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Mendoza: Zonas, Departamentos e Distritos

15 de Agosto de 2013

Há muita confusão quando se fala de Mendoza como uma das províncias argentinas, desmembrada em dezoito departamentos, conforme quadro abaixo. Cada um destes por sua vez, são divididos em vários distritos. Fazendo uma correlação com nosso país (Brasil), províncias equivaleriam a estados, departamentos a cidades, e distritos a bairros.

Mendoza: dezoito departamentos

No mesmo mapa acima, podemos marcas as cinco regiões ou zonas  vitícolas de Mendoza, conforme mapa abaixo. Vejam que elas interseccionam alguns departamentos, gerando uma certa confusão. Nosso estudo vai concentrar-se em três das cinco zonas, ou seja, Zona Alta del Rio Mendoza (também chamada Zona Centro), Zona Este (Leste), e Valle de Uco. As zonas Norte e Sul não apresentam condições de terroir favoráveis à elaboração de vinhos de alta qualidade. Não é à toa, que a bodega Catena Zapata concentra seus vinhedos nas duas melhores zonas: Centro e Valle de Uco.

Oasis Vitivinícola de Mendoza Mendoza Wine Tours & Travel

Mendoza: cinco zonas

Cada um destes departamentos tem seus distritos muito bem definidos, conforme mapa abaixo. Maipú é um departamento importante que faz parte da Zona Alta del Rio Mendoza. Seus distritos de Las Barrancas e Lunlunta são famosos e muitas vezes mencionados em fichas técnicas de vinho. Da mesma forma, o departamento de Luján de Cuyo possui distritos famosos como Perdriel, Agrelo, Vistalba e Las Compuertas.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/DIVISION_POLITICA_DE_MAIPU.jpg

Clique acima: detalhe de Maipú, com alguns dos 205 distritos de Mendoza.

Em Valle de Uco temos três departamentos: Tupungato, San Carlos e Tunuyán. Seguem alguns distritos famosos: La Consulta (San Carlos), Vista Flores (Tunuyán), Gualtallary e Villa Bastías (Tupungato).

Terroir pesquisado por Pedro Parra

Pedro Parra é considerado um dos maiores especialistas em terroir na América do Sul. O vinho acima é elaborado a partir de um vinhedo no distrito de Vista Flores no Valle de Uco a 1250 metros de altitude. Depois de exaustivos estudos, este vinhedo foi selecionado pela boa mescla de argila com muitas pedras e boa profundidade, fornecendo um raro caráter mineral. Este vinho é comercializado pela World Wine (www.worldwine.com.br). 

Achaval Ferrer: bela linha de vinhos

Já falamos deste excelente produtor em artigo especial neste mesmo blog. Um de seus melhores vinhos, Finca Altamira, é elaborado a partir de um vinhedo de seis hectares no distrito de La Consulta com parreiras de mais de oitenta anos em pé franco a 1050 metros de altitude. A concentração deste vinho é explicada com rendimentos baixíssimos em torno de 400 gramas de uva por parreira. Esta bodega é comercializada pela Inovini (www.inovini.com.br).

Tintos para o Verão: Parte II

17 de Janeiro de 2013

Neste artigo, vamos explorar alguns tintos do continente europeu, exceto França, já abordada na primeira parte. Começando pela Itália, temos a região de Valpolicella no Veneto. Aqui o próprio Valpolicella em versões mais simples, enquadra-se bem ao nosso propósito. Fuja dos Valpolicellas pelo método “Ripasso” que apresentam características de maior densidade e estrutura. O leve Bardolino, elaborado com vinhas próximas ao lago de Garda, tem todas as características de um tinto de verão. Na região do Piemonte, as uvas Grignolino e Freisa ganham destaque neste contexto com vinhos leves e muitas vezes frizantes. Os Dolcettos mais simples também cumprem bem este papel. Falando em frizantes, os renegados Lambruscos da região de Emilia-Romagna são vinhos emblemáticos. Prefira as versões secas das denominações Grasparossa di Castelvetro e da denominação Sorbara. São mais autênticos e equilibrados. Descendo um pouquinho pela Toscana, os genéricos Chianti são boas fontes de vinhos leves. São relativamente baratos e não trazem nenhuma denominação específica. Como já vimos em artigos anteriores neste mesmo blog, há nove denominações de Chianti. Para uma das denominações específicas, fique com a denominação Chianti Colline Pisane, sempre em estilo leve, podendo acompanhar até alguns pratos à base de peixe. Pendendo agora para o mar Adriático, temos alguns vinhos em Abruzzo sob a denominação Montepulciano d´Abruzzo com a uva Montepulciano. Geralmente os mais simples apresentam este estilo mais leve. Na região vizinha de Marche, a denominação Rosso Conero mesclando as uvas Sangiovese e Montepulciano, também moldam tintos de certa leveza. As regiões sulinas italianas pelo próprio clima, costumam elaborar tintos mais estruturados e alcoólicos, fugindo um pouco das características do que buscamos. Entretanto, há sempre casos pontuais que devem ser considerados. Por exemplo, alguns Nero d´Avola da Sicilia apresentam características de frescor, sendo muitas vezes o vinho tinto de entrada para uma refeição.

Ricasoli: Chianti leve de um produtor confiável

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Partindo agora para Portugal, vamos abordar algumas regiões não tão famosas e que inclusive, sofreram modificações em suas respectivas nomenclaturas, conforme mapa abaixo. A antiga Estremadura, agora é Lisboa. O antigo Ribatejo, é simplemente Tejo e por fim, Terras do Sado, agora é Península de Setúbal. Nestas regiões é comum o cultivo da uva Castelão que gera vinhos de boa acidez e fruta vibrante, além das chamadas castas internacionais. Sobretudo na região de Lisboa, a influência marítima do Atlântico proporciona um clima ameno, preservando a acidez das uvas. Na Península de Setúbal, serras como Arrábida causam o mesmo efeito, gerando vinhos mais frescos. Quem quiser porvar um ótimo tinto elaborado com a uva Castelão, a dica é o produtor Antônio Saramago trazido pela Vinissimo (www.vinissimo.com.br). Agora falando de uma região mais clássica, o Dão pode proporcionar vinhos relativamente simples e frescos baseados na casta Jaen. Dificilmente, encontraremos um varietal, mas quando sua proporção é importante, teremos presente este frescor mesmo que o corte acompanhe um pouco de Alfrocheiro e/ou Touriga Nacional.

Em terras espanholas, vamos priorizar regiões vinícolas mais ao norte do país. Como sabemos, o clima seco e solo árido permeiam muitas regiões no centro e sul da Espanha. A uva Tempranillo em Rioja, dependendo da sub-região, pode proporcionar vinhos frescos e agradáveis, sobretudo na versão “sin crianza” ou simplesmente ” cosecha”. Em Ribera del Duero, a nomenclatura sugere a palavra “jóven”. De todo modo, são vinhos frescos, sem nenhum contato com madeira ou se houver, apenas alguns meses. Vizinha à Rioja, temos a região de Navarra, não tão badalada como sua rival. Na mesma linha de raciocínio temos os vinhos mais frescos que não passam por barrica. O produtor Chivite importado pela Mistral é sempre uma referência segura (www.mistral.com.br). Um pouco mais ao norte, próxima aos Pirineus, temos a moderna região de Somontano com uvas locais e internacionais. As versões mais simples com a menção “jóven” vêm de encontro ao nosso objetivo. No extremo nordeste espanhol, temos a região da Catalunha, terra do Cava. É uma região banhada pelo Mediterrâneo onde o calor e o sol são arrefecidos pela altitude mais interiorana. Denominações como Penedès e Costers del Segre são as mais indicadas na busca por vinhos mais frescos e leves, embora haja versões mais encorpadas e estruturadas. Como regra, fuja das versões crianza, reserva e gran reserva, se a opção for vinhos para o verão. Nas duas denominações existem uvas locais e as chamadas internacionais.

Vinho do Porto: Parte V

21 de Abril de 2011

Como vimos em posts anteriores, os Portos se dividem em dois grandes estilos: Ruby e Tawny.  Esses estilos em suas versões mais simples representam grandes volumes na produção total de Porto. São relativamente simples, de bom preço e não devem envelhecer. São os que mais percebemos o álcool por serem fortificados e não possuírem extrato suficiente, com raras exceções. A temperatura mais resfriada (entre 14 e 15ºC) ajuda a minimizar essas imperfeições. É bom sempre ter algumas garrafas para os “cunhados” de plantão.

Tawny e Ruby: nítida diferença de cores

Partindo destes dois grandes grupos, teremos tipos de Porto mais sofisticados, conforme site oficial da região, www.ivdp.pt :

Porto Ruby Reserva

Conhecidos também como Vintage Character (expressão inglesa), originam-se a partir de uma seleção de lotes com bom potencial de fruta e cores vibrantes a cada safra. A safra atual vai sendo adicionada a lotes já em processo de amadurecimento, sempre procurando preservar o lado frutado. Os melhores Reservas são os que possuem mais extrato e concentração de sabores, dependendo da reputação de cada vinícola. Normalmente, as safras que formam os lotes não são muito antigas  (no máximo cinco anos). Uma referência neste estilo é o Graham´s Six Grapes, importado pela Mistral (www.mistral.com.br).

Porto Late Bottled Vintage (LBV)

Tentou-se abreviar a sigla inglesa LBV por SET (safra de engarrafamento tardio), mas não deu muito certo. De todo modo, trata-se de um Porto de uma só colheta que deve ser obrigatoriamente declarada no rótulo. O vinho deve amadurecer entre quatro e seis anos antes do engarrafamento, sempre preservando seu lado frutado. É o chamado Vintage de bom custo/benefício. Não tem a concentração, nem a longevidade de um Vintage, mas lembra suas principais características. O LBV da Quinta do Noval é sempre uma grata surpresa, muito acima da média. Não deve envelhecer muito em adega. Geralmente, convém não guardá-lo mais do que dez anos a partir da safra. Além da safra, é obrigatório também, a data de engarrafamento.

Vintage

Para muitos, a perfeição do Vinho do Porto. É vinho também de uma só colheita, porém esta, excepcional. Deve envelhecer de dois a três anos antes do engarrafamento, geralmente em grandes balseiros, preservando todo seu poder de fruta e potência aromática. Tanto a safra, como a data de engarrafamento, devem ser mencionadas no rótulo. Depois de comprado, esqueça-o na adega. Comece a pensar em abrí-lo depois de seu décimo aniversário de safra. Melhor a partir dos quinze ou vinte anos. Deve ser obrigatoriamente decantado por todos os motivos: grande quantidade de sedimentos (borras espessas) e aeração para desprendimento de aromas mais pesados. Noval, Fonseca, Taylor´s e Graham´s são Casas notáveis.

Está muito em voga, os chamados Vintages de Quinta, mencionados com Single Quinta Vintage pelo IVDP, orgão oficial. Os ótimos Quinta de Vargellas (Taylor´s) e Quinta do Vesúvio (Symington´s) dignificam a categoria. Contudo, o Vintage tradicional, resultado da mistura de várias quintas de um mesmo ano e de uma mesma propriedade, continua sendo considerado superior. Teoricamente, a conjunção de diversos terroirs (quintas) confere nuances e complexidade incomparáveis.

Do lado oxidativo, passemos às categorias de Tawnies especiais:

Porto Tawny Reserva

A mesma idéia do Ruby Reserva, porém de estilo oxidativo. São lotes de várias safras com vinhos de características apropriadas a um contato mais intenso com a madeira. Suas cores são mais claras, tendendo ao granada ou atijolado. Os aromas de frutas secas e toques empireumáticos são sempre citados. O Porto Jockey Club Burmester é um belo exemplo desta categoria.

Belo exemplar da categoria abaixo

Tawny com declaração de idade

A expressão 10, 20, 30 e 40 Years Old é mencionada nesta categoria, teoricamente superior à anterior, já que a média de idade das safras de um Tawny Reserva raramente supera cinco anos. Portanto, esses números declarados significam que a média de idade dos lotes reflete um Vinho do Porto amadurecido em madeira por 10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, respectivamente.

É bom que se frise, que não há superioridade entre essas declarações de idade, sugerindo que um 20 anos seja superior a um 10 anos. O que ocorre na verdade, são características diferentes com a evolução do vinho na barrica. Pode até acontecer que um 10 anos tecnicamente seja superior a um 20 anos. O segredo é selecionar lotes homogêneos e de extrato compatíveis com as repectivas declarações de idade. Portanto, não se faz um 20 anos com um 10 anos mais envelhecido. Neste raciocínio, é muito mais difícil encontrar um 40 anos perfeitamente equilibrado, do que um 10 anos normalmente encontrado em nosso mercado.

Sensorialmente, um 10 anos é mais potente e frutado que um 40 anos. Um tempo mais prolongado, com um grau de oxidação muito maior, revela aromas mais etéreos  e com maiores nuances, mas só lotes de características muito distintas conseguem vencer um período tão prolongado em pipas de carvalho. Taylor´s 10 anos, Adriano Ramos Pinto Quinta de Ervamoira 10 anos e Ferreira Duque de Bragança 20 anos, são referências neste estilo de Porto.

Porto Colheita

Esta é a categoria máxima no estilo Tawny, muitas vezes sem o devido reconhecimento de consumidores menos esclarecidos. Como o próprio nome diz, é um Porto de uma só colheita que deverá ser mencionada no rótulo, bem como, a data de engarrafamento, a qual não deve ser inferior a sete anos. Evidentemente, os grandes Colheitas passam muito mais tempo nas pipas e podem ser tão extraordinários como os grandes Vintages. É uma questão de gosto e estilo. Costumam retratar o melhor dos aromas e sabores do estilo oxidativo. A Casa Niepoort oferece uma coleção de Colheitas do mais alto nível. Importado pela Mistral (www.mistral.com.br).

Vinhos citados

Quinta do Noval – importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br)

Duque de Bragança – importadora Inovini (Aurora) – (www.aurora.com.br)

Porto Burmester – importadora Adega Alentejana – (www.adegaalentejana.com.br)

Porto Fonseca – importadora Vinci – (www.vinci.com.br )

Porto Taylor ´s – importadora Portus Cale – (www.portuscale.com.br)

Porto Adriano Ramos Pinto – importadora Franco Suissa – (www.francosuissa.com.br)