Posts Tagged ‘clos de tart’

Filosofias: Bourgogne e Bordeaux

3 de Julho de 2015

Numa garrafa de Bourgogne ou Bordeaux há muito mais filosofia do que se pensa. Evidentemente, estamos falando dos grandes vinhos destes míticos terroirs. A despeito da enorme diferença do solos, climas e uvas envolvidas, o fator humano me parece ser mais decisivo e mais apaixonante. Um dos encantos da França é classificar, selecionar e individualizar certas filosofias sobre seus vinhos.

No caso da Bourgogne, Deus presenteou um terroir abençoado, sobretudo no que chamamos de Côte d´Or (não é costa dourado e sim, costa do oriente). As duas colinas (Côte de Beaune e Côte de Nuits) foram concebidas em plena harmonia na composição de seus solos, drenagem e insolação perfeitas e clones criteriosamente adequados ao plantio. Couberam aos monges cistercienses o devido tempo e paciência para formar perfeitamente o intrincado mosaico de vinhedos com classificações hierárquicas muito bem definidas.

Já no caso bordalês, a natureza não foi tão privilegiada a principio, sobretudo na sub-região do Médoc, a chamada margem esquerda de Bordeaux. No final da idade média, tínhamos sérios problemas de drenagem na região que sofria com cheias periódicas do Gironde. A solução foi contratar engenheiros holandeses, especialistas em represamento de águas, para drenarem toda a região. Assim o presente divino começa a ser desvendado. Encontrou-se então um solo e subsolo de destacada pedregosidade  e com grande capacidade de escoamento de águas. Nessas condições aliadas ao clima moderado com a influência do Gironde, a Cabernet Sauvignon encontrou seu lar ideal. Mas não foi só isso. Do lado do Atlântico, o avanço das grandes dunas de areia, mais a umidade e salinidade dos ventos marinhos tiveram que ser barradas. A solução foi uma enorme floresta de pinheiros com mais de um milhão de hectares, chegando até os Pirineus, divisa com a Espanha. Portanto, podemos dizer que Bordeaux, ao contrário da Bourgogne, foi um terroir forjado pelo homem.

Agora vem a parte filosófica, talvez a mais interessante. No Médoc sempre reinou a aristocracia, os imponentes châteaux e uma polêmica classificação exclusiva e imutável (classificação de 1855). Contudo, a concepção do vinho bordalês parte de uma visão socialista. Em propriedades que chegam perto de cem hectares, às vezes um pouco mais, o vinhedo é dividido em inúmeras parcelas, mesmo em se tratando de uma das uvas, ou seja, parcelas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e uma pitada de Petit Verdot, quando muito. Após vinificação individual das parcelas, opta-se pelo famoso Assemblage, o chamado corte bordalês. É aí que entra o socialismo: “a união das parcelas para um todo melhor”. Normalmente faz-se dois assemblages. Um para o “Grand Vin”, com as melhores parcelas degustadas e o restante, para o chamado “segundo vinho do château”.

clos de tart 1996

Dois belos monopólios

Já na concepção da Borgonha, as propriedades dos melhores domaines não passam de cinco hectares de vinhas. Números acima destes são verdadeiras exceções. Curiosamente, sua filosofia de vinho muda completamente. Após a Revolução Francesa, os vinhedos borgonheses foram todos fragmentados e repartido entre as famílias. Porém, a concepção do vinho continuou a mesma. Parcelas pequenas de vinhedos com uma só uva para tintos (Pinot noir) e uma só uva para brancos (Chardonnay). Com isso, temos uma visão aristocrática do vinho. Embora a fragmentação dos vinhedos tivesse uma ideia mais igualitária entre os viticultores, cada parcela sempre foi individualizada e hierarquizada no rígido sistema de classificação (Grand Cru, Premier Cru, Villages, …). Portanto, os melhores vinhos não se misturam com os plebeus, uma divisão de castas em todos os sentidos. São vinhos extremamente elitizados onde a procura pelos melhores produtores é uma constante, além das complicações de safras.

clos de tart

Clos de Trat: Concepção curiosa

Sou suspeito para falar do vinho acima, o belíssimo Clos de Tart. Provei uma garrafa safra 1988 ano passado e ainda estava longe de estar pronto. Talvez o mais enigmático dos borgonhas, tanto quanto o imaculado Romanée-Conti. Entretanto, bem mais em conta, naturalmente neste padrão de qualidade e relativismo. Mas vamos à sua concepção. Trata-se de uma propriedade extensa para padrões borgonheses. É um monopólio de 7,5 hectares repartidos em várias parcelas ao longo da colina. As zonas no alto da colina com solos de marga (mistura judiciosa de argila e calcário), bem como as zonas carbonatadas contando com vinhas antigas agregam parcelas privilegiadas. Reparem na diferença de altitudes entre a parte baixa e alta da colina. Exatamente, na faixa dos Grands Crus (entre 250 e 300 metros).

O assemblage das parcelas juntamente com a ideia de se conceber um “Grand Vin” e um “segundo vinho” tem de certo modo uma vertente bordalesa. O primeiro está classificado como Grand Cru e o segundo vinho  etiquetado como Premier Cru. Que o doutor Roberto, borgonhês juramentado, me perdoe a ousadia. Os vinhos são respectivamente Clos de Tart Grand Cru Monopole, e La Forge de Tart Morey-Saint-Denis Premier Cru.

A taça não corresponde ao vinho

Há também paradoxos no lado bordalês, sobretudo em Pomerol, com uma área total de 800 hectares de vinhas. Um lado borgonhês na chamada margen direita, com propriedades pequenas e sem a imponência do Médoc. Se compararmos com o total de área para brancos e tintos da Borgonha de primeira linha (Grand Cru e Premier Cru), temos algo como 3.500 hectares de vinhas. Separando ainda o joio do trigo, podemos reduzir seguramente para metade desta área. Os números começam a ficar próximos.

Só para destacar um dos grandes vinhos de Pomerol, acima temos o Château Le Pin com 2,7 hectares de vinhas, não produzindo mais do que 5.000 garrafas por safra. A base do vinho é praticamente Merlot com pitadas de Cabernet Franc. É elaborado apenas o “Grand Vin” numa concepção bastante borgonhesa.

Um fator altamente decisivo na opção destas filosofias é o tamanho das propriedades. Tanto de um lado, como de outro, Bordeaux e Borgonha se confundem em aspectos de concepção dos vinhos, conforme exemplos acima. Pondo um pouco mais de lenha na fogueira, a famosa frase de Friedrich Engels, uma marxista convicto. “Um momento de felicidade: Margaux 1848”. Um vinho aristocrático, mas com concepções socialista, onde o conjunto das partes forma um todo melhor.

Bourgogne: Confronto de Terroirs

1 de Dezembro de 2014

Discutir sobre a Borgonha é sempre prazeroso, instigante e sobretudo, sem conclusões definitivas, lembrando um pouco as infindáveis discussões sobre futebol, ou seja, não se chega a lugar algum. Dentro desta perspectiva, o tema de hoje pode ser interessante, principalmente para aqueles que estão iniciando no assunto. Um dos fatores que mais intrigam os degustadores é desvendar as peculiaridades de cada “climat”, termo muito típico para designar terroirs específicos nesta região. Só para ficar nas comunas mais famosas como Chambolle-Musigny, Vosne-Romanée, Pommard, Volnay, Chambertin, entre outras, os escritores, críticos e apaixonados por este vinhos, tentam marcar as principais características específicas de cada uma delas. Seguindo este raciocínio, podemos propor alguns paineis em dupla, comparando vinhos aparentemente diversos, distintos. Seguem abaixo alguns exemplos:

Côte d´Or: O coração da Borgonha

Volnay x Chambolle-Musigny

Num primeiro momento, temos uma comuna da Côte de Beaune (Volnay) e uma comuna da Côte de Nuits (Chambolle). Terroirs bem separados, já que na Borgonha, mesmo em vinhedos lado a lado, as diferenças podem ser marcantes.  O ponto principal a ser comparado é a delicadeza, a elegância e a sutileza destes respectivos vinhos. A priori, os vinhos de Chambolle parecem vencer o páreo. Teoricamente, teriam mais profundidade, poderiam ser mais marcantes. Só que treino é treino e jogo é jogo. Na prática, às cegas, dependendo do produtor, os respectivos terrenos e a filosofia do produtor, tudo pode mudar. Entretanto, vale a bincadeira. Dois belos Premiers Crus, lado a lado, um de cada comuna, às cegas. Como sugestão, um Chambolle do craque Mugnier e um Volnay do diferenciado Lafarge.

Pommard x Nuits-Saint-Georges

Força, personalidade e até uma certa rusticidade, marcam esses tintos robustos para padrões borgonheses. Pommard é também chamado o “Barolo” da Borgonha. Já o terroir de Nuits-Saint-Georges é mais complexo. A porção que me refiro é mais ao sul, mais afastado de Vosne-Romanée. Aqui sim, são vinhos robustos, mais duros na juventude, porém podem envelhecer maravilhosamente. Nas duas comunas não existem Grands Crus. Como disse, para padrões borgonheses, falta-lhes algo mais refinado numa sintonia mais ajustada. Proponho para Pommard, os produtores Domaine Courcel ou Comte Armand, e para Nuits-Saint-Georges, Henri Gouges ou Faiveley.

Henri Gouges: Meu preferido de Nuits-St-Georges

Corton x Gevrey-Chambertin

Vinhos firmes, uma certa austeridade, um cunho másculo e novamente o antagonismo: Côte de Beaune x Côte de Nuits. Corton é a exceção. Único Grand Cru tinto da Côte de Beaune e Chambertin da Côte de Nuits, com o maior número de Grands Crus por comuna (são nove no total). Ambos geologicamente apresentam influência direta de um subsolo calcário, fornecendo finesse e elegância. Corton do produtor Chandon de Briailles e Chambertin do inacessível Rousseau. Na impossibilidade deste último, Domaine Trapet.

Embate de Gigantes

Vosne-Romanée x Morey-Saint-Denis

Aqui a proposta é mais ousada e até certo ponto, leviana. Comparar Vosne-Romanée com outros tintos da Borgonha pode ser para alguns um verdadeiro insulto. Contudo, como experiência vale. Um grande Bonnes-Mares, um Clos de Tart ou o grande Musigny, este último de Chambolle, podem ás cegas, surpreenderem degustadores até mesmo com os DRCs à mesa. Entenda-se DRC como os fabulosos Grands Crus da Domaine de La Romanée-Conti. Sem a presença de rótulos, os soberbos tintos de Vosne tornam o embate mais democrático.

Quase sempre uma surpresa às cegas

Enfim, esse é um dos caminhos divertidos para tentar compreender a Borgonha. É como as mulheres. É divertido, prazeroso, enriquecedor e necessário este contato, mas entende-las é uma outra história. Quanto mais estudamos, quanto mais formulamos teses, menos compreendemos. Eis é o fascínio.

Grandes Vinhos, Grandes Safras: Parte IV

20 de Outubro de 2014

Continuando nossa saga pela Borgonha e relembrando o grande almoço no restaurante de Marc Meuneau, descrito no artigo anterior, ainda tínhamos um longo caminho a percorrer logo em seguida. Em vez de um descanso, fazendo uma espécie de detox, partimos para o jantar no hotel Bernard Loiseau, onde estávamos hospedados. E não foi um jantar só para tapiar. Menu de pratos completo com mais uma bateria de vinhos inesquecíveis. Portanto, vamos à luta!

20141003_213743

Chablis Raveneau: Mais incisivo, provocante

20141003_213818

Chablis Dauvissat: Mais textura, mais presença

O início do jantar não poderia ser melhor. Simplesmente, os dois melhores produtores de Chablis sem contestação. Raveneau Chablis Grand Cru Valmur, com uma acidez um pouco mais marcante, estimulante, enquanto Dauvissat Chablis Grand Cru Les Clos, mais opulento, mais textura e um grande final de boca. Os dois vinhedos Grand Cru (Valmur e Les Clos) de certa forma, enfatizaram os estilos distintos de cada produtor. Valmur costuma gerar vinhos mais introspectíveis. Já Les Clos, vinhos mais abertos e de maior textura em boca. Os dois maravilhosos.

20141003_212112

Aqui é Meursault de gente grande

Em seguida vieram alguns Meursauts na sequencia de brancos, mas nenhum foi páreo para o espetacular Coche-Dury Meursault-Perrières. O melhor vinhedo (Perrières) com o melhor produtor para muitos especialistas. Aromas e sabores em sintonia, plenos de riqueza e sofisticação. É praticamente um Grand Cru disfarçado.

Após este início de brancos arrebatadores, uma sequência de tintos não menos surpreendente. Uma mescla de grandes Borgonhas e grandes Rhônes (Norte e Sul), como veremos abaixo:

c16aad67ad403eb22237f88c5687cdb5

Cuvée Cathelin: Lotes especiais de Jean Louis Chave

Só para começar, se não bastasse o produtor “Hors Concours” de Ermitage, Jean Louis Chave, temos o suprassumo de sua produção. O raro Cuvée Cathelin da grande safra de 1990 com somente 2300 garrafas produzidas. Esse vinho só é elaborado em grandes anos com lotes especiais que o domaine separa com extremo rigor técnico. Vinho de personalidade, muita estrutura de taninos. Fica difícil vislumbrar seu apogeu. O epítome da Syrah nesta apelação.

20141003_213518

La Turque: o mais viril da trilogia

20141003_213549

La Landonne: o mais profundo

20141003_213428

La Mouline: o mais feminino

Continuando o sacrifício, o norte do Rhône estava arrebatador. Agora entramos na trilogia de Guigal na apelação Côte-Rôtie. A face feminina da Syrah. É bem verdade, que há uma pitada de Viognier, a uva branca nobre do Rhône, exceto no La Landonne. Todos espetaculares, evoluídos, de safras nobres como 85 e 88. O la Mouline 1985 é o mais feminino. Ele tem uma porcentagem maior de Viognier, além de um solo mais calcário que fornece muita elegância ao vinho. Textura sedosa, aromas florais e de especiarias inebriantes. Já La Turque 1988 é mais viril, masculino, com persistência aromática expansiva. Um Côte-Rôtie de raça. Por último, o La Landonne 1988, 100% Syrah. Tinto profundo, intenso e taninos de rara textura. Vida longa, mas já extremamente prazeroso. Outra trilogia deste porte, só mesmo Angelo Gaia com seus três Barbarescos “franceses” (Sori Tildin, Sori San Lorenzo e Costa Russi).

20141003_213114

Clos de Tart: Estrutura fantástica

20141003_213147

Michel Gaunoux: Corton de estilo

20141003_213300

Hubert Lignier: especialista da apelação

20141003_213346

Belo produtor numa grande safra

Em resposta ao sublime grupo do Rhône, agora foi a vez dos Borgonhas tintos. Que tal começarmos com um Clos de Tart 1988? Vinho de estrutura singular, comparável aos melhores Grands Crus da Côte de  Nuits, sem exceções. A idade parece não ter chegado. Muito agradável tanto nos aromas, como em boca, mas ainda guarda vários segredos para os mais pacientes que conseguem  guarda-lo. Absolutamente único. Em seguida, Sérafin Père & Fils Charmes-Chambertin Grand Cru 1990. Charme é tudo que este vinho tem. Ao mesmo tempo delicado, ao mesmo tempo viril, profundo. Uma grande safra ainda em evolução, porém já muito prazeroso. Seguindo a sequência, a prova inconteste que os grandes Borgonhas podem evoluir por décadas. Um deles foi o Domaine Hubert Lignier Clos de La Roche 1978. Como todo Morey, um vinho misterioso, que não se revela por completo. Não denotava idade, com taninos presentes, aromas de evolução bem mesclado com toques frutados e bela expansão em boca. Absolutamente inteiro. Por fim, o deslumbrante Michel Gaunoux Corton Renardes 1959, novamente minha safra. Renardes é um dos Climats de Corton. Uma aula de evolução de um grande Borgonha. Sous-bois fino, elegante, envolvido em especiarias, toques florais e alcaçuz. Um lindo final!

20141004_003419

Evolução de um grande Sauternes

Final dos tintos, bem entendido. Vieram os queijos, as sobremesas e aí aparece um Sauternes de tirar o fôlego, Château Gilette Crème de Tête 1937. Este Château é muito particular na região de Sauternes. Proveniente da comuna de Preignac, durante todo o processo de vinificação e envelhecimento, o vinho não tem contato com madeira. Pelo contrário, ele passa cerca de dezoito anos em cubas de cimento para seu perfeito amadurecimento. Textura inigualável e aromas incríveis de mel, marron glacé, frutas confitadas e algo floral.

20141004_135704

 Arremate francês: Plateau de Fromage

No final de uma refeição francesa, a tábua de queijos acima é item obrigatório. Estrategicamente, funciona para terminar os vinhos à mesa e ao mesmo tempo, um preâmbulo para os vinhos doces de sobremesa. Além do Sauternes, outras bebidas foram servidas, tais como: Château-Chalon 1964 e um licor Chartreuse La Tarragone du Siècle que será assunto de um artigo específico. Ufá! por hoje é só. O artigo foi tão extenso quanto o jantar. À Bientôt!

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Grandes Vinhos, Grandes Safras: Parte III

16 de Outubro de 2014

Após o primeiro dia em Dijon, fomos almoçar dia seguinte no restaurante Marc Meuneau em Vézelay, local um pouco afastado da cidade. Este duas estrelas no guia Michelin foi o ponto alto entre os restaurantes visitados. Ambiente requintado sem ser pedante, menu bem elaborado e bem executado. Aqui começamos em alto nível provando um Dom Pérignon OEnothèque 1964 com dégorgement (arrolhamento definitivo) em 1999, conforme foto abaixo:

20141003_140700

OEnotèque: lotes especiais para envelhecimento

A cuvée Dom Pérignon (top da Moët et Chandon) tem o dégorgement normalmente em torno de seu oitavo ano.  Algumas safras e lotes especiais podem ser guardados para um dégorgement mais tardio. É o caso deste exemplar Dom Périgon Enotèque 1964, em contato com as leveduras até 1999 quando em então, foi definitivamente arrolhado.  Praticamente um vinho branco, pois as borbulhas eram muito tênues, mas vivo, com bom fresco, e aromas de evolução com notas cítricas, brioche e toques empireumáticos lembrando café. Em seguida o embate de dois gigantes de Montrachet: DRC Montrachet e Domaine Leflaive.

20141003_145040Montrachet DRC: primeira garrafa devolvida

Duelo de gigantes. A primeira garrafa do Montrachet DRC 1988 estava evoluída demais para sua idade. Provavelmente algum problema no armazenamento. Em compensação, a segunda garrafa estava magnífica com o que se espera de um branco deste quilate. Notas de amêndoas tostadas, manteiga, mel, cera de abelha, toques resinosos e empireumáticos. Enfim, um autêntico Le Montrachet.

20141003_144853Montrachet Leflaive: Elegância e personalidade

Este mostrou-se um rival à altura. Embora não tenha a potência do DRC, sua personalidade e extrema elegância, sutileza, fazem deste exemplar, Montrachet Domaine Leflaive, um branco de rara beleza. É a força de boxeador em luvas de cetim. Bravíssimo!

20141003_155630

Aqui não tem vencedores

Como se não bastasse o trio de brancos descritos, uma nova briga de titãs prossegue. Agora entre os tintos, conforme foto acima. O grande La Romanée 1987 ganhou a dianteira pela prontidão de seus aromas e sabores. As notas de rosas, sous-bois, caça, entre outras, estavam presentes, confirmando a bela evolução de um grande Borgonha. Já o Clos de Tart 1996, embora muito agradável, tinha aromas e sabores a resolver. Seus taninos ainda muito presentes polimerizarão com certeza texturas fascinantes. Pode guardar na adega sem sustos. Mais um grande duelo.

20141003_173648

Domaine Huet: a delicadeza da Chenin Blanc

Para passar a régua, que tal um final com um dos brancos do Loire mais emblemáticos, o biodinâmico Domaine Huet. Evidentemente ainda uma criança, pois estes vinhos evoluem por décadas. Com açúcar residual comedido, esbanjou elegância com toques florais, cítricos delicados e uma ponta amendoada. Belo final.

914410_365411586959641_403714836_n

Esse Bas-Armagnac deixou saudades …

Este foi o final à mesa, mas nos jardins do restaurante, os digestivos entraram em ação. Charutos Cohiba safra 1966 e o ícone Behike acompanhado por cafés e um estonteante Bas-Armagnac safra 1950. Um veludo na boca. Enfim, sobrevivemos.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.