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Enogastronomia: Parte II

9 de Fevereiro de 2012

Após termos explanado os conceitos de corpo, tipologia e intensidade, vamos aos principais sabores que influenciam tanto o vinho, quanto a comida:

Salinidade

Aqui só tem sentido falarmos de salinidade nos pratos. Raramente, teremos esta sensação no vinho, exceto em alguns Madeiras, Jerezes ou algum outro vinho exótico. O teor de sal está efetivamente presente nos pratos e normalmente não chega a interferir na harmonização. Na verdade, o sal tem como função principal realçar o sabor dos alimentos. As comidas salgadas via de regra se devem ao excesso de sal. Contudo, existem alguns alimentos naturalmente salgados onde o sal faz parte de sua própria essência. É o caso dos queijos azuis (Gorgonzola), presunto cru, azeitonas, alici, entre outros.

O sal faz um contraponto muito interessante ao sabor doce, imortalizando a harmonização entre os queijos azuis e vinhos doces. Porém, nos pratos ditos de mesa ou de refeição, o sal normalmente é neutralizado pela acidez dos vinhos. Entradas salgadas com os ingredientes acima citados são muito bem harmonizadas com espumantes, champagnes e jerezes. Precisamos ter muita cautela na utilização de vinhos tintos devido aos taninos presentes. Quanto mais tânico for o vinho, maior a percepção do choque tanino x sal, gerando um amargor desagradável. Um erro comum é tomar Cabernet Sauvignon com queijo tipo gorgonzola. Tintos de boa acidez e de baixa tanicidade apresentam menos arestas para enfrentar a salinidade dos pratos.

Um belo queijo e  uma grande uva: combinação infeliz

Acidez

Este é um componente sempre presente nos vinhos em menor ou maior grau. Precisar a sensação de acidez nos vinhos é um fator chave em certas harmonizações. Na comida, a acidez está presente em saladas de uma maneira geral e certos molhos que são determinantes na harmonização. Aqui também o choque com os taninos do vinho tinto pode ser marcante, gerando aquele amargor desagradável. Portanto, os brancos costumam ter mais sucesso. Quanto maior a acidez do prato, maior deve ser a acidez do vinho. Saladas e entradas onde a acidez é dada por algum tipo de vinagre ou limão devem ser acompanhadas de brancos jovens e de acidez vigorosa como Vinho Verde, Chablis, Riesling, Aligoté, entre outros. O famoso molho beurre blanc à base de manteiga e vinho branco é um exemplo de acidez onde a harmonização clássica se faz com Chablis.

Continuamos no próximo post com doçura e amargor.

Harmonização: Salada de Bacalhau

31 de Janeiro de 2011

Aos poucos, bacalhau está voltando a ser um alimento relativamente barato, quase como nos anos 60 (início da Bossa Nova). Frente a outros tipos de carne, vale a pena optar pelo produto, rico em ômega 3.

Uma das inúmeras opções de salada para o bacalhau

A nossa salada tem como ingredientes além de um bom bacalhau frio em lascas, já dessalagado e cozido; radicchio rosso, rúcula, tomate cereja, batata, vagem, azeitonas, tangerina em gomos, manjericão, molho vinagrete, sal e pimenta a gosto. Apesar de não ser um blog sobre receitas, é sempre importante numa harmonização, sabermos os ingredientes participantes.

O ideal é que o vinho seja branco, embora haja alternativas para o tinto ou rosé. Como estamos no verão e se trata de uma salada que pode ser inclusive uma entrada, vamos nos fixar num branco.

As batatas e o bacalhau são elementos que vão dar corpo e textura ao prato. Portanto, precisamos de um branco com certa personalidade. As verduras com toques amargos e o tomate pedirão vinhos com poder de fruta. O molho vinagrete, as azeitonas e a tangerina, fornecerão componentes de acidez ao prato.

Neste cenário, um bom Sauvignon Blanc moderno e jovem da Nova Zelândia ou do Chile, tem corpo adequado, fruta e acidez suficientes, além dos toques herbáceos combinarem bem com as verduras, principalmente o manjericão.

Um opção mais original seria um belo Alvarinho (Portugal) ou Albariño (Espanha). A versão sem madeira de Anselmo Mendes da importadora Decanter é um escolha segura para um dos melhores Alvarinhos da atualidade (www.decanter.com.br). Do lado espanhol, o Albariño Martín Códax da importadora Peninsula elabora brancos bastante frescos e de muito caráter. Outra bela opção da mesma importadora é o Cava Juvé y Camps Reserva Vintage Brut. Espumante de grande personalidade para enfrentar os sabores do bacalhau. Procure pelo simpático Juan (www.peninsula1.com).

Enfim, as variações de uma salada de bacalhau são inúmeras. Contudo, sempre precisaremos de vinhos marcantes, pois o sabor do bacalhau exige este pré-requisito.