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Grandes Bordeaux à mesa

11 de Setembro de 2016

Num belo almoço entre amigos fica a pergunta: até que ponto vale a pena confrontar certos vinhos, mesmo que sejam grandes em si?. Conforme o grau de conhecimento de cada um, as ponderações devem se fazer presentes, pois a comparação é cruel. Nesta degustação às cegas, a dupla bordalesa atropelou um par de vinhos de grande categoria, par este formado por um notável Chateauneuf-du-Pape, Chateau Rayas 1990, e um super Napa Valley, Dominus 1994. Vinhos que com certeza, tomados isoladamente, provocariam suspiros dos mais exigentes amantes de Baco.

Quando se tem à mesa tintos do calibre de um La Mission Haut Brion 1955 e o espetacular Haut Brion 1989, tirem as crianças da sala!. O primeiro em seu auge com tudo que um Bordeaux envelhecido pode entregar. O segundo, é candidato seríssimo ao melhor Haut Brion das últimas décadas. Uma legenda da apelação Pessac-Léognan. Como esta apelação passou a vigorar somente em 1987, não há nada mais grandioso até o momento. Falaremos os detalhes mais adiante.

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os mágicos brancos da Borgonha

Para abrir os trabalhos, um Magnum Domaine Leflaive Chevalier-Montrachet Grand Cru 1999 deu o tom do almoço. Um branco que beira a perfeição num momento ótimo de sua evolução. Aromas deliciosos mesclando especiarias, frutas exóticas, fino tostado lembrando cedro, incenso, um verdadeiro perfume. Na boca, surpreendentemente volumoso para um Chevalier, mas um equilíbrio fantástico e uma persistência aromática extremamente longa. Dava para parar por aqui.

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Taças Zalto: Bordeaux 27 e 61 anos

Aí sim, em seguida, a dupla bordalesa de ouro servida em taças Zalto, de bordas extremamente finas. O nariz do La Mission é de livro. Toques terciários misturando curral, tabaco, especiarias, couro, e ervas secas. A boca denuncia o peso da idade, mas de um equilíbrio e elegância fantásticos. Um vinho altamente sedutor que por estar em seu auge, conquistou o primeiro lugar.

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61 anos de esplendor

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Esse é nota 100!

O nobre vice-campeão não deve ter ficado triste, pois sabe que ainda tem muito a entregar. Haut Brion 89 é um monumento de vinho. Nariz impecável, embora ainda um pouco tímido. A boca é seu ponto alto com um corpo de Latour, envolvente, denso, grandioso. Tudo no lugar, acidez, álcool, e taninos indescritíveis. Se bem adegado, é vinho para pelo menos mais vinte anos, embora seja um deslumbre desfruta-lo agora. Pode fazer parte de qualquer ranking top five.

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massa recheada com rabada, textura delicada

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costela, crosta de pistache e fregola

Os pratos do Ristorantino acompanharam bem a categoria dos vinhos servidos, tanto na execução, como na sequencia e porções bem administradas, chegando a um final feliz, sem exageros. Um dos destaques foi a massa acima recheada de rabada, guarnecida com seu próprio molho. Os aromas terciários dos vinhos agradeceram num equilíbrio perfeito de texturas.

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uma aula de Grenache

Voltando às ponderações do inicio do artigo, Chateau Rayas 1990 é uma das maiores perfeições em Grenache, já que parte de vinhas antigas desta nobre cepa do Rhône, especialmente na apelação Chateauneuf-du-Pape. Intensamente aromático, as notas de chocolate escuro, especiarias e frutas em geleia, explodem da taça. Agradavelmente quente num equilíbrio perfeito. O alto grau de maturação das uvas e seus rendimentos absurdamente baixos (em torno de 15 hectolitros por hectare) explicam uma sensação de quase doçura em boca. Tinto espetacular.

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lembra o rótulo do grande Lafleur

Finalizando a bateria, o lanterninha do embate esteve longe de decepcionar, pois está entre os grandes. Talvez o mais bordalês entre os belos tintos “Napaleses”, Dominus Napanook 1994. Sob a batuta de Christian Moueix, dono do lendário Petrus, seu rótulo lembra um outro grande Pomerol, Chateau Lafleur, de fundo branco e dizeres em negro. Nem de longe denuncia sua idade. Íntegro, um pouco discreto nos aromas, mas em boca um equilíbrio perfeito, elegante, sóbrio. Uma das melhores réplicas de grandes Bordeaux.

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raridade em Sauternes

Finalizando a tarde, num momento mais nostálgico, o Chateau Caillou 1947 acompanhou um zabaione bem delicado. Este Sauternes faz parte da famosa classificação bordalesa de 1855. De cor âmbar,  aromas etéreos, de notável evolução, bem de acordo com seus longos anos.

Resta agora agradecer aos amigos, à boa prosa, e como sempre, grandes vinhos. Que os nota 100 continuem desfilando em nossas mesas!. Abraço a todos!

Hommage a Henri Bonneau

29 de Agosto de 2016

O título do artigo mistura dois grandes nomes da apelação Chateauneuf-du-Pape, Chateau de Beaucastel e Henri Bonneau. A homenagem (hommage) tem duplo sentido. Hommage é uma cuvée especial do Chateau Beaucastel, elaborada somente em seus melhores anos. Além disso, o almoço abaixo foi num certo sentido uma deferência ao grande Henri Bonneau, falecido recentemente em março deste ano 2016. Assim como Henri Jayer, vai virar lenda, e seus vinhos serão disputados acirradamente nos melhores leilões e adegas do mundo. Esses Henris são um caso sério!

Henri-Bonneau

o mestre e seus velhos barris

Henri Bonneau

Numa ruela de Chateauneuf du Pape, uma porta sem atrativos em meio a tantas casas, fica a adega de Henri Bonneau. De família de vinhateiros, Henri Bonneau cumpria o papel em sua 12º geração. Respeitadíssimo na região, seus vinhos fogem ao padrão normal de excelência da apelação, mesmo dentre os mais reputados produtores.

Um papel branco pregado na porta acima da campainha após sua morte, diz mais ou menos assim: “não entra aqui quem quer, mas aqueles que tiveram o privilégio de passar alguns momentos não esquecerão”.

Voltando à adega, seus sub-solos escuros, enegrecidos, recheados de velhos tonéis, mais parece uma catacumba, contrariando todos os princípios modernos de higiene em adegas. O tonel mais novo não tem menos que dez anos de uso. Contudo, ali aconteciam milagres. Após bons anos de envelhecimento, Henri sob seus critérios pessoais decidia engarrafar algumas cuvées. Uma delas, celestial, de nome bem apropriado, Réserve des Célestins. Neste almoço, tivemos o privilégio de provar três safras famosas (1978, 1989 e 1990), de pontuação perfeita, se é que se pode dar nota a esses vinhos. Detalhe importante, apesar da descrição acima, nenhum sinal de Brett. Pelo contrário, aromas maravilhosos com fruta bem presente.

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as estrelas do almoço

Os vinhedos de Henri Bonneau de seis hectares encontram-se nas melhores parcelas da apelação, inclusive La Crau, um lieu-dit de alta reputação por seu distinto terroir. Basicamente só Grenache, com algumas pitadas de Mourvèdre, Counoise, Syrah, e Vaccarèse. Aliás, ele detestava Syrah, sempre dizendo que é uma uva imprópria para esta apelação. Suas vinhas são antigas, mas com certos limites. Para ele, o ideal, o esplendor de uma planta, é quando atinge 30 anos. Outro segredo, era sua colheita tardia, amadurecendo ao máximo os cachos. O resultado era estupendo, pois a vinificação costumeiramente entière (com engaço), produzia taninos sedosos, de textura impar.

Por todos esses detalhes, pelo seu carisma, talento e bom humor, o mestre Henri Bonneau vai deixar saudades e fazer história com um dos melhores tintos da França de todos os tempos.

Voltando ao almoço, sabiamente começamos pelo melhor, Henri Bonneau Réserve des Celéstins 1990. A cor levemente atijolada, mostrava um brilho e limpidez impressionantes, já que seus vinhos não são filtrados. Os aromas provocavam silêncio, reverência, tal a complexidade e delicadeza dos mesmos. Tabaco, sous-bois, chocolate, alcaçuz, flores como rosas, além da fruta madura vibrante, permeavam as taças numa sinfonia. A boca era um caso à parte. que equilíbrio! que taninos são esses! que final longo e suave! me recuso a dar nota. Uma maravilha!

linguine ao ragu de coelho

linguine ao ragu de coelho e pinoli

Para não ser repetitivo, este padrão manteve-se nas safras 89 e 78 com algumas ressalvas. A safra 1989 estava um pouco fechada por incrível que pareça, mas os aromas ressaltavam o chocolate e alcaçuz. A garrafa 1978 tinha uma cor inacreditável comprovando para muitos, ser a safra mítica desta cuvée. Era a cor mais intensa e mais escura do painel. Os aromas eram concentrados e o volume em boca, surpreendente. Para alguns dos presentes, o vinho tinha uma ponta oxidativa, certamente um problema de garrafa. Contudo, ficava claro o potencial desta safra de se tornar imortal, pois o tempo parece não passar ao longo dos anos.

Dentre os ótimos prato do almoço, a massa acima na foto casou muito bem com os tintos de Henri Bonneau, sobretudo pela delicadeza e profundidade de sabores, além da similaridade de texturas.

beaucastel hommage

um clássico da apelação

Justificando nosso artigo, o Chateau de Beaucastel Cuvée Hommage a Jacques Perrin 2001 fez bonito. Nem de longe mostra a idade com seus quinze anos de vida. Cor saudável, aromas complexos com a marca registrada  de um Brett de terroir, denotando um toque animal sempre presente em seus vinhos. Em boca, muito equilibrado, taninos presentes e muito agradáveis. Final longo e promissor. Um verdadeiro clássico da apelação.

Talvez o mais surpreendente dos Chateauneufs foi o Clos du Mont-Olivet La Cuvée du Papet 1990, pouco conhecido entre os presentes. Uma cor inacreditável para um vinho de 26 anos, rubi escuro e concentrado. Além da magnifica safra 90, as vinhas são muitos antigas em vinhedos de localização privilegiada, verdadeiros lieux-dits (terroir consagrados). Algumas das plantas datam de 1901, isso mesmo. A vinificação e envelhecimento são tradicionais, sem presença de madeira nova. Nesta cuvée top, praticamente só temos Grenache com uma pitada de Syrah. Aromas multifacetados, belo corpo, super equilibrado, e um final longo e harmônico. Mais um grande da apelação.

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Morlet entre a surpresa do almoço

Para aguçar as papilas antes do almoço, dois brancos americanos de Sonoma da vinícola Morlet Family Vineyards. Um Chardonnay de Russian River e um corte bordalês de Sonoma County, ambos da safra 2012. Embora longe de seus originais, Bourgogne e Bordeaux topos de gama, os vinhos americanos de modo geral apresentam ótimos níveis de qualidade, sendo com folga o melhor que podemos encontrar no chamado Novo Mundo.

O Chardonnay Ma Princesse (nome de vinhedo) de Russian River mostrou-se equilibrado, num bom balanço entre acidez/maciez, e agradavelmente amadeirado. O processo de elaboração segue os padrões borgonheses com fermentação em barricas, seguida de bâtonnage (revolvimento das borras). O vinho é engarrafado sem filtração.

O corte bordalês La Proportion Dorée mescla dois terços de Sémillon, um terço de Sauvignon Blanc e uma pitada de Muscadelle. São sete vinhedos em Sonoma com idade entre 25 e 60 anos. Fermentação em barris, mais 10 meses de amadurecimento em madeira. O vinho apresenta bom corpo e maciez dados pela Sémillon, e um belo frescor vindo da Sauvignon Blanc. Os aromas de mel, ervas e flores, são bem harmônicos, num final prolongado e bem equilibrado.

Por fim, resta agradecer a companhia de todos em torno de grandes vinhos, ótimos pratos, e a conversa animada de sempre. Vida longa aos amigos!

Uvas Francesas pelo Mundo

22 de Fevereiro de 2016

O que seria do Novo Mundo sem as uvas francesas, ditas internacionais? A França sempre foi referência no mundo do vinho, sobretudo para os países emergentes. Qualquer que seja a região vinícola das Américas, Oceania, África, sempre teremos exemplares de Cabernet Sauvignon para tintos, e Chardonnay para brancos. Além disso, temos Merlot, Syrah, Grenache, Sauvignon Blanc, entre outras, com seus estilos próprios. E dentro da França, qual a importância de cada uma destas uvas no panorama geral? É isso que vamos ver a seguir.

A França vem diminuindo suas áreas de vinhas nos últimos tempos, conforme quadro abaixo. Com pouco mais de oitocentos mil hectares de plantio, este país tem destaque no cenário mundial juntamente com Espanha e Itália, seus eternos rivais.

Em outros tempos, o sul da França era inundado de vinhas com supremacia absoluta no plantio da rústica Carignan, a mesma Cariñena na Espanha. Só de 2006 para cá, o plantio desta uva decresceu 40%, tornando-se atualmente, a sétima uva mais plantada em território francês. O predomínio hoje é da Merlot, não só em termos gerais, mas principalmente em Bordeaux. De fato, com maturação mais precoce que a Cabernet e gerando vinhos mais macios quando jovens, a escolha pela Merlot faz sentido.

Bem longe da Merlot, em segundo lugar, seguida de perto pela Ugni Blanc, temos a Grenache, muito plantada no Rhône-Sul, além da Provence e Languedoc-Roussillon. Sempre majoritária no famoso blend GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre), tem grande penetração nos inúmeros tintos da apelação Côtes-du-Rhône, por exemplo.

Como vinho, a branca Ugni Blanc tem desempenho irrisório, tanto na quantidade, como na qualidade. Contudo, estamos falando da região de Charentes-Cognac, onde se elabora o destilado mais famoso da França, Cognac. São mais de oitenta mil hectares de vinhas onde a Ugni Blanc tem presença quase absoluta, conhecida localmente como Saint-Emilion.

uvas frança

Resumo de 85% do plantio francês

Em quarto lugar, temos a Syrah, a mesma Shiraz tão famosa em terras australianas. Apesar de sua fama ser oriunda dos grandes vinhos do Rhône-Norte designados nas apelações Hermitage, Côte-Rôtie, Cornas, St-Joseph, entre outras, as grandes áreas de cultivo estão no sul da França, principalmente no Languedoc-Roussillon.

Em quinto e sexto lugar, temos as famosas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, cabeça a cabeça nesta disputa. A primeira reina em Bordeaux, sobretudo na chamada margem esquerda, enquanto a segunda é soberana na Borgonha, gerando os grandes brancos franceses.

Neste quadro temos 85%  dos vinhedos franceses com uvas acima de 1% (área plantada) no cômputo geral. Os 15% restantes formam um conjunto numeroso de uvas pouco conhecidas que individualmente apresentam produções insignificantes.

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queda progressiva ao longo dos anos

Em termos de regiões, o Languedoc-Roussillon sempre esteve em primeiro lugar. Outrora, muito mais. Em segundo lugar, temos a Aquitania com a enorme região de Bordeaux, além de áreas periféricas. O Vale do Rhône é outra região numerosa em vinhas, incluindo no quadro a Provence. Não podemos esquecer de Charentes-Cognac onde suas vinhas tem produção expressiva. O restante vai se diluindo a partir da Borgonha e Loire em áreas cada vez mais diminutas.

regiões francesas vinhas

sul da França: um mar de vinhas

Em termos mundiais, a ordem dos fatores muda. A Cabernet Sauvignon fica com o primeiro lugar, seguida de perto pela Merlot. Para quem não conhece, temos a branca Airen da Espanha em terceiro lugar. Muito cultivada em La Mancha, região vinícola de área extensa, gera vinhos sem grandes atrativos. Porém, muito desses vinhos são destinados para a elaboração dos bons brandies espanhóis. As demais uvas não causam surpresas, exceto a  branca Trebbiano. De grande cultivo na Itália, gera vinhos um tanto neutros. Na França, é conhecida como Ugni Blanc, da qual já falamos. Uva base para a elaboração do Cognac e de grande presença na respectiva região.

Uvas mais plantadas no Mundo

1 – Cabernet sauvignon sur 290 091 ha (+31 % par rapport à l’an 2000), soit 6 % du vignoble mondial.
2 – Merlot noir sur 267 169 ha (+26 %), soit 6 % du vignoble mondial.
3 – Airen blanc* sur 252 364 ha (-35 %), soit 5 % du vignoble mondial.
4 – Tempranillo noir sur 232 561 ha (+150 %), soit 5 % du vignoble mondial.
5 – Chardonnay blanc sur 198 793 ha (+37 %), soit 4 % du vignoble mondial.
6 – Syrah noire sur 185 568 ha (+83 %), soit 4 % du vignoble mondial.
7 – Grenache noir sur 184 735 ha (-14 %), soit 4 % du vignoble mondial.
8 – Sauvignon blanc sur 110 138 ha (+70 %), soit 2 % du vignoble mondial.
9 – Trebbiano toscano blanc sur 109 772 ha (-20 %), soit 2 % du vignoble mondial.
10 – Pinot noir sur 86 662 ha (+45 %), soit 2 % du vignoble mondial.

Enfim, esses são os panoramas das uvas francesas dentro e fora da França. Pelo quadro acima, fica claro a supremacia das mesmas no cenário mundial, ou seja, das dez primeiras, sete são francesas. Nada mal …

Wine Spectator: Top 100

18 de Novembro de 2015

Encerrando as considerações da esperada lista dos 100 melhores vinhos segundo a revista Wine Spectator, comentaremos alguns vinhos entre os escolhidos que chamaram mais a atenção, conforme relação abaixo:

13º lugar – La Serena Brunello di Montalcino 2010 – 96 pontos

16º lugar – Porto Taylor´s Fladgate LBV 2009 – 93 pontos

18º lugar – Altesino Brunello di Montalcino Montosoli  2010 – 98 pontos

19º lugar – Dehlinger Pinot Noir Russian River Valley Altamont 2013 – 95 pontos

27º lugar – Lívio Sassetti Brunello di Montalcino Pertimali 2010 – 95 pontos

30º lugar – Dominio de Tares Mencia Bierzo Cepas Viejas 2011 – 93 pontos

43º lugar – Collosorbo Brunello di Montalcino 2010 – 94 pontos

56º lugar – CVNE Rioja Imperial Reserva 2010 – 93 pontos

57º lugar – Altamura Napa Valley Cabernet Sauvignon 2012 – 95 pontos

61º lugar – Clarendon Hills Grenache Clarendon Romas 2009 – 95 pontos

65º lugar – Chappellet Cabernet Sauvignon Napa Valley Signature 2012 – 93 pontos

98º lugar – Chateau Figeac St Emilion 2012 – 93 pontos

Os doze vinhos acima formam uma caixa entre os Top 100. Evidentemente, é uma escolha pessoal, mas justificada com algumas considerações. Todos os vinhos têm pontuação acima ou igual a 93 pontos. Baseado nos Top Ten escolhidos e comentados em artigos anteriores, essa escolha segue de certo modo os destaques do ano. Por exemplo, há quatro Brunellos da safra de 2010 nesta caixa sem contar o Brunello entre os Top Ten. Para os Brunelistas de plantão, 2010 é a safra altamente recomendada para envelhecer na adega. Estes Brunellos estão chegando ao Brasil agora, segundo a legislação da denominação para liberação no mercado.

Seguindo este raciocínio, temos dois Cabernets americanos da bela safra de 2012, inclusive o vinho do ano. Neste caso, os americanos devem ser comprados nos Estados Unidos. Seguindo a mesma linha, escolhemos mais um St Emilion da safra 2012, Chateau Figeac. É um chateau de planalto com as mesmas características de terroir do famoso Cheval Blanc. Portanto, sete vinhos da caixa já foram justificados. Os cinco restantes têm razões pontuais para as escolhas.

Vinho do Porto Taylor´s LBV 2009. Além de uma grande Casa do Porto, os LBVs costumam ser bem acessíveis em termos de preço. Este com 93 pontos justifica plenamente a compra. Esta safra sugere também outros Portos de mesmo nível da Taylor´s nesta categoria LBV. Por exemplo: Noval, Fonseca, e Graham´s.

Pinot Noir de Russian River com 95 pontos. Dehlinger é uma ótima vinícola especializada nesta temperamental casta. Em particular, considero Russian River como o melhor terroir para esta uva, excetuando os grandes Borgonhas, é claro. Novamente, deve ser adquirido no próprio país.

Um grande tinto espanhol com a uva Mencia. A região de Bierzo, noroeste da Espanha, talvez tenha sido a melhor descoberta nos últimos tempos como revitalização de um grande terroir. Os vinhos ainda estão razoavelmente acessíveis em preços. Contudo, é muito provável que a região ganhe em curto espaço de tempo a mesma valorização dos vinhos de Priorato. Temos boas ofertas aqui no Brasil, sobretudo na Decanter (www.decanter.com.br) e a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

Outro espanhol que já foi vinho do ano em outras edições. O tradicional Rioja da CVNE (Companhia Vinicola do Norte da Espanha). Este é um Imperial Reserva com 93 pontos e de preço razoavelmente acessível. Importado pela Vinci (www.vinci.com.br).

Por fim, um Grenache de excepcional qualidade. Normalmente na França, a Grenache é uma uva de corte nas diversas apelações do chamado Rhône-Sul, formando o tradicional corte GSM (Grenache, Syrah, Mourvèdre). Entretanto, este vinho é um Grenache 100% varietal e totalmente fora da curva. Trata-se de um australiano de McLaren Vale, região próxima à Barossa Valley. A vinícola é Clarendon Hills e o proprietário cultiva cepas antigas desta uva, elaborando vinhos de alta qualidade. Este em particular, as vinhas são de 1920. Atualmente é trazido pela importadora Vinissimo (www.vinissimo.com.br).

Com isso, encerramos as considerações sobre a famosa lista da Wine Spectator. Os vinhos comentados nos dão a possiblidade de conhece-los melhor e ao mesmo tempo, pode valer para as compras de final de ano. Presentear os amigos e/ou nos presentearmos.