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Vale do Rhône: Parte IX

31 de Maio de 2012

Após uma série de apelações famosas do extenso Vale do Rhône, chegamos às apelações mais periféricas, muitas delas influenciadas ora pelo terroir provençal, ora pelo terroir do Languedoc. Em nosso site de referência para esses artigos (www.rhone-wines.com), as seis apelações abaixo descritas são catalogados como apelações do Vale do Rhône, e não apelações das Côtes (encostas), por ficarem relativamente longe das imediações do rio Rhône.

Dê um zoom no mapa acima

 

Costières de Nîmes e Clairette de Bellegarde

Duas apelações bem ao sul do Rhône, num clima mais quente e com muita infuência do Languedoc, situado mais a oeste do mapa.

Costières de Nîmes foi promovida à apelação em 1986, produzindo sobretudo tintos e rosés, com apenas 10% de vinhos brancos. O corte GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre) é liderado pela Grenache com alguma adição de Cinsault e Carignan. São vinhos relativamente simples, para o dia a dia.

Apesar de antiga (apelação desde 1949), Clairette de Bellegarde apresenta produção muito pequena, com área em torno de sete hectares. São vinhos brancos com a uva homônima (Clairette) de fácil oxidação. Devem ser tomados jovens.

Côtes du Vivarais e Grignan les Adhémar

As duas apelações estão na mesma latitude, uma de cada lado do rio Rhône. Côtes de Vivarais é uma apelação relativamente pequena com 406 hectares, criada em 1999. Elabora tintos, rosés e alguns brancos, com as uvas típicas do Rhône, já mencionadas em várias oportunidades.

Grignan les Adhèmar é o nome recente da apelação Coteaux du Tricastin. A mudança ocorreu devido ao nome Tricastin estar envolvido em pequenos acidentes nucleares na região. A apelação engloba mais de 1600 hectares, com vasta predominância de tintos (72%), seguida por rosés (22%) e brancos (6%). São vinhos agradáveis para o dia a dia, sem grandes pretensões.

Luberon e Ventoux

Luberon conforme mapa acima, tem clima muito mais provençal com alguma infuência dos Alpes meridionais. Prova disso, é a grande produção de rosés (48%), quase metade de todos os vinhos, seguida por tintos e brancos em proporções relativamente iguais. A área de plantio é de 3200 hectares de vinhas e as uvas são as mesmas do Rhône, com as brancas sofrendo forte influência da Provença, a exemplo das típicas Vermentino (chamada localmente de Rolle) e Ugni Blanc.

O rio Coulon determina os limites entre as apelações Luberon ao sul e Ventoux, ao norte. A apelaçãoVentoux data de 1973 e é a maior em produção e área das seis citadas neste artigo. Com mais de seis mil hectares, Ventoux produz sobretudo tintos (64%) , rosés (32%) e um pouco de brancos (apenas 4%). O relevo é montanhoso, culminando com o monte Ventoux atingindo 1912 metros de altura. O clima é provençal com as montanhas e a aproximação dos Alpes meridionais refrescando as vinhas. Nos tintos e rosés predominam a Grenache, Mourvèdre, Cinsault e e Carignan. Nos brancos, as uvas locais já mencionadas em outras apelações, dominam os cortes.

Quem quiser provar vinhos destas duas últimas apelações que são maiores, e com alguma oferta de vinhos no Brasil, Paul Jaboulet Ventoux Les Traverses 2009 e M. Chapoutier La Ciboise Luberon 2009, ambos da importadora Mistral (www.mistral.com.br) e com preços atrativos, são belas opções.

 

Harmonização: Atum com Erva Doce

26 de Março de 2012

Revendo algumas revistas da publicação francesa “Cuisine et Vins” da década de 90, vale a pena comentarmos a harmonização sugerida para o prato Thom à la Moutarde (Atum ao molho de Mostarda). Na verdade, o interessante é a marcante presença da erva doce fresca, encontrada com certa facilidade em nossas feiras.

Foram propostos vários tipos de vinhos para críticos especializados, entre eles Jean Lenoir, autor do famoso Le Nez du Vin, com muita diversidade de opiniões, mostrando a pluralidade que envolve as harmonizações entre vinhos e pratos. Os vinhos que mais se destacaram foram o tinto da foto abaixo (Bourgueil de Pierre-Jacques Druet, tinto do Loire com base na Cabernet Franc) e o pouco conhecido Hermitage branco Chante Alouette da maison Chapoutier.

 

Atum: peixe com textura diferenciada

A receita fala em postas frescas e espessas de atum, pimentão vermelho, erva doce fresca, azeite de oliva, creme de leite fresco (crème fleurette, especialidade normanda), mostarda em grãos, cebolinha, aniz estrelado e cogumelos (pode ser o de Paris ou Shitake, este último, mais saboroso). A erva doce é cozida em água com aniz estrelado e o pimentão em azeite. Os cogumelos são preparados com o creme de leite e a mostarda em grãos. Os filés de atum são grelhados e tudo então é misturado para a finalização com a cebolinha fresca finamente picada.

O tinto à base de Cabernet Franc mostra afinidade com o pimentão, a mostarda e os cogumelos, principalmente com alguns anos de garrafa. A erva doce enriquece a harmonização, mantendo um bom frescor final. A textura do atum e do próprio molho combinam com o corpo do vinho. Um Pinot Noir pode dar certo, desde que haja uma calibragem correta da textura do vinho. O problema são os toques herbáceos que não encontrarão eco neste tipo de uva.

Já o Hermitage branco com base nas uvas Marsanne e Roussanne, é uma grata surpresa. A erva doce amplifica os aromas do vinho, num casamento surpreendente. O corpo e textura do vinho adequam-se perfeitamente ao prato, tanto pela cremosidade do molho, como pela textura do atum. Com alguns anos de garrafa, até os cogumelos casam-se com o vinho.

Enfim, um prato exótico e uma experiência enogastronômica interessante com vinhos pouco comuns, tanto o tinto, como o branco. Como sugestão, o Bourgueil da Domaine Yannick Amirault (www.zahil.com.br) e uma das únicas opções de Hermitage branco do competente produtor Paul Jaboulet (www.mistral.com.br).