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Vinhos de Verão

4 de Fevereiro de 2011

Pode parecer estranho esta expressão, mas em nosso país se faz necessária. Infelizmente, ligamos o consumo de vinho à temperatura da estação, como se não tivéssemos ambientes climatizados, vinhos bem adegados, temperatura de serviço correta e comida adequada para harmonizá-los. Aliás, as pessoas pedem feijoada fumegante, massas com molhos vigorosos, carnes assadas, sem o menor constrangimento no verão, rejeitando os vinhos que combinariam perfeitamente com esses pratos numa estação mais fria, optando então, por uma cerveja bem gelada. Esta é mais uma prova que o pessoal toma vinho nas refeições sem o menor comprometimento com os pratos escolhidos.

Voltando ao tema, o que seria um vinho de verão? Primeiramente, um vinho de corpo leve a medianamente encorpado. Um vinho de boa acidez e tanicidade baixa no caso de tintos, podendo assim resfriá-los para um consumo mais agradável. Neste perfil, podemos apontar brancos das uvas Sauvignon Blanc e Riesling, Vinho Verde (Portugal), Rueda da Espanha com a uva Verdejo, Albariño (Espanha), Pinot Grigio (Norte da Itália), Roero Arneis (Piemonte), Sancerre (Loire), Muscadet (Loire), entre outros.

Os rosés da Provence e também os de Navarra (Espanha) são bastante refrescantes e equilibrados, além de muito gastronômicos. Cuidado com rosés do Novo Mundo. Muitas vezes, são pesados e alcoólicos.

Os espumantes se enquadram perfeitamente neste cenário, como os Cavas (Espanha) mais simples, Proseccos (espumante regulamentado na região do Veneto), os nacionais elaborados pelo método Charmat (são mais leves e diretos), Crémants do Loire e da Alsace. A perfeição seriam os champagnes Blanc de Blancs. Evitem espumantes e champagnes com predominância de Pinot Noir, por serem encorpados e estruturados. As cuvées especiais também devem ser evitadas pelo mesmo motivo.

A luminosidade e brilho denotam uma bela acidez

Por fim, os tintos. Chiantis leves, Dolcettos mais simples, Tempranillo Joven,  Chinon e Bourgueil do Loire (ambos são Cabernet Franc), Gamay (uva do Beaujolais) e Pinot Noir, são algumas das opções. Tomem cuidado com Pinot Noir! Muitos do Novo Mundo são pesados e amadeirados. Quanto aos borgonhas, evitem Grands Crus da Côte de Nuits. Eles costumam ser estruturados, complexos, pedindo pratos e ocasiões de maior requinte. Escolham borgonhas mais genéricos de bons produtores. A Côte de Beaune apresenta um terroir mais favorável ao tema.

Com todas essas opções acima, precisamos ser coerentes com o verão. Saladas, lanches, entradas leves, carpaccios, ceviche,  peixes, frutos do mar e carnes brancas, não terão dificuldades de harmonização, bastando contornar pequenas arestas, caso a caso. Deixem a feijoada de lado por enquanto, além de ser complicadíssima com vinho.

Os números de 2010

2 de Janeiro de 2011

Caros leitores,

O próprio WordPress.com fez uma análise de Vinho Sem Segredo. Da minha parte, eu só tenho a agradecer a atenção e o incentivo, sempre buscando novos assuntos, novas abordagens, no mundo do vinho, gastronomia e tudo que cerca os prazeres da mesa.

Um grande 2011 a todos!

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 18,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 4 navios.

Em 2010, escreveu 88 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 94 artigos. Fez upload de 5 imagens, ocupando um total de 819kb.

O seu dia mais activo do ano foi 1 de Novembro com 157 visitas. O artigo mais popular desse dia foi As várias denominações Chianti.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram enoblogs.com.br, rockmann.blog.uol.com.br, google.com.br, pt.wordpress.com e search.conduit.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por barca velha, feijoada, champagne, moqueca e uva

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

As várias denominações Chianti Novembro, 2010

2

Harmonização: Pizza e vinho Abril, 2010
8 comentários

3

Barca Velha e seu segundo vinho Julho, 2010
4 comentários

4

Harmonização: Carne de Porco Agosto, 2010
2 comentários

5

Harmonização: Paella e Vinho Maio, 2010
2 comentários

As várias denominações Chianti

1 de Novembro de 2010

Embora Chianti seja um vinho bastante conhecido entre os enófilos, é preciso estabelecer as devidas diferenciações. Existem nove denominações de Chianti, conforme figura abaixo:

A região rajada em azul tem origem milenar

Se a Itália fosse unificada há mais tempo como é atualmente, a denominação Chianti seria sem dúvida, a primeira do mundo, muito antes do glorioso vinho do Porto. As cidades de Castellina, Radda e Gaiole são antiquissimas e trazem o DNA do que conhecemos como Chianti, sempre com a  uva Sangiovese protagonizando o corte.

Primeiramente, é preciso diferenciar Chianti de Chianti Classico. O termo Classico na legislação italiana significa a área de origem da denominação, ou seja, onde realmente surgiu o Chianti e teoricamente, deva existir maior tipicidade. Portanto, Chianti Classico é a denominação para os Chiantis mais estruturados, com mais corpo, geralmente, com maior amadurecimento em madeira, tendo inclusive nos chamados riservas, seu ápice, podendo eventualmente ser comparados com alguns Brunellos.

Já o Chianti, em sua versão mais simples, são os vinhos indicados para os pratos de cantina, à base de molho de tomate, por exemplo. São vinhos de boa acidez, corpo médio e devem ser consumidos relativamente jovens.

Dentro da ampla e genérica denominação Chianti, ao longo do tempo, algumas áreas específicas ganharam sub-denominações próprias, dando origem a um conglomerado de nomes. Nos arredores de Firenze e de Siena, temos respectivamente, os Chiantis Colli Fiorentini e Colli Senesi. Em Arezzo, temos o Chianti Colli Aretini. O termo Colli quer dizer colinas. A última denominação criada foi o Chianti Montespertoli em 1996.

Dentre essas denominações faz-se necessário duas observações. Primeiramente, o Chianti Rufina, no extremo nordeste do mapa acima. É uma denominação antiga e extremamente reputada. Não confundir com a marca Ruffino (Chianti Classico). São vinhos elegantes porém, sem o mesmo corpo e estrutura do Chianti Clássico.

A segunda observação diz respeito ao Chianti Colline Pisane, numa região próxima a Pisa, com importante influência marítima. Além disso, o solo mais arenoso, propicia um Chianti relativamente mais leve, com baixa tanicidade, sendo um bom acompanhamento para peixes cozidos com molho de tomate, para aqueles que não abrem mão de um vinho tinto.

Portanto, da próxima vez que pedir seu Chianti, lembre-se das nove denominações em vigor, adequando corpo e estrutura, aos pratos a serem harmonizados.

Próximo post: os detalhes do Chianti Classico.

Harmonização: Carpaccio e vinho

17 de Abril de 2010

 

Carne com a cara do verão

Embora hoje em dia carpaccio tenha várias versões e não seja somente de carne bovina, estamos nos referindo àquele criado no lendário Harry´s Bar de Veneza com as devidas adaptações que individualizam cada receita.

Sem entrar em polêmica sobre a receita ideal, na maioria das versões  resume-se em lâminas de carne dispostas sobre  a superfície do prato besuntadas com um molho à base de mostarda, azeite e alcaparras (por favor devidamente dessalgadas). Eventualmente podemos acrescentar ao molho  aceto balsâmico e cebolas finamente fatiadas em cubinhos.

Aqui observamos o quão importante é a textura de um determinado alimento, no caso, a carne bovina. É evidente que quando pensamos em carne vermelha, imediatamente lembramos de um belo vinho tinto, muitas vezes encorpado.

Neste exemplo, a lâmina de carne oferece uma textura tão delicada que a força de um tinto não é mais necessária. O que realmente determina a escolha do vinho são as armadilhas do molho onde comumente temos acidez, picância e eventualmente uma tendência salgada. Devemos lembrar também que este prato trata-se de uma entrada, embora esporadicamente, pode tornar-se o prato principal para os adeptos de uma dieta saudável.

 Com esses elementos podemos pensar até num vinho branco leve e de boa acidez. Um Sauvignon Blanc com toques herbáceos ou um Albariño de boa mineralidade. Para aqueles que não abrem mão de um vinho tinto, os critérios são os mesmos: corpo relativamente leve, boa acidez e baixa tanicidade. Italianos como Chianti, Docetto, Valpolicella ou Barbera, todos simples e sem passagem por madeira são escolhas imediatas. Do lado francês, um bom Cabernet Franc do Loire de estilo leve é uma das melhores pedidas. A opção de espalhar lascas de parmesão sobre o carpaccio em sua finalização ajuda a escolha pelos tintos.

Vinhos do Novo Mundo, sobretudo os tintos, geralmente sobrepujam o prato, além de não apresentarem frescor suficiente. Somados a fatores como tanicidade e presença de madeira, o sucesso da harmonização fica seriamente comprometido.