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Alentejo para os portugueses

14 de Setembro de 2017

Não é de hoje que os portugueses dão ampla preferência aos vinhos alentejanos em suas mesas. A agradabilidade, o bom preço pela qualidade oferecida, e boa disponibilidade no mercado, são fatores mais do que suficientes para justificar o fato. É bem verdade que os chamados vinhos ex-mesa, vinhos sem denominações específicas, ou os antigos vinhos de mesa, ainda tem muita penetração, sobretudo pelo preço praticamente sem concorrência.

portugal consumo interno vinhos 2016

Só para falarmos em números, o consumo português em 2016 dos alentejanos foi de mais de 44 milhões de litros, cerca de 18% do mercado interno. Regiões mais famosas e tradicionais como Douro e Dão, foram de 11 e 4 milhões de litros, respectivamente. É bom frisar que quando falamos em Douro, estamos excluindo o Vinho do Porto. Neste contexto mais formal, o Alentejo responde por 45% do mercado português, sem as estatísticas dos vinhos ex-mesa.

O preço médio por litro do vinho alentejano em Portugal é cerca de quatro euros, não muito abaixo do Douro e do Dão. Curiosamente, os vinhos do Algarve por ser uma região turística, fica em torno de catorze euros o litro. Convenhamos que para vinhos desta qualidade duvidosa, é coisa de turista mesmo.

A produção do vinho alentejano é bastante expressiva, perdendo apenas para o Douro que neste caso, inclui o Vinho do Porto. Dos seis milhões de hectolitros produzidos em 2016 em Portugal, 22% ficou com o Douro e 17% com o Alentejo.

Quanto às exportações, os vinhos alentejanos respondem por cerca de 20% mercado externo, sendo dois terços dentro da Europa e um terço para o restante. Dentre este restante, curiosamente Angola é o primeiro mercado, seguido pelo Brasil e Estados Unidos, respectivamente.

rocim mariana tinto 2014

tinto agradável de bom preço

O vinho acima da importadora World Wine (www.worldwine.com.br) mostra-se bastante agradável, macio, e de boa persistência aromática. É o tinto de entrada da Herdade do Rocim por menos de oitenta reais aqui no Brasil. Um vinho que sobretudo, privilegia a fruta em relação aos toques de barrica.

O quadro abaixo, mostra que praticamente todo vinho alentejano é certificado, ou seja, DOC ou IG, vinhos com garantia de origem e controle. Podemos perceber também que a maciça maioria dos vinhos são tranquilos com tintos e brancos.

alentejo dop igp 2014praticamente todo vinho alentejano é certificado

Oitenta por cento do vinho alentejano são de vinhos tintos, geralmente muito frutados, macios e de boa alcoolicidade. Embora os mais estruturados possam ser guardados, mesmo em tenra idade, é um vinho bastante prazeroso. Seu corte clássico e que dá a tão esperada tipicidade é baseado nas uvas Aragonês e Trincadeira, sendo Tinta Roriz e Tinta Amarela na região do Douro, respectivamente. Outras castas típicas são Alfrocheiro e Alicante Bouschet, normalmente em proporções menores. Castas que conferem um ar de modernidade são Cabernet Sauvignon, Syrah, e Touriga Nacional. Esta última, muito em moda em Portugal.

Em termos de terroir, sete sub-regiões estão muito próximas umas das outras, ficando apenas Portalegre mais isolada ao norte. Granja-Amareleja, Vidigueira e Moura, mais ao sul, desfrutam de um clima mais quente, normalmente faltando um pouco de frescor a seus vinhos. Borba, Évora, Redondo e Reguengos, no centro da região, possuem um clima menos dramático, resultando a princípio, num melhor equilíbrio. Já Portalegre, num clima mais ameno a norte, desfruta também de um solo diferenciado, mais xistoso. Seus vinhos costumam ter mais frescor. O ícone maior desta região diferenciada é a tradicional Herdade do Mouchão com vinhos complexos e longevos. Importados no Brasil pela Adega Alentejana. http://www.alentejana.com.br

Como sugestão de vinhos da região, dois exemplares degustados recentemente e de estilos bem opostos, mostrando o potencial da região.

alentejo monte da ravasqueira

discrição e elegância

O vinho acima mostra um corte de Syrah e Touriga Franca que passa cerca de 20 meses em carvalho francês novo. O primeiro ponto positivo é a perfeita integração com a madeira, mostrando uma fruta delicada sem ser excessivamente presente. A acidez é o ponto alto de equilíbrio do vinho com um frescor inesperado para a região. De fato, por questões de terroir, esta vinha mostra boa amplitude térmica, justificando todo este frescor. É um tinto muito gastronômico, sobretudo por não ser dominante na harmonização. Importadora Tahaa Vinhos (www.tahaavinhos.com.br).     

alentejo terra de zambujeiro

Zambujeiro: referência na região

Quando pensamos nos grandes vinhos alentejanos, lembramos logo do Pera Manca, Cartucha Reserva, além do Mouchão já citado. Porém, não devemos nos esquecer da Quinta do Zambujeiro. Vinhos de grande estrutura e longevidade. O principal ponto para este sucesso é trabalhar com baixos rendimentos por vinha, concentrando sobremaneira os sabores. Na média, o rendimento de suas vinhas é da ordem de 23 hl/ha, ou seja, extremamente baixo.

O vinho acima degustado, reflete bem este perfil. Embora seja o segundo na hierarquia da vinícola, mostra uma concentração e estrutura impressionantes. Muita fruta, nenhum excesso de barrica, apesar de passar 24 meses em madeira. Seus taninos são possantes e finos. Meio de boca bem preenchido e longa persistência. Fica uma pontinha de álcool no final, mas agradavelmente quente. Afinal, são 15º de álcool bem domados para um tinto deste porte. Importado por Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Degustação World Wine: Destaques

4 de Maio de 2017

Em mais um evento sobre vinhos e produtos gourmet, a importadora World Wine mostrou parte de seu extenso portfolio com alguns vinhos interessantes, inclusive levando-se em consideração preços relativamente modestos, o que em época de crise, ganham destaque. Então, vamos a eles.

preços camaradas

Os vinhos acima prestam-se bem ao consumo do dia a dia, sem grandes cerimônias, para beber nas refeições frugais. Temos um branco do Dão (Morgado Silgueiros), região portuguesa tradicional que molda vinhos equilibrados, com muito frescor, e bastante gastronômicos. O Primo Primitivo Puglia IGT é um belo vinho para este inverno. Macio, agradavelmente quente, esperando aquela massa com molhos densos e condimentados. Por fim, outro tinto macio, desta vez do Alentejo. Um corte nobre para esta categoria de vinho com a participação da Alicante Bouschet e Touriga Nacional. Bom corpo, taninos bem moldados e relativamente persistente. Todos eles, a preços em torno de R$ 40 reais. Além de tudo, originais.

para dar o início …

O trio acima, com preços em torne de 80 reais, é composto de brancos distintos para dar início a jantares, recepções, ou mesmo para aperitivar. O Prosecco Extra Dry, melhor dizendo off-dry, tem leve açúcar residual equilibrado por agradável acidez. No mar de proseccos insípidos é algo acima da média. Já o Sauvignon Blanc Reserva da Conosur, mostra-se fresco e mineral, bem de acordo com o terroir de Casablanca. Finalizando, um Torrontés original das grandes altitudes de Salta, região norte do vinhedo argentino. Este curiosamente passa por algum contato com a madeira. No entanto, nada atrapalha sua fruta e frescor. Pelo contrário, ganha certa complexidade. Bom para comidas asiáticas bem temperadas, sobretudo pratos tailandeses.

vizinhos em destaque

Uruguai, Chile e Argentina, são os destaques do trio acima. Por preços em torno de 100 reais, temos tintos interessantes para este inverno. O argentino Chakana vem do Valle de Uco, mesclando Malbec com pequenas parcelas de Cabernet Sauvignon deste terroir que ultrapassa os 1200 metros de altitude. Belo frescor, muita fruta, vibrante, e taninos de boa textura. No caso uruguaio, um Tannat autêntico, louco por um bife de chorizo. Baseado em baixos redimentos de vinhas mais antigas, tem a força e estrutura da casta Tannat, acompanhado de certa elegância, no lugar da habitual rusticidade. Admite até uma certa guarda. Do lado chileno, o belo terroir de Colchagua, moldando a difícil casta Carmenère. Madeira na medida certa, a pequena porcentagem de Cabernet Sauvignon fornece estrutura necessária ao conjunto.

cada qual em seu estilo

Aqui entramos numa gama de vinhos mais diferenciados. Coyam, um clássico chileno dos vinhedos Emiliana. Bodega localizada no elegante terroir de Colchagua, elabora este tinto num corte inusitado envolvendo várias uvas. Principalmente, Syrah, Carmenère e Merlot. Os vinhedos mais antigos datam de 1992. Com baixos rendimentos, o vinho estagia cerca de 12 meses em barricas predominantemente francesas. Tinto macio, envolvente, de final persistente e sedoso.

Fazendo par na foto acima, temos a linha 20 Barrels de alta qualidade da bodega Cono Sur. Elaborado a partir de Cabernet Sauvignon de Pirque, porção de prestigio do chamado Alto Maipo ( o melhor terroir chileno para esta casta), tem uma pitada de Syrah (5%). Passa 17 meses em barricas francesas. Tinto de concentração, taninos presentes e de ótima textura. Boa presença em boca, podendo ser adegado por alguns anos ainda. Pede carnes robustas e suculentas.

para momentos especiais

Separamos para o final dois tintos para momentos especiais, fugindo da mesmice do dia a dia. Que tal tomar um Malbec de Salta!; com vinhas plantadas em 1975 a 1750 metros de altitude. Solos diferenciados e condução de vinhedo especial (parral ou latada) fornecem condições para uvas perfeitamente maduras e equilibradas. O vinho depois de longa maceração, passa cerca de 12 meses em barricas francesas e americanas. Tinto de presença, bela concentração, suavidade e persistência. Taninos bem fundidos com a fruta e madeira. Um Malbec fugindo do habitual.

Eis agora um vinho para o inverno (foto acima à direita), Dal 1947 Primitivo di Manduria Vigne Vecchie, proveniente de parreiras com mais de 70 anos (uva Primitivo). Denso, quase doce em boca, macio, envolvente, e persistente. Com certeza, vai bem com chocolate 99% Lindt. Evidentemente, um tinto moldado para pratos substanciosos, guisados e assados envoltos em molhos densos e cheios de sabor. Um vinho que separa os homens dos meninos …

Agradecimentos a World Wine. Maiores informações sobre preços e safras, consultar o site da importadora. http://www.worldwine.com.br

Vinhos Diferenciados

9 de Dezembro de 2016

É difícil pinçar importadoras que só trabalham com vinhos digamos, no mínimo interessantes. Na maioria das vezes, é preciso separar o joio do trigo, e nem sempre isso é fácil, de acordo com critérios e conhecimento de cada um. Neste sentido, a importadora Clarets (www.clarets.com.br), comandada por Guilherme Lemes, cumpre com competência esse papel. A maioria de seus vinhos divide-se entre França e Itália, mas a ideia mais abrangente é trabalhar com vinhos europeus.

O grande trunfo da Clarets é disponibilizar ao consumidor final sobretudo, vinhos de qualidade comprovada a preços bem competitivos no mercado. Você não vai encontrar vinhos baratos, mas certamente preços honestos para vinhos diferenciados. Seguem abaixo, alguns vinhos degustados.

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Cava Juve Y Camps Reserva de Familia Brut Nature 2012

Este Cava pertence à categoria Gran Reserva e permanece de 36 a 48 meses sur lies. Tem uma pitada de Chardonnay em seu corte clássico (Xarel-lo, Macabeo e Parellada). A dosagem Brut Nature dá uma certa austeridade  e ao mesmo tempo aguça seu lado mineral. Bela mousse, muito equilibrado e um final bastante fresco. Preço cheio: 183 reais

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Domaine Leflaive Macôn-Verzé 2014

Ao sul da Borgonha, região de Macôn, Domaine Leflaive cultiva vinhedos de forma biodinâmica, de acordo com a filosofia de seu quartel-general em Puligny-Montrachet. Verzé é um Village de Macôn com cultivo da Chardonnay. A fermentação e élevage são feitas em Puligny-Montrachet com todo o rigor desta instituição. Mostra-se um vinho fresco, uma pureza de fruta marcante, grande equilíbrio, e agradavelmente persistente. Muito acima do que a apelação normalmente oferece com a assinatura Leflaive. Preço cheio: 395 reais

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Maison Leroy Santenay La Comme Premier Cru 2010

La Comme é um vinhedo Premier Cru na comuna de Santenay (sul da Côte d´Or) fazendo divisa com Chassagne-Montrachet. A ficha técnica deste vinho é uma verdadeira caixa preta, mas a assinatura é Leroy. Embora seja um vinho de Négociant, é muito bem elaborado e mostra todo seu vigor na bela safra 2010. Muita fruta, especiarias, muito equilibrado, inclusive na madeira. Pode ser guardado por pelo menos mais cinco anos. Preço cheio: 970 reais

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Pera Grave 2013

Quinta São José de Peramanca, propriedade alentejana em Évora, elabora este tinto de corte bem exótico. Cabernet Sauvignon e Syrah, castas internacionais. Aragonez e Alicante Bouschet, castas regionais. Doze meses de carvalho francês e americano dão a este vinho toques de chocolate, defumado, e muita fruta escura em geleia. Bom corpo e bem equilibrado. Preço cheio: 133 reais

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Pera Velha Grande Reserva 2011

Aqui, o topo de gama da vinícola, elaborado com as uvas Syrah e Alicante Bouschet de produção bastante baixa. São vinte e quatro meses de barricas novas (francesas e americanas) para domar esta fera. Grande concentração de cor e de fruta escura em compota nos aromas. Toques florais, de alcaçuz, eucalipto e cacau, completam sua complexidade aromática. Taninos muito finos, grande equilíbrio e longa persistência. Já delicioso, mas com ótimo potencial de guarda. Preço cheio: 540 reais

Enfim, cinco vinhos para presentear ou se presentear, por que não? Agradecimentos à importadora Clarets pela recepção, esclarecimentos e a ótima seleção degustada.

Nota: os preços cheios mencionados podem sofrer algum desconto. Questão de conversar.

Peninsula Ibérica em Alto Nível

6 de Junho de 2016

O que acontece quando se defrontam lado a lado o grande alentejano Mouchão 2001 e o mítico Vega-Sicilia Único 1995?. Resposta: prazer redobrado. Eles foram escolhidos para escoltar um belo pernil de cordeiro assado preparado por um querido casal de amigos.

mouchao 2001Mouchão 2001

Herdade do Mouchão é uma propriedade alentejana da família Reynolds do inicio do século passado responsável pela produção de cortiça e azeite. Não tardou muito para começar o plantio de vinhas. Localiza-se em Portalegre, sub-região serrana a norte de Évora. Este terroir é diferenciado das demais sub-regiões do Alentejo, proporcionando mais frescor e a chamada amplitude térmica no período de maturação das uvas. Portanto, os vinhos desta área, especialmente o Mouchão, apresenta um frescor incomum, fugindo da habitual alcoolicidade dos demais tintos alentejanos. Para completar, adotou a casta francesa Alicante Bouschet num terroir único, onde o perfeito amadurecimento desta uva difícil faz a diferença no vinho, além de ser responsável por sua incrível longevidade, outro fator não habitual no Alentejo.

A incrível adaptação da Alicante Bouschet nesta propriedade deve-se a um solo particular de aluvião e argila. Com vinhas de idade avançada, sua concentração e profundidade de sabor são notáveis. Além disso, esta casta tintureira tinge as paredes da taça e apresenta uma estrutura de taninos portentosa. Nas demais terras da herdade cultiva-se entre outras castas, a famosa Trincadeira, a qual completa o corte final. Os métodos de cultivo e vinificação são os mais antigos e clássicos, inclusive com pisa a pé.

O esmagamento das uvas e vinificação dá-se com engaço em lagares de pedra, bem ao estilo vinho do Porto tradicional. Logo após, o vinho é trasfegado para toneis e pipas de varias capacidades. Não se usa madeira nova. Após 24 meses em madeira de carvalho português, macacaúba e mogno, além de 24 a 36 meses de engarrafamento, o vinho é liberado para comercialização. Deve ser provado depois de longos anos em adega (mínimo 10 anos, para os mais apressados). O blend geralmente fica com 70% (Alicante Bouschet) e 30% (Trincadeira).

vega sicilia 1995

Vega-Sicilia Único 1995

Ribera del Duero nunca teria o prestigio que tem sem a presença da mítica bodega Vega-Sicilia. Desde o século dezenove a propriedade passou por várias famílias, mas sempre mantendo o alto  nível de seus vinhos. Além das vinhas muito bem cuidadas, há o plantio de sobreiro (uma espécie de carvalho) que ajuda no fornecimento das rolhas de cortiça. O grande trunfo deste tinto, além da qualidade das uvas, é o trabalho na bodega tanto na vinificação, como no amadurecimento do vinho até estar pronto para a comercialização. Entre madeira e garrafa vão praticamente dez anos de trabalho para cada safra.

Em cada lote de vinho separado por parcelas, é avaliado seu potencial e sua estrutura para a devida educação. Com isso, vários tipos de carvalho (americano e francês) de várias dimensões, podendo chegar a vinte mil litros, estão à disposição para a seleção dos lotes. Num acompanhamento constante, ano após ano, os vinhos são devidamente educados para o blend final. Em seguida, segue a etapa de descanso em garrafas em instalações próprias que dura em média de três a quatro anos, antes da comercialização. O vinho neste ponto pode ser consumido com a devida decantação, mas com enorme potencial de envelhecimento em adega.

Os cortes mais modernos do Vega mesclam Tempranillo, majoritariamente, e Cabernet Sauvignon. Este da safra 1995, vai de 85% Tempranillo e 15% Cabernet Sauvignon. Robert Parker dá 97 pontos com previsão de evolução até 2047.

Astros devidamente apresentados, vamos ao inicio do jantar com alguns pates de queijos e petiscos acompanhado pelo melhor espumante brasileiro (opinião pessoal), Cave Geisse. Este era um Blanc de Noir, fresco, equilibrado e muito agradável. É um 100% Pinot Noir.

cave geisse blanc de noirs

Terroir de Pinto Bandeira

Em seguida com uma bela entrada de endívias assadas com queijo brie, tivemos a companhia do um baita Pouilly-Fuissé. Branco de referência na apelação Pouilly-Fuissé, Domaine Ferret no sul da Borgonha, nesta cuvée “Autour de la Roche”, apresenta notável mineralidade, agradável textura em boca, sugerindo algo doce que contrasta com o típico e agradável amargor das endívias. Muito boa harmonização. Esta maciez e complexidade advêm de um criterioso trabalho com bâtonnage em barricas usadas para não haver interferência aromática da madeira. Vinhos secos como Chablis ou Pouilly-Fumé destacariam muito este amargor, tornando o conjunto desagradável.

A cuvée “Autour de la Roche” trabalha com os melhores vinhedos em torno da Rocha de Vergisson (norte da apelação Pouilly-Fuissé) em solos argilo-calcarios e vinhas entre 10 e 40 anos.

pouilly-fuisse ferret

Ferret: referência da apelação

Em seguida, o prato principal. Um pernil de cordeiro, acompanhado de batatas ao forno e cebolas caramelizadas no próprio caldo do assado. Embora, tivesse ficado bem com os dois tintos expostos acima, o Vega mais no estilo Bordeaux, tem uma afinidade natural com o cordeiro, e seus toques amadeirados e de evolução enriqueceram o conjunto. O Mouchão também ficou agradável, mas seus taninos ainda jovens ficaram meio sem função devido a maciez do assado. O termino dos dois tintos confirmaram o bom desempenho de ambos.

pernil de cordeiro assado

cordeiro assado com batatas

Na sobremesa, um verdadeiro buffet. Quindim, torta de chocolate e bolo de maçã e nozes. Os Portos Quinta da Romaneira 10 anos e Burmester Jockey Club escoltaram devidamente estas perdições. Sobretudo, o bolo de maçã e nozes com leve toque de açúcar, privilegiou os Portos, enaltecendo seus aromas e sabores. Contudo, o quindim e a torta também se entenderam bem. A propósito, não conheço nada melhor no estilo Tawny para a categoria Reserva do que este Burmester Jockey Club. Bem balanceado e de persistência notável. Já o Quinta da Romaneira com indicação de idade é um dos mais consistentes nesta categoria.

quindim, torta e bolo

quindim, torta de chocolate e bolo de maçã

Fora da mesa, a festa continuou com os Portos. Agora, escoltando um dos monumentos de Havana, o majestoso Hoyo de Monterrey Double Corona. Puro para umas duas horas de bom papo. Suavidade e elegância do começo ao fim, mesmo no terço final, onde é naturalmente mais potente. Em ordem crescente, Quinta da Romaneira parao inicio e primeiro terço, Burmester Jockey Club para o meio e terço intermediário, e finalmente um destilado para o gran finale. Neste caso, um Fine Calvados Père Magloire.

hoyo de monterrey double corona

um clássico de Havana

Este Double Corona é um dos meus Top Five clássicos de Havana. Embora de duração longa, os iniciantes não terão dificuldade com esta peça pela suavidade e hospitalidade oferecidas.

burmester jockey club

Tawny de destaque na categoria Reserva

quinta da romaneira 10 anos

Quinta da Romaneira: sempre confiável

Calvados é um destilado clássico francês feito de fermentado de maçãs (Cidra) na região da Normandia. Pode ser obtido por destilação continua ou dupla (em alambique). Existem regras rígidas para seu envelhecimento em madeira com várias categorias a exemplo da apelação Cognac: Fine, Vieux ou Réserve, V.S.O.P. ou Vieille Véserve, e X.O. ou Napoléon.

calvados

Calvados envelhecido em tonéis

Fim de expediente. Agradecimentos a todos os presentes por tudo; companhia, bom papo, nobres bebidas, boa mesa, e excelentes baforadas para espantar os maus agouros. Até a próxima, em breve!