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Gorgonzola, o queijo do inverno

15 de Agosto de 2018

Atendendo solicitações, mais um artigo sobre o queijo Gorgonzola, um dos itens mais consultados em Vinho Sem Segredo. Desta feita, três receitas variadas, aproveitando este friozinho do que resta do inverno. Na falta do legitimo italiano, os tipos Gorgonzolas disponíveis no mercado podem satisfazer, sobretudo quando incorporados às receitas.

risoto aspargos e gorgonzola

Risoto de Aspargos e Gorgonzola

Principalmente para aqueles que deixaram a carne de lado, é uma receita reconfortante para o inverno com sabores bem particulares. O arroz italiano é elaborado com caldo de legumes e no meio do processo, adicionado o gorgonzola diluído no próprio caldo. São adicionados os aspargos previamente cozidos al dente e um pouquinho de páprica doce. Depois de servido, decore com as pontas de aspargos cozidas e um pouco de pistache grosseiramente  quebrado para dar crocância e sabor ao prato.

Aspargos são sempre componentes difíceis para harmonizar com vinhos. No entanto, neste caso ele faz parte do prato com certa cremosidade, além do sabor do gorgonzola. Um Torrontés argentino de Salta pode ser um vinho surpreendente com muita personalidade e frescor. Outra pedida incomum é um jovem Condrieu com a casta Viognier. Quando jovem conserva um bom frescor e agrega sabores exóticos ao prato. Por fim, é um prato decididamente para brancos. Os tintos não encontram eco nos sabores do aspargo. Uma solução mais comum é um fresco Chardonnay frutado, quase sem madeira. Um belo Pouilly-Fuissé da Borgonha, por exemplo.

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Nhoque ao molho de Gorgonzola

Acima uma bela massa com esse delicioso molho cremoso. O Gorgonzola neste caso é diluído à base de creme de leite fresco. Os temperos e ervas ficam por conta do freguês. O importante é ter o sabor delicado, mas presente do queijo, além da cremosidade adequada, nem muito aguado, nem muito espesso. A pimenta do moinho pode ser grosseiramente moída na finalização. Outro prato vegetariano, digamos assim.

É lógico que um Chardonnay bem intenso de fruta e com pouca madeira, se for o caso, cai muito bem. O Novo Mundo está cheio de opções. Como alternativas, um branco Antão Vaz do Alentejo vai no mesmo caminho. Rioja branco Reserva com a medida exata que costuma dar na madeira, proporcionam vinhos aromáticos e bem equilibrados. Se a opção for por tintos, os do sul da Italia com bastante fruta e taninos moderados caem bem. Nero d´Avola da Sicilia ou um tinto da Puglia sem ser muito concentrado.

file molho gorgonzola

Filé ao molho Gorgonzola

Trata-se praticamente do mesmo molho do prato de massa. Neste caso, podemos acrescentar um pouco de mostarda e deixar a espessura do molho mais cremosa. Como se trata de carne vermelha em corte alto ao ponto, os tintos são absolutos nesta harmonização. Só devemos tomar cuidado com os taninos. Embora o sabor e intensidade do queijo esteja diluídos no molho, o choque (sal x taninos) deve ser considerado para evitar amargor. Aqui podemos pensar em vinhos de certa potência como alguns Amarones, Shiraz da Australia, e alguns Prioratos. São vinhos de grande intensidade e taninos moderados. Todos eles na medida certa para o inverno. A guarnição deste prato pode ser batatas ao forno ou um risoto de açafrão. 

Para aqueles que preferem o queijo puro, sozinho, ou acompanhando somente de pão italiano, os Sauternes da região francesa de Bordeaux, bem como os clássicos Portos, são pedidas certeiras. Como alternativa mais original ao Porto, podemos pensar no Recioto della Valpolicella, a versão doce do Amarone.

De resto, é só por a imaginação para funcionar. Gorgonzola vai bem com figos, com brócolis, alho-poró, nozes, abóbora, entre outros ingredientes. Bom apetite!

 

 

Vinho do Porto

21 de Fevereiro de 2018

O Vinho do Porto está sofrendo mudanças quanto à seu consumo interno e exportações. Desde 1678, mais de três séculos, Portugal consumia menos Vinho do Porto que alguns países como Inglaterra e França. A França aliás, desde 1963, lidera as exportações do fortificado, sobretudo em quantidade. Agora em 2017, pela primeira vez, Portugal superou em seu consumo interno o reinado francês no quesito faturamento.

Uma das principais causas desta mudança deve-se ao fato do aumento do turismo na região do Douro em especial, bem como, o consumo na própria capital, Lisboa. Essas pessoas estão mais interessadas em qualidade do que quantidade. Tanto assim, que o consumo de Vinho do Porto nas categorias especiais é a grande alavanca para esses números recentes. Veja tabela abaixo.

vinho do porto 2008 a 2017

Estilo Tawny em destaque

O consumo português ainda está longe de mercados mais exigentes quanto à qualidade como Estados Unidos e Canadá, mas seu valor médio por litro (5,8 euros) está acima da média das exportações.

Esta mudança de consumo em categorias especiais tem tirado o reinado do todo poderoso Porto Vintage, sempre com muito prestígio no mercado. O fato é que os Tawnies com declaração de idade (10, 20, 30 e 40 anos) tem crescido significativamente, além do próprio Tawny Colheita, vinho de grande categoria e injustamente sem o mesmo glamour do Vintage.

vinho do porto vendas 2008 a2017

França ainda lidera em quantidade

Mesmo com a queda de 118 milhões de garrafas no mercado de Vinho do Porto em 2008 para 101 milhões em 2017, o faturamento ainda cresceu 2,6% em valores. Nas categorias especiais o aumento em volume foi pouco significativo, quase 22 milhões de garrafas em 2008 contra 22,7 milhões em 2017. Em compensação, os valores aumentaram 22% com cifras de 162 milhões de euros.

Mercados como França, Bélgica e Holanda, notadamente voltados para quantidade e portanto, vinhos mais simples, precisam ter uma política de vendas mais agressiva com promoções de preços. Baseado no bom faturamento com as categorias especiais de Porto, este caminho fica mais fácil.

Maiores informações e reportagem completa, click no link: https://www.publico.pt/2018/02/18/economia/noticia/tres-seculos-depois-portugal-tornouse-o-principal-mercado-do-vinho-do-porto-1803386

Quanto aos vinhos de mesa com a denominação Douro, suas vendas continuam em crescente volume desde 2008, atualmente com 4,4 milhões de caixas. Seu faturamento ainda melhor, chegando a 157,3 milhões de euros em 2017.

La Conseillante e as Violetas

16 de Setembro de 2017

Pomerol, um dos mais exclusivos terroirs de Bordeaux com apenas 800 hectares de vinhas, tamanho aproximado de Saint-Julien, uma das famosas comunas do Médoc. Só que neste caso, estamos falando de Margem Direita. E aqui, alguns nomes de peso: Petrus, Lafleur, Le Pin, e porque não, Chateau La Conseillante. Um dos mais delicados vinhos da apelação, mencionado como “Le Bourgogne de Bordeaux”.  Para começar, sua roupagem de fundo violeta, remetendo a um dos seus característicos aromas.

Um terroir diferenciado com 18 parcelas e uma vizinhança pra la´de famosa: Vieux-Chateau-Certan, L´Evangile, Petrus muito perto, e coladinho,  nada mais, nada menos, que Cheval Blanc. A propósito, uma parte do vinhedo divide o mesmo solo pedregoso com o ícone de Saint-Emilion. No caso, parcelas de Cabernet Franc, cepa que contribui em média com 20% do blend final. O restante, são vinhedos de Merlot em solos argilosos, típicos dos melhores terrenos do planalto de Pomerol. No total, temos 12 hectares com vinhas de 35 anos em média.

la conseillante vignoble

divisão parcelar

O Chateau conta com a consultoria de Michel Rolland, profundo conhecedor da Merlot e nascido em Pomerol. O vinho passa cerca de 18 meses em barricas de 50 a 80% novas, conforme a safra. A produção anual gira entre 40 e 50 mil garrafas.

Em vertical realizada no restaurante Tanit, pudemos provar e comparar as melhores safras das últimas décadas. Antes porém, aquele champagne de entrada! Jacques Selosse.

exclusividade e estilo único

Esta versão Sec na contramão da moda, onde os chamados Brut Nature ou Pas Dosé estão na crista da onda, mostra todo o talento de Jacques Selosse em trabalhar nos vários estilos. Elaborado com Chardonnays bem maduros, portanto um Blanc de Blancs, seu açúcar residual fica entre 22 e 26 g/l. Como os franceses chamam, é um champagne de Gourmandise. Sua estrutura e corpo lembram até um Pinot Noir. Com as entradinhas ficou muito bem, especialmente um bolinho de pato desfiado com textura e intensidade de sabor sintonizados com as borbulhas. Belo início!

croquetes e lulinhas na chapa

Essas entradinhas do Tanit são o ponto alto deste restaurante de sotaque espanhol (www.restaurantetanit.com.br). Só para fechar o assunto champagne, são apenas mil garrafas produzidas desta cuvée. Seu frescor é garantido com a data de dégorgement no contrarrótulo, vide foto acima.

Agora sim, vamos de La Conseillante com uma verdadeira aula de pontuação de Mr. Parker. Foram três flights às cegas e uma Magnum 2005 degustada em aberto, mostrando todo o potencial deste belo Bordeaux.

tanit conseillante 2010 e 2012

safras próximas, mas estilos diferentes

O Chateau reflete bem o estilo de cada safra. 2010, um ano clássico, de estrutura e longevidade. Percebe-se sobretudo na estrutura de taninos mais presentes e evidentes. Já 2012, mostra-se uma safra graciosa, afável no palato. Parker descreve como “velvety” a textura de seus taninos. Em ambos os vinhos, os toques de violeta tão propalados. A tarde promete!

tanit conseillante 2005 e 2003

a diferença de tamanhos reflete bem o flight

Aqui, o flight mais díspar. Sem entrar em números ( 2005 RP 97 e 2003 RP 88), esta comparação foi uma covardia. E não é só o fato de 2005 estar em magnum. Realmente, 2005 é uma das safras históricas deste Chateau, comparada à mítica safra de 1949, também com 97 pontos. Embora, ainda muito novo, sua estrutura tânica é monumental. Parker sugere uma comparação com Petrus e Lafleur, dois dos mais poderosos de todo o Pomerol. Deve evoluir seguramente por mais vinte anos. Já o 2003, um ano de calor avassalador na Europa, apresenta uma estrutura tânica relativamente pobre com o vinho já muito evoluído, numa curva descendente.

tanit conseillante 2000 e 2008

flight de muito equilíbrio

Surpreendendo a muitos, 2008 é uma safra de destaque para este Chateau. Pessoalmente, havia um leve problema de bouchonée sutil com esta garrafa, mas dava para perceber o potencial do vinho. Mesmo a safra 2000 com seus 17 aninhos, ainda não está totalmente pronta. Seus taninos são densos e polidos. Os aromas de cogumelos e trufas começam sutilmente a desabrochar. Um painel de grande equilíbrio. Safra 2000 (RP 96) e safra 2008 (RP 95).

tanit conseillante 82, 85 e 90

a longevidade dos grandes bordeaux

Por fim, um trio incontestável, todos com nota RP 94. De fato, um equilíbrio de qualidade muito grande. Começando pelo 90, é aquele Bordeaux que está entrando definitivamente em seus aromas terciários, mas ainda no começo desta fase evolutiva. Muito prazeroso de já ser tomado e uma garrafa muito bem conservada. Contudo, pode tranquilamente evoluir nesses aromas por mais dez anos.

Agora 82 e 85, são safras de muito prazer. Claro que não podemos tirar conclusões definitivas apenas com essas duas garrafas, mas o 82 de fato está um pouco mais evoluído que 85. Muitas vezes acontece o contrario, sobretudo na margem esquerda onde os 82 costumam ter mais estrutura e longevidade. De todo modo, são vinhos deliciosos com os típicos toques terciários de trufas, cogumelos, e sous-bois. Seus taninos são de seda e o acabamento em boca, de sonhos. A magia dos grandes Bordeaux …

Como um dos confrades sugeriu, algumas taças de La Conseillante aproveitando o neologismo, poderiam inspirar  aos que governam, aos que decidem, e aos que investem neste país, em dias melhores para todos nós.

tanit vintage 70 e yquem 55

outros tempos sem internet

Como ninguém é de ferro, precisamos adoçar um pouco a boca. Nada melhor então que Porto e Sauternes. Os belos Vintages de 70  estão entre os grandes em classicismo e delicadeza, sobretudo em Casas como Fonseca, uma das melhores nesta categoria. Lembram perfeitamente aqueles licores de jabuticaba, cerejas. É como se o álcool conseguisse fundir-se perfeitamente com a fruta. Com quase um século de vida, nos dão muito prazer com um equilíbrio fantástico. E certamente, atravessarão o século. Este confrade conhece bem as boas coisas velhas da vida …

Comentar Yquems antigos como este 1955 chega até ser  presunçoso de minha parte. A nota aqui não importa. É verdadeiramente história refletida em aromas e sabores. Nesta hora nos reconfortamos e percebemos a amizade e elos fortes de união entre todos nós confrades. Que Deus nos permita continuar sonhando!   

Harmonização: Doces Portugueses

8 de Agosto de 2016

A doçaria portuguesa além de famosa e diversificada, satisfaz os mais vorazes paladares. De sabores ricos, intensos e porque não dizer, inesquecíveis. Numa prova de quatro doces tradicionais e quatro vinhos fortificados não menos clássicos, o embate entre ambos não foi nada fácil. É sobretudo, uma imposição de sabores. Por isso, não tente combinar doces portugueses com vinhos delicados. Sabiamente, os portugueses inventaram a fortificação e a diversificaram para estas situações.

pão com damascos e sementes de abóbora

pão com damascos e sementes de abóbora

Antes propriamente dos doces, o pão com damascos e sementes de abóbora (foto acima) também entrou na brincadeira. O vinho que melhor escoltou a iguaria foi um Madeira 10 anos doce com a casta Tinta Negra Mole. As castas nobres para o Madeira são: Sercial, Verdelho, Boal, e Malvasia, em ordem crescente de doçura. Voltando à harmonização, os sabores do Madeira sintonizaram bem com os sabores do pão, além da similaridade de texturas de ambos. O grau de doçura do vinho também foi compatível com o prato.

moscatel de setubal 2004

versatilidade na harmonização

O Moscatel acima além de ser um belo vinho em si, foi o que mais agradou de maneira geral no confronto com os doces. De fato, sua intensidade de sabor e grau de doçura são componentes importantes nesta harmonização. É bem verdade, que em alguns casos, passou um pouco por cima do prato, mas sem distorções de sabores e conflitos importantes. Ficou bem com o cestinho de amêndoas e quase não foi páreo para o terrível Ovos Moles de Aveiro. A doçura e intensidade do vinho ficaram no limite da distorção de sabores. Neste caso, ao invés de tentarmos confrontar o doce com sabores ainda mais intensos no vinho como por exemplo, um Pedro Ximenez, é melhor aprecia-lo sozinho e depois finalizarmos com uma bela aguardente portuguesa, limpando o paladar.

Sobre o Moscatel de Setúbal, a casa José Maria da Fonseca é praticamente uma unanimidade nesta denominação. Este exemplar de coleção privada, é um Moscatel de safra (2004) envelhecido em madeira por dez anos. Como curiosidade, a aguardente vínica para sua fortificação é um Armagnac em sua forma bruta, importante destilado francês. Além de sua intensidade de aroma e sabores, sua textura é untuosa devido sobretudo ao elevado açúcar residual (182 g/l neste exemplar). Contudo, seu equilíbrio é fantástico e sua persistência aromática, expansiva. Os aromas de mel, flores, toques cítricos e um exótico perfume de salvia, são de grande harmonia e complexidade.

graham´s 10 anos

Porto 10 anos: um estilo difícil para os pratos

Embora o produtor Graham´s esteja acima de qualquer suspeita quanto a qualidade de seus ótimos Portos, este estilo 10 anos não ornou muito bem com os doces conventuais à base de ovos. Com o pastel de Belém a harmonização não comprometeu, mas faltou sintonia de sabores. O que melhor combinou foi o travesseiro de sintra com sua textura delicada e a pequena proporção de recheio, equilibrando o nível de açúcar. Os aromas de frutas passas como ameixa, figos e tâmaras, de grande destaque no vinho, não tiveram muita sintonia com os doces. Além disso, sua textura mais delgada, prejudicou muito nas harmonizações. Os outros Portos com declaração de idade como 20, 30 e 40 anos, com certeza saem-se melhor, pois além da doçura mais acentuada, os aromas de caramelo,  frutas secas como nozes e amêndoas,  ficam mais evidentes.

mouchão licoroso

Mouchão Licoroso: um estranho no ninho

Este foi o vinho que mais destoou do painel. Embora seja um  belo fortificado da região do Alentejo, região esta sem tradição neste tipo de vinho, seus sabores estavam completamente dissonantes com os pratos. O vinho em si é muito bem feito, até porque é proveniente da Herdade do Mouchão, uma propriedade de alta reputação. A uva é a Alicante Bouschet, tinta de muita estrutura e concentração. O vinho passa cerca de quatro anos em tonéis de madeira inerte, fazendo um estilo LBV, se comparado aos vinhos do Porto.

doces portugueses

quarteto português: intensidade e doçura

No sentido anti-horário, partimos do cestinho de amêndoas em maior destaque na foto acima, passando pelo pastel de Belém, depois o travesseiro de sintra, e por fim, os ovos moles de Aveiro em forma de coração.

Começando pelo pastel de Belém, o único vinho que respeitou o doce foi o Porto 10 anos, embora não havendo sintonia de sabores e portanto, sem emoções. Já os demais vinhos, passaram por cima do prato. Como ressalva, o Moscatel de Setúbal com seu perfil aromático, foi o que mais se acomodou aos sabores do doce.

Para o cestinho de amêndoas, duas harmonizações foram muito bem. Tanto o Moscatel de Setúbal, como o Madeira, tiveram grau de doçura compatível com o doce, além de sintonia de sabores, sobretudo o Madeira. O Moscatel na verdade, acabou sendo um pouco invasivo, mas bastante prazeroso. Tanto o Mouchão, como o Porto, os sabores ficaram distorcidos na harmonização.

Com o travesseiro de Sintra, o Porto 10 anos foi o que se amoldou melhor, conforme comentário acima. Os demais vinhos passaram por cima do prato, sendo o Madeira um pouco menos invasivo.

Finalizando, os ovos moles de Aveiro passou como um trator por cima dos vinhos. O único que resistiu em seu limite foi o Moscatel de Setúbal, salvo pelo gongo. De fato, a doçura absurda do doce com a não menos viscosa textura, destruiram qualquer tentativa de harmonização. Qualquer alternativa de contraste é inútil. Por outro lado, a ideia óbvia de igualar açúcar e intensidade na escolha do vinho, satura em demasia o paladar.

Enfim, mais uma experiência enogastronômica sempre válida, mesmo que as harmonizações não saiam a contento. O mais importante é detectar os pontos conflitantes e procurar corrigi-los na medida do possível.