenas para celebrar. São vinhos versáteis, gastronômicos e extremamente receptivos aos mais variados públicos. Mas um fato deve ser observado, espumantes e champagnes não são todos iguais, e este é um ponto importante, independente do preço e da procedência. Uma coisa é tomá-los como aperitivos, vinhos de recepção, praticamente sem comida. Outra coisa, é levá-los à mesa para escoltar pratos dos mais variados estilos. Na prática, esta confusão é mais do que normal e pior ainda, praticamente despercebida da maioria das pessoas. Portanto,  seguem abaixo algumas orientações neste sentido. 

Case Bianche: Belo Prosecco da importadora Decanter

Aperitivos

Recepção de uma refeição, lançamento de produtos em eventos, vernissages, entradas leves, canapés, enfim, situações onde a comida e a harmonização não sejam preponderantes. O espumante emblemático para estes casos é o Prosecco, denominação de origem do Veneto. O ideal é o autêntico Conegliano-Valdobbiadene. É um espumante leve, delicado, elaborado pelo método Charmat, e deve ser consumido o mais jovem possível. 

Muitos espumantes à base de Chardonnay, inclusive nacionais, sobretudo elaborados pelo método Charmat (espumatização em tanques), enquadram-se nesta categoria dos aperitivos. Espumantes alemães (conhecidos como Sekt), alguns portugueses baseados na casta Arinto, e franceses com a expressão “mousseux” no rótulo, fazem parte deste time. 

Os espumantes elaborados pelo método Champenoise, Tradicional ou Clássico, evidentemente incluindo os champagnes, podem entrar nesta categoria, desde que sejam leves e com contato sur lies (com as leveduras) relativamente curto. Neste contexto, podemos incluir a maioria dos Crémants franceses (Loire, Alsace e Bourgogne), muitos Cavas (o grande espumante espanhol), e champagnes leves, notadamente os chamados “Blanc de Blancs”.

Voltando aos nacionais, o clássico espumante da Chandon na serra gaúcha é extremamente confiável e adequado para estas situações. Tomem o cuidado de não servirem o Excellence, top da vinícola, de entrada. Este é um espumante estruturado, gastronômico e portanto, cansativo para ficar bebericando sem comida. É bom frisar que a Chandon do Brasil só trabalha com o método Charmat em todos seus espumantes.

Gosset: Champagne de corpo e estrutura

Refeições

Quando o espumante chega à mesa, os cuidados com a harmonização devem ser redobrados. Aquele espumante que foi tão bem como aperitivo, pode se tornar sem graça e insípido diante de um prato. Portanto, a composição das uvas e todo o processo de elaboração do espumante vão influenciar sobremaneira na escolha mais adequada.

Espumantes e Champagnes baseados na uva Pinot Noir costumam ter mais corpo e estrutura, ou seja, é importante observarmos a porcentagem de Pinot no corte, se for o caso. Vinhos-base fermentados ou amadurecidos em barrica, bem como, contato sur lies (sobre as leveduras) prolongado (vários anos) durante a espumatização, também são fatores que conferem corpo, maciez e complexidade ao conjunto.

Em resumo, a calibragem dos fatores acima expostos darão a devida harmonia aos pratos que serão escoltados. Cavas extremamente envelhecidas, muitas vezes com a expressão “Gran Reserva”, enquadram-se neste contexto de corpo e complexidade. Champagnes como Bollinger, Krug e Gosset cumprem muito bem os requisitos acima citados. O grande problema é que pedem pratos sofisticados. Não basta serem só encorpados.

Na linha dos nacionais, a tradicional Casa Valduga apresenta uma série de espumantes elaborados pelo método Tradicional, com idade crescente nos seus diversos rótulos, mostrando em meses o contato sur lies (o máximo vai até sessenta meses). 

Estes espumantes e champagnes mais encorpados são capazes de escoltar com sucesso os mais variados pratos incluindo aves desde frango, peru, chester, galinha d´angola, perdiz, codorna, faisão, entre outras, até carne de porco (pernil ou lombo assado), coelho, bacalhau e vitela. Guarnições ou acompanhamentos com cogumelos dos mais variados gêneros são muito bem-vindos principalmente, quando temos espumantes com contato prolongado sobre as leveduras.

Termos como Charmat, Champenoise, sur lies, Cava, Crémant, são esmiuçados neste mesmo blog em artigos específicos sobre espumantes e champagnes. Favor consultar.

Produção Italiana: DOC/DOCG

20 de Agosto de 2012

Voltando aos números da Itália, neste artigo vamos separar a produção das principais denominações italianas por grupos num interessante painel de tabelas. Inicialmente, vamos apresentar as dez principais denominações em números absolutos, mesclando tintos, brancos e espumantes.

Duas denominações chamam a atenção: Prosecco e Montepulciano d´Abruzzo. Prosecco computada a partir de 2009, data em que houve a modificação da lei, transformando um mar de vinhos na DOC Prosecco interregional (Veneto principalmente, e parte do Friuli), e separando a famosa sub-região Conegliano- Valdobbiadene em DOCG. Neste blog, temos artigos mais detalhados sobre esta modificação da denominação Prosecco. Já o emblemático Chianti não é o número um em termos de produção. A surpreendente uva Montepulciano em Abruzzo mostra sua força numa vasta produção.

Isolando apenas os tintos, percebemos bem a diferença de produção da genérica denominação Chianti para a restrita denominação Chianti Classico, conforme tabela abaixo. Valpolicella e Barbera d´Asti mostram sua força, enquanto Lambrusco não tem tanta presença assim como muitos imaginam. Evidentemente, estamos falando de denominações mais restritas e respeitadas como Sorbara, Salamino e Grasparossa.

No que tange aos brancos, a denominação Soave lidera com folga na região do Valpolicella. O agradável branco Verdicchio da região de Marche mostra sua força, enquanto as insípidas denominações Trebbiano e Frascati insistem em grandes produções. Orvieto, uma denominação que já foi moda no Brasil, também mantém boa produção. Veja tabela abaixo.

Com relação aos espumantes, a denominação Prosecco agregada a Conegliano-Valdobbiadene dispara na liderança. Asti no Piemonte, continua com grande força e carisma. Franciacorta, ¨o champagne italiano¨, não poderia ser diferente. Privilegia a qualidade e terroir, e não a expansão e quantidade.

A nova DOC/DOCG Prosecco transforma-se na mais produtiva denominação italiana e torna-se uma das grandes forças no mundo das borbulhas com mais de duzentos milhões de garrafas por ano, número bastante expressivo frente à denominações internacionais famosas como Champagne (França), Sekt (Alemanha) e Cava (Espanha). Verificar neste mesmo blog, artigo intitulado “o mundo das borbulhas”.

Denominações italianas em 2011

2 de Fevereiro de 2012

Atualizar denominações italianas hoje em dia é como acompanhar cotações de commodities, muda diariamente. Segundo site oficial do ministério italiano de política agrícola, alimentar e florestal (www.politicheagricole.it) até o fim de 2011, as DOCG, DOC e IGT atuais obedecem o quadro abaixo:

Pirâmide com números dinâmicos

Muita gente vai se surpreender com as atuais 70 DOCGs (Denominazione de Origine Controllata e Garantita), número que até pouco tempo atrás não passava de três dezenas. É interessante notar que existem denominações interregionais, ou seja, uma mesma denominação de origem em duas regiões vizinhas. Então, vamos a elas.

DOCG

Lison (Veneto e Friuli Venezia Giulia)

Vinho branco baseado na uva Tocai Friulano, agora denominada Tai, na versão normal e classico. Eventualmente, pode haver passagem por madeira. DOCG aprovada em 2010.

DOC

Valdadige (Veneto e Trento)

As versões bianco e rosso são cortes de uvas brancas e tintas, respectivamente. Existem as versões varietais dadas pelas uvas Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Grigio e Schiava (uva tinta).

Valdadige Terradeiforti (Veneto e Trento)

Área mais restrita que Valdadige trabalhando com varietais como Chardonnay, Pinot Grigio, Casetta e Enantio, as duas últimas, tintas.

Prosecco (Veneto e Friuli-Venezia Giulia)

Esta denominação passou por mudanças sensíveis nos últimos tempos, esclarecidas em artigo deste blog sob o título Prosecco: Novas Denominações.

Orvieto (Umbria e Lazio)

Branco de certo destaque nos anos oitenta, elaborado sobretudo com as uvas Grechetto e Trebbiano. Além da versão seca, temos o Abboccato (meio seco) e dolce, produzidos em pequenas quantidades.

Lugana (Lombardia e Veneto)

Vinho branco seco elaborado nas redondezas do Lago de Garda com a uva Trebbiano, majoritariamente. Existe também o tipo espumante.

Lison-Pramaggiore (Friuli Venezia Giulia e Veneto)

As versões bianco e rosso são cortes de algumas uvas brancas e tintas, respectivamente. Há também versões varietais com os respectivos nomes das uvas em questão: Chardonnay, Sauvignon, Verduzzo, são algumas das brancas enquanto Merlot, Cabernet e Refosco, são algumas das tintas. Participam também as versões spumante, Verduzzo Passito (vinho doce) e Refosco Passito (doce).

Garda (Veneto e Lombardia)

Uma série de vinhos varietais brancos e tintos elaborados com Garganega, Pinot Bianco, Chardonnay, Cortese, Merlot, Pinot Nero, entre outras. Existem também algumas versões espumantes.

Colli di Luni (Toscana e Liguria)

Vinhos brancos e tintos com cortes de uvas locais, além do Colli di Luni Vermentino (a grande uva branca da Liguria).

San Martino della Battaglia (Lombardia e Veneto)

Vinho branco seco à base de Tocai Friulano elaborado nas províncias de Brescia e Verona. Há uma pequena quantidade em versão licorosa (adição de aguardente vínica).

IGT

Alto Livenza (Friuli Venezia Giulia e Veneto)

Esta denominação engloba vinhos brancos, rosés e tintos em cortes ou varietais. As menções bianco e rosso são para cortes de uvas brancas e tintas, respectivamente. Uvas como Chardonnay, Marzemina, Muller Thurgau, Pinot Bianco, Pinot Grigio, Cabernet, Pinot Nero, Refosco, entre outras, são alguns exemplos de varietais.

delle Venezie (Friuli Venezia Giulia e Trentino Alto Adige)

A mesma filosofia da denominação anterior, variando um pouco as uvas, de acordo com o terroir em questão.

Vallagarina (Trentino Alto Adige e Veneto)

A mesma filosofia das anteriores com eventuais diferenciações nas uvas, de acordo com seu território.

Vigneti delle Dolomiti (Trentino Alto Adige e Veneto)

Prossegue a mesma filosofia das denominações anteriores. Como curiosidade Vigneti delle Dolomiti em língua tedesca torna-se “Weinberg Dolomiten”.

 

Espumantes para as festas I

21 de Dezembro de 2011

Sabemos que em boa companhia e sem problemas para gastar, os champagnes no mundo das borbulhas são insuperáveis. Entretanto, a vida não é feita só de sonhos. Precisamos muitas vezes olhar nossa conta bancária e encarar certas situações e eventos com mais frieza. Isso não significa abrir mão da qualidade e até nos surpreendermos favoravelmente com algumas escolhas. Neste contexto, Vinho Sem Segredo sugere algumas opções no mercado ainda para este finalzinho de ano.

Vigna Del Duc

Três opções confiáveis

A primeira opção acima à esquerda é o nacional Cave Geisse Brut. O chileno Mário Geisse foi um dos pioneiros na introdução de espumantes de qualidade na serra gaúcha.  Seus espumantes são muito bem elaborados pelo método tradicional, alguns com um bom tempo sur lies (em contato com as borras). Pode ser encontrado em São Paulo na loja Vino Mundi (www.vinomundi.com.br).

A segunda opção é o Cava Raventós trazido pela importadora Decanter (www.decanter.com.br).  Seu vinho básico Raventós I Blanc L´Hereu Brut por pouco mais de oitenta reais oferece qualidade acima da média. É bastante fresco, cremoso e muito bem equilibrado. A cuvée especial Gran Reserva Elisabet Raventós passa pelo menos quatro anos sur lies antes do dégorgement.

A terceira e última opção também é da importadora Decanter com seu Prosecco Case Bianche. Aqui podemos perceber as reais qualidade de um bom Prosecco que são leveza, mousse agradável e notas frescas de frutas e flores. Bela oportunidade para tirar a má impressão de proseccos insípidos servidos em eventos sem o mínimo critério, a não ser o preço. O Prosecco Case Bianche Vigna del Cuc é um DOCG Conegliano Valdobbiadene de vinhedo único. Muito agradável para recepção num jantar, à beira da piscina, e pratos leves neste verão que se aproxima.

Seja qual for sua opção, a qualidade está garantida. De resto, é curtir o momento, as pessoas, tornando o ambiente agradável e receptível ao Ano Novo que está chegando. Boas festas a todos!