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Olha a China aí, gente!

19 de Fevereiro de 2017

Vinho Sem Segredo já abordou países e regiões famosas do mundo do vinho, sobretudo da França, Itália, Espanha e Portugal. Agora, fazer um artigo sobre China, parece algo fora de propósito. Afinal, o que a China tem para nos mostrar?. De fato, nada de grande qualidade que possa nos surpreender, mas é um país gigante, uma área de vinhas considerável, e dentro de pouco tempo será a quinta potência vitivinícola do planeta, posto que foi da nossa vizinha Argentina por longa data.

De acordo com estudos recentes publicados pela Universidade de Davis, Califórnia, seguem abaixo alguns dados, informações e gráficos, mostrando um pouco o avanço deste gigante adormecido. Do ano 2000 para cá, o crescimento tem sido vertiginoso, saltando de 200 mil para um milhão e quatrocentas mil toneladas de uvas.

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briga acirrada entre o quinto lugar

No gráfico acima, pelos números mostrados, a briga pelo quinto lugar está totalmente aberta entre países com grande expressão no cenário mundial. A China aparece como franco-atiradora.

A China conta com aproximadamente 300. 000 acres (120.000 hectares) de vinhas destinadas ao vinho. De longe, a Cabernet Sauvignon é a mais plantada com 50% da produção. Seguem Carmenère (9,6%), Merlot (8,5%), Syrah (1,8%) e Chardonnay (1,7%). Num segundo plano, temos Cabernet Franc, Carignan, Pinot Noir, Riesling Itálico, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Marselan, e Petit Verdot.

Seguindo o padrão das uvas descritas acima, a inspiração e filosofia de trabalho da indústria chinesa é toda francesa. Inclusive, na pauta de importação de vinhos, a França ocupa lugar de destaque.

Oitenta por cento do vinho produzido na China é tinto, ficando dez por cento para o vinho branco. No restante temos vinhos doces, meio doces e curiosamente, o icewine. O mesmo encontrado no Canadá.

Em 2013, os chineses beberam 181 milhões de caixas de vinho, sendo o quinto maior consumidor mundial. Isso, lembrando que o consumo per capta é de apenas 1,5 litros (um litro e meio). Imaginem quando os chineses resolverem a beber mesmo!

Deste consumo, 83% vem da produção doméstica. Os 17% de vinhos importados, quase metade vem da França, seguida por Austrália, Espanha, Chile, entre outro países.

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premiação na revista inglesa

Quem não quiser correr riscos, vai a dica acima. Um corte bordalês premiado no sério concurso Decanter World Wine Awards. O vinho é produzido na região de Ningxia, norte da China, com produção de vinte mil garrafas. Diz ser páreo para alguns vinhos da Catena Zapata e alguns Bordeaux de gama média. É provar para conferir!

Outro dado importante, 80% dos vinhedos chineses destinam-se a uvas de mesa, ou seja, consumo in natura. Outros 15% são destinados á produção de vinho. O restante, 5% são trabalhados para uvas-passas. Com isso, a área total do vinhedo chinês já ultrapassa a França com mais de 800 mil hectares de vinhas.

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destaque para as áreas numeradas

Só para nos situarmos, a metade norte da China em geral é bastante fria. Temos montanhas, áreas de deserto, e um clima bastante hostil com invernos muito rigorosos. Muitas dessas vinhas devem ser enterradas no inverno para sobreviverem. Temperaturas podem chegar abaixo dos 20° negativos. O sinal amarelo na legenda dos vinhedos indicam que os mesmos não precisam ser enterrados. Na verdade, o termo enterrado é um tanto exagerado. As vinhas são parcialmente cobertas em seu tronco principal.

Os extremos de temperatura é um dos desafios para as vinhas. Os invernos na metade norte são muito frios e extremamente secos. Na metade sul chinesa, os verões são muito quentes e chuvosos. Neste campo minado, as zonas vitivinícolas procuram fugir destes extremos, resultando de um maior acúmulo de vinhedos na porção norte do país, conforme mapa acima. Este cenário de invernos muito frios e secos, alternando com verões quentes e chuvosos, é chamado pelos especialistas de “Continental Monsoon Climate”.

No próximo artigo, detalharemos as principais regiões produtoras de vinho e suas características gerais.

Panorama Vitivinícola Mundial

18 de Junho de 2015

Em recente congresso da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) realizado em Mendoza (Argentina), no final do ano passado (2014), foram expostas as principais tendências da vitivinicultura mundial.

Aproximadamente são sete milhões e meio de hectares de vinhas plantadas no mundo. Metade desta área está concentrada em cinco países (França, Itália, Espanha, China e Turquia). Evidentemente o trio de ferro tradicional concentra-se no vinho, enquanto China (produção de uvas para consumo in natura) e Turquia (produção de uvas passas) têm outros objetivos. Há forte tendência no decréscimo de área plantada tanto na França, como na Itália e principalmente, Espanha. O acréscimo substancial dá-se atualmente no “continente” chinês, conforme mapa abaixo.

superficie mundial 2015

Crescimento expressivo chinês

No que diz respeito à produção mundial de uvas para consumo in natura, atualmente estamos em um número próximo de duzentos e cinquenta milhões de quintais (um quintal = cem quilos). Só a China responde por 34% desta produção, sendo que a Ásia como um todo, perfaz cerca de 62% da produção mundial. O Brasil contribui com 3% desta mesma produção. Já o consumo de uvas in natura concentra-se em cinco países (China, Índia, Turquia, Irã e Egito) com 60% do total mundial.

Agora falando de uvas passas, a produção mundial em torno de treze milhões de quintais, já que o rendimento comparado às  uvas frescas é bem menor, é concentrada em países como Estados Unidos, Turquia, Irã e Chile. 65% desta produção é exportada.

Quanto à produção mundial de vinhos, estamos falando em aproximadamente 270 milhões de hectolitros (um hectolitro = cem litros), sendo que só a França e Itália respondem por cerca de um terço desta produção. Aliás, 80% da produção mundial concentra-se em dez países (França, Itália, Espanha, Argentina, Estados Unidos, Chile, África do Sul, Alemanha, Austrália e China). Os decréscimos de produção são constatados em França, Itália, Espanha, principalmente, enquanto os acréscimos são vistos em países como Estados Unidos, Argentina, Chile e China. Já o consumo mundial de vinhos mostra crescimento expressivo nos Estados Unidos, China, Inglaterra e Austrália, conforme gráfico abaixo. Em linhas gerais, a Europa vem perdendo terreno no consumo mundial de vinhos tanto para a Ásia, como para as Américas.

consumo mundial de vinho 2015

Expressivo crescimento: Estados Unidos e China

Passando para as exportações mundiais de vinho, os volumes de vinho a granel têm aumentado, embora em termos de valores estejam cada vez menos expressivos. Em resumo, de tudo o que é exportado mundialmente em valores, os vinhos a granel respondem por quase 12 % do total, enquanto os vinhos engarrafados dão conta de quase 72%. O restante, aproximadamente 17%, estão no grupo dos espumantes.

A França com aproximadamente 7,8 bilhões de euros lidera as exportações mundiais. A Itália com sólida segunda colocação embolsa cerca de 5 bilhões de euros. Seguem países como Espanha, Austrália e Chile. Veja o gráfico abaixo. O Chile parece querer assumir e solidificar a quarta posição mundial, tornando-se o líder exportador do Novo Mundo.

exportação mundial 2015

Liderança sólida do trio de ferro

Do lado da importações mundiais, outro trio de ferro formado por Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, domina este setor não necessariamente nesta ordem, conforme os critérios avaliados. Em valores, a ordem acima prevalece com números de 3,9 bilhões de euros, 3,7 bilhões e 2,6 bilhões, respectivamente. Já em volume, as posições se invertem. Seguindo a fila, França e Rússia vão mais para os volumes, enquanto Canada e Japão preferem os valores. A China fica em sexto lugar nesta briga, tanto em volumes, como em valores.

Um capitulo à parte são os espumantes com expressiva tendência de expansão na produção e consumo. São atualmente de 17 milhões de hectolitros produzidos mundialmente, concentrados em cinco países (França, Itália, Alemanha, Espanha e Rússia), perfazendo 74% da produção mundial. Quanto ao consumo, a Alemanha lidera o ranking, seguida por França, Rússia, Estados Unidos e Itália, conforme gráfico abaixo.

consumo mundial espumantes 2015Rússia: consumo expressivo

Com relação ao comércio exterior, a França lidera as exportações com 50% (pouco mais de 2,3 milhões de euros) do total mundial de espumantes, seguida pela Itália com 21%. Espanha e Alemanha têm participações mais tímidas em termos de valores. Quanto aos países importadores, mantêm-se o trio de ferro: Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha. Japão e Bélgica também têm sua importância. Metade das importações (pouco mais de 2,2 milhões de euros) é fragmentada em diversos países.

Apesar do consumo, produção e importação de vinhos no Brasil, continuamos bem fora das estatísticas mundiais, quaisquer que sejam os critérios. Afinal, tradição, foco, e apoio governamental, levam décadas para serem conquistados e implantados.


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