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California Wine Regions: Parte I

20 de Fevereiro de 2014

Iremos falar de vinhos americanos a partir deste artigo, explorando os vinhos californianos. A razão é muito simples, noventa porcento dos vinhos produzidos neste país vêm deste estado localizado na costa oeste, junto ao Pacífico. Como os Estados Unidos são o quarto maior produtor de vinhos do mundo, a Califórnia sozinha produz mais que qualquer país do chamado Novo Mundo. Vejam alguns números recentes abaixo:

  • 3.540 vinícolas
  • 543.000 acres (aproximadamente 220.000 hectares de vinhas)
  • US$ 19,9 bilhões de dólares (vendas nos Estados Unidos)
  • 211,9 milhões de caixas de 12 garrafas (vendas nos Estados Unidos)
  • US$ 1,39 bilhões de dólares (exportações)
  • 51 milhões de caixas de 12 garrafas (exportações)

O mapa abaixo mostra as principais sub-regiões da Califórnia, seu relevo montanhoso e a proximidade do Pacífico. O chamado Vale Central é o maior responsável pelos números acima. Evidentemente, a qualidade fica em segundo plano.

Os  badalados condados de Sonoma e Napa na Costa Norte

No mapa abaixo, mais alguns condados famosos como Santa Bárbara e Santa Ynes no sul da Costa Central. O Pacífico banha cerca de mil e trezentos quilômetros de costa californiana desde o Oregon a norte, até o México, ao sul. Cada uma destas sub-regiões é dividida em condados (county), e estes por sua vez, são divididos em AVAs (American Viticultural Areas), uma espécie de Denominação de Origem européia. Atualmente, são cento e onze AVAs em todo o estado.

Califórnia e os estados limítrofes 

http://mappery.com/maps/California-Wine-Map.jpg

Clique no endereço acima e vejas detalhes de todas as AVAs nos vários condados californianos.

O esquema abaixo mostra aspectos do terroir californiano sob a influência do oceano, sobretudo nas sub-regiões da costa. A alta temperatura e a insolação no continente chocam-se com as brisas frias do oceano nesta região, formando as famosas neblinas à noite, que serão dissipadas no dia seguinte, à medida em que sol volta a brilhar forte.

Próxima parada: Costa Norte (North Coast) com os condados de Lake, Los Carneros, Mendocino, Sonoma e Napa Valley. Seus badalados vinhos fazem a fama deste grande estado.

Napa Valley: Parte IV

29 de Outubro de 2012

Voltando ao nosso mapa original, notamos que outras AVAs de Napa Valley não têm a mesma importância que as já citadas em artigos anteriores. Uma que merece menção especial é Los Carneros, bem ao sul da região, com toda a influência das brisas frias da baía de San Pablo. É fonte de bons Chardonnays e Pinot Noir.

Napa Valley: aproximadamente 18.000 hectares de vinhas

Nos três artigos anteriores, tentamos mostrar o pioneirismo e a supremacia da Califórnia, especialmente Napa Valley, na elaboração de grandes vinhos do chamado bloco dos países do Novo Mundo. O clássico corte bordalês tão reproduzido em várias regiões e países, parece ter encontrado em Napa Valley sua cópia mais fiel. Evidentemente, a classe e elegância francesas não estão em xeque, mas os tintos de Napa baseados em Cabernet Sauvignon chegam muito perto em refinamento e também em preços. Na maioria das vezes, os americanos pecam por serem um tanto potentes, amadeirados e com um toque mentolado característico. Entretanto, os grandes exemplares mencionados nos artigos descritos, corrigem estes “defeitos crônicos”, deixando os melhores “grand cru classé” com a pulga atrás da orelha, e são um tormento para degustadores experimentados quando degustados às cegas.

Por razões de preço e baixa oferta, poucas importadores trazem vinhos americanos. Entretanto, citaremos alguns endereços abaixo onde podem ser encontrados alguns dos vinhos citados nesses artigos específicos sobre Napa Valley. Como dissemos, não são vinhos baratos, mas para aqueles viajam ou estão acostumados a adquirir vinhos ícones, vale a pena a experiência. Além disso, podem surgir gratas surpresas  para aqueles que veneram os grandes bordeaux.

Napa Valley: Parte III

25 de Outubro de 2012

Caminhando para a parte sul de Napa Valley, as comunas ou melhor, as AVAs Oakville e Stag´s Leap entram em evidência. O esquema abaixo mostra Oakville, imediatamente a sul de Rutherford, comuna esta comentada em post anterior. Com clima um pouco mais fresco, ainda assim um belo terroir para Cabernet Sauvignon com vinhedos históricos como To Kalon, berço de um dos mais disputados tintos americanos, Opus One e também do consistente Robert Mondavi Reserve. Outro vinhedo espetacular é Martha´s Vineyard, da vinícola Heitz, com seu Cabernet Sauvignon bastante conceituado.

Do lado leste, destaca-se a boutique Screaming Eagle com seus Cabernets sendo disputados a peso de ouro. Algo como Pingus na região mais cara de Ribera del Duero, denominada e comentada em artigo específico neste mesmo blog como “Milha de Ouro”. Outros destaques desta comuna são as vinícolas Silver Oak Cellars e Far Niente.

Antes de nossa última comuna, um parênteses para a excepcional vinícola Dominus Estate, pertencente à AVA Yountville, imediatamente a sul de Oakville. Sob a inspiração de Christian Moueix, proprietário do Chateau Petrus em Pomerol, seu corte bordalês baseado em Cabernet Sauvignon do notável vinhedo Napanook é um dos mais elegantes tintos do Napa.

Cask 23: Um pesadelo para os grandes Bordeaux

Nossa última comuna ou AVA é Stag´s Leap District, criada recentemente, muito em função do vinho homônimo, o famoso Cask 23. Ele não fez barulho somente em 1976, na famosa degustação de Paris. Posteriormente, algumas vezes repetida a mesma degustação em outras ocasiões, este Cabernet Sauvignon ratificou sua primazia, mostrando não ser mero acaso. Alguns o chamam de o “Margaux do Napa” por sua elegância e seu toque floral característico. Mais uma coincidência, a comuna de Margaux também é homônima do seu grande vinho.

Stag´s Leap Wine Cellars trabalha com dois belos vinhedos muito bem dividido em setores baseados fundamentalmente em Cabernet Sauvignon, os vinhedos Fay e S.L.V., que serão descritos a seguir. O vinhedo original e mais antigo é o Stag´s Leap Vineyard (SLV). Foi utilizado para a elaboração do famoso tinto campeão em Paris, 1976. Na época, a safra de 1973 apresentou-se diferenciada num dos tonéis de amadurecimento. Chamou tanto a atenção, que resolveram engarrafá-la com a descrição Cask 23. O vinhedo Fay foi adquirido posteriormente, embora seja uma parcela antiga de um  proprietário tradicional da região. Atualmente, o famoso Cask 23 é uma assemblage das melhores partidas provenientes destes dois belos vinhedos, bem ao estilo de elaboração dos melhores grandes Bordeaux.

Napa Valley: Parte II

22 de Outubro de 2012

Dando sequência ao terroir Napa Valley, falaremos especificamente das AVAs (Área Viticultural Americana) mais famosas como Santa Helena, Rutherford, Oakville e Stag´s Leap.

Começando com St. Helena, é a AVA mais quente das quatro citadas e relativamente menos prestigiada que as demais, embora tenha vinícolas de peso como Beringer, Spottswoode e Joseph Phelps com seu fabuloso Insignia. De um modo geral, seus vinhos costumam ser muito potentes, faltando de certo modo alguma elegância encontrada com mais facilidade nas comunas imediatamente a sul.

O vale afunila na direção sul-norte

Contígua à St. Helena, a comuna seguinte é a venerada Rutherford, chamada por muitos com certo exagero, a Pauillac de Napa.  Seus mais característicos vinhos são capazes de traduzir na taça um toque mineral terroso, conhecido como “dust rutherford”, ou seja, poeira de rutherford. Os lendários tintos de Inglenook, com vinhedos revitalizados pelo cineasta Francis Coppola através da vinícola Rubicon exprimem bem este caráter. Outra tradição local é a vinícola Beaulieu Vineyard com seu Georges de Latour Private Reserve , um clássico local.

O clima aqui parece ser ideal para a Cabernet Sauvignon. Quente o suficiente para sua maturação ideal, frio o suficiente para alongar seu ciclo, proporcionando notável estrutura tânica. Os solos a oeste são mais pedregosos, misturando areia e argila, enquanto a parte leste predominam solos vulcânicos. Os aromas minerais com toques terrosos e a característica fruta escura dos clássicos Cabernets estão aqui presentes. Vinícolas como Frog´s Leap e Caymus são destaques desta comuna.

Como exceção, a AVA Calistoga a norte de St Helena, e portanto mais quente ainda, tem como destaque a vinícola Araujo Estate Wines. Seu espetacular vinhedo Eisele, de solo predominantemente vulcânico, molda um dos mais emblemáticos Cabernets do Napa, que pode envelhecer por décadas. Outra vinícola de destaque é o Chateau Montelena, principalmente pelo seu Chardonnay que desbancou grandes nomes na mítica degustação de Paris em 1976. Seu estilo clássico e elegante, lembra um bom exemplar da Borgonha. O diferencial destes dois exemplos é que são vinhedos de altitude, aproveitando com inteligência a bela amplitude térmica local.

Próximo post, as AVAs de Oakville e Stag´s Leap.

Napa Valley: Parte I

18 de Outubro de 2012

Pouco se fala dos vinhos americanos no Brasil. Evidentemente, as notícias, as divulgações, giram em torno de um interesse comercial. Como os americanos consomem praticamente todo seu vinho produzido, além de grande importador da Europa, a pouca oferta exportada é cara e portanto, presa fácil para seus concorrentes do chamado Novo Mundo. É o que acaba acontecendo em nosso mercado.

Quarta potência no mundo do vinho, os Estados Unidos no conjunto da obra são a melhor resposta aos chamados vinhos do Velho Mundo, mudando definitivamente a face do mercado internacional, a partir da histórica Degustação de Paris em   1976.

Especificamente Napa Valley, tema de nosso artigo, responde por 20% dos valores comercializados da Califórnia, apesar de sua produção girar em torno de apenas 4%. Sabemos que mais de 90% do vinho americano concentra-se neste estado da costa oeste.

Napa Valley é uma das áreas nobres da Califórnia, muito bem situada em termos de clima e solos. Se há um lugar no mundo onde a Cabernet Sauvignon possa fazer frente ao terroir sagrado do Médoc (a chamada margem esquerda de Bordeaux. Favor verificar artigos específicos sobre Bordeaux em cinco partes), esse lugar é Napa Valley, especificamente em comunas famosas como Rutherford, Oakville e Stag´s Leap, conforme mapa abaixo:

16 AVAs formam o famoso Napa

As contíguas AVAs  (Área Viticultural Americana) desde Santa Helena a norte até Stag´s Leap mais ao sul, funcionam como as famosas comunas do Medóc (Pauillac, St Julien, St Estèphe e Margaux). Neste local, os vinhedos desenvolvem-se entre as cadeias de montanhas Mayacamas a oeste e Vaca Range, a leste. O clima tende a ser mais quente ao norte, próximo a Calistoga, e mais frio ao sul, próximo à cidade de Napa. Os nevoeiros frios pelas manhãs entram pelo sul através da baía de San Pablo e vão perdendo força, à medida que caminham para o norte.

Os solos do Napa são extremamente complexos e diversificados. São de origem vulcânica, sedimentar e também aluvial. Argila, areia, pedras e marga são seus principais componentes. Em linhas gerais, no fundo do vale, próximo ao rio Napa, os solos são aluviais, argilosos e relativamente profundos. Já os solos nas encostas, são mais diversificados, mais pedregosos, pobres e pouco profundos.

As AVAs de Santa Helena, Rutherford, Oakville e Stag´s Leap, serão abordadas em detalhes no próximo post, mostrando suas requintadas vinícolas e terroirs diferenciados.