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Final de Ano: Harmonização Parte II

16 de Dezembro de 2013

Continuando nossa harmonização para o final de ano, vamos agora ao segundo prato e à sobremesa. Após os frutos do mar do primeiro prato, nada melhor que um belo Magret de Canard ao Molho de Mel com Crisps de Risotto.

Quando se faz o magret (peito de pato fatiado) é importante o ponto da carne, malpassado ou no máximo ao ponto. Nesta receita, o magret passa por uma marinda com mel, vinagre de vinho (tinto ou branco, conforme a escolha do vinho), gengibre, suco de laranja e molho de soja. Sele o magret numa frigideira untada de manteiga. Cuidado com a quantidade de manteiga, pois temos a gordura natural do peito do pato. Reserve o magret e usando a mesma frigideira, junte a marinada reduzindo este molho e finalizando com um pouco de manteiga.

Para o risoto, utilize um bom caldo de galinha ou de legumes, incorporando um pouco de queijo parmesão. Deixe esfriar, leve-o à geladeira e depois corte-o no formato que preferir. Em seguida, doure-o numa frigideira untada com manteiga ou azeite e sirva como guarnição do magret, conforme foto abaixo.

magret molho de mel

Magret de Canard: acessível nos tempos atuais

Para a harmonização, há opções de tintos e brancos, mas minha preferência para esta receita é um branco com a uva Gewurztraminer, evidentemente da Alsácia. É um branco de corpo, aromático, com uma bela sintonia para o mel, gengibre e os toques cítricos da laranja. Seu açúcar residual e e uma acidez suficiente para o prato, são componentes importantes para uma boa harmonização. O produtor Zind-Humbrecht faz belos vinhos com esta cepa, com vinhos precisos para as características acima descritas.

Se a opção for pelos tintos, cuidado com os taninos, pois temos a acidez da laranja e o sal do molho de soja. Como o molho apresenta certa doçura, prefira vinhos encorpados e com bastante fruta. Vinhos jovens do Alentejo, Zinfandel da Califórnia e Merlots do Novo Mundo, são as alternativas mais indicadas. Se preferir um tinto de maior acidez além da fruta, o sul da Itália com as uvas Primitivo e Aglianico cumprem bem esta função.

bolo souza leão

Receita caseira

Esta receita é da tradicional família Souza Leão, de Pernambuco. Leva coco ralado, leite de coco, massa de mandioca (encontrada na feira ou em casa de produtos nordestinos), manteiga, gemas de ovos, açúcar e água. Esses ingredientes depois de misturados são aquecidos numa panela, e em seguida levada ao forno numa forma untada. Detalhes do passo a passo da receita, favor consultar no famoso buscador da internet. 

Bolo de textura cremosa

As opções de harmonização vão desde Late Harvest com a uva Sémillon, os botrytisados de Sauternes, até os vinhos doces de Jurançon e Pacheren-du-Vic-Bilh (ambos com a uva Petit Manseng). Este último, do produtor Alain Brumont, é importado pela Decanter (www.decanter.com.br). Tem doçura e textura na medida certa para a receita em questão. Muitos dos Late Harvest encontrados no mercado apresentam um certo toque de madeira que casa bem com o sabor do coco.

Para quem não viu a primeira parte do jantar é só consultar o post anterior. Por fim, boas festas e harmonizações surpreendentes!

Final de Ano: Harmonização Parte I

12 de Dezembro de 2013

Nesta época são inevitáveis as dicas de vinhos e pratos para as festas de final de ano. Peru, panetone, espumante, dentre outros itens, já foram exaustivamente comentados neste mesmo blog. A ideia este ano é sugerir alguns pratos diferentes com suas respectivas harmonizações. Portanto, teremos uma entrada, primeiro prato, segundo prato e sobremesa.

salade au brieSalada refrescante para o verão

Essa é uma entrada que pode perfeitamente ser acompanhada por um espumante, vinho obrigatório nestas ocasiões. O molho da salada inclui uma gema de de ovo, mostarda, azeite, limão, sal e pimenta moída na hora. As folhas podem ser um mix de hortaliças (alface, rúcula e escarola, por exemplo). O tostado do pão de forma cortado em quatro partes com o queijo brie gratinado, além dos pedacinhos de bacon fritos, sugere um espumante elaborado com o método tradicional (champenoise), ou seja, segunda fermentação na garrafa. O contato maior com as leveduras criam aromas com maior sinergia para os ingredientes acima citados. Pode ser um Cava (espumante espanhol), um Franciacorta (um dos mais refinados espumantes italianos, produzido na Lombardia), ou por que não um champagne de estilo mais delicado (Taittinger, por exemplo). Espumantes nacionais de boa procedência como os da Cave Geisse são bem-vindos. 

zuppa genoveseFrutos do mar: apropriados à época

O prato acima é antes de tudo uma homenagem a Maria Zanchi de Zan, grande cozinheira italiana, com o saudoso restaurante de mesmo nome. Na verdade este prato denominado Zuppa di Pesce alla Genovese é praticamente uma Bouillabaisse, prato típico da Provença, inclusive com todos os ingredientes da região; azeite, alho, ervas, tomate e pimenta. 

Para a elaboração deste prato precisamos de um bom caldo de peixe elaborado em casa com uma receita tradicional. Os frutos do mar ficam por conta de cada um, dependendo da disponibilidade. Normalmente são os camarões, salmão, lulas, vôngole, polvo e lagosta. Frite esses frutos do mar em azeite, alho, salsinha, tomilho e manjericão. Em seguida, acrescente os tomates pelados e pimenta do moinho. Cubra com o caldo de peixe coado, e deixe cozinhar por vinte minutos. Sirva com fatias de pão torradas e passadas no azeite.

Com relação à harmonização, um belo rosé, sobretudo da Provença, é a indicação mais óbvia. Pode ser até um espumante rosé, se preferir ficar no mundo das borbulhas. Vinhos brancos com bom frescor, toques herbáceos e textura adequada, são bons acompanhamentos. Um Sauvignon Blanc de Marlborough (Nova Zelândia), um chileno dos vales frios (Sauvignon Blanc Terrunyo é uma boa pedida), um Verdejo (uva branca) de Rueda (região espanhola próxima à Ribera del Duero) ou um branco grego moderno (uva Assyrtiko da ilha de Santorini) são exemplos a serem testados. No caso de tintos, um Sancerre (vale do Loire) é uma opção quase isolada. 

Próximo post, segundo prato e sobremesa.

Champagnes: Top Ten

9 de Dezembro de 2013

Dentre os inúmeros champagnes que fazem o sonho dos apreciadores das mágicas borbulhas, fica difícil apontar com precisão e certeza as melhores maisons da região. Cada um tem sua preferência por estilo, grau de doçura, assemblage das principais uvas e outros fatores até certo ponto subjetivos. Neste contexto, segue minha seleção, verificada ano após ano em termos de consistência e personalidade distinta de seus vinhos. Enfatizo mais uma vez, tratar-se de uma escolha inteiramente pessoal.

As Irrepreensíveis

Krug Grande Cuvée: A maestria do assemblage

Krug

Para os mais fanáticos, existe Krug e os demais champagnes. A finesse, a precisão de seus vinhos-base, o amadurecimento perfeito sobre as leveduras, fazem desta Maison uma das mais requintadas da região. Champagnes de exceção em toda sua linha. Fica difícil apontar um favorito, mas Clos du Mesnil Blanc de Blancs faz rever conceitos. Importadora LVMH (www.catalogomh.com.br). 

Bollinger

Aqui existe um empate técnico com a maison acima. A filosofia é muito semelhante. Talvez a Maison Bollinger numa sintonia fina caminhe mais para a potência, intensidade e estrutura, enquanto Krug exibe sua finesse e exotismo impressionantes. Sua cuvée mais emblemática reverenciada por James Bond é a mítica Bollinger RD com prolongado contato sobre as leveduras. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Louis Roederer

Fechando o trio de ferro  de origem alemã, a Maison Loius Roederer prima pela precisão e disciplina germânicas. Sua cuvée de luxo Cristal, foi a pioneira e idolatrada pelos czares. Toda sua linha apresenta-se delicada e com marcante personalidade. Seus rosés são praticamente insuperáveis. Importadora Franco-Suissa (www.francosuissa.com.br) ou também no empório Santa Luiza (Jardins). 

Salon

Apesar de possuir um único estilo de champagne, Blanc de Blancs, seu rigor na elaboração é obsessivo. Poucas safras durante o século passado, perfazendo um total de somente trinta e sete millésimes. Se você fizer questão da mais pura mineralidade e  não se importar com preços, este é o caminho. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

As Delicadas

Taittinger

Das dez escolhidas, esta maison é a mais popular e de maior produção. No entanto, mostra-se sempre delicada, sensual e muito convidativa para recepções e aperitivos. Sua cuvée de luxo Comtes de Taittinger, é uma das referências em Blanc de Blancs. Importadora Expand (www.expand.com.br). 

Deutz

Pertencente ao mesmo grupo da maison Louis Roederer, Deutz esbanja elegância com uma consistência invejável. Muito equilibrado, aromas finos e bem delineados. Um final de boca fresco e expansivo. Bem representado em toda sua linha. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Um exemplo de rosé

Billercart-Salmon

Outro champagne extremamente fino e delicado. Equlibrado, mousse agradável e muito bem acabado. Seus rosés fazem fama e sem dúvida, estão entre os melhores da região. Abrir um jantar com esta maison já sugere o tom da refeição. Produção relativamente reduzida. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br)

As Gastronômicas

Gosset

Maison já comentada em artigo especial neste mesmo blog, prima pela estrutura, corpo e vinosidade. Sua cuvée Grande Réserve tem estilo próprio, bem como a cuvée de luxo Celebris, de um exostismo marcante. Parceiro ideal na alta gastronomia. Importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). 

Millésime de exceção

Egly-Ouriet

Junto com a maison Salon, Egly-Ouriet é um champagne fundamentalmente artesanal e de baixíssima produção. São vinhos estruturados, marcantes e de longa guarda. Seu Brut Millésime confirma estas características, beirando a perfeição. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Pol Roger

Como não associar a figura de Sir Winston Churchill à esta nobre maison em sua cuvée mais prestigiada. Elegante, intenso e de textura macia, este champagne destaca-se em todo seu portfólio. Une potência e elegância como poucos neste seleto mercado. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

O Imortal Madeira Frasqueira Terrantez 1977

5 de Dezembro de 2013

“Vinho, quanto mais velho, melhor!”. Esta é uma frase bem apropriada para o vinho deste artigo, compartilhado e oferecido pelo casal de amigos: Roberto e Adriana Rockmann. É evidente, que a maciça maioria dos vinhos produzidos mundo afora tem seu devido tempo de apogeu, ou seja, no máximo algumas décadas para os melhores exemplares, o que já é raro. Recordando parte dos artigos sobre o vinho da Madeira, publicado neste mesmo blog, trata-se da categoria mais elitizada dentre os vários tipos de Madeira. Além disso, a misteriosa uva Terrantez está extinta na ilha, ou quase extinta, ou em lugares onde os mortais não têm acesso. Parafraseando o ditado espanhol: “yo no creo en brujas, pero quelas las hay, las hay” (eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem).

Digno de encerrar qualquer grande refeição

O exemplar degustado, Madeira Terrantez 1977 Cossart Gordon, é o que se pode esperar de mais sofisticado entre todos os seus tipos. Mais raro ainda, com a uva Terrantez, onde esses vinhos tornam-se cada vez mais lendários.

Realidade ou Lenda

Muitas pessoas acabam equivocadamente chamando de Vintage este tipo de vinho. Talvez pela menção da colheita no rótulo. Contudo, nada tem a ver com o grande Porto Vintage, que passa de dois a três anos em madeira, e o restante do tempo envelhecido na própria garrafa. Se houvesse um termo de comparação, esses grandes Madeiras aproximam-se de certo modo aos grandes Portos Colheita, onde ambos sofrem intensos e lentos processos oxidativos no bom sentido do termo. A menção correta para este nobre Madeira é a palavra “Frasqueira”. Pela legislação, os Madeiras Frasqueiras devem repousar no mínimo por vinte anos em canteiro (termo que designa o envelhecimento em tonéis ou pipas de carvalho inerte, ou seja, com bons anos de uso). A ideia é provocar uma lenta micro-oxigenação, sem passar aromas de madeira ao vinho. O nosso exemplar em questão, foi engarrafado em 2004. Portanto, passou 27 anos em madeira e mais praticamente dez anos em garrafa.

O amigo Rochmann acertou em decantá-lo logo pela manhã para degustarmos após o jantar. Todas essas horas de decantação só fizeram bem ao vinho. O eventual aroma redutivo após quase dez anos em garrafa foi eliminado pela decantação, devolvendo seus aromas de evolução de caráter oxidativo encontrado nas barricas. É quase um fenômeno de regressão nos consultórios psiquiátricos. 

Quanto ao vinho degustado, espetacular, imortal, divino, entre tantos outros adjetivos superlativos. São os vinhos mais longevos do planeta, juntamente com o grande Tokaji Eszencia. A cor âmbar brilhante revela uma borda com toques alaranjados e esverdeados, típicos dos Madeiras. O aroma é quase indescritível, exibindo toques cítricos, chá (marcante nos grandes vinhos envelhecidos), empireumáticos (caramelo), frutas secas, especiarias (canela), incenso, além de notas etéras muito particulares da Terrantez. Em boca, uma acidez vibrante, seu grande trunfo para longevidade. Muito equilíbrio com perfeita intregração entre seus componentes. O açúcar residual está entre um Verdelho e um Boal (outras duas castas nobres desta categoria de Madeira). Final longo, persistente, expansivo. Para um charuto delicado e de personalidade, à altura deste vinho, um Hoyo de Monterrey Double Corona. Queijo Manchego, torta de frutas secas (damascos, nozes pecã, e bananas) são os acompanhamentos ideiais.

Enfim, um vinho para acrescentar no currículo e na caixa dos sonhos. Encontrado ainda na importadora Decanter (www.decanter.com.br). Produtor de grande referência, Cossart Gordon.

Gosset: Alta Costura em Champagne

2 de Dezembro de 2013

Embora seja a casa mais antiga em Champagne, fundada em 1584, seus vinhos eram tranquilos, sem borbulhas. Por isso, efetivamente a mais antiga, é a Maison Ruinart, fundada em 1729, na produção dos vinhos efervescentes. Histórias à parte, vamos ao que interessa, os belos champagnes Gosset.

O evento foi realizado na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) com ótima apresentação de Philippe Manfredini, diretor  de exportações desta maison, além do correto  serviço dos vinhos.

Algumas características diferenciam os champagnes Gosset: baixíssimo licor de expedição, deixando os vinhos extremamente secos. A ausência da fermentação malolática, evidenciando sua bela acidez. Contato sur lies (contato com as leveduras) prolongado, proporcionando complexidade aromática e textura delicada. E por fim, um estilo encorpado, direcionado para a gastronomia. Vamos aos vinhos.

Gosset Brut Excellence

Champagne básico da casa. É o menos complexo e o mais vivaz de toda a linha. Seus aromas de brioche, agrume (cítricos), frutas secas e um toque de maça (provavelmente de sua incrível acidez málica) são bastante emblemáticos. Canapés e entradas de sabores mais pronunciados são bem convidativos.

Gosset Grand Blanc de Blancs

Para quem gosta de um estilo mais delicado, elegante, Blanc de Blancs é o champagne ideal. Lançamento recente da Gosset, mostras toques extremamente cítricos, minerais e de panificação. Seu contato sur lies prolongado (cerca de cinco anos) proporciona textura e mousse delicadas. Salmão defumado é um par perfeito na harmonização.

Fonte: http://confraria2panas.org/2012/03/28/gosset-brut-grande-reserve/

Gosset Grande Reserve Brut

Acima dos champagnes básicos, este exemplar (foto acima) é uma das melhores opções de custo para quem busca algo diferenciado. Também chamado de Petit Krug, esbanja complexidade e finesse. Aromas cítricos, de especiarias, incenso, toques florais e de leveduras. Bom corpo, belo equilíbrio, e persistência aromática expansiva. Champagne de gastronomia refinada.

Gosset Grand Millésime Brut 2004

Um champagne especial que revela as características da safra em questão. Passa cerca de oito anos sur lies. A cor é extremamente bem conservada sem nenhum sinal de evolução. Os aromas de frutas secas, cítricos, brioche, anis  e cogumelos perfazem um belo conjunto. Acidez marcante, mousse presente, delicada, com final persistente e notadamente seco. Deve evoluir por muitos anos em adega. É sem dúvida, o menos pronto do painel para ser degustado agora.

Gosset Grand Rosé Brut

Uma das referências em champagne rosé. Cor mesclando um toque alaranjado e salmonado de fino perlage. As frutas vermelhas (morangos e framboesas), notas de café tostado, brioche, e leveduras são dominantes. Grande equilíbrio em boca, textura rica e persistência destacada. Final frutado e seco. Belo parceiro para pratos de salmão e atum.

Domaine Ferret: Referência em Pouilly-Fuissé

28 de Novembro de 2013

Embora a apelação Pouilly-Fuissé (não confundir com Pouilly-Fumé no vale do Loire) seja a mais reputada na região do Mâconnais, ainda é pouco conhecida do grande público que gosta dos brancos da Borgonha. Mâconnais fica ao sul da Borgonha, fazendo divisa com a região do Beaujolais, conforme mapa abaixo:

Mâconnais: região de tintos e brancos

Os poucos exemplares disponíveis no Brasil deixam a desejar em termos de concentração e qualidade, geralmente com vinhos de negociantes. A singela delicadeza de um bom Pouilly-Fuissé está nos aromas de mel, flores e frutas perfumadas como pêssegos. Na maioria das vezes não é páreo para os grandes brancos de Beaune, também elaborados com a casta Chardonnay. Contudo, sempre há exceções, como a que provei na companhia do meu amigo, doutor Cesar Pigati. Trata-se de um Pouilly-Fuissé especial do Domaine Ferret, em sua mais nobre cuvée denominada “Hors Classe Tournant de Pouilly”, vinhedo de um hectare situado a norte do vilarejo de Fuissé. Suas vinhas de idade avançada (50 anos) em solo limo-argiloso com boa presença de calcário fornecem um néctar admirável. A vinificação nos moldes dos grandes brancos da Borgonha dá-se em barricas de carvalho (20 a 30 por cento novas) durante dez meses com posterior bâtonnage (revolver as leveduras na massa vínica). O exemplar degustado tinha quinze anos (safra de 1998) com uma cor brilhantemente evoluída, conforme foto abaixo:

Pouilly-Fuissé

Quinze anos de perfeita evolução

No plano olfativo trata-se de um vinho de aromas evoluídos, muito bem tramados, sugerindo mel, frutas secas tostadas (amêndoas ou avelãs), fruta amarela de boa evolução lembrando ameixas, pêssegos e marmelos. Além disso um toque defumado, amanteigado, direcionado para o butterscoth. Na boca, belo equilíbrio, bom corpo e um final harmônico e persistente. Faz boa companhia com queijo Comté.

Pouilly-Fuissé: apelação bem ao sul de Mâconnais

Pouilly-Fuissé no mapa acima é a apelação em laranja. A presença marcante do calcário em seu solo faz muito bem à chardonnay. Os melhores vinhedos e produtores estão concentrados entre os vilarejos de Fuissé e Solutré-Pouilly, embora ao redor de Vergisson existam produtores notáveis.

Roche Solutré-Pouilly: Marco geológico importante

Dentre os melhores produtores estão Château Fuissé, Verget, Guffens-Heynen, além do domaine em destaque, Domaine Ferret (importadora Mistral – http://www.mistral.com.br). Outra boa dica é da importadora Cellar (www.cellar-af.com.br) com vinhos típicos da apelação do produtor Saumaize-Michelin.

Como curiosidade, bem ao norte de Mâconnnais, existe um Chardonnay botrytisado, uma espécie de Sauternes local, do produtor Jean Thévenet do Domaine de la Bongran. A ocorrência da Botrytis é corriqueira e natural. Vinhos exóticos e bem conceituados. Boa pedida para quando estiver na região.

Single Malt: O Explosivo Talisker

25 de Novembro de 2013

Jim Murray (especialista britânico em Whisky) diz em seu livro: “Islay precisou de oito destilarias para entrar no mundo do Scotch Whisky, Skye precisa de uma só”. Se você acha que já provou tudo sobre single malt, prepare-se para fortes emoções antes de enfrentar Talisker, uma explosão de sensações. Se for acompanhá-lo de charutos, escolha um puro potente (Partagás Lusitanias, Bolivar Coronas Gigantes, Cohiba Esplendidos, Montecristo nº 2, Ramón Allones Coronas Gigantes).

Paladares Marcantes

Sabemos que todo famoso Blended Scotch Whisky, ou seja, as marcas mais comerciais e portanto, extremamente conhecidas do grande público, têm por trás um grande Single Malt na essência. Pois bem, Talisker é a alma do badalado Johnnie Walker.

Talisker: única na ilha Skye

O processo de elaboração de Talisker começa na pureza da água. São quatorze fontes de água cristalina e subterrânea. A escolha do malte é rigorosa quanto ao potencial alcoólico e ao nível de turfa (entre 30 e 40 ppm – parte por milhão), índice significativo, mas inferior aos da ilha de Islay. Em seguida, a cevada é imersa em água quente com temperatura controlada onde extrai-se o líquido rico em açúcar a ser fermentado. Após a fermentação, o líquido cristalino é submetido à uma dupla destilação criteriosa em alambiques de cobre. Na sequência, chega o momento da maturação em barricas originalmente usadas no Bourbon Whiskey (americano). Uma pequena parte provêm de barricas utilizadas no amadurecimento dos vinhos de Jerez. Esta predominância em barricas americanas enfatiza os aromas marcantes de baunilha, mel e especiarias. O amadurecimento junto ao mar absorve sutilmente um gosto de salinidade, maresia, incorporada à bebida. No final do processo, principalmente no Whisky básico da destilaria, aromas de tostado, defumado e cítricos são marcantes. É um single malt potente e impactante. Veja as observações a seguir do competente crítico Ralfy Mitchell, no vídeo abaixo:

Abaixo, o mapa mostra as principais sub-regiões escocesas na produção de whisky. A ilha de Skye, mais a oeste, fica praticamente isolada.

Talisker: único na ilha Skye

Como curiosidade, o famoso licor de whisky Drambuie, é elaborado nesta ilha com a participação de Talisker. Uma mistura de ervas, açafrão, açúcar, limão, mel, especiarias e outros segredinhos guardados a sete chaves. Embora haja concorrentes neste seguimento, Drambuie reina absoluto entre os melhores licores de scotch.

Wine Spectator: Top Ten

21 de Novembro de 2013

Dando prosseguimento à lista dos cem melhores vinhos de 2013, segundo a revista americana Wine Spectator, farei um Top Ten pessoal. A ordem dos vinhos apresentada abaixo não obedece nenhum critério, apenas visa sugerir alguns vinhos interessantes para serem provados e evidentemente, encontrados nas grandes importadoras do Brasil.

Analisando a lista, percebemos que um terço dos vinhos são norte-americanos, naturalmente enaltecendo exemplares de seu país. A despeito de ser justa ou não a inclusão dos mesmos, é inegável que os Estados Unidos ainda lidera com folga uma grande diversidade e qualidade dentre os países do chamado Novo Mundo. Pena que chegam poucos exemplares ao Brasil a preços praticamente proibitivos. Sem mais delongas, vamos à lista sugerida: 

  1. Croft Vintage Port 2011 – WS 97 pontos
  2. Hamilton Russell Chardonnay 2012 – WS 93 pontos
  3. Rioja Alta Viña Ardanza Reserva 2004 – WS 94 pontos
  4. Château Doisy Daëne Barsac 2010 – WS 94 pontos
  5. Achaval Ferrer Finca Mirador Malbec 2011 – WS 96 pontos
  6. Quinta do Crasto Reserva Old Vines 2010 – WS 93 pontos
  7. Wynns Cabernet Sauvignon Coonawarra Black Label 2010 – WS 91 pontos
  8. Champagne Louis Roederer Brut Vintage 2006 – WS 94 pontos
  9. Mastroberardino Taurasi Radici DOCG 2006 – WS 94 pontos
  10. Seghesio Zinfandel Dry Creek Valley Cortina 2010 – WS 94 pontos

Croft Vintage Port 2011

Além da Croft, as duas casas de vinho do Porto na foto acima, dispensam apresentações. A safra 2011 promete vida longa como uma das melhores deste novo século. Evidentemente, degustá-lo agora trata-se de um infanticídio completo. Quem tiver paciência, estará com um tesouro em mãos. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br). 

Pioneiro na África do Sul

Hamilton Russell, apaixonado pelos vinhos da Borgonha, sonhou em ter um pedacinho dela na fria região de Walker Bay, África do Sul. Em parte conseguiu, com vinhos bem elaborados, cheios de personalidade, sendo sempre lembrados nas principais publicações. Vale a pena prová-lo. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Rioja Alta: Ícone da região

Sou suspeito em falar desta bodega, já comentada em artigos especiais neste mesmo blog. Seus vinhos são considerados os “borgonhas” da região. Elegantes, profundos e perfumados. Bela relação qualidade/preço em seu seleto portfólio. Importadora Zahil (www.zahilvinhos.com.br).

Doisy Daëne ao lado de grandes Sauternes

Para quem gosta de Sauternes delicados e elegantes, Barsac é a comuna a ser procurada. O rei é o Château Climens, com preços de realeza. Château Doisy Daëne, do grande enólogo Denis Dubourdieu, nos mostra toda a essência deste grande terroir. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Achaval Ferrer: Artesanato em vinho

Outra bodega irrepreensível. Atuando em Valle de Uco na região de Mendoza (Argentina), procura sempre em seus vinhos, concentração, profundidade e definição de terroir. Finca Mirador forma a trilogia de seus grandes ícones (os outros são Altamira e Bella Vista). São necessários frutos de três parreiras para a elaboração de uma garrafa (rendimento de Romanée-Conti). Importadora Inovini (www.inovini.com.br). 

Um dos melhores exemplares do Douro

Partindo de vinhas com mais de setenta anos, plantadas conjuntamente entre 25 e 30 variedades, o vinho surge com uma complexidade e concentração singulares. Tinto de longa guarda que exige decantação para melhor expressar-se. Importadora Qualimpor (www.qualimpor.com.br).

Coonawarra: região diferenciada

Esta região australiana (Coonawarra) e em especial esta vinícola (Wynns) já foram devidamente comentadas em artigo específico neste mesmo blog. Região relativamente fria para os padrões australianos, Coonawarra costuma gerar tintos concentrados e com uma acidez vibrante. Os aromas de frutas em compota e um toque refrescante de menta são atrativos mais que suficientes para provar este tinto surpreendente. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Louis Roederer: Magia e Excelência

Sua cuvée de luxo Cristal faz o sonho desde os tempos dos Czares. Entretanto, toda sua linha é elaborada nos mínimos detalhes. Num degrau acima do Brut Premier, estão os millésimes de alta qualidade. Neste caso, o blend é composto de 70% Pinot Noir e 30% Chardonnay. O vinho-base é parcialmente elaborado em madeira e após a espumatização, o vinho passa quatro anos sur lies (em contato com as leveduras). Importadora Franco-Suissa (www.francosuissa.com.br). 

Mastroberardino: Referência na denominação Taurasi

Este belo tinto da Campania, sul da Itália, envelhece maravilhosamente bem. Elaborado com a estruturada uva Aglianico, o vinho passa por longa maceração e afinamento em barricas de carvalho. Potente, intenso e de grande personalidade. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Dry Creek Valley: grandes Zinfandéis

Este típico tinto californiano é elaborado com a uva Zinfandel proveniente do vinhedo Cortina em Dry Creek Valley, plantado em 1942.  Passa cerca de quatorze meses em barricas de carvalho, predominantemente francesas. Vinho de muito fruta, concentração e longa persistência. Uva de grande identidade americana. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Evidentemente, o tinto do ano, CVNE Imperial Gran Reserva 2004, merece ser provado e foi objeto de artigo exclusivo na postagem anterior. Fica assim, algumas dicas para as festas de final de ano.

CVNE Imperial Gran Reserva 2004: O Vinho do Ano

18 de Novembro de 2013

Bela homenagem da revista Wine Spectator em eleger um dos grandes vinhos da bodega CVNE (Companhia Vinícola do Norte da Espanha) como vinho do ano 2013. Uma homenagem também à Denominacíon de Origen Calificada (DOCa) Rioja, símbolo dos belos tintos espanhóis. Em termos de tradição e história, CVNE tem a mesma importância e prestígio da Real Companhia Velha na famosa região portuguesa do Douro. Além da CVNE detentora deste campeão em questão, as bodegas Viña Real de perfil mais moderno, e Contino na concepção dos châteaux de Bordeaux, fazem parte do grupo.

Estes vinhos são trazidos pela importadora Vinci (www.vinci.com.br) em faixas de preços bem variadas. Em especial, este Gran Reserva 2004 ainda não está disponível, porém a safra 2001 está à venda e particularmente, parece ser superior a 2004. Além disso, quando chegar ou se chegar a badalada safra em questão, os preços poderão estar bastante diferentes.

Wine Spectator: Number 1

Um Gran Reserva de Rioja passa pelo menos dois anos em madeira, e mais três anos em garrafa, antes de ser comercializado. Estas exigências mínimas são facilmente cumpridas com folga pelas melhores bodegas. No caso deste Imperial Gran Reserva, o blend é composto pelas uvas Tempranillo (85%), Graciano (10%) e Mazuelo (5%), de videiras antigas. Essas uvas tintas complementares (Graciano e Mazuelo) aportam acidez, profundidade de cor, taninos e aromas sutis ao conjunto. O vinho é elaborado com longa maceração e amadurecido em barricas de carvalho americano e francês. A qualidade da safra 2004 é destacada com ciclos de repouso e vegetativo bem definidos. Em sua avaliação, predomina a elegância sobre a potência, aromas balsâmicos, de especiarias, com uma acidez refrescante. Pode ser bebido com prazer ou adegado por vários anos. Sua nota: 95 pontos (WS).

Melhores solos: entre Haro e Logroño

Os vinhedos da bodega estão localizados nas sub-regiões Rioja Alta e Rioja Alavesa. Terroirs diferenciados, principalmente pelos solos calcários e argilosos, fornecendo personalidade e elegância aos vinhos, sobretudo para a nobre casta Tempranillo. Aí estão as bodegas de maior prestígio. Ver artigo específico sobre Rioja neste mesmo blog (Terroir: Rioja DOCa).

Filetto alla Rossini

Sugestão para harmonização, um belo Filé Rossini. O foie gras, a trufa e o molho madeira, formam um conjunto que complementa de forma admirável os sabores, aromas e textura deste Gran Reserva. Assados de um modo geral com molhos de personalidade, porém elegantes, são a chave para uma feliz comunhão.

Outros vinhos da CVNE que vale a pena prová-los estão disponíveis na importadora Vinci. São eles: Cune Crianza 2009, Viña Real Reserva 2005 e Imperial Reserva 2005.

Os demais vinhos classificados no recente Top 100 de 2013 serão comentados oportunamente.

Champagne: Como escolher?

14 de Novembro de 2013

Vai se aproximando o final do ano e as dúvidas sobre champagnes e espumantes voltam à tona. Vamos falar especificamente de Champagne, mas muita coisa vale para os demais espumantes.

As borbulhas mágicas

A observação no rótulo é fundamental para escolhermos o champagne correto para a ocasião e/ou nosso gosto pessoal. Primeiramente, vamos escolher o grau de açúcar residual que desejamos num determinado champagne, conforme tabela abaixo:

  • Brut Nature, Pas Dosé ou Dosage Zéro (de 0 a 3 g/l de açúcar residual)

É um tipo para muitas pessoas difícil de assimilar. É extremamente seco, e muitas vezes com certa adstringência, sobretudo quanda a acidez é elevada, e geralmente é mesmo. Vai muito bem com peixes e frutos do mar in natura, onde o caráter iodado é bastante evidente. Belo acompanhamento para o caviar.

  • Extra-Brut (de 0 a 6 g/l de açúcar residual)

Não chega a ser tão seco como o anterior, mas ainda conserva uma austeridade marcante. É uma boa experiência para certificar-se se é de seu gosto pessoal tentar um Brut Nature. Tem um público fiel para este tipo de champagne.

  • Brut (máximo de 12 g/l de açúcar residual)

Este é o tipo amplamente consumido mundo a fora. Apesar de seco, costuma agradar a maioria das pessoas. Como a faixa de açúcar residual é mais extensa, podemos perceber as diferenças com mais clareza, dependendo da Maison escolhida.

  • Extra-Dry (de 12 a 17 g/l de açúcar residual)

Para aqueles que precisam sentir uma pontinha de açúcar  no sabor, este é o champagne ideal. Vai bem com comidas levemente agridoces ou com uma textura delicadamente macia.

  • Sec ou Dry (de 17 a 32 g/l de açúcar residual)

Aqui o açúcar é bem mais perceptível, sem chegar a ser totalmente doce. É muito indicado para comidas agridoces e algumas sobremesas que não abusem do açúcar. Comida chinesa costuma harmonizar bem com este tipo de champagne.

  • Demi-sec (de 32 a 50 g/l de açúcar residual)

Este atualmente é considerado o champagne doce, já que o termo Doux (acima de 50 g/l de açúcar residual) está em desuso. Contudo, nem por isso devemos harmonizá-lo com qualquer sobremesa. É bom prestar atenção no açúcar do prato, pois deve ser moderadamente doce. Uma torta de frutas frescas (morango, framboesa, kiwi ou pêssegos) é o ideal. O próprio bolo de casamento é o parceiro mais indicado com este tipo de champagne.

Brut, blanc de Noirs e safra: expressos no rótulo

Segundo passo, o estilo de champagne que mais nos agrada, principalmente levando em conta as porcentagens das três grandes uvas da região (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay) na cuvée. Quando não há menção no rótulo de alguns dos termos abaixo, supõem-se que a cuvée tem duas ou mais uvas proporcionadas de acordo com o estilo da Maison.

  • Blanc de Blancs (100% Chardonnay)

O mais delicado dos champagnes, pois a Chardonnay dá elegância e graciosidade ao conjunto. Ideal para abrir um jantar, pratos leves á base de peixes, frutos do mar, e canapés dos mais variados. Alguns especiais, normalmente com indicação de safra, podem envelhecer maravilhosamente.

  • Blanc de Noirs (somente uvas tintas, geralmente 100% Pinot Noir)

Ao contrário do anterior, costuma ter corpo e estrutura, características intrínsecas à Pinot Noir. Apesar de tintas, as uvas são vinificadas sem a casta, mantendo a cor palha, porém sempre com tendência ao dourado, enquanto no caso acima (Blanc de Blancs) temos um palha com reflexos verdeais. 

champagne expedition 2012Dê um zoom e veja a supremacia do tipo non millésimé

Terceiro passo, non millésimé ou millésimé, ou seja, champagne com safra ou sem safra. Os champagnes de safra costumam ser mais caros, de melhor qualidade e de boa longevidade (capacidade de guarda). Os motivos principais são: anos especiais, onde o amadurecimento das uvas é ideal, os vinhedos são mais categorizados (geralmente os Grands Crus) e portanto vinhos-base muito bem  selecionados e de produção reduzida. Os non millésimés, sem safra, são a maciça maioria dos champagnes, geralmente na versão Brut.

No quadro acima, vemos um panorama mundial, europeu e do restante do mundo. Não há diferenças significativas entre os quadros. O que realmente é patente, é a supremacia do tipo brut non millésimé, é o carro-chefe das grandes maisons de champagne. Vejam que mesmo os rosés, têm produção bem reduzida, diminuindo ainda mais na produção das cuvées de luxo e os millésimés. O tipo demi-sec também está quase sumindo. A concorrência com o Asti Spumante é cruel, sobretudo em termos de preço.

Uma das melhores cuvées de luxo no gênero

Por fim, as cuvées de luxo, spéciale, de prestige, que podem ser millésimés ou não. Geralmente o são, embora uma das grandes exceções é o champagne Krug Grande Cuvée, espetacular e altamente confiável. Essas menções não constam nos rótulos, pois dispensam apresentações. Alguns nomes de grande prestígio, e sonho do consumo para os produtos de luxo: Dom Pérignon, Cristal, La Grande Dame,  Celebris, Salon, Bollinger RD (James Bond), entre outras. Aqui é para quem não se preocupa com preços, champagnes sutis, complexos, raros e que podem envelhecer por anos a fio. Aliás, o alto preço é uma das maiores dicas dessas maravilhas.