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A arte em garimpar vinhos

24 de Novembro de 2015

Trabalhar com vinhos franceses e italianos parece ser fácil e confortável, sobretudo se falarmos dos medalhões de cada um destes países, e que não são poucos. Contudo, seus preços são proibitivos para a grande maioria de consumidores da bebida. É neste momento que entra a arte, a experiência, e a sensibilidade de pessoas como Amauri de Faria, proprietário da importadora Cellar. No relato abaixo de um grande almoço no elegante Ristorantino fica mais clara este percepção.

champagne arlaux

A recepção não poderia ser outra, senão com um belo champagne. Arlaux é um produtor que trabalha com vinhas Premier Cru de idade entre 20 a 80 anos. Esta cuvée especial tem uma composição ousada com 40% Pinot Meunier e 60% Chardonnay, e destacada proporção de vinhos de reserva. A localização dos vinhedos fica na Montagne de Reims, mais especificamente em Vrigny (face norte da montanha). O contato sur lies é prolongado, mais de quatro anos. O nível de açúcar residual entre 6 e 8 g/l é dos mais baixos para a categoria Brut.

Champagne elegante com bom balanço entre fruta e a ação das leveduras. Equilibrado, bom ataque inicial, fresco, e uma maciez notável de acabamento. Belo parceiro de gastronomia, sobretudo com aves nobres e cogumelos.

jermann chardonnay

Um Puligny-Montrachet italiano

O segundo vinho é um belo Chardonnay italiano fermentado e amadurecido por onze meses em barricas de carvalho francês de 300 litros. O produtor Jermann do Friuli é famoso por seu Vintage Tunina, um feliz assemblage de uvas brancas francesas com uvas autóctones.

Where Dreams é um vinho encantador. Elegante, muito bem equilibrado e de longa persistência. Passa fácil por um Chardonnay francês da Borgonha. A madeira, muito bem integrada ao conjunto, agrega grande complexidade no resultado final. Os dois vinhos acompanharam as entradas, o couvert e o prato abaixo, um salmão marinado.

salmao marinado

 entrada delicada e estimulante

O vinho abaixo Galatrona é uma das estrelas da vinícola toscana Petrolo, localizada na região do Chianti, mais precisamente em Colli Aretini. Um Merlot 100% de baixíssima produção, em torno de meio quilo por parreira. Vinho de grande concentração e taninos muito dóceis. Seus mais de 14,5º de álcool é perfeitamente equilibrado por uma bela acidez sem exageros. Vinho macio, prazeroso de já ser tomado, embora possa envelhecer em adega. Seus dezoito meses de barricas francesas novas harmonizam de maneira notável com o grande poder de fruta deste exemplar. Bela persistência e muito bem acabado.

galatrona petrolo

Belo Merlot na Toscana

 Este tinto acompanhou perfeitamente o prato abaixo, paleta de cordeiro com fregola e azeitonas italianas. A maciez do vinho mostrou um equilíbrio de texturas entre a fregola e a carne extremamente saborosa.

paleta de cordeiro

sabores elegantes e marcantes

Fechando o almoço, a sobremesa abaixo não destoou do conjunto. Sutileza e elegância com um nível de açúcar muito bem dosado.

pudim de pistache

pudim de pistache

Enfim, três vinhos europeus, de regiões clássicas, mas notavelmente originais, saindo do óbvio. Fruto de pesquisas, sabedoria e feeling. É desta maneira que pinça-se boas novidades. Parabéns à Cellar e que os garimpeiros de boas novidades prosperem cada vez mais. http://www.cellar-af.com.br

Cheval Blanc x Ausone

7 de Julho de 2015

Os nobres  châteaux, Cheval Blanc e Ausone, desde sempre foram considerados Classe A na tradicional apelação Saint-Émilion, margem direita dos bordaleses. Recentemente, juntaram-se aos mesmos, Château Pavie e Château Ângelus. Voltando aos dois astros, vamos falar um pouco de seu terroir e consequentemente suas respectivas expressões nos vinhos engarrafados com o lento envelhecimento em adega. Só para situarmos os châteaux, segue o mapa abaixo.

Terroirs diferentes

Pelo mapa acima, observamos que Cheval Blanc situa-se nos chamados vinhedos de planalto, bem próximos a Pomerol, e de solos pedregosos, misturados a argila e areia. Já Ausone, encontra-se nas chamadas Côtes, declives relativamente acentuados nos arredores da cidade de Saint-Émilion, de solos com forte presença do calcário, em meio argiloso. Contudo, as proporções entre Cabernet Franc e Merlot são semelhantes, mas com propostas diferentes quanto ao estilo de vinho.

Cheval Blanc

São aproximadamente 37 hectares de vinhas divididas em três tipos de solo. 40% deles são provenientes de pedras em meio à argila. Outros 40% são solos também pedregosos misturados à argila e areira com traços de ferro. Os 20% restantes são solos com predomínio de areia, misturados com argila e ferro. O vinhedo é plantado com 58% de Cabernet Franc e 48% Merlot. A idade média das vinhas alcançam 45 anos, sendo algumas centenárias. A densidade do vinhedo gira em torno de oito mil pés por hectare. Todo o vinhedo é dividido em 45 parcelas com micro-terroir próprio e são colhidas e vinificadas separadamente. O vinho em média é amadurecido em carvalho novo (100%) por dezoito meses.

Graves: solos pedregosos

Muitas das safras são altamente pontuadas, sendo o Cheval Blanc 1947 considerado por críticos e especialistas experimentados, como um dos grandes Bordeaux de todos os tempos. O estilo Cheval costuma ser abordável mesmo quando jovem. Apesar de sua incrível capacidade de envelhecimento, seus aromas primários imersos em madeira elegante agrada em cheio mesmo degustadores principiantes. Em termos de solo, a pedregosidade do terreno e alguns traços arenosos conferem ao vinho uma certa leveza, uma certa elegância. A presença de ferro em boa parte do terreno costuma concentrar e conservar sua cor ao longo do envelhecimento em garrafa. A boa micro-oxigenação com madeira nova aporta aromas elegantes e de grande complexidade.

Château Ausone

Propriedade bem menor que seu rival com apenas sete hectares de vinhas muito antigas. Em média 50 anos, mas com algumas centenárias. Densidade de plantio, de seis a doze mil pés por hectare. O terroir divide-se em duas partes principais: um hectare e meio junto ao château, na parte mais alta, de solo argilo-calcário e com presença de pedras calcárias (à astéries). Os outros 5,5 hectares são argilo-calcários e um pouco de areia, com certa declividade (15 a 20% de declive). O plantio entre as castas segue praticamente o mesmo do Cheval Blanc, 55% Cabernet Franc e 45% Merlot. A vinificação dá-se em seis cubas de madeira, as quais recebem parcelas setorizadas do vinhedo. O vinho amadurece em carvalho novo, praticamente 100%, dependendo da safra. O tempo em barricas pode chegar a 24 meses, de acordo com a potência do vinho.

Ausone: Calcário em destaque

As distintas características de solos e declividades entre os rivais, explica em parte o estilo distinto dos vinhos. Sobretudo a Cabernet Franc em solos com predominância calcária, caso do Ausone, vai gerar vinhos mais austeros e com maior acidez. A parte do vinhedo com predomínio da argila, proporciona solos mais frios, bem ao gosto da Merlot. Portanto, Ausone mostra vinhos mais austeros na juventude, com fruta mais contida e uma destacada mineralidade. Só o longo tempo em garrafa é capaz de revelar todos seus segredos. Em contrapartida, os solos pedregosos e mais secos encontrados no Cheval Blanc favorece na maioria dos anos uma maturação mais adequada para a Cabernet Franc, gerando vinhos mais abertos e prazerosos, com mais poder de fruta. Esses são os principais motivos para uma maior inclinação pelo Cheval Blanc, principalmente em safras mais recentes, mais jovens.

Painel: safras 82, 86, 90, 98 e 2000

Em recente painel, foram degustadas as safras acima com preferência ampla para o Cheval Blanc, por tudo que já foi exposto. 82 e 90 são safras excepcionais do Cheval, onde os vinhos mostram-se opulentos, ricos em fruta e com poder de guarda, sobretudo o 1990, com pelo menos mais dez anos de guarda. A safra 86 foi o ponto fraco do painel. Uma safra de difícil maturação das uvas, gerando vinhos com taninos um pouco agressivos, de difícil polimerização. Já as safras de 1998 e 2000 fecharam a degustação com chave de ouro para ambos os vinhos. Logicamente, pequenos infanticídios, mas os vinhos prometem um grande futuro. Ricos, com taninos bem delineados e muito bem equilibrados. Os aromas mais citados nesses grandes clássicos são os ligados à torrefação (café, chocolate), traços de tabaco, especiarias, grande pureza da fruta, e tal mineralidade (um toque terroso), sobretudo no Ausone.

As duas margens de Bordeaux

15 de Junho de 2015

Mais um almoço entre amigos com belos vinhos, dando uma atenção especial aos tintos bordaleses. Desta feita, as peculiaridades das margens esquerda e direita. Sabemos que os vinhos do Médoc são cortes com ênfase na Cabernet Sauvignon, amante de solos secos e pedregosos. Já em Saint-Émilion, a Merlot é a protagonista, beneficiando-se de solos mais frios e argilosos. Portanto, partindo de situações diferentes, as sensações destes vinhos embora diversas, nos levam a prazeres semelhantes. É bom enfatizar que esses prazeres só são alcançados com um certo tempo em garrafa, sobretudo para os tintos de margem esquerda (Médoc). Muitos infanticídios são cometidos por não respeitarem a projeção de guarda que esses caldos merecem.

Champagne Aubry: Bela surpresa

Para dar inicio aos trabalhos, um champagne diferente e surpreendente, a começar pelo corte (60% Pinot Meunier, 20% Pinot Noir, 20% Chardonnay). Passa em média, 18 a 24 meses sur lies (c0ntato com as leveduras). Extremamente seco (seis gramas por litro de açúcar residual), o limite inferior para um Brut, podendo ser considerado como Extra-Brut. Fresco, estimulante e muito harmônico.

Uma das referências em Pouilly-Fumé

Este Sauvignon Blanc parte de vinhas com trinta e cinco anos de idade em solos kimmeridgiennes (fósseis marinhos calcinados na pedra), sílex, e em parte calcários. Segundo os terroiristas, isso explica a mineralidade aliada ao clima frio. Aromas herbáceos, cítricos e com um toque de pipi cat, proveniente dos thióis formado no processo de fermentação. Cortante em boca, agudo, persistente, na espera de belos queijos de cabra. Grande pedida com salmão defumado, também.

Delicadeza com a marca Lafite

Aí sim, começam os bordaleses. O tinto acima, apesar de margem esquerda da comuna de Pauillac, a mais reputada e de grande prestígio, o estilo Lafite marca o perfil deste vinho. A potencia e concentração de um Latour, Mouton, Lynch-Bages, Pichons, entre outros, divergem diametralmente deste estilo delicado, feminino e sutil. Não está totalmente pronto, mas sabemos que seu apogeu não tardará. Uma boa experiência para um dia enfrentar o Grand Vin Lafite-Rothschild, tão enigmático como Gioconda.

Um autêntico representante das Côtes

Ladeado por Ausone, Belair e Pavie, châteaux de alta reputação nas Côtes, terroir em torno da cidade de Saint-Émilion com boa declividade, La Gaffelière cumpre seu papel. Com seus quase vinte anos, este da safra de 1996, mostra claramente a boa evolução dos bordaleses de margem direita. Fruta com ameixa escura, toques minerais e de trufa, emolduram seu perfil aromático. Taninos macios, abordáveis e belo equilíbrio, sem transparecer o álcool. Escoltou muito bem um patê de foie gras, enaltecendo toques animais delicados.

Vinsanto de rara delicadeza

Que tal um Vinsanto com 13% de álcool. Parece brincadeira, mas tem coisas que só o Castello di Ama faz. O famoso binômio de uvas Trebbiano e Malvasia compõem sua elaboração pelo método de appassimento. Mais quatro anos em caratelli de carvalho francês (pequenas barricas de cem litros) e a magia está pronta. Os delicados aromas de mel, de frutas secas e algo resinoso, desfilam em perfeita harmonia. Seu equilíbrio entre álcool, açúcar e acidez é admirável. Casou perfeitamente com um tiramisu de confecção artesanal. Gran Finale!

Evidentemente, após todo este sacrifício; fora da mesa, cafés, chás, Portos e destilados, acompanhados de Puros como Partagás E2, Hoyo de Monterrey e Bolívar Belicosos, prolongaram noite adentro. Meus sinceros agradecimentos aos confrades, já esperando novos encontros. Santé!

Abaixo, alguns dados técnicos dos bordaleses acima citados:

Château Duhart-Milon

Pertencente ao grupo Lafite-Rothschild, Duhart-Milon situa-se a oeste do Grand Vin (Lafite), mantendo um estilo semelhante, bem oposto a seu concorrente Clerc-Milon do outro ramo da família (Mouton-Rothschild). Contanto com 76 hectares de vinhas com idade média de trinta anos, o solo apresenta um perfil arenoso, calcário e pedregoso (pequenas pedras em tamanho, graves finas), fornecendo uvas que hão de gerar vinhos de estilo mais elegante, fiel ao padrão Lafite.

A composição do vinho em média segue o padrão de 80% Cabernet Sauvignon e  20% Merlot. O vinho amadurece entre 14 a 18 meses em barricas de carvalho (50% novas).

Relevo ondulado com as croupes pedregosas

O relevo da comuna de Pauillac é mostrado acima, onde encontra-se as camadas mais espessas de cascalho. Este detalhe é importantíssimo para o fator drenagem tendo como consequência, a excelência da casta Cabernet Sauvignon. No mapa abaixo, percebemos a disposição dos vinhedos Rothschild com a proximidade de vizinhança entre os châteaux Duhart-Milon e Lafite-Rothschild.

Comuna de Pauillac: entre St-Estèphe e St Julien

Château La Gaffelière

80% Merlot, 20% Cabernet Franc, 18 meses de barricas, 22 hectares de vinhas, idade média de 35 anos, solo argilo-calcário e em parte silicioso.

Entorno da cidade de St Emilion: terroir privilegiado

Fechando os vinho de St Émilion, recentemente mais dois companheiros para o Ausone e Cheval Blanc, considerados Classe A. São eles o Ângelus e Pavie. Os terroirs que englobam Cheval Blanc e Figeac são de solos mais secos e pedregosos. Mas isso é assunto para outras oportunidades.

 

Considerações da Serra Gaúcha

31 de Maio de 2015

É sempre bom atualizar o panorama do vinho nacional, especialmente da serra gaúcha, embora os vinhos de altitude da serra catarinense tenham continuamente boas novidades. O Brasil ainda está no fatídico consumo de dois litros per capita por ano, sendo que deste total, o consumo de vinhos finos (viníferas) ronda a marca de 700 ml (quase uma garrafa) per capita por ano. Não sei se vou viver para chegarmos a um número diferente.

O Rio Grande do Sul responde por cerca de noventa por cento do total de vinho produzido, sendo que oitenta por cento deste vinhos são elaborados por uvas não viníferas com grande predominância da uva Isabel. Felizmente, o mercado atual vem dando uma ótima solução para estas uvas com o crescimento exponencial na produção de suco de uva de ótima qualidade. É sem dúvida, uma bela solução para continuar os vinhedos de grande produção conduzidos pelo sistema de latada, bastante arraigado na viticultura durante várias gerações na serra gaúcha.

Salas de degustações modernas nas principais vinícolas

Para aqueles que não querem perder tempo na procura de bons vinhos finos, apresentamos a seguir algumas dicas e diretrizes na busca do que vale a pena ser provado.

Os espumantes que são a grande bandeira do vinho nacional com significativa aceitação pelo mercado doméstico, de fato mostram boa regularidade. Aqueles produzidos pelo método Charmat (segunda fermentação em tanques) têm um porto seguro na idônea Chandon do Brasil. Capitaneada pelo experiente Philippe Mevel, apresentam uma espumatização perfeita, sempre com um toque elegante e bem acabado, fruto de extremos cuidados em todas as fases de produção, desde o trabalho de campo até os detalhes na cantina. Toda a linha mostra um ótimo padrão, satisfazendo gostos dos mais variados.

No que diz respeito ao método tradicional (champenoise), Casa Valduga, Pizzato, e Miolo, oferecem exemplares bem feitos nos mais variados tempos sur lies (contato com as leveduras). Atualmente, não podemos deixar de mencionar a vinícola Cave Geisse localizada em Pinto Bandeira, setor da serra gaúcha propicio para este tipo de vinho. Uma região de maior altitude, boa amplitude térmica, fornecendo um bom suporte de acidez (frescor) aos vinhos.

Para os vinhos brancos, a grande casta é a Chardonnay, normalmente com passagem por barricas. Casa Valduga, Salton e sobretudo as vinícolas Pizzato e Miolo, sobressaem neste estilo de vinho. Sauvignon Blanc é sempre uma casta complicada com um ou outro destaque bem pontuais. As demais castas ou cortes geralmente não apresentam grandes atrativos. Como exceção, a Miolo mostra um interessante Viognier e Alvarinho (casta portuguesa da região dos vinhos verdes), ambos fermentados em barricas de carvalho.

No setor de tintos, o destaque fica para uva Merlot, embora a Tannat surpreendentemente apresente bons resultados. Três Merlots de destaques são: Salton Desejo, Pizzato DNA 99 e o ótimo Miolo Terroir. Muitos dos cortes mesclam uvas de variedades e regiões de origem bastante diversificadas, sem nenhum termo de comparação com exemplares europeus. Um tinto de corte já consagrado é o Quinta do Seival Castas Portuguesas da vinícola Miolo.

Principais regiões vinícolas

Serra Gaúcha

Principal região vinícola do Rio Grande do Sul e também do Brasil. Região úmida, com pluviosidade ao redor de 1700 mm/ano e altitudes entre 600 e 800 metros. A principal casta vinífera é a Chardonnay, enquanto as tintas disputam terreno entre a Cabernet Sauvignon e Merlot. Pelas condições de terroir a Merlot sai na frente. A casta Tannat surpreendentemente mostra bons resultados também.

Campos de Cima da Serra

Região de altitude (900 a 1000 metros acima do nível do mar) Com grande amplitude térmica. Neste contexto, uvas brancas como Chardonnay e Sauvignon Blanc apresentam boas perspectivas. A casta tinta Pinot Noir acompanha este caminho. Embora as condições não favoreçam aparentemente, as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot são cultivadas. A grande referência deste corte é o vinho RAR da vinícola Miolo.

Campanha

Região limítrofe com o Uruguai, está a aproximadamente 500 quilômetros a sul da serra gaúcha. Região de clima seco e altitudes de 250 metros na média. Essas condições propiciam o bom cultivo das uvas tintas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat (uva ícone do Uruguai) e castas portuguesas. Aliás o Quinta do Seival Castas Portuguesas já é um clássico da vinícola Miolo. É uma região ainda a ser explorada com grande potencial.

Serra do Sudeste

Inserida como um prolongamento da Campanha a leste, este região guarda algumas semelhanças com o terroir da Campanha, embora com altitudes mais elevadas (450 metros acima do nível do mar). Chove menos em relação à serra gaúcha e variedades tintas amadurecem muito bem com destaque para a casta Tannat. Entres as brancas, Sauvignon Blanc e Alvarinho (casta portuguesa da região do Minho) se destacam.

Serra Catarinense

Um parêntese deve ser feito nesta região catarinense de grande altitude. Estamos falando em mais de mil metros, num limite entre 1200 e 1300 metros acima do nível do mar. Esta altitude compensa com folga a diferença de latitude desfavorável em relação à serra gaúcha. A amplitude térmica (diferença de temperaturas entre o dia e a noite) é notável na região e a dificuldade de maturação de cepas de ciclo tardio é imensa. Os vinhos brancos acabam se destacando com belos Chardonnays e Sauvignon Blanc. No campo das tintas, a casta Pinot Noir apresentam um promissor potencial, gerando vinhos elegantes e delicados.

Pericó: Rosé com toques provençais

Vale a pena comentar sobre a filosofia de implantação de vinhedos nesta localidade. Ao contrário da serra gaúcha com uma região de longa tradição no cultivo da vinha, empresários com grande poder de investimento, contrataram equipes de campo e enologia com profundos conhecimentos e uma visão mais moderna no assunto. Com isso, os antigos costumes e vícios que não cabem mais num mundo moderno foram naturalmente neutralizados, partindo de um panorama mais contemporâneo. É claro que a região ainda está por ser desbravada, conhecida, mas com os conhecimentos atuais de vitivinicultura fica mais fácil e rápido atingir os objetivos. Neste sentido, uma das vinícolas de destaque é a Pericó. Seus vinhos surpreendem pelo frescor, originalidade e equilíbrio. Só para citar alguns exemplos, temos um belo Sauvignon Blanc de clima frio mostrando grande tipicidade, frescor e persistência aromática. No seguimento de rosés, um vinho  de difícil elaboração, a Pericó mostra um exemplar de estilo provençal, fugindo dos padrões do Novo Mundo onde os rosés de sangria são a tônica. Por último, um belo Pinot Noir de altitude com elegância, frescor e bom acabamento. Chega até sugerir um caráter europeu, lembrando borgonhas de categorias mais simples. Belo trabalho do enólogo Jefferson Nunes.