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Restaurante Attimo: Menu Degustação

16 de Dezembro de 2015

Localizado em Vila Nova Conceição, o restaurante Attimo preserva a cozinha italiana com alguns toques de modernidade. Este é um dos projetos de Marcelo Fernandes, restaurateur também do Kinoshita, Clos, e Mercearia do Francês. O menu e a carta de vinhos mostram propostas interessantes, tanto para os clientes mais conservadores, como para os de certa ousadia. Abaixo, segue uma sugestão de menu com entrada, uma massa, carne e sobremesa.

Salada-de-hortalicas-Credito-GulaMia

  • Salada de hortaliças, legumes tostados, azeitonas pretas, avelãs e mel
  • Harmonização: De Martino Chardonnay Quebrada Seca Single Vineyard 2011

Este Chardonnay, apesar de passar por barricas, mostra um frescor incrível, aliando vivacidade com maciez. Medianamente encorpado, não afronta esta entrada de textura delicada. As hortaliças e azeitonas ficam bem equilibradas pela acidez do vinho, enquanto os legumes tostados e avelãs vão de encontro aos sabores do mesmo. O leve toque de mel é compensado pela maciez do vinho e sua fruta tropical. Este novo terroir de Limari, bem ao norte do Chile e junto ao oceano Pacífico, apresenta grande amplitude térmica, equilibrando acidez com maturidade do fruto.

Ravioli-de-camarao-Creditos-GulaMia

  • Raviolini de camarão com molho de limão siciliano, favas frescas e rúcula
  • Domaine Sorin Terra Amata Côtes de Provence 2012

Massa delicada tanto no recheio, como no molho de limão. Uma boa pedida é este rosé da Provence com seus aromas únicos e muito gastronômico. A acidez do vinho segura o molho de limão, sua textura combina bem com as favas e por último, seu frutado maduro equilibra bem o leve amargor da rúcula.

bela apresentação

  • Língua de boi, purê de batata e marsala
  • Falesco Montiano 2010

Este é um prato clássico que poucos restaurantes tentam ousar em seu cardápio. Carne delicada, de textura macia, inclusive no seu acompanhamento, purê de batatas. Experimente este Merlot italiano em pureza da quase desconhecida região de Lazio. Falesco é uma vinícola de muito prestigio e este é seu vinho ícone. Tinto de presença, mas sempre muito delicado, e elegantemente amadeirado por barricas francesas.

surpresa de maçã

  • Surpresa de Maçã
  • Terrazas Single Vineyard Petit Manseng 2010

Esta sobremesa resume-se num bolo de pão-de-ló, maçã verde, maracujá, sorvete de baunilha e crocante de coco. Para esta harmonização, um vinho argentino singular. Trata-se de um colheita tardia da bodega Terrazas elaborado com a uva Petit Manseng. Originária do sudoeste francês, mais especificamente da apelação Jurançon, aclimatou-se muito bem neste vinhedo argentino a mil metros de altitude com grande amplitude térmica. Há um perfeito balanço entre doçura e acidez e aromas muito delicados. A textura do bolo combina perfeitamente com o vinho. A maçã verde e o maracujá equilibram a acidez, enquanto a baunilha e o crocante de coco casam-se bem com os toques delicados de barricas francesas, nas quais o vinho é amadurecido. Belo fecho de refeição.

http://www.restauranteattimo.com.br

Rua Diogo Jácome, 341 – Vila Nova Conceição – SP

Vinho-Laranja

7 de Janeiro de 2015

Vinho-Laranja, mais uma moda ou veio para ficar? Quem nunca experimentou vai estranhar! Pode ser um impacto positivo ou negativo. O fato que este tipo de vinho a princípio, vai contra todos os critérios na avaliação de um vinho branco moderno e de qualidade. Na verdade, não é uma novidade propriamente dita. É inclusive, a própria origem do vinho branco. Explicando melhor, os prováveis lugares onde o vinho nasceu apontam para regiões como a Geórgia e Armênia, oeste da Ásia. Pois bem, nesses lugares, o vinho era elaborado com a participação das cascas no mosto de uvas, inclusive os vinhos brancos, quando as técnicas de vinificação eram rudimentares, se é que existiam. Portanto, para estes povos, os atualmente chamados vinhos-laranjas são absolutamente comuns, sem surpresas.

Cor acentuada dos vinhos

Na era Contemporânea, a atual, o produtor italiano Josko Gravner resolver reviver esta experiência, implantando em sua vinícola no Friuli, nordeste da Itália, todas essas técnicas da Antiguidade, inclusive utilizando ânforas para o envelhecimento de seus vinhos. A propósito, este produtor estará na ABS-SP dia 12 de janeiro, segunda-feira, para uma apresentação seguida de degustação (www.abs-sp.com.br). Além do Gravner, países do leste europeu têm elaborados exemplares de destaque. O produtor chileno De Martino da importadora Decanter (www.decanter.com.br) faz parte deste time também. Aliás, esta importadora é especializada neste tipo de vinho, entre outros, evidentemente.

Do ponto de vista sensorial, ou seja, aplicando as técnicas de degustação, o visual já é estranho. Suas cores variam do dourado ao âmbar, o que em casos de brancos tradicionais já poderia denunciar um vinho muito evoluído, ou até mesmo, oxidado. Os aromas continuam surpreendendo. Eles lembram entre outras coisas, frutas secas, especiarias, e toques defumados. Em boca, costumam ser encorpados, densos e com um caráter adstringente, nada comum para um vinho branco. Resumindo, não há como não impactar.

Sem saber a priori do que se trata, poderia passar por algum vinho com defeitos, ou como dissemos, oxidado. Posso imaginar num concurso de sommelier, evidentemente às cegas, o embaraço que este tipo de vinho causaria. E normalmente, nesses casos, não é dada nenhuma informação sobre o vinho degustado. Rigorosamente, nenhuma. Portanto, trata-se para nós, de um tipo de vinho novo, com características bem específicas, que devem ser levadas em conta para qualquer tipo de avaliação.

Maceração das cascas no mosto

Exemplos de outros vinhos que causam estranheza para quem nunca os degustou são os Jerezes, Riojas tradicionais longamente envelhecidos em madeira, o italiano Marsala, onde o cozimento do mosto faz parte de sua elaboração, o Vin Jaune de Jura, uma espécie de Jerez da França, alguns tipos de Tokaji (Fordítás e Málás), e outros exemplares que nem imaginamos. O fato é que preciso entender todo o processo de elaboração de um determinado vinho e suas consequências para que possamos fazer um julgamento coerente.

Voltando ao vinho-laranja, pode haver produtores, regiões ou determinadas uvas, onde o processo de elaboração com maceração das cascas não é bem conduzido ou ocorre um abuso, um certo excesso, nesta elaboração. Em última análise, é preciso respeitar as características e a estrutura do mosto de uvas a ser fermentado para que tudo possa ser conduzido com harmonia e bom senso. Este tipo de elaboração ao mesmo tempo que gera aromas oxidativos, os polifenóis presentes na casca da uva conferem uma proteção contra esta mesma oxidação. As ânforas da foto abaixo não são itens obrigatórios na definição de vinho-laranja. Podem ser envelhecidos em madeira, por exemplo. Nesse contexto, cada um com sua experiência quando provar esses vinhos, fará seu próprio julgamento na aprovação ou rejeição do mesmo em questão.

Ânforas para envelhecimento

Quanto à compatibilização enogastronômica, o vinho à mesa de fato, precisamos de pratos com certa personalidade, com certa intensidade de sabores, para que o vinho não sobrepuje o conjunto. Portanto, queijos mais curados, bacalhau, pratos defumados, certos tipos de embutidos, carnes com marinadas mais apuradas, costumam conciliar-se melhor com esses vinhos.

Quanto ao serviço do vinho, vale a pena e até mesmo eu diria que é imperativo a decantação dos mesmos, já que temos aromas e sabores densos e que precisam de um certo tempo para serem totalmente liberados. Tanto é verdade, que colocado o vinho na taça, com o passar do tempo, percebemos modificações importantes nos aromas e sabores. Além, do mais, como esses vinhos já têm uma certa proteção oxidativa, não há problemas em decanta-los previamente. No quesito temperatura, é importante não tomarmos estes vinhos muito gelados, exatamente porque as baixas temperaturas aprisionam esses aromas mais densos. Algo como 12 ou 14ºC seria ideal.

No mais, é prova-los e cada um chegar a suas próprias conclusões. As principais importadoras do mercado apresentam em seu portfólio exemplares suficientemente variados para estas análises e julgamentos.

Zungu do Claude: Que Marravilha!

14 de Agosto de 2014

Aproveitando o restinho de inverno, uma receita quente com frutos do mar. No programa Que Marravilha! do chef Claude Troisgros, um prato saboroso chamado Zungu (versão da polenta na África), conforme vídeo e receita abaixo:

http://gnt.globo.com/receitas/receitas/versao-de-claude-troisgros-do-zungu-quilombola-tem-bouillabaisse.htm

São muitos ingredientes do mar, muitos temperos, e caldos com sabores marcantes. Para iniciar, um belo caldo de bacalhau. Para o caldo da bouillabaisse, mexilhões, camarões e lulas e temperos como gengibre, funcho (nossa erva doce fresca) e coentro, principalmente. Quem não gostar de coentro, pode trocar pela salsinha. O zungu (nossa polenta)  é elaborado com o caldo do bacalhau.

Como preparar o bacalhau:
Ingredientes:
1kg de bacalhau imperial
2L de água

Modo de preparo:
Ferva a água e coloque o bacalhau. Deixe ferver tampado durante 20 minutos e desligue o fogo. Retire o bacalhau e desfie, peneirando com água.

Como preparar o bouillabaisse:
Ingredientes:
1,5kg de mexilhões frescos na casca
200ml de vinho branco
500g de camarões VM (verdadeiros médios) com cabeça
600g de lula
Coentro (a gosto)
1 cebola picada
¼ de pimenta dedo-de-moça
4 dentes de alho picado
1 funcho em cubinhos
1 colher de sopa de gengibre ralado
2 tomates sem pele e sementes cortados em cubos
2 colheres de sopa de tomate concentrado
Estigmas de açafrão (a gosto)
Sal (a gosto)

Modo de preparo:
Coloque os mexilhões numa panela com vinho branco, tampe e espere os mexilhões abrirem. Retire-os da casca e guarde-os. Descasque os camarões e corte em cubinhos. Coloque as cascas no caldo de mexilhão. Cubra com metade da água de cozimento do bacalhau e deixe cozinhar durante 15 minutos. Depois, peneire.

Limpe as lulas retirando a pele, a cartilagem e vire para dentro. Corte em anéis finos e pique as cabeças. Pique o coentro, cortando o talo bem miúdo. Puxe no azeite, cebola, alho, funcho, pimenta dedo-de-moça, gengibre e coentro. Junte os camarões e deixe suar. Coloque as lulas e deixe suar mais. Junte o caldo de camarões com o tomate concentrado, o tomate em cubos e com o açafrão e deixe cozinhar. Verifique os temperos. Junte o bacalhau e os mexilhões e deixe cozinhar mais um pouco, tampado.

Como preparar o angu:
Ingredientes:
1,5L de água do cozimento do bacalhau
250g de fubá
Sal (a gosto)
1 colher de manteiga

Modo de preparo:
Ferva a água. Desmanche o angu com água fria e espátula de madeira. Jogue na água fervendo sem sal e mexa até engrossar. Tampe e deixe cozinhar por 15 minutos, mexendo sempre. Tempere se necessário. Depois, coloque a manteiga.

Toque final:
Coloque mais coentro na bouillabaisse. Leve o angu ao prato e cubra com os frutos do mar.

Vamos agora às opções de vinho. A opção por vinhos brancos é natural, pois trata-se de frutos do mar. Contudo, o vinho precisa ter textura para encarar a polenta e sabores marcantes para enfrentar todos os temperos do caldo. Evidentemente, um Chardonnay elegante com madeira comedida é a alternativa mais óbvia. Se for um Borgonha, um Meursault possui textura compatível para o prato. Um Sauvignon Blanc neozelandês estruturado como Cloudy Bay também pode funcionar. Já se forem os Rieslings, precisamos de um alsaciano como Zind-Humbrecht de bom corpo e macio. Os Alvarinhos ou Albariños com alguma passagem por madeira podem ser bem interessantes.

Para vinhos do Novo Mundo, os bons Chardonnays chilenos dos vales frios podem acompanhar bem o prato. De Martino Chardonnay Quebrada Seca do vale de Limari da importadora Decanter (www.decanter.com.br) e Chardonnay Sol de Sol da importadora Zahil (www.zahil.com.br) são dois exemplos. Chardonnays californianos de Sonoma County ou de Carneros, além dos sul-africanos de Walker Bay, são pedidas certas.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Harmonização: Festas Natalinas

2 de Dezembro de 2010

O ano passa voando, e o Natal está aí! Com ele, o inevitável encontro com os presentes e a família, aliás, toda a família. E não é fácil agradar cunhados, cunhadas, primos, sogros, tios e vai por aí afora.

Se a festa reunir muita gente, muita comida e muita bebida além dos vinhos, esqueça os mais sofisticados e aqueles cuidados excessivos com harmonização. Nesta hora, precisamos ser práticos e objetivos, evitando preocupações surrealistas e gastando apenas o necessário.

Os espumantes são obrigatórios nesta época, podendo agradar inúmeros paladares. Escolha um espumante brut para aqueles que já passaram por um curso básico de vinhos e um espumante doce para os mais lúdicos. O Brasil dispõe de um bom arsenal nos dois estilos. Se você optar por um Prosecco (agora a uva é Glera), a Salton tem a vantagem de sempre lançá-lo com safra, garantindo ainda mais seu frescor. No caso, procure pela safra de 2010. Para o espumante doce, um bom moscatel nacional é perfeito. Pode ser o Terranova da Miolo. Para os fiéis consumidores da Chandon, seus espumantes em todas as versões são muito confiáveis.

De todo modo, estes dois estilos cumprirão o papel de boas vindas, os canapés, entradas leves e os vários brindes que acontecerão. Para o panetone, as frutas frescas e secas,além de sobremesas não muito doces, o espumante moscatel agradará a maioria.

O inevitável Peru de Natal

Entre os pratos que serão servidos à mesa, o Peru, Chester ou qualquer outra ave com apito, estarão presentes. Estas aves costumam apresentar textura um tanto seca, sem contar com a farofa que reforça ainda mais esta característica. Para completar, sempre aparece um molho com intrigante agridoce. Portanto, esqueça componentes como acidez e taninos. Eles reforçarão essas sensações, piorando o conjunto. Parta para vinhos novos e macios, tanto brancos, como tintos. A juventude tem a fruta suficiente para combater alguma doçura, desde que não haja exageros. A maciez quebra a secura dos pratos, lubrificando o palato. Portanto, para os tintos, é hora de pensar em Merlots e Malbecs do Novo Mundo, nas versões menos amadeiradas. Para o Velho Mundo, alentejanos, tempranillos jovens ou no máximo crianza. Vinhos do sul do Rhône e do sul da Itália, são boas opções.

Quanto aos brancos, a vasta gama de Chardonnays no mercado satisfará todos os gostos e bolsos. Procure versões não muito amadeiradas do Novo Mundo. Os franceses (borgonhas) costumam ser muito caros e sofisticados para a ocasião e principalmente, não escolha Chablis, que são vinhos minerais e de grande acidez. Os chilenos de Casablanca e Vale San Antonio me parecem mais adequados e com várias opções. Um grande chileno do Vale de Limari é o De Martino Chardonnay Quebrada Seca, importado pela Decanter (www.decanter.com.br). Equilibrado, elegante e mineral.

Se o cunhado merecer, vá de Catena Alta Chardonnay, imbatível na sua faixa de preço (menos de cem reais) e importado pela Mistral (www.mistral.com.br). É a grande opção argentina do mercado.

Terroir Chileno

12 de Setembro de 2010

Já foi o tempo em que o Chile resumia-se em vinhos do Vale Central, entre tintos e brancos. Principalmente nas últimas duas décadas, o terroir chileno está sendo devidamente estudado, com exploração de vários outros vales, como mostra o mapa abaixo. Casablanca, por exemplo, promoveu grande impacto nos vinhos brancos com as castas Chardonnay e Sauvignon Blanc, descoberto na década de oitenta por Pablo Morandé. Atualmente, Limarí, Elqui, Bio Bio e Malleco, são a bola da vez, com vinhos curiosos e surpreendentes.

corrente de Humboldt → ventos marítimos gelados

Observando o mapa acima, podemos perceber algumas variáveis importantes para definir o terroir chileno. O Chile é um país comprido, tendo grandes variações de latitude. Portanto, quanto mais ao norte, mais quente, culminando no deserto de Atacama. Quanto mais ao sul, mais frio, chegando à Patagônia chilena.

Outra variável importante é o relevo chileno. Olhando para o mapa, do lado direito temos o paredão da Cordilheira dos Andes. Do lado esquerdo, em determinadas faixas de latitude, principalmente no vale central, temos a chamada cordilheira da Costa, que barra o ar gelado vindo do pacífico, gerado pela corrente marítima de Humboldt, a qual é a terceira grande variável. Portanto, é uma questão de calibrarmos a latitude com o nível de influência da corrente de Humboldt. Mesmo em vales bem ao norte como Limarí, a ausência da cordilheira da costa, permite notável amplitude térmica (diferença de temperatura entre o dia e a noite), gerando belos vinhos brancos, como o Chardonnay De Martino Single Vineyard Quebrada Seca, importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

Para quem gosta de Cabernet Sauvignon chileno, o Alto Maipo, com vinhedos próximos à capital chilena Santiago, é um dos melhores terroirs do mundo para esta uva. No mesmo nível de Bolgheri (Toscana), Napa Valley (Califórnia) e Coonawarra (Austrália). Evidentemente, o Médoc na região bordalesa, é a inspiração de todos eles.

No Alto Maipo, temos dias ensolarados sem a influência do pacífico, protegido pela cordilheira costeira. As noites são frias pelo ar gelado que desce da cordilheira dos Andes. O solo é pedregoso e de excelente drenagem. Todos esses fatores fazem a Cabernet Sauvignon amadurecer lentamente, com riqueza de aromas e taninos bem desenvolvidos. Vinhos como Don Melchor, Almaviva, Casa Real e Chadwick, confirmam esta teoria, com altas pontuações em inúmeras safras.

Uvas como Carmenère e Merlot parecem ter encontrado seus respectivos terroirs nos Vales Cachapoal e Conchagua. Apesar de muito próximos e de fato vizinhos, esses vales apresentam características distintas na maturação das uvas acima citadas, que por sinal, foram confundidas durante muito tempo, até a devida separação das vinhas de cepa Merlot, das de cepa Carmenère.

O Vale Cachapoal fica praticamente atrás do Vale Conchagua, que de certa forma o protege da influência marítima. Esta particularidade torna Cachapoal suficientemente quente para amadurecer de forma adequada a tardia Carmenère, a qual deve ser colhida muitas vezes, no mês de maio. Já o Vale Conchagua, recebendo maior influência oceânica, torna-se uma vale mais frio, devidamente ajustado à maturação precoce da uva Merlot. É evidente que outras questões como solo, relevo e microclima, têm seu peso no balanço final.

O assunto é vasto e mereceria vários posts para um detalhamento maior. O fato é que hoje no Chile, as vinícolas comprometidas com a qualidade e a expressão correta de cada varietal, investem em pesquisas detalhadas para buscarem terroirs cada vez mais adequados, elaborando vinhos de personalidade e distinção. Os inúmeros vales de norte a sul levarão ainda um bom tempo para serem devidamente estudados.


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