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Austrália: Parte VI

18 de Fevereiro de 2013

Prosseguindo nas principais regiões vinícolas deste país continental, veremos agora a famosa região de Victoria. É a mais meridional do continente com clima relativamente frio, conforme mapa abaixo. Dentre as várias sub-regiões, Yarra Valley é a mais importante e famosa. O estado de Victoria sofreu grande atraso no início do século passado devido a infestação da filoxera. Até hoje, são tomados cuidados extremos para controlar a praga e assim, o progresso de sua viticultura está garantido. Normalmente, as regiões mais ao norte costumam ser mais quentes, enquanto as regiões ao sul devido a presença do oceano frio próximo à Tasmânia, são mais frias. Veremos a seguir, algumas destas regiões, conforme mapa abaixo.

Victoria: fontes de bons vinhos Pinot Noir

Começando pelo nordeste de Victoria em torno de dos vales King e Alpinos, esta região é fonte de vinhos em massa, de grande produção, graças à irrigação do rio Murray. Já nos vales acima citados, a altitude faz a diferença (em torno de oitocentos metros). King Valley fornece Chardonnay e Pinot Noir agradáveis e equilibrados, enquando nos Vales Alpinos temos um Shiraz mais apimentado ou condimentado.

A região dos Pirineus (Pyrenees) também apresenta este estilo de Shiraz mais apimentado, além do cultivo de Cabernet Sauvignon. As regiões de Bendigo e Heathcote fornecem vinhos vigorosos à base de Cabernet Sauvignon, Shiraz e Chardonnay. A região de Goulburn Valley prestigia as castas do Rhône com cultivo da Shiraz, Viognier, Marsanne, Roussanne e Mourvèdre. Principalmente os tintos, apresentam forte caráter mineral com traços terrosos.

Passemos agora à produtiva região do noroeste de Victoria com vinhos intensos entre brancos e tintos. Novamente, a irrigação do rio Murray está por trás deste cenário. Shiraz, Cabernet Sauvignon e a exótica Durif (a Petite Shiraz californiana) moldam vinhos densos e encorpados. Outra especialidade local são os vinhos intensamente doces elaborados com Muscat Blanc à Petits Grains e Tokay (a Muscadelle bordalesa). São vinhos fortificados que podem envelhecer bem e muitas vezes elaborados pelo método solera (típico de Jerez). Definitivamente, são um dos ícones australianos em tipicidade e autenticidade.

Caminhando agora para a porção mais ao sul de Victoria, encontramos Gippsland. Aqui encontramos boa fonte de Pinot Noir e Chardonnay de clima frio, além de Cabernet Sauvignon e Shiraz em torno de Moe com clima mais quente e seco. Geelong, a oeste de Gippsland, será sempre lembrada como porta de entrada da filoxera no estado. Em áreas mais quentes cultiva-se Shiraz, enquanto nas mais frias predominam Chardonnay e Pinot Noir.

Finalmente, chegamos às regiões de Yarra Valley e Península de Mornington. Mornington recebe toda a influência fria do litoral através do estreito de Bass, separando o continente da Tasmânia. Nesta fria região temos Pinot Noir e Chardonnay de classe internacional sendo um dos melhores de toda a Austrália. Regiões mais ao norte de Yarra Valley tendem a ser mais quente com bom cultivo de Cabernet Sauvignon e Shiraz elegante. Já nas área mais frias, Pinot Noir e Chardonnay roubam o cenário. A região também é referência em espumantes de qualidade.

Embora a Tasmânia esteja fora do continente, costuma ser englobada com o estado de Victoria. É desafiador cultivar vinhas nesta gélida região. O risco de geadas e ventos fortes é constante. Daí o cultivo de cepas brancas como Chardonnay, Riesling e Pinot Gris. A Pinot Noir é a única exceção tinta. A fama de brancos aromáticos e belos espumantes é crescente.

Após Victoria, nossa próxima parada é Austrália Ocidental com Margaret River.

Australia: Parte V

13 de Fevereiro de 2013

New South Wales ou Nova Gales do Sul é o berço da viticultura australiana. Localizada no extremo sudeste do território australiano, compete em produção com o estado de South Australia. Das diversas regiões vinícolas em Nova Gales do Sul, Hunter Valley é a mais famosa e de maior prestígio. Seu Shiraz de estilo inconfundível, seu Sémillon singular e seus belos Chardonnays mostram vinhos de personalidade atrelados a um  terroir diferenciado.

Hunter Valley a norte de Sydney

Hunter Valley não tem nenhum problema em amadurecer seus frutos. O grande inconveniente é o perigo das chuvas na colheita. Seu Shiraz bem diferente do habitual padrão australiano, apresenta-se menos encorpado, mais equilibrado e com um traço mineral terroso característico, muito provavelmente, de seu solo de basalto (origem vulcânica). O Sémillon colhido precocemente, apresenta baixa alcoolicidade e alta acidez. Quando novo, mostra-se pouco atrativo. Contudo, após alguns anos em garrafa, revela-se com aromas encantadores, lembrando algo tostado, apesar de ser vinificado longe da madeira. É um estilo praticamente único no mundo. Os Chardonnays, estes sim, geralmente amadurecidos em barricas, são aromáticos, cheios e podem envelhecer muito bem. As grandes referências dos estilos acima mencionados são McWilliam´s Sémillon Elisabeth e Tyrrel´s Chardonnay Vat 47, respectivamente. O rótulo abaixo é importado pela KMM, especialista em vinhos australianos no Brasil (www.kmmvinhos.com.br).

Semillon do Hunter: Estilo único

Um desmembramento do Hunter ocorrido na década de setenta é o chamado Alto Hunter ou Upper Hunter. Na verdade, foi um acréscimo da região, buscando terras mais ao norte, livre das chuvas, mas com necessidade de irrigação. A vinícola Rosemount, uma das pioneiras, elabora um dos mais emblemáticos Chardonnays denominado Show Reserve, além do topo de gama chamado Roxburgh. Ambos trazidos pela importadora Vinci (www.vinci.com.br).

Outras regiões de Nova Gales do Sul a oeste e a sul de Hunter Valley como Mudgee, Orange, Cowra, Hilltops, Canberra District, Shoalhaven Coast, Southern Highlands, Gundagai e Tumbarumba, ainda não ganharam vida própria. Muitas delas, quer pela altitude, quer pela proximidade do úmido litoral do mar da Tasmânia, são regiões relativamente frias com cultivo da Chardonnay, Pinot Noir e Sémillon, principalmente.

Por outro lado, regiões como Riverina, parte de Murray Darling e Swan Hill, fornecem vinhos em grande volume, fomentadas por uma irrigação eficiente do rio Murray, a exemplo de Riverland em South Australia, comentada em artigos anteriores. São vinhos relativamente simples, francos, frutados, macios, bem ao gosto do mercado internacional. Em particular, a região de Riverina irrigada pelo rio Murrumbidgee, fornece vinhos densos com as uvas Durif (a mesma Petite Syrah da Califórnia) e Sémillon. Aliás, o grande Sémillon de Riverina não é de estilo seco, e sim um intenso vinho dourado à base de Botrytis, muito comum em áreas específicas da região todos os anos. A vinícola Elderton tem um belo exemplar.

Harmonização: Quesadillas au Poulet

7 de Fevereiro de 2011

Prato popular da cozinha mexicana, cozinha esta, tão em moda atualmente em nosso circuito enogastronômico. A curiosa harmonização é do conceituado sommelier Philippe Faure-Brac, campeão mundial em 1992 no Brasil, e proprietário do Bistrot du Sommelier, em Paris.

Philippe Faure-Brac: Campeão Mundial em 1992

A proposta é harmonizar com um tinto mexicano, americano ou australiano, elaborado com a uva pouco usual Petite Syrah, também conhecida como Durif. Esta uva é um cruzamento da Syrah com a uva Péloursin. A Petite Sirah, outra grafia comumente usada, gera vinhos de bom corpo (álcool elevado, acima de 13,5º), macios e muito aromáticos (frutas escuras em geléia e especiarias, notadamente a pimenta).

Quesadilla: Tortilla com presença obrigatória de queijo

O prato em questão tem como ingredientes o frango, queijo cheddar, milho, pimenta fatiada (pode ser dedo de moça), cebola, coentro e molho de pimenta.

O vinho é encorpado para o prato, mas a força aromática de ambos é que permite a harmonização. O lado frutado do vinho, sua força alcoólica e as especiarias, encontram eco no adocicado do milho e no calor da pimenta. Uma queda de braço na intensidade de sabores frutados e apimentados.

Particularmente, prefiro outra sugestão do próprio Philippe. Um rosé provençal da apelação Bandol, com presença marcante da uva Mourvèdre. É um rosé de personalidade, com corpo mais adequado e o frescor necessário para o calor da pimenta. A importadora Zahil tem um ótimo exemplar, Château de Pibarnon, elaborado com Mourvèdre e Cinsault (www.zahil.com.br).

Outra boa opção é o rosé provençal da Domaine Sorin, importado pela Decanter (www.decanter.com.br). Participam várias uvas como Grenache, Cinsault, Syrah e Mourvèdre.


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