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Harmonização: Baião de Dois

9 de Setembro de 2013

Prato emblemático do nordeste e também com versões em Minas Gerais. O nome vem dos dois principais ingredientes da receita, feijão e arroz, bem típicos da dieta brasileira. Essa mistura, esse baião, é enriquecido com outros ingredientes como bacon, linguiça calabresa, carne seca ou carne de sol, cheiro verde, queijo coalho ou queijo minas, manteiga de garrafa, leite de coco, tomate, alho e cebola. Veja uma das versões no vídeo abaixo:

 https://www.youtube.com/watch?v=aaa-SrrUFVQ

É um prato de muito sabor, bom corpo e com certa gordura dissolvida. Os sabores do bacon, calabresa e a carne seca são marcante e com caráter defumado. Portanto de início, podemos pensar num vinho tinto saboroso, intenso e com notas amadeiradas, casando com os toques defumados. Como trata-se de um prato relativamente rústico, devemos optar por vinhos  sem grande pompa. Por exemplo, vinhos jovens alentejanos (sul de Portugal), novos, com muita fruta, bom teor alcoólico e com alguma passagem por madeira. Aliás, a carne suína e seus derivados são muito apreciados na região. Se a opção for um vinho branco, que seja um Chardonnay passado em barricas de carvalho. Ainda em Portugal, temos belos brancos barricados com a uva Encruzado no Dão, e Antão Vaz no Alentejo.

Bar do Melo: Baião de Dois

Na América do Sul, um bom Malbec de Mendoza, preferencialmente do Valle de Uco com maior acidez, deve fazer boa parceira com o prato. Um belo produtor é Achaval Ferrer, trazido pela importadora Inovini (www.inovini.com.br). No Brasil, os bons Merlots encorpados da Serra Gaúcha como Miolo Terroir ou Desejo da Salton, são ótimas opções.

Da Itália, um bom Aglianico da Campania (sul do país) adequa-se bem ao prato. Do lado francês, vinhos do Rhône Sul, mesclando Grenache com Syrah, além de opções da Provence e Languedoc, são boas indicações. Uma bela dica é o produtor Montirius, biodinâmico da apelação Vacqueyras (sul do Rhône), tem a cuvée Garrigues da ótima safra de 2009. É comercializado pela importadora Decanter (www.decanter.com.br).

Para uma harmonização regional (nordeste), que tal um Shiraz do vale do São Francisco, ou mesmo algum blend de castas portuguesas, muito difundido na região. São vinhos geralmente jovens, com um lado frutado bastante presente.

Bacalhau da Semana Santa

2 de Abril de 2012

Com a aproximação da semana santa, receitas que envolvem bacalhau são inevitáveis. Por isso, busquei algumas publicações da revista Gula dos anos 90 para citar esta receita.

Revista Gula dos anos 90

A receita é simples, mas tem um ingrediente novo, o presunto cru. Intitula-se Bacalhau  Assado com Presunto Cru ou Bacalhau à Transmontana. Após o bacalhau devidamente dessalgado, monte em um refratário as cebolas e batatas em rodelas regadas num bom azeite de oliva. Disponha em cima, as postas de bacalhau cortadas ao meio e recheadas com fatias de presunto cru não muito finas. Polvilhe as postas de bacalhau com farinha de rosca e leve ao forno para cozinhar e dourar, regando com azeite, o quanto for necessário. Pode-se adicionar salsinha ou coentro a gosto.

Para aqueles que não abrem mão de um bom tinto, muito cuidado na harmonização. Embora o bacalhau não apresente problemas com o sal se for devidamente dessalgado, o presunto cru não tem jeito. Existe um sal intrínseco ao alimento e o mesmo precisa ser considerado. Portanto, os tintos precisam ter bastante corpo, pois o sabor do prato exige, mas ao mesmo tempo, seus taninos devem ser bem dóceis para não serem agredidos pelo sal. Uma boa acidez é sempre benvinda para encarar a oleosidade do prato. Neste sentido, um bom alentejano jovem, com muita fruta e fresco, pode ser um bom casamento. Se houver um toque de madeira, o bacalhau também agradece.

Quem não quiser correr riscos com os temidos taninos, um branco de corpo com passagem por madeira é uma ótima pedida. Para fugir dos óbvios Chardonnays, o branco do Dão elaborado com a uva Encruzado fermentado em barricas, é uma bela opção. Quinta dos Roques Encruzado da importadora Decanter (www.decanter.com.br). Alentejanos de boa estrutura elaborados com a uva branca Antão Vaz são também pedidas certas. Se possível, o branco Pera Manca preenche todos estes requisitos com muita classe. Este vinho é trazido pela importadora Adega Alentejana (www.alentejana.com.br). Uma opção de tinto nesta mesma importadora é o consistente produtor chamado Cortes de Cima, mesclando muito bem a uva Aragonês (o nome local da Tempranillo) com a francesa Syrah.

Maiores informações sobre a polêmica harmonização Bacalhau e Vinho, consultar tema neste mesmo site. Feliz Páscoa a todos! sempre com a dobradinha infalível: Bacalhau na sexta-feira e Cordeiro no domingo de Páscoa.