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Viña Cobos: Excelência em Terroir

13 de Julho de 2016

No mar de Malbecs em que estamos mergulhados é preciso separar o joio do trigo. Viña Cobos é um bom exemplo disso com vinhos bem trabalhados em terroirs de grande prestígio. Neste belo evento da importadora Grand Cru, tendo sempre à frente  a simpatia e competência de Camila Dezutti Perossi, pudemos avaliar vinhos de alta gama desta bodega referência em vinhos mendocinos. Por trás deste projeto, está o premiado enólogo americano Paul Hobbs, com passagens importantes pelas vinícolas Catena e Opus One (Napa Valley), além de consultorias na região de Tokaj, Hungria.

paul hobbs e camila dezutti

Paul Hobbs e Camila Dezutti

Para entendermos os vinhos a seguir, é preciso nos conscientizar dos melhores terroirs de Mendoza. Aqui, solos e altitudes bem escolhidos fazem a diferença. Neste sentido, a zona alta do rio Mendoza nas sub-regiões de Maipú e Lujan de Cuyo são as mais importantes e prestigiadas. As altitudes em torno de mil metros, além de solos adequados e bem drenados, conferem condições ideais para o cultivo da Malbec e também, belos Cabernets. Some-se a isso, um patrimônio importante de vinhas antigas, fechando a equação.

Outro terroir importante, relativamente recente e de grande desafio, é o chamado Valle de Uco, com altitudes ainda maiores. Aqui, a amplitude térmica e um clima mais fresco, produzem uvas equilibradas com ótimos níveis de acidez. É bem verdade que as intempéries  e o correto ponto de amadurecimento do fruto são fatores de risco. Contudo, são Malbecs vibrantes, aromas frescos e de grande pureza.

Os vinhos deste painel são calcados nestes dois grandes terroirs, partindo de vinhedos muito bem selecionados e portanto, expressando tintos de grande categoria. A idade dos vinhedos traduz bem as diferenças nas taças, mas as promessas devem ser construídas aos poucos, ao longo do tempo. O importante é perceber o grande potencial das vinhas novas envolvidas no projeto. Esses tintos são topo de gama da vinícola intitulados linha Bramare Vineyard.

bramare zingaretti

Cobos Bramare Vineyard Zingaretti Malbec 2012

Um dos destaques do painel, esse tinto esbanja classe, delicadeza e todo o frescor deste terroir de altitude. O vinhedo Zingaretti trabalha com vinhas de idade superior a 80 anos em altitudes de 1150 metros, localizadas em Villa Bastías, Valle de Uco. Nesta safra, as uvas foram colhidas no meio de abril. A textura do solo é argilo-arenosa com certa pedregosidade no terreno. O baixo rendimento de 5,5 toneladas por hectare reflete-se no vinho. Seu amadurecimento dá-se em barricas de carvalho por 17 meses, sendo 60% francesas novas, 5% americanas novas, e 35% segundo uso.

O que chama a atenção neste vinho é sua elegância. Seus toques de violeta e alcaçuz são finos e delicados. Boa presença de fruta fresca, bela acidez, e taninos muito finos. Equilibrado, bom volume em boca, mas sem nunca perder a delicadeza. As vinhas antigas fazem esta magia.

bramare rebon

Cobos Bramare Rebon Vineyard Malbec 2012

Aqui a diferença para o vinho anterior é bastante clara. Apesar de ambos estarem no Valle de Uco, em altitudes próximas, os vinhedos diferem substancialmente em idade. Neste caso do Rebon, as vinhas com apenas nove anos, localizam-se entre Altamira e La Consulta a 1015 metros de altitude. Os rendimentos são superiores, em torno de 8,5 toneladas por hectare, devido ao vigor das jovens plantas. Esses fatores refletem-se no vinho, proporcionando sensações diferentes.

O aroma neste caso é um pouco mais potente, lembrando notas de café, tostado e um fundo de tabaco. Em boca, os taninos estão muito mais presentes, embora haja um belo equilíbrio de álcool e acidez. A madeira fica mais evidente também, mesmo tendo o aporte idêntico do vinho anterior. Este precisa de mais tempo em garrafa para uma maior integração e deve ser decantado por pelo menos uma hora antes do consumo. O importante é que o vinhedo mostra-se promissor e só o tempo é capaz de adapta-lo perfeitamente ao terroir.

bramare marchiori

Cobos Bramare Marchiori Vineyard Malbec 2010

 O vinhedo Marchiori localiza-se em Perdriel, Lujan de Cuyo, a 995 metros de altitude, com vinhas acima de 50 anos. O rendimento é de seis toneladas por hectare. O solo franco-argiloso é de excelente drenagem. O vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês e americano (70% novas).

Neste tinto, percebemos o terroir de Lujan de Cuyo, com vinhos mais potentes e intensos. Encorpado, rico em taninos de alta qualidade. A fruta mescla-se muito bem à madeira que por sua vez, promove deliciosos traços de baunilha, café e caramelo. Macio e longo em boca. Embora já extremamente prazeroso, pode evoluir bem em adega.

bramare cabernet sauvignon

Cobos Bramare Marchiori Vineyard Cabernet Sauvignon 2012

Proveniente do mesmo vinhedo anterior, mas setores ligeiramente diferentes. Neste caso, as vinhas são relativamente jovens com apenas 17 anos. O sub-solo é relativamente mais pedregoso. Os rendimentos são destacadamente baixos com 5,5 toneladas por hectare. Aqui temos 17 meses de barricas francesas, sendo 65% novas.

A personalidade da Cabernet se expressa bem, com aromas mais fechados e taninos mais evidentes. No nariz, as frutas escuras, ervas e um toque mentolado são mais percebidos. Em boca, além da tanicidade maior da cepa, as vinhas jovens promovem taninos mais marcantes, necessitando de uma maior integração ao conjunto. A madeira não é invasiva e o equilíbrio entre seus componentes é destacado. Vinho de boa guarda.

cobos malbec

Cobos Malbec 2013

Trata-se da joia da Coroa. Um Malbec do vinhedo Marchiori com suas vinhas mais antigas e de rendimentos bem baixos (4,5 toneladas por hectare). O vinho amadurece por 17 meses em barricas francesas novas da tonelaria Taransaud, o Rolls-Royce das barricas.

Os aromas são muito elegantes com fruta em geleia, toques florais, alcaçuz, e madeira fina lembrando cedro. Bom volume em boca, mas sem exageros. Muito equilibrado, taninos de rara textura, e madeira muito bem casada. A potencia dá lugar à elegância. Belo fecho de degustação.

Enfim, uma degustação de alto nível onde pormenores foram percebidos nas taças. Uma aula de terroir e a demonstração de todo potencial mendocino na elaboração de grandes vinhos. Agradecimentos a todo  pessoal da Grand Cru, desde a recepção até todo o desenrolar do evento, caprichando nos detalhes.

Spielmann Estates: Malbecs diferenciados

8 de Setembro de 2014

Dos inúmeros Malbecs que inundam nosso mercado, alguns diferenciam-se por seus vinhedos antigos, plantados em zonas nobres de Mendoza, e com uma vinificação cuidadosa. É o caso da vinícola Spielmann Estates  com assessoria do competente enólogo Pepe Galantes, responsável por muitos anos pelos vinhos da renomada Catena.

Canal Flores: Primeiro degrau da vinícola

Spielmann Estates trabalha apenas com três vinhos partindo de videiras antigas à base de Malbec. Apesar do caráter varietal, ou seja, ampla presença da Malbec, o vinho é sabiamente complementado com Cabernet Sauvignon e uma pitada de Syrah. O corte enriquece o conjunto, principalmente no que tange à estrutura do vinho e por consequência sua longevidade. Além disso, os vinhedos localizam-se em Perdriel (Lújan de Cuyo), zona alta do rio Mendoza, partilhando de nobre vizinhança (vinhedos Achaval Ferrer, Catena e Viña Cobos). Outra particularidade é a chamada micro-vinificação, feita em pequenos tanques ou pequenas barricas, onde a interação das cascas com o mosto durante a fermentação é mais intensa e eficiente, extraindo mais cor, sabores, aromas, pela riqueza dos polifenóis (antocianos e taninos presentes na casca da uva).

Começando pelo vinho-base da vinícola, Canal Flores, já estamos num ótimo nível, partindo de videiras centenárias de Malbec. O corte é complementado com 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah. O rendimento é próximo de 1,5 quilos de uva por parreira, enquanto o amadurecimento é feito em barricas de carvalho francês, sendo 76% novas, por 12 meses. O exemplar provado apresentava cor intensa, ótima concentração de frutas e madeira bem casada. Estrutura tânica marcante, sugerindo alguns anos de guarda.

O grande vinho da bodega chama-se Viñedo 1910. O nome já diz tudo. Vinhas centenárias com rendimento de 750 gramas de uvas por parreira. Alta concentração de sabores, complementada por 15% Cabernet Sauvignon.  O vinho amadurece por 14 meses em barricas de carvalho francês novas. Tinto de guarda, com taninos de rara textura. Seus componentes ainda não perfeitamente integrados, merecem uns bons anos de adega. Decantação obrigatória por pelo menos um hora e meia.

O último tinto finalizando o trio, trata-se do Icono ou Mitos. Um corte balanceado de Malbec (67%), Cabernet Sauvignon (22%) e Syrah (11%). Rendimentos baixíssimos em torno de meio quilo de uvas por planta. Pela potência e concentração, o vinho passa 14 meses em barricas francesas novas. Num estilo sutilmente moderno, prima pela intensidade de aromas e grande presença em boca. Deve beneficiar-se com bons anos de guarda. Se tomado jovem, deve ser aerado em decanter de base larga por pelo menos duas horas.

Esta degustação foi gentilmente oferecida pela jornalista Arlene Colucci, diretora da agência Gabinete de Comunicação (www.gabinete.com.br) no restaurante Chef Rouge, o qual dispõe dos vinhos acima citados.

Prato de javali escoltado por Canal Flores

Em resumo, mais uma bela opção diferenciada num mercado inundado por bons Malbecs, mas em sua maioria, de certa padronização. Os pedidos podem ser feitos diretamente com a vinícola, já comercializados no Brasil, pelo site http://www.spielmannestates.com a preços atraentes, frente à qualidade dos mesmos. Atualmente, Canal Flores sai por R$ 95 reais cada garrafa e o ótimo Viñedo 1910 por R$ 180 a unidade.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Mendoza: Zonas, Departamentos e Distritos

15 de Agosto de 2013

Há muita confusão quando se fala de Mendoza como uma das províncias argentinas, desmembrada em dezoito departamentos, conforme quadro abaixo. Cada um destes por sua vez, são divididos em vários distritos. Fazendo uma correlação com nosso país (Brasil), províncias equivaleriam a estados, departamentos a cidades, e distritos a bairros.

Mendoza: dezoito departamentos

No mesmo mapa acima, podemos marcas as cinco regiões ou zonas  vitícolas de Mendoza, conforme mapa abaixo. Vejam que elas interseccionam alguns departamentos, gerando uma certa confusão. Nosso estudo vai concentrar-se em três das cinco zonas, ou seja, Zona Alta del Rio Mendoza (também chamada Zona Centro), Zona Este (Leste), e Valle de Uco. As zonas Norte e Sul não apresentam condições de terroir favoráveis à elaboração de vinhos de alta qualidade. Não é à toa, que a bodega Catena Zapata concentra seus vinhedos nas duas melhores zonas: Centro e Valle de Uco.

Oasis Vitivinícola de Mendoza Mendoza Wine Tours & Travel

Mendoza: cinco zonas

Cada um destes departamentos tem seus distritos muito bem definidos, conforme mapa abaixo. Maipú é um departamento importante que faz parte da Zona Alta del Rio Mendoza. Seus distritos de Las Barrancas e Lunlunta são famosos e muitas vezes mencionados em fichas técnicas de vinho. Da mesma forma, o departamento de Luján de Cuyo possui distritos famosos como Perdriel, Agrelo, Vistalba e Las Compuertas.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/DIVISION_POLITICA_DE_MAIPU.jpg

Clique acima: detalhe de Maipú, com alguns dos 205 distritos de Mendoza.

Em Valle de Uco temos três departamentos: Tupungato, San Carlos e Tunuyán. Seguem alguns distritos famosos: La Consulta (San Carlos), Vista Flores (Tunuyán), Gualtallary e Villa Bastías (Tupungato).

Terroir pesquisado por Pedro Parra

Pedro Parra é considerado um dos maiores especialistas em terroir na América do Sul. O vinho acima é elaborado a partir de um vinhedo no distrito de Vista Flores no Valle de Uco a 1250 metros de altitude. Depois de exaustivos estudos, este vinhedo foi selecionado pela boa mescla de argila com muitas pedras e boa profundidade, fornecendo um raro caráter mineral. Este vinho é comercializado pela World Wine (www.worldwine.com.br). 

Achaval Ferrer: bela linha de vinhos

Já falamos deste excelente produtor em artigo especial neste mesmo blog. Um de seus melhores vinhos, Finca Altamira, é elaborado a partir de um vinhedo de seis hectares no distrito de La Consulta com parreiras de mais de oitenta anos em pé franco a 1050 metros de altitude. A concentração deste vinho é explicada com rendimentos baixíssimos em torno de 400 gramas de uva por parreira. Esta bodega é comercializada pela Inovini (www.inovini.com.br).


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