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Top Ten Wine Spectator: Parte II

13 de Novembro de 2015

Continuando com os dez melhores vinhos de 2015, segundo a revista Wine Spectator, vamos comentar mais quatro deles a seguir. Não entramos no mérito da pontuação, apenas vamos fornecer algumas informações para conhecer melhor cada vinho.

6º lugar – Bodegas Aalto Ribera del Duero 2012 – 94 pontos

Situada na chamada Milla de Oro, Bodegas Aalto nasceu em 1999 predestinada ao sucesso. Seu enólogo e fundador é nada mais, nada menos, que Mariano Garcia, personagem importante por trinta anos do lendário Vega-Sicilia. O grande patrimônio da vinícola são suas vinhas antigas, entre 40 e 80 anos. Trabalhando com rendimentos baixos e boa condução enológica, seus vinhos reúnem potência e elegância como poucos.

Este exemplar 100% Tempranillo, localmente conhecida como Tinto Fino, estagia por 20 meses em barricas de carvalho francês e americano, sendo 50% barricas novas. O vinho Top da casa é o espetacular Aalto PS (pagos selecionados), de extrema concentração. Sem dúvida, uma ótima lembrança para o Top Ten.

5º lugar – Chardonnay Santa Cruz Mountains 2012 -95 pontos

Santa Cruz Mountains é uma AVA (Area Viticultural Americana) a sul de São Francisco. Embora latitudes mais baixas favoreçam temperaturas mais altas, as montanhas de Santa Cruz trabalham com altitude, tirando proveito do calor diário e ao mesmo tempo, beneficiando-se da amplitude térmica à noite com a queda de temperatura.

A vinícola Mount Eden Vineyards situa-se a 600 metros acima do nível do mar. Na verdade, é uma boutique especializada em Chardonnay, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon premiados. No caso deste Chardonnay, a fermentação deu-se em barricas de carvalho francês, novas e usadas. Após a fermentação, o vinho estagiou por 10 meses nas barricas em contato com as leveduras. Esta é uma técnica de praxe na elaboração de grandes borgonhas como Meursault, Montrachet e Corton-Charlemagne.

Apesar de uma certa potência, a fruta é bem mesclada com a madeira. O grande diferencial é seu frescor, lembrando algo cítrico. Esses vinhos, apesar de já estarem extremamente prazerosos, podem ser envelhecidos por vários anos.

4º lugar – II Poggione Brunello di Montalcino 2010 – 95 pontos

Tenuta Il Poggione localiza-se no setor sul da denominação Brunello di Montalcino, mais especificamente em San Angelo in Colle. As vinícolas nesta região tendem a elaborar Brunellos mais modernos, mais acessíveis em tenra idade. Neste caso, Il Poggione tenta aliar tradição com modernidade.

O vinho em questão trata-se de um 100% Sangiovese Grosso com vinhas de pelo menos 20 anos. A maturação ocorre em botti (barris de dimensões maiores) de madeira francesa por 36 meses. Mostra-se macio, com muita fruta, e toques de tabaco e alcaçuz. Pode envelhecer por pelo menos mais quinze anos.

3º lugar – Evening Land Pinot Noir Hill Seven Springs Vineyard La Source 2012 – 98 pontos

Primeiramente, vamos decifrar este rótulo. Willamette é a maior AVA do estado do Oregon. Dentro de Willamette existem várias AVAs entre as quais, Eola-Amity Hills. Nesta AVA localiza-se a vinícola Evening Land. E este Pinot Noir provem do vinhedo Seven Springs. Portanto, estamos falando de Oregon, latitudes altas e clima frio, bom para Pinot Noir. Neste vinhedo Seven Springs, o solo é vulcânico, boa altitude e grande amplitude térmica, gerando vinhos de boa acidez e destacada mineralidade.

A fermentação dá-se em tanques de concreto e madeira abertos com pigeage para uma melhor extração de taninos. Posteriormente, o vinho amadurece em barricas de carvalho francês, sendo 30% novas, por dezesseis meses. Apesar de certa potência, o vinho apresenta camadas de frutas e flores, além de especiarias e mineralidade com longo final.

California Wine Regions: Parte III

27 de Fevereiro de 2014

Ainda dentro da Costa Norte, vamos abordar em detalhes o condado de Sonoma com vinte e quatro mil hectares de vinhas em treze AVAs. Dentre as principais uvas francesas, Chardonnay e Pinot Noir destacam-se no cenário. O mapa abaixo mostra as principais AVAs:

Sonoma: AVAs famosas como Russian River e Alexander Valley

Sonoma County conta com 24000 hectares de vinhas, sendo 29% Chardonnay, 22% Cabernet Sauvginon, 18% Pinot Noir, 14% Merlot, 9% Zinfandel e 4% Sauvignon Blanc e 4% outras. As quatro maiores AVAs de Sonoma County são: Russian River, Alexander Valley, Dry Creek e Sonoma Valley, as quais serão comentadas a seguir.

Russian River

Se há um lugar onde os vinhos elaborados com Pinot Noir se aproximam da Borgonha, este lugar é Russian River, sobretudo pelos produtores Rochioli e Williams Selyem. A influência da neblina marítima contribui muito para as condições climáticas ideais (relativamente frias) quanto ao cultivo da Pinot Noir. Os brancos à base de Chardonnay também costumam ser bastante elegantes. Em resumo, pode ser considerada a Borgonha da Califórnia com as devidas ressalvas.

Alexander Valley

Região mais quente que Russian River, com belos exemplares de Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnays maduros, Zinfandel (a típica casta norte-americana) e Sauvignon Blanc. O Cabernet da vinícola Silver Oak é um dos destaques da região.

Dry Creek Valley

Pensar em tomar um grande Zinfandel de vinhas velhas é pensar no terroir de Dry Creek Valley. São vinhos concentrados, cheios de sabor e belos companheiros com pratos de caça guarnecidos com molhos de frutas vermelhas. Os Cabernets encorpados também são destaques. 

Sonoma Valley

Esta é a região limítrofe com Napa Valley separada pela cadeia de Montanhas Mayacamas. Seu clima é relativamente frio com chuvas moderadas. A boa influência fria de Los Carneros, imediatamente ao sul do vale, fornece condições para belos Chardonnays bem equilibrados.

Dispersão da neblina pela famosa ponte

O esquema acima mostra a entrada do nevoeiro pela Golden Gate, invadindo as baías de San Francisco e San Pablo. Esta última, porta de entrada para a AVA Los Carneros. A foto abaixo ilusta o esquema.

Golden Gate: fenda estratégica para o famoso nevoeiro

Los Carneros

Além das quatro AVAs citadas, não poderíamos deixar de falar em Los Carneros, AVA importante que divide-se entre Sonoma e Napa Valley defronte à Baía da San Pablo. A influência direta de todo o nevoeiro do Pacífico provoca um clima relativamente frio, muito propício ao cultivo das cepas Chardonnay e Pinot Noir. O Chardonnay se sai melhor, quase sempre com uma acidez destacada. Já a Pinot Noir, apesar de bons exemplares, não tem o mesmo nível de Russian River.

Com isso, finalizamos os principais pontos da Costa Norte, partindo no próximo artigo para a Costa Central, imediatamente ao sul de São Francisco.

California Wine Regions: Parte II

24 de Fevereiro de 2014

Tendo como base nosso mapa abaixo, vamos explorar a nobre sub-região de North Coast, abrigando os excepcionais condados de Sonoma e Napa Valley. A região de Napa foi esmiuçada numa série de artigos neste mesmo blog intitulada Napa Valley (Partes I, II, III e IV).

North Coast: influência oceânica

Ampliando um pouco o mapa da Costa Norte californiana, observamos os condados de Mendocino e Lake no esquema abaixo. Evidentemente, os mesmos não têm a notoriedade de Sonoma e Napa, mas elaboram vinhos bem feitos em suas especialidades.

Mendocino e Lake: sem as brisas do Pacífico

Lake County

São três mil e duzentos hectares de vinhas distribuídos em cinco AVAs (Benmore Valley, Clear Lake, Guenoc Valley, High Valley e Red Hills Lake County). Clear Lake, o maior lago da Califórnia é fator moderador de temperatura, mantendo noites frias e arrefecendo o forte calor no verão. Sauvignon Blanc na AVA homônima é um dos destaques da região. As AVAs High Valley e Red Hills produzem bons tintos à base de Cabernet Sauvignon, Zinfandel e Merlot em altas colinas de solos vulcânicos.

Anderson Valley e a famosa neblina (fog)

Mendocino County

São dez AVAs distribuídas em pouco mais de seis mil hectares de vinhas. Região protegida da influência do Pacífico por uma cadeia de montanhas que podem chegar a novecentos metros de altitude. Exceto sua AVA mais famosa, Anderson Valley, é capaz de sugar as brisas frias do Pacífico através do rio Navarro, fazendo deste local um destaque para a Pinot Noir, castas brancas como Gewurztraminer e Riesling, além de bons vinhos-bases na elaboração de espumantes. Não é à toa que Maison Roederer (Cristal) tem raízes neste vale. A vinícola Eike Vineyards é uma bela referência para Pinot Noir.

Bons tintos baseados em Cabernet Sauvignon e Zinfandel vêm da AVA Redwood Valley. A parcial influência marítima prolonga a estação de amadurecimento das uvas, gerando vinhos finos e complexos.

Terroir da costa californiana

Nos condados de Sonoma e Napa é fundamental a compreensão do terroir acima, mostrando a influência benéfica e refrescante das neblinas que adentram pelo continente. De fato, a fria corrente marítima da Califórnia provoca ventos gelados na faixa litorânea. Os mesmos em contato com o ar quente do continente formam as famosas neblinas. Qualquer fenda no continente é capaz de sugar o nevoeiro, refrescando as vinhas e promovendo notável amplitude térmica. Em Sonoma, o rio Russian (Russian River) é uma das fendas importantes. Entretanto, a mais destacada encontra-se na baía de San Pablo através do ponte Golden Gate. Por esta fenda, a neblina inunda a famosa AVA de Los Carneros e propaga-se pelos condados de Sonoma e Napa, dissipando seus efeitos ao longo do continente.

Continuamos no próximo artigo com Sonoma County.

California Wine Regions: Parte I

20 de Fevereiro de 2014

Iremos falar de vinhos americanos a partir deste artigo, explorando os vinhos californianos. A razão é muito simples, noventa porcento dos vinhos produzidos neste país vêm deste estado localizado na costa oeste, junto ao Pacífico. Como os Estados Unidos são o quarto maior produtor de vinhos do mundo, a Califórnia sozinha produz mais que qualquer país do chamado Novo Mundo. Vejam alguns números recentes abaixo:

  • 3.540 vinícolas
  • 543.000 acres (aproximadamente 220.000 hectares de vinhas)
  • US$ 19,9 bilhões de dólares (vendas nos Estados Unidos)
  • 211,9 milhões de caixas de 12 garrafas (vendas nos Estados Unidos)
  • US$ 1,39 bilhões de dólares (exportações)
  • 51 milhões de caixas de 12 garrafas (exportações)

O mapa abaixo mostra as principais sub-regiões da Califórnia, seu relevo montanhoso e a proximidade do Pacífico. O chamado Vale Central é o maior responsável pelos números acima. Evidentemente, a qualidade fica em segundo plano.

Os  badalados condados de Sonoma e Napa na Costa Norte

No mapa abaixo, mais alguns condados famosos como Santa Bárbara e Santa Ynes no sul da Costa Central. O Pacífico banha cerca de mil e trezentos quilômetros de costa californiana desde o Oregon a norte, até o México, ao sul. Cada uma destas sub-regiões é dividida em condados (county), e estes por sua vez, são divididos em AVAs (American Viticultural Areas), uma espécie de Denominação de Origem européia. Atualmente, são cento e onze AVAs em todo o estado.

Califórnia e os estados limítrofes 

http://mappery.com/maps/California-Wine-Map.jpg

Clique no endereço acima e vejas detalhes de todas as AVAs nos vários condados californianos.

O esquema abaixo mostra aspectos do terroir californiano sob a influência do oceano, sobretudo nas sub-regiões da costa. A alta temperatura e a insolação no continente chocam-se com as brisas frias do oceano nesta região, formando as famosas neblinas à noite, que serão dissipadas no dia seguinte, à medida em que sol volta a brilhar forte.

Próxima parada: Costa Norte (North Coast) com os condados de Lake, Los Carneros, Mendocino, Sonoma e Napa Valley. Seus badalados vinhos fazem a fama deste grande estado.

Que Marravilha! Frango com Ameixas e Batata Baroa

24 de Outubro de 2013

Voltando aos episódios do programa Que Marravilha! do chef Claude Troisgros na GNT, vamos apresentar uma receita de frango pouco comum no Brasil e suas possibilidades de harmonização, conforme vídeo abaixo:

Que Marravilha!

A receita passo a passo está no site http://gnt.globo.com/quemarravilha/

Como vimos, a receita envolve vários ingredientes: vinho tinto, açúcar, canela, cravo, anis estrelado, ameixas, frango, bacon, cream cheese, vinagre de framboesa, cognac, cenoura, aipo (salsão), bouquet garni, pimenta, cebola e alho. Uma receita com muito tempero e sabor. Embora no próprio site seja sugerido um Catena Alta Chardonnay (belo branco argentino), não me agrada misturar vinho tinto na receita com vinho branco no acompanhamento. De todo modo, a sugestão não deixar de ser um branco estruturado e rico em sabores.

A minha primeira escolha seria um belo tinto francês do Rhône Sul nas apelações Côtes-du-Rhône Villages, Châteauneuf-du-Pape, Gigondas ou Vacqueyras. Todos baseados principalmente na Grenache, uva de muito sabor e fruta em compota. No entanto, precisamos de vinhos novos, com potência de fruta e um bom suporte de acidez para o prato. As uvas Syrah e Mourvèdre que fazem parte no corte para estas apelações citadas, o famoso corte GSM, com raras exceções, dão estrutura e taninos ao conjunto. Château Montirius da Decanter é um bela pedida (www.decanter.com.br). Tintos do sul da França, Languedoc ou Provence, por exemplo, podem ter vinhos com o perfil acima comentado.

Montirius: produtor biodinâmico em ascensão

Outras versões da Grenache encontradas na Espanha, sobretudo com a menção “Viñas Viejas”, podem ter sucesso com o prato. Na versão italiana na ilha da Sardegna, temos o famoso Cannonau di Sardegna, tinto robusto e frutado. Outros tintos sulinos italianos como Primitivo di Manduria ou  com a uva Aglianico, também demonstram este perfil. Do lado português, um alentejano de boa estrutura e muita fruta costuma ser interessante.

Do Novo Mundo, esta explosão de frutas em muitos tintos é bem-vinda. Contudo, poucos deles apresentam acidez suficiente para o prato. Um Shiraz australiano de Coonawarra (região australiano mais fresca, comentada de modo mais detalhado neste mesmo blog), um Zinfandel da Califórnia mais concentrado da denominação (AVA – área viticultural americana) Dry Creek Valley, ou um Malbec da região mais fresca do Valle de Uco, são opções a serem testadas.

Em resumo, a carne de frango ou aves de um modo geral são bem acompanhadas por Borgonha (tinto ou branco, dependendo da receita). Entretanto, neste caso, os temperos e a riqueza do molho acabam sobrepondo-se à carne, ditando a escolha do vinho.

Para os amantes de cervejas artesanais, as escuras mais encorpadas e com um toque de caramelo, são bem-vindas. Inglesas e belgas têm minha preferência.

Napa Valley: Parte I

18 de Outubro de 2012

Pouco se fala dos vinhos americanos no Brasil. Evidentemente, as notícias, as divulgações, giram em torno de um interesse comercial. Como os americanos consomem praticamente todo seu vinho produzido, além de grande importador da Europa, a pouca oferta exportada é cara e portanto, presa fácil para seus concorrentes do chamado Novo Mundo. É o que acaba acontecendo em nosso mercado.

Quarta potência no mundo do vinho, os Estados Unidos no conjunto da obra são a melhor resposta aos chamados vinhos do Velho Mundo, mudando definitivamente a face do mercado internacional, a partir da histórica Degustação de Paris em   1976.

Especificamente Napa Valley, tema de nosso artigo, responde por 20% dos valores comercializados da Califórnia, apesar de sua produção girar em torno de apenas 4%. Sabemos que mais de 90% do vinho americano concentra-se neste estado da costa oeste.

Napa Valley é uma das áreas nobres da Califórnia, muito bem situada em termos de clima e solos. Se há um lugar no mundo onde a Cabernet Sauvignon possa fazer frente ao terroir sagrado do Médoc (a chamada margem esquerda de Bordeaux. Favor verificar artigos específicos sobre Bordeaux em cinco partes), esse lugar é Napa Valley, especificamente em comunas famosas como Rutherford, Oakville e Stag´s Leap, conforme mapa abaixo:

16 AVAs formam o famoso Napa

As contíguas AVAs  (Área Viticultural Americana) desde Santa Helena a norte até Stag´s Leap mais ao sul, funcionam como as famosas comunas do Medóc (Pauillac, St Julien, St Estèphe e Margaux). Neste local, os vinhedos desenvolvem-se entre as cadeias de montanhas Mayacamas a oeste e Vaca Range, a leste. O clima tende a ser mais quente ao norte, próximo a Calistoga, e mais frio ao sul, próximo à cidade de Napa. Os nevoeiros frios pelas manhãs entram pelo sul através da baía de San Pablo e vão perdendo força, à medida que caminham para o norte.

Os solos do Napa são extremamente complexos e diversificados. São de origem vulcânica, sedimentar e também aluvial. Argila, areia, pedras e marga são seus principais componentes. Em linhas gerais, no fundo do vale, próximo ao rio Napa, os solos são aluviais, argilosos e relativamente profundos. Já os solos nas encostas, são mais diversificados, mais pedregosos, pobres e pouco profundos.

As AVAs de Santa Helena, Rutherford, Oakville e Stag´s Leap, serão abordadas em detalhes no próximo post, mostrando suas requintadas vinícolas e terroirs diferenciados.


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