Posts Tagged ‘silvaner’

Vinhos da Suíça: Parte I

29 de Maio de 2014

Dando prosseguimento às principais regiões vinícolas mundiais, vamos falar a partir deste artigo sobre os vinhos suíços baseados no site: http://www.swisswine.ch conforme mapa abaixo:

Suíça: seis regiões principais

No mapa acima, temos as regiões francesas de Vaud (ao longo do lago Léman), Valais (região montanhosa ao longo do rio Rhône) e Genebra (na fronteira com a França). Neuchâtel fica mais ao norte das regiões citadas, enquanto a Suíça Oriental fica no lado alemão com a cidade de Zurich ao centro. Por último, Ticino ou Tessin para os franceses, é o lado italiano junto aos Alpes.

Encravada no centro da Europa, a Suíça recebe forte influência alemã, francesa e italiana, refletida em sua língua, costumes, culinária e vinhos.

A Suíça produz pouco mais de um milhão de hectolitros de vinho por ano provenientes de aproximadamente quinze mil hectares de vinhas cultivadas com todo o cuidado. Tintos e brancos são repartidos igualmente dentre uvas locais, francesas e alemãs. 

Pelas dimensões, a Suíça não está entre os principais produtores de vinhos, mas apresenta um dos maiores consumos per capita anual, ao redor de 40 litros por habitante. A produção é consumida quase toda localmente, sendo uma pequena parte  exportada, sobretudo para a Alemanha. Além disso, os suíços importam vinhos de outros países europeus com ênfase para os italianos, franceses e espanhóis. Esse volume de importação com cerca de 190 milhões de litros chega a ser quase o dobro da produção suíça.

Conforme quadro abaixo, seguem as principais uvas cultivadas e suas respectivas participações entre as seis regiões vinícolas deste país.

Répartition des principaux cépages par régions

 
Groupe   Cépages   Noms suisses   Part VS VD GE 3L TI SO
Blanc   Chasselas   Chasselas, Fendant, Gutedel   29%
    Müller-Thurgau   Riesling X Sylvaner   3%  
    Sylvaner   Sylvaner, Johannisberg, Rhin, Gros Rhin, Grüner Silvaner   2%        
 
Rouge   Pinot Noir   Pinot Noir, Blauburgunder, Clevner, Spätburgunder   30%
    Gamay   Gamay   11%      
    Merlot   Merlot   7%    
 
Autres           7%            
           
  VS Valais   * Cépage indigène ou rare
  VD Vaud   Principaux cépages
  GE Genève   Assez répandus
  3L Région des Trois Lacs   Peu répandus
  TI Tessin   Traces
  SO Suisse orientale

Chasselas e Pinot Noir: uvas de destaque

Pelo quadro acima, podemos perceber a importância da cepa branca Chasselas na viticultura suíça. É certamente sua uva emblemática gerando vinhos delicados e ótimos companheiros para a fondue de queijo, prato clássico da cozinha helvética.

Dentre as tintas, domínio evidente da Pinot Noir tendo como coadjuvante a delicada Gamay (uva do Beaujolais). Como particularidade, temos a Merlot quase como exclusividade na região de Ticino.

O terroir suíço expressa-se dramaticamente no limite de cultivo das vinhas. O país tem invernos rigorosos e o relevo é extremamente montanhoso. Portanto, o sol deve ser aproveitado com muita eficiência para pelo menos um razoável amadurecimento das uvas. Encostas bem posicionadas e fortes inclinações são fatores recorrentes na viticultura suíça. Os lagos como grandes massas de água é fator regulador de temperatura, além de refletirem a luz solar para as vinhas.

No próximos artigo, falaremos das principais regiões, detalhando seus pontos principais.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 todas as terças e quintas-feiras em dois horários. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes, e à tarde no Jornal em Três Tempos.

Sekt Sparkling Wine

10 de Fevereiro de 2014

Um dos destaques da vinicultura alemã é a maciça produção de vinhos espumantes denominados Sekt. Dentre os cinco maiores grupos de espumantes no mundo, três são alemães, juntamente com os poderosos LVMH (França) e Freixenet (Espanha). O trio de ferro é formado pelas empresas  Henkell & Söhnlein Sektkekkereien (detêm 37% do mercado alemão de espumantes), Rotkäppchen-Mumm Sektkellereien (20% do mercado), e Sektkellereie Scholss Wachenheim (20% do mercado). Nos anos 90 a produção alemã chegou a passar de quinhentos milhões de garrafas por ano, perfazendo um consumo per capita de mais de cinco litros, conforme tabela abaixo:

Atualmente consumo per capita de 3,9 litros

A definição de Sekt é baseada numa espumatização de qualidade. Já os espumantes gaseificados artificialmente são denominados Schaumwein. Mais de noventa por cento da produção de Sekt é elaborada pelo método Charmat ou método de tanque. Uma minoria passa pelo método tradicional, com a tomada de espuma na própria garrafa. Também a grande maioria do Sekt produzido na Alemanha parte de vinhos-base de outros países, notadamente a Itália, Espanha e França. Os Sekts de origem alemã, portanto mais autênticos, são denominados Deutscher Sekt. Os mais categorizados partem das uvas Riesling, Pinot Blanc, Pinot Gris e Pinot Noir.

O nome Sekt vem do latim Siccus (seco ou dry) e foi adotado na Alemanha no século XIX devido à proibição do termo champagne fora de sua região de origem na França. Aliás, originalmente a grafia era com C e não com K (Sect). Como os padrões de vinho alemão são quase inteiramente idênticos na Áustria, existem também Sekts austríacos.

O chamado Deutscher Sekt com uvas de origem alemã podem exprimir características diversas, conforme a composição das uvas. Por exemplo, a Riesling fornece acidez e longevidade ao espumante, a Silvaner é relativamente neutra, a Weissburgunder (Pinot Blanc) fornece corpo e um certo toque floral, a Gewürztraminer fornece bouquet muito pronunciado, e a Spätburgunder (Pinot Noir) é utilizada na elaboração dos rosés.

Rheingau: região confiável para Sekts de qualidade

Atualmente no Brasil, a importadora Decanter (www.decanter.com.br) apresenta uma bela seleção de vinhos alemães, paixão de seu proprietário Adolar Hermann. Dentre os vinhos, há um bom exemplar de Sekt: Franz Künstler (produtor do Rheingau) com um Sekt Brut somente com a uva Riesling.


%d bloggers like this: