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Harmonização: Carré de cordeiro

3 de Outubro de 2011

Num primeiro momento, Cordeiro e Bordeaux parece ser uma combinação perfeita e quase insubstituível. Entretanto, estamos falando de forma muito genérica sobre dois mundos com várias facetas. Bordeaux como já vimos em artigos anteriores em cinco partes, possui várias apelações desdobradas em inúmeros produtores, os quais elaboram vinhos de estrutura e corpo diferenciados. Já o cordeiro, dependendo do corte e dos vários tipos de preparo, apresenta as mesmas diferenciações no produto final.

Nosso assunto hoje é o carré de cordeiro, apresentado magnificamente pelo mestre István Wessel no vídeo abaixo:

Simplicidade: chave das melhores receitas

No vídeo acima, percebemos que os bons pratos são simples, sem muitos rebuscamentos e ingredientes desnecessários. Os temperos básicos são o sal (apenas para realçar sabor), alho, pimenta e alecrim, além do vinho e azeite. A carne é relativamente macia, sem muita fibrosidade e com certo teor de gordura em volta. O sabor é de personalidade, mas elegante. Portanto, se pensarmos em bordeaux, o vinho não precisa ser tão tânico, mas deve ter boa acidez por conta da gordura presente no conjunto. O alecrim realça o sabor dos Cabernets, reverberando seu natural toque herbáceo. Um bordeaux de corpo médio, boa acidez e tanicidade moderada é dado pelo corte com boa proporção de Cabernet Franc. Daí a escolha por vinhos da margem direita com boa proporção desta uva, como o Chateau Figeac, por exemplo, um dos mais destacados da comuna de Saint-Emilion. O toque da pimenta também vai de encontro  às características desta uva. Uma bela alternativa são alguns Cabernet Franc uruguaios de parreiras antigas. Apresentam corpo adequado, elegância e tipicidade. Bodegas Castillo Viejo da importadora World Wine (www.worldwine.com.br). Não é  à toa que o cordeiro uruguaio é um dos melhores do mundo.

Pensando em outras possibilidades, um Chinon, Saumur-Champigny ou Bourgueil do Vale do Loire, pode ser uma bela escolha, contanto que sejam vinhos estruturados como o Domaine des Roches Neuves de Thierry Germain, importado por Cave Jado (www.cavejado.com.br). Todas essas apelações baseiam-se na casta Cabernet Franc.

O abuso de alguns dos ingredientes pode ser determinante para a escolha do vinho. Por exemplo, aqueles que gostam de bastante alho, convém escolher Cabernets italianos, que além de terem boa acidez, conservam uma certa rusticidade no bom sentido da palavra. Franceses da Provença também podem dar certo.

Se o abuso for para o lado da pimenta, procure por vinhos mais jovens e frescos. Caso a opção for por bordeaux relativamente envelhecidos, não abuse da pimenta e nem do alho. Guarnecido por um arroz com amendôas laminadas e tostadas, a harmonização ganhará um toque especial.

Enfim, mesmo as harmonizações clássicas têm suas nuances, conforme o grau de precisão que nos propomos a dar às mesmas. Por isso, adicionar ou inventar molhos e ingredientes, podem ser grandes armadilhas na combinação vinho e comida.

Produtor de destaque: Thierry Germain

26 de Maio de 2011

Os vinhos do Loire fascinam por sua autenticidade, sobretudo quando estamos diante de um produtor diferenciado como Thierry Germain. Biodinâmico, perfeccionista e talentoso. Esses atributos juntos geram vinhos especiais, artesanais. Neste caso, não se trata de um daqueles vinhos franceses de sonhos, mas um vinho muito bem elaborado, acabado e prazeroso. Importado pela simpática Dorothée da  Cave Jado (www.cavejado.com.br) ao custo de R$ 114,00. Vale cada centavo.

 Cabernet Franc: Expressão autêntica

Saumur-Champigny juntamente com Chinon e Bourgueil são as grandes apelações para Cabernet Franc no Vale do Loire. Não são vinhos potentes, de grande corpo, mas são elegantes, gastronômicos, capazes de nos fazerem beber com prazer boas taças durante a refeição, sem jamais serem dominadores, permitindo que os sabores do prato compartilhem de sua companhia.

A safra de 2009 é a cereja do bolo para nosso vinho, conforme foto acima. Uma cor rubi de grande profundidade e brilho. Os aromas de frutas vermelhas e escuras são de grande pureza. Os belos toques minerais, entremeados com ervas e especiarias completam o conjunto. Muito equilibrado, a acidez convive em harmonia com seus jovens taninos, provocando uma suculência sempre revigorante. O álcool contribui apenas para fornecer maciez e corpo, sem jamais ofuscar seu belo frescor.

Um escalope de filé mignon num molho de mostarda de grãos guarnecido por um fricassé de champignons c´est parfait. Bon appétit!