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Porto Cinco Estrelas

14 de Julho de 2015

Com a chegada do inverno, o Porto (o mais famoso fortificado do mundo) ganha naturalmente seu lugar de destaque. Seja como vinho de meditação, para acompanhar sobremesas mais calorosas, queijos de sabores mais pronunciados e até mesmo, para escoltar Puros numa boa conversa. Evidentemente, as opções de marcas são inúmeras, além de faixas de preços bem variadas. Some-se a isso as várias categorias de Porto, e a equação torna-se complexa. Infelizmente, não há milagres. Os bons produtos sempre serão reconhecidos e valorizados ao longo do tempo. Neste sentido, segue uma lista pessoal de cinco estrelas do Porto, sobretudo nos critérios de qualidade, tradição e consistência.

Safra soberba e pouco lembrada

Taylor´s Fladgate & Yeatman

Aqui o assunto são Vintages. Embora sua seleção de Portos com declaração de idade seja de grande qualidade, seus Vintages são quase imbatíveis, sem falar na excepcional Quinta de Vargellas, componente indispensável na elaboração dos Vintages Clássicos. Safras 1963, 1970, 1977 e 1994, são altamente recomendáveis. Como curiosidade, a safra 1992 com 100 pontos, tem o brasão da Casa impresso no garrafa em comemoração aos 300 anos desta instituição (1692).

Uma das exclusividades desta tradicional Casa, é o “Porto Vintage Quinta de Vargellas Vinha Velha”. Localizada no chamado Douro Superior, Vargellas por si só, já é uma exclusividade. Seus frutos geram vinhos diferenciados que vão marcar definitivamente seus grandes Vintages Clássicos. Dentro desta exclusividade, há pequenas parcelas de vinhas muitos antigas (entre 80 e 120 anos) que representam apenas 2% da produção total desta Quinta. Em anos especiais, esses vinhos são vinificados separadamente, dando origem a um Porto Vintage de exceção. Até hoje, foram lançadas no mercado apenas seis safras desta maravilha.

1963: safra mítica do século XX

Porto Fonseca

Esta Casa fundada em  1815 tem forte ligação com a Taylor´s, quando foi incorporada ao grupo nos anos pós-guerra (segunda guerra mundial). Seus Vintages são excepcionais, em nível idêntico de qualidade aos da Taylor´s. Além dos Vintages, seu LBV Infiltered é de grande reputação, dando uma boa ideia do que pode ser um Vintage. Seu produto mais famoso e popular é o Porto Bin 27, um Finest Reserve de grande consistência. Concentrado, frutado, é uma ótima opção para um Porto diferenciado nesta categoria relativamente simples.

A história da Fonseca começa com as famílias Monteiro, Fonseca e Guimaraens. O primeiro grande Vintage da Casa data de 1840, quando este estilo de vinho começou a firmar-se como tal. Sua mais famosa Quinta, Panascal, produz um Porto exclusivo, além de seu Vintage Clássico.

Joia da Coroa

Quinta do Noval

Esta Casa é uma verdadeira instituição no Vinho do Porto. Deixando o Quinta do Noval Vintage Nacional de lado, pois trata-se de uma peça de exceção deste fortificado duriense, seus demais Vintages e Colheitas são de grande categoria. Destaque para seu incrível LBV Infiltered. Quando lançado em anos não declarados para Vintage, comporta-se como tal, de maneira camuflada pelas rígidas regras. A titulo de informação, a categoria LBV foi inspirada na Quinta do Noval com a safra de 1954. Lançado em 1958, fez história e lançou um novo estilo de Porto.

Para aqueles que não querem surpresas num Porto 40 Years Old, evolução máxima em Portos com declaração de idade, Quinta do Noval é um “porto seguro”. Seu blend e os cuidados no envelhecimento em pipas, fazem deste Porto uma compra diferenciada. Poucas Casas se arriscam neste Porto de exceção.

Fundada em 1715, esta Casa foi incorporada em 1993 ao grupo francês AXA, com propriedades famosas na região bordalesa (Châteaux: Pichon-Longueville, Suduiraut e Petit-Village). Prestígio e garantia de sucesso na longa história desta Quinta.

Niepoort

De  origem holandesa, esta Casa prima por seus diferenciados Colheitas, bem como os Portos com declaração de idade. Com longo envelhecimento em pipas, esses vinhos ganham grande complexidade ao longo dos anos, chegando ao mercado prontos para serem apreciados.

Como curiosidade, Niepoort mantem uma linha de Porto exclusiva chamada de “Garrafeira”. São garrafões de oito a onze litros de capacidade denominados “demijohns”. A safra 1977 após passar cinco anos em madeira, foi transferida para estes recipientes e conservada nos mesmos durante 28 anos. Em 2007, houve o engarrafamento definitivo para comercialização. As vinhas correspondentes à esta safra são exclusivamente do Cima Corgo (região nobre do relevo duriense) com idades entre 80 e 100  anos. De certo modo, o termo “Garrafeira” tenta reproduzir os grandes “Madeiras”  em sua categoria de excelência.

Compra sempre certeira

Graham´s Port

Pertencente ao grupo inglês Symington desde 1970, sua linha de Vintages e Colheitas merece respeito. Sua grande Quinta Malvedos elabora um dos Portos mais exclusivos. De linha relativamente básica, temos o clássico Six Grapes, um Porto Reserve comparável em qualidade ao Fonseca Bin 27, já mencionado acima.

Como toda boa tradição inglesa, Graham´s conserva ainda uma categoria de Porto praticamente extinta, o chamado “Crusted Port”. Trata-se de uma espécie de Vintage de algumas safras (normalmente duas ou três). Este blend é amadurecido em tonéis por alguns anos, e posteriormente engarrafado (datado no rótulo) para o devido envelhecimento. Comporta-se em seu processo evolutivo como um Vintage, inclusive criando os famosos sedimentos. Daí o nome, Crusted.

Enfim, Porto Cinco Estrelas ou, as Cinco Estrelas do Porto, tem o mesmo significado. São Casas da mais alta reputação, superlativas, quaisquer que sejam os critérios de julgamento. Comparado aos Bordeaux, outra paixão inglesa, esses são os verdadeiros Premiers Grands Crus Classés do belíssimo Vale do Douro.

Graham´s e Niepoort – http://www.mistral.com.br

Fonseca – http://www.vinci.com.br

Quinta do Noval – http://www.alentejana.com.br

Taylor´s – http://www.qualimpor.com.br

Degustação: Tintos do Douro

21 de Julho de 2014

As degustações na ABS-SP são rotineiras e sempre acontecem às quartas-feiras. Entretanto, algumas delas são especiais, reservando surpresas e novas perspectivas de consumo. Foi o caso desta última sobre os consistentes e originais vinhos do Douro, região consagrado do famoso Vinho do Porto, tão comentado neste mesmo blog em vários artigos específicos.

O painel completo

Só para contar um pouco da história da região, O Douro descoberto pelos ingleses na era moderna, adicionava aguardente em seus vinhos para suportar o longo e penoso trajeto até a Inglaterra. Neste acaso, descobriu-se com o tempo que a fortificação melhorava os vinhos da região. Com isso, cria-se o mais famoso fortificado, ou seja, o grande Vinho do Porto. Isso posto, praticamente a produção de vinhos de mesa na região restringiu-se ao consumo local e sem grandes atrativos. Contudo, na época da segunda guerra mundial surge um personagem ilustre chamado Fernando Nicolau de Almeida, exímio degustador, figura importante na Portocracia cultuada por ingleses e portugueses. Esse cidadão resolve vencer o desafio de criar um grande vinho do mesa da região onde até então, resumia-se nos grandes Portos. Através de muito estudo, pesquisas e tenacidade em seus objetivos, concebe um projeto ambicioso e inédito até o momento. Com muito critério, escolhe algumas quintas da região a dedo, sobretudo as quintas Vale do Meão e Leda, base estrutural de seu grande vinho, o mítico Barca Velha. Esse vinho de elaboração cuidadosa, passa um bom tempo em adega, não somente para amadurecer, mas principalmente para certificar-se e comprovar através de provas rigorosas que trata-se de algo distinto e seguro para uma aquisição especial por parte de uma seleta clientela. Quando rejeitado como tal, passa a ser chamado como Ferreirinha Reserva Especial, o qual na maioria das vezes, também é um belo exemplar, tal o rigor do julgamento nas provas. A primeira safra em 1952 mostra ao mundo do vinho o grande tinto de Portugal. Até pouco mais de uma década, os grandes vinhos de mesa do Douro resumia-se ao Barca Velha e num patamar abaixo, o Quinta do Côtto Grande Escolha, importado pela Mistral (www.mistral.com.br), além do Duas Quintas (importadora Franco Suissa – http://www.francosuissa.com.br) pertencente à Casa Adriano Ramos Pinto, cujo mentor do vinho é outra grande personalidade, João Nicolau de Almeida, filho do saudoso senhor Fernando (filho de peixe, peixinho é). Com o fenômeno Douro Boys recentemente, a qualidade e a diversidade de quintas toma um novo impulso, culminando em grandes degustações como esta feita na ABS-SP, explanada e comentada nos parágrafos abaixo.

Elegância e Autenticidade em profusão

Este foi o grande vinho do painel. Realmente, um ponto fora da curva. Cotado para ser o vencedor na teoria e comprovando na prática sua excelência. Ele foi por longos anos, a espinha dorsal do grande Barca Velha. Contudo, num certo momento, separou-se da Casa Ferreirinha e lançou-se em voo solo. A família Olazabal, muito competente na vinificação e fiel às suas raízes, soube interpretar esse grande terroir com um tinto autêntico, aliando potência e elegância como poucos. Nesta prova, após uma breve decantação revelou uma paleta de aromas digna dos grandes vinhos. Em boca, seu equilíbrio é notável e sua persistência, longa e expansiva. Tratando-se de Brasil, no rol dos grandes vinhos, seu preço ainda é atrativo. Importado pela Mistral (www.mistral.com.br).

Potente e Moderno

Esta parceria P+S (Prats e Symington) une Bordeaux e Douro na busca de um vinho moderno, mas fincado em suas origens. Bruno Prats comandou por longos anos um dos grandes châteaux do Médoc, o glorioso Cos d´Estournel, Deuxième Grand Cru Classé de alto nível. No terroir do Cima Corgo, as quintas de Roriz e da Perdiz fornecem ótima matéria-prima para um vinho destacadamente concentrado, sobretudo nesta excepcional safra de 2011 que será com certeza, uma das maiores do século vinte e um. Cor impenetrável, ainda muito fechado, já deixa transparecer todo seu potencial. Em boca é muito estruturado com abundância de taninos de grande qualidade. Deve-se esperar em adega uns bons dez anos onde então, começará a mostrar todo seu esplendor. Outra importação da Mistral.

Uma surpresa em sua faixa de preço

Quinta do Noval é uma das Casas mais cotadas em Vinho do Porto. Nos vinhos de mesa parece não ser diferente. O exemplar acima foi uma grata surpresa na degustação, principalmente levando-se em conta o preço. Seus aromas francos e bem delineados encantaram a plateia. Muito equilibrado em boca, cabendo uma comparação interessante: mais equilibrado em álcool que o próprio Chryseia (vinho de outro patamar de preço). Apesar de já prazeroso em bebe-lo, suporta com folga alguns anos de guarda. Também oriundo da sub-região do Cima Corgo, pende mais para elegância do que potência. Importado atualmente pela Adega Alentejana (www.adegaalentejana.com.br).

Por fim, os outros dois exemplares, Carm Reserva e Duorum Reserva, foram muito bem, mas sem o destaque dos demais. As safras, condições peculiares e pontuais de maturação das uvas, além da vinificação, podem ser fatores de justificação. Contudo, reforço, vinhos agradáveis e sem defeitos.

A sábia sequência dos vinhos nesta degustação soube valorizar o que tem de melhor cada exemplar. Oxalá, tenhamos outros bons painéis como este.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

 

Tintos de Portugal

29 de Julho de 2013

Nesta quarta-feira (24/07/13) com muito frio, tivemos uma interessante degustação didática na ABS-SP sobre as principais regiões vinícolas de Portugal. Os vinhos, todos tintos, representaram bem as características locais, conforme mapa abaixo:

Mapa atualizado das regiões

Só para esclarecer, a região Lisboa refere-se à antiga Estremadura, Ribatejo agora é simplesmente Tejo, e Península de Setúbal substitui a antiga Terras do Sado. Vamos aos vinhos:

Campolargo é um produtor excêntrico da Bairrada, misturando modernidade com tradição. Neste rótulo de nome bem apropriado, o vinho nasce de videiras antigas plantadas todas misturadas com diferentes cepas (Baga, Castelão, Trincadeira, Sousão, Bastardo, Alfrocheiro e Tinta Pinheira). A vinificação também é conjunta com posterior amadurecimento por doze meses em barricas usadas. A acidez da Bairrada está bem presente, embora seus 15,5° de álcool incomodem um pouco. Outra característica é a agressividade de seus taninos que precisam de longo tempo em garrafa. Enfim, boa tipicidade, crescendo muito à mesa na companhia de carnes estufadas, ou melhor dizendo, carnes ensopadas.

Conceito é uma vinícola recente do Douro Superior mesclando também modernidade com tradição. Neste exemplar com as duas Tourigas (Nacional e Franca), a novidade é o amadurecimento em aço inox por dezoito meses após a vinificação. É bem verdade que as características locais ficam mais evidentes com notas florais, frutas escuras vibrantes e um toque mineral (terroso). Contudo, nada como a barrica de carvalho para domar a boa tanicidade deste tinto. Vinho interessante, muito bem equilibrado, e de longo envelhecimento. O preço é outro atrativo, pouco mais de cinquenta reais.

Este é um moderno exemplar do Dão com a típica uva local Touriga Nacional. Fermentado em aço inox e amadurecido em barricas novas francesas por dezoito meses. Vinho ainda um pouco fechado, bela estrutura tânica, com bons anos de envelhecimento em adega. O frescor dos tintos do Dão geram sempre vinhos muito bem equilibrados. A grande dúvida deste exemplar é até que ponto  esta carga de madeira não compromete o vinho. Aposto com alguma dúvida que haverá uma integração harmônica com o mesmo no seu envelhecimento em garrafa. Os típicos aromas florais da Touriga ainda estão tímidos frente aos aromas amadeirados (baunilha, especiarias e chocolate amargo). Gostaria de revê-lo daqui há dez anos.

Este alentejano é diferenciado por dois motivos: Terroir de Portalegre (Serra de São Mamede) e elaboração do competente Paulo Laureano (intimamente ligado ao espetacular Mouchão). Apesar de ser um dos mais simples do portfólio, este Colheita prima por sua elegância e equilíbrio. As uvas são Trincadeira, Argonês e Alicante Bouschet. O terroir de Portalegre diferencia-se das demais sub-regiões alentejanas por ser um vinhedo de altitude, preservando altos níveis de acidez, fator este, sempre em carência nos macios e quentes vinhos da região. Este exemplar encontra-se num ótimo momento para consumo com aromas terciários de couro, toques balsâmicos e um leve mentol. Beber com prazer.

Talvez o vinho mais polêmico da noite quanto à sua estrutura e poder de evolução. Este é um vinho moderno da região do Tejo com as uvas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Passa cerca de doze meses em barricas francesas. Pessoalmente, achei um vinho um pouco carente de estrutura e com taninos não muito agradáveis, um pouco ásperos. A Cabernet tem presença tímida no corte. Tenho sérias dúvidas quanto ao seu futuro. É uma aposta arriscada.

Harmonização: Arroz de Marisco

30 de Abril de 2012

Aproveitando a menção das sete maravilhas da gastronomia portuguesa citada no artigo publicado neste blog sobre o queijo Serra da Estrela, vale a pena comentarmos o tradicionalíssimo Arroz de Marisco, originário das regiões de Estremadura e Ribatejo.

Ícone da gastronomia portuguesa

Pode ser encarado como uma versão da famosa caldeirada com a inclusão do arroz ou até, como uma paella à moda  portuguesa.

A receita original fala em mariscos locais como amêijoas, sapateira e berbigão. Aqui podemos substituir por vôngoles, mexilhões, siri e camarões, por exemplo. Cozinhe todos eles juntos ou separadamente, reservando seus respectivos caldos. Pode-se acrescentar no caso dos camarões, cascas e cabeças para concentrar mais o caldo. Em seguida, refogue o arroz com azeite, alho, cebola e tomate, adicionando um cálice de vinho branco. Após este processo, adicione os diversos caldo dos mariscos para o devido cozimento. No final, acrescente os mariscos com um pouco de salsinha ou coentro, conforme gosto pessoal. O resultado deve ser parecido com a foto acima, não deixando o arroz secar.

A harmonização com vinhos brancos é óbvia, dada a presença de frutos do mar com forte tendência a metalizar a maioria dos tintos. Se pensarmos em termos regionais, a Denominação de Origem Bucelas nos revela ótimos brancos para este prato. A principal uva é a Arinto, conhecida também com Pedernã, podendo ser complementada com as uvas Sercial (Esgana Cão, outro sinônimo) e Rabo de Ovelha. O vinho apresenta textura adequada ao prato, boa mineralidade e acidez refrescante. As versões com presença discreta de madeira podem ser satisfatórias. Quinta da Romeira é referência desta denominação, trazido pela Mistral (www.mistral.com.br). Outra opção portuguesa é o branco do Tejo (antigo Ribatejo) do produtor Quinta da Alorna. É um reserva branco com as castas Arinto e um pouco de Chardonnay com leve passagem por barrica, trazido pela importadora Adega Alentejana (www.alentejana.com.br).

Do lado italiano, duas ótimas sugestões. Um branco do Veneto da denominação Soave do belo produtor Pieropan com a uva local Garganega, trazido pela importadora Decanter (www.decanter.com.br). Outra opção, agora da Toscana, do sofisticado Angelo Gaja, é o Ca´Marcanda Vistamare. Um branco mesclando Chardonnay, Sauvignon Blanc, Vermentino e Viognier, da badalada sub-região de Bolgheri. Os dois apresentam boa mineralidade, aromas elegantes e discretos, sem arranhar os toques de maresia do prato.

 

 

Vinho do Porto: Parte V

21 de Abril de 2011

Como vimos em posts anteriores, os Portos se dividem em dois grandes estilos: Ruby e Tawny.  Esses estilos em suas versões mais simples representam grandes volumes na produção total de Porto. São relativamente simples, de bom preço e não devem envelhecer. São os que mais percebemos o álcool por serem fortificados e não possuírem extrato suficiente, com raras exceções. A temperatura mais resfriada (entre 14 e 15ºC) ajuda a minimizar essas imperfeições. É bom sempre ter algumas garrafas para os “cunhados” de plantão.

Tawny e Ruby: nítida diferença de cores

Partindo destes dois grandes grupos, teremos tipos de Porto mais sofisticados, conforme site oficial da região, www.ivdp.pt :

Porto Ruby Reserva

Conhecidos também como Vintage Character (expressão inglesa), originam-se a partir de uma seleção de lotes com bom potencial de fruta e cores vibrantes a cada safra. A safra atual vai sendo adicionada a lotes já em processo de amadurecimento, sempre procurando preservar o lado frutado. Os melhores Reservas são os que possuem mais extrato e concentração de sabores, dependendo da reputação de cada vinícola. Normalmente, as safras que formam os lotes não são muito antigas  (no máximo cinco anos). Uma referência neste estilo é o Graham´s Six Grapes, importado pela Mistral (www.mistral.com.br).

Porto Late Bottled Vintage (LBV)

Tentou-se abreviar a sigla inglesa LBV por SET (safra de engarrafamento tardio), mas não deu muito certo. De todo modo, trata-se de um Porto de uma só colheta que deve ser obrigatoriamente declarada no rótulo. O vinho deve amadurecer entre quatro e seis anos antes do engarrafamento, sempre preservando seu lado frutado. É o chamado Vintage de bom custo/benefício. Não tem a concentração, nem a longevidade de um Vintage, mas lembra suas principais características. O LBV da Quinta do Noval é sempre uma grata surpresa, muito acima da média. Não deve envelhecer muito em adega. Geralmente, convém não guardá-lo mais do que dez anos a partir da safra. Além da safra, é obrigatório também, a data de engarrafamento.

Vintage

Para muitos, a perfeição do Vinho do Porto. É vinho também de uma só colheita, porém esta, excepcional. Deve envelhecer de dois a três anos antes do engarrafamento, geralmente em grandes balseiros, preservando todo seu poder de fruta e potência aromática. Tanto a safra, como a data de engarrafamento, devem ser mencionadas no rótulo. Depois de comprado, esqueça-o na adega. Comece a pensar em abrí-lo depois de seu décimo aniversário de safra. Melhor a partir dos quinze ou vinte anos. Deve ser obrigatoriamente decantado por todos os motivos: grande quantidade de sedimentos (borras espessas) e aeração para desprendimento de aromas mais pesados. Noval, Fonseca, Taylor´s e Graham´s são Casas notáveis.

Está muito em voga, os chamados Vintages de Quinta, mencionados com Single Quinta Vintage pelo IVDP, orgão oficial. Os ótimos Quinta de Vargellas (Taylor´s) e Quinta do Vesúvio (Symington´s) dignificam a categoria. Contudo, o Vintage tradicional, resultado da mistura de várias quintas de um mesmo ano e de uma mesma propriedade, continua sendo considerado superior. Teoricamente, a conjunção de diversos terroirs (quintas) confere nuances e complexidade incomparáveis.

Do lado oxidativo, passemos às categorias de Tawnies especiais:

Porto Tawny Reserva

A mesma idéia do Ruby Reserva, porém de estilo oxidativo. São lotes de várias safras com vinhos de características apropriadas a um contato mais intenso com a madeira. Suas cores são mais claras, tendendo ao granada ou atijolado. Os aromas de frutas secas e toques empireumáticos são sempre citados. O Porto Jockey Club Burmester é um belo exemplo desta categoria.

Belo exemplar da categoria abaixo

Tawny com declaração de idade

A expressão 10, 20, 30 e 40 Years Old é mencionada nesta categoria, teoricamente superior à anterior, já que a média de idade das safras de um Tawny Reserva raramente supera cinco anos. Portanto, esses números declarados significam que a média de idade dos lotes reflete um Vinho do Porto amadurecido em madeira por 10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, respectivamente.

É bom que se frise, que não há superioridade entre essas declarações de idade, sugerindo que um 20 anos seja superior a um 10 anos. O que ocorre na verdade, são características diferentes com a evolução do vinho na barrica. Pode até acontecer que um 10 anos tecnicamente seja superior a um 20 anos. O segredo é selecionar lotes homogêneos e de extrato compatíveis com as repectivas declarações de idade. Portanto, não se faz um 20 anos com um 10 anos mais envelhecido. Neste raciocínio, é muito mais difícil encontrar um 40 anos perfeitamente equilibrado, do que um 10 anos normalmente encontrado em nosso mercado.

Sensorialmente, um 10 anos é mais potente e frutado que um 40 anos. Um tempo mais prolongado, com um grau de oxidação muito maior, revela aromas mais etéreos  e com maiores nuances, mas só lotes de características muito distintas conseguem vencer um período tão prolongado em pipas de carvalho. Taylor´s 10 anos, Adriano Ramos Pinto Quinta de Ervamoira 10 anos e Ferreira Duque de Bragança 20 anos, são referências neste estilo de Porto.

Porto Colheita

Esta é a categoria máxima no estilo Tawny, muitas vezes sem o devido reconhecimento de consumidores menos esclarecidos. Como o próprio nome diz, é um Porto de uma só colheita que deverá ser mencionada no rótulo, bem como, a data de engarrafamento, a qual não deve ser inferior a sete anos. Evidentemente, os grandes Colheitas passam muito mais tempo nas pipas e podem ser tão extraordinários como os grandes Vintages. É uma questão de gosto e estilo. Costumam retratar o melhor dos aromas e sabores do estilo oxidativo. A Casa Niepoort oferece uma coleção de Colheitas do mais alto nível. Importado pela Mistral (www.mistral.com.br).

Vinhos citados

Quinta do Noval – importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br)

Duque de Bragança – importadora Inovini (Aurora) – (www.aurora.com.br)

Porto Burmester – importadora Adega Alentejana – (www.adegaalentejana.com.br)

Porto Fonseca – importadora Vinci – (www.vinci.com.br )

Porto Taylor ´s – importadora Portus Cale – (www.portuscale.com.br)

Porto Adriano Ramos Pinto – importadora Franco Suissa – (www.francosuissa.com.br)

Destaque do Alentejo: Mouchão

22 de Julho de 2010

Aqui vale o ditado: Quanto mais velho, melhor!

Não há dúvida que vinhos como Barca Velha e Pera Manca são ícones incontestáveis de Portugal, mas nem todos sabem do grande terroir que existem há mais de um século na Herdade do Mouchão. Se levarmos em conta seu preço, é o melhor vinho de Portugal.

Este é um alentejano diferenciado em todos os quisitos que perfazem o conceito de terroir (casta, solo, clima e homem). A casta predominante é o Alicante Bouschet, uma casta praticamente abandonada na França  e adotada no Alentejo. Na Herdade do Mouchão, encontrou clima e solo ideais para sua difícil maturação. É um solo específico de várzea com subsolo argiloso, que permite armazenar água suficiente para os períodos de seca. O clima relativamente frio para os padrões alentejanos na subregião de Portalegre, junto a serra de São Mamede, propicia uma maturação lenta e gradual, para que esta casta extremamente exigente desenvolva aromas e taninos de rara qualidade. Complementada pela casta Trincadeira, também conhecida no Douro como Tinta Amarela, torna o blend macio na medida certa , sem perder a estrutura e espinha dorsal deste grande tinto. Neste momento entra a sabedoria humana em lapidar este tesouro, com uma vinificação absolutamente tradicional, começando com a pisa a pé em lagares, seguida de longa maceração das cascas. Terminada esta fase, o vinho estagia em grandes tóneis antigos de dois mil litros por dois ou três anos, e mais dois antes do engarrafamento, sem filtração. O tamanho dos tóneis aliado à idade avançada da madeira, permite a devida oxigenação e estabilização do vinho, sem perder as preciosas características de terroir.

O resultado é um vinho retinto, rico em aromas de grande mineralidade. Pode e deve envelhecer por pelo menos dez anos. Deve ser obritoriamente decantado por todos os motivos: tenra idade, ausência de filtração e consequente depósitos (borras).

Por tudo que foi exposto, não apresenta um perfil alentejano corriqueiro, com aromas abertos, taninos dóceis, relativamente quente (álcool) e pronto para beber. É um vinho com identidade própria, capaz de evoluir no tempo como poucos. É importado pela Adega Alentejana (www.adegaalentejana.com.br) por menos de R$ 200,00 (vale cada centavo).

Dicas de vinhos

1 de Abril de 2010

Tenho recebido algumas opiniões que neste blog não há muitas dicas de vinhos. Tanto é verdade, que mudei a seção de Vinho da semana para Vinho em destaque. Realmente, não sou a pessoa mais indicada para oferecer inúmeras dicas, as quais inundam vários sites e blogs. Depois de uma certa vivência na área, começamos a perceber que a maioria das dicas tem um caráter muito mais comercial do que qualquer outro propósito. Afinal, é preciso vender, lei da sobrevivência. Contudo, podem estar certos de uma coisa: quando eu mencionar algum vinho, sinceramente na minha irrestrita opinião, é que este vinho vale a pena, quer seja pela sua qualidade diferenciada, quer seja pelo preço muito abaixo de seus predicados. Porém, não vou deixá-los sem respostas.

Penso que a melhor dica  é algo que vá de encontro com as afinidades  de cada um. Neste sentido, o mundo do vinho tem opções para todos os gostos e todos os bolsos.

Algumas importadores no Brasil oferecem vinhos específicos de determinados países, fruto de um longo trabalho e absolutamente fiéis a seus propósitos. Seguem abaixo alguns exemplos:

  • Importadora KMM (www.australiacom.net). Especializada há anos nos melhores vinhos australianos. Procurem pela proprietária Marli e você terá belas dicas.
  • Importadora Península (www.peninsula1.com). Especializada em grandes vinhos espanhóis. Procurem pelo proprietário Juan. Extremamente simpático e um entusiasta da Espanha.
  • Adega Alentejana (www.alentejana.com.br). Especializada em vinhos portugueses, notadamente do Alentejo. Seu proprietário, Manuel Chical possui todas as informações técnicas que você necessitar.
  • Importadora Premium (www.premiumwines.com.br). Especializada em vinhos neozelandeses. Rodrigo, um dos proprietários, tem capacidade de sobra para orientá-lo. Está cursando e buscando o dificílimo título Master of Wine.
  • Importadora Cellar (www.cellar-af.com.br). Se você procura grandes vinhos franceses e italianos a preços justos, fale com o proprietário Amaury de Faria, um dos maiores conhecedores de vinhos do Brasil.

Das grandes importadoras como Mistral, Vinci, Grand Cru, World Wine, Decanter e Zahil, confesso que é preciso certo conhecimento para garimpar suas garrafas preferidas. A despeito de trazerem grandes produtores, seus catálogos são relativamente extensos para a maioria dos consumidores, principalmente aqueles que estão iniciando no mundo do vinho.

Às demais importadoras não mencionadas neste post peço desculpas, mesmo porque, sempre haverá esquecimento de uma ou outra. Entretanto, não faltarão oportunidades de mencioná-las em momentos adequados, inclusive de  forma individualizada.

Está muito em voga a frase: o melhor vinho é aquele que você gosta. Como diria Dr. Sérgio de Paula Santos: gosto não se discute, mas educa-se. Portanto, ainda prefiro a legenda discretamente mencionada em Vinho sem Segredo da autoria do  grande enólogo Emile Peynaud.

Voltando às dicas, no decorrer da elaboração deste post, apareceu um belo vinho em minhas degustações que segue em detalhes logo abaixo.