Archive for the ‘Os números do vinho’ Category

Os números da Itália em 2011

26 de Julho de 2012

Sempre é bom atualizar os números da Itália, consistentemente em segundo lugar na produção mundial de vinhos dos últimos anos. Há uma clara tendência na redução do volume de produção e também na redistribuição do vinho entre suas vinte regiões vinícolas. Os números abaixo mostram as regiões do Veneto e Emilia-Romagna assumindo a liderança de produção outrora liderada pelas produtivas regiões da Sicilia e Puglia. Nestas duas últimas regiões  a ordem é modernização e busca pela qualidade em detrimento da quantidade. Há fortes investimentos nessas regiões de produtores consagrados em regiões famosas no centro e norte da Itália, sobretudo Veneto, Piemonte e Toscana.

De todo modo, a disputa entre Norte e Sul continua acirrada, e muito  superior à produção das regiões centrais italianas (Toscana, Umbria,  Molise, Abruzzo, Marche e Lazio). 

Quadro atual das regiões italianas

Quanto às denominações mais nobres, há um decréscimo visível nos chamados Vdt (vino da tavola), e um aumento consistentes das DOCG/DOC, juntamente com a crescente IGT. A tendência ainda maior de queda dos chamados Vino da Tavola é reforçada pelo incentivo de produção de vinhos DOCG/DOC e IGT nas regiões sulinas, sobretudo Puglia, Calabria, e Basilicata.

O gráfico acima mostra claramente esta equalização entre as principais denominações a despeito da forte tendência de queda na produção total de vinhos nos últimos anos, desde 2005.

Os últimos dados da OIV em 2011

19 de Julho de 2012

Segundo dados da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) no último congresso na Turquia, os números de 2011 para a vitivinicultura mundial são os seguintes:

Os principais países europeus na última década diminuiram suas áreas de vinhedos, conforme gráfica acima. É a menor área de vinhedos desde o ano 2000, perfazendo um total de 7.585.ooo hectares. A Espanha hoje, possui pouco mais de um milhão de hectares, número este que já foi superior a um milhão e trezentos mil hectares. Contudo, o Novo Mundo mantem um ritmo de crescimento, com atenção especial à Nova Zelândia. Este país, que já foi modelo para vinhos surpreendentes, sobretudo o famoso Sauvignon Blanc, mostra grande expansão de área cultivada, compremetendo seriamente a noção de terroir, com muitos vinhos atualmente diluídos.

 Quanto à produção de uvas frescas (consumo in natura), a China deu um salto monumental, com mais de sessenta milhões de quintais produzidos (um quintal equivale a 100 quilos), bem acima de seus concorrentes como Índia, Turquia, Iran e Itália.

 Na produção mundial de vinhos, os cinco primeiros países permanecem inalterados; França, Itália, Espanha, Estados Unidos e Argentina. Mas olha aí a China chegando gente! Já é o sexto produtor mundial, superando países como Austrália, Chile, África do Sul e Alemanha. Hoje a produção mundial de vinhos gira em torno de 265 milhões de hectolitros, com França e Itália perfazendo um terço desta produção.

No consumo mundial de vinhos, a França ainda lidera, bastante incomodada com os Estados Unidos. Da mesma forma, Itália e Alemanha sentem a força da China, chegando forte em quinto lugar.

 Nas exportações mundiais em termos de volume, a Itália como sempre segue absoluta. A Espanha toma o segundo lugar da França, num salto extremamente expressivo. Austrália e Chile, sempre na briga ferrenha pela quarta colocação.

Maiores informações: OIV (www.oiv.org)

Os números da Borgonha

26 de Abril de 2012

Segundo dados de 2010 do site oficial dos vinhos da Borgonha (www.vins-bourgogne.fr), seguem abaixo algumas atualizações sobre produção e vinhedos.

Das pouco mais de 185 milhões de garrafas, temos 60% de vinhos brancos, 32% entre tintos e alguns rosés, e 8% de Crémants (espumante elaborado pelo método champenoise ou tradicional).

Esta produção em termos de apelações corresponde a 1,5% de Grands Crus, 47,5% de apelações comunais e Premiers Crus, e 51% de apelações regionais.

Estes números correspondem a 3,3% de toda a produção francesa. As vendas dos vinhos borgonheses geram cerca de um bilhão de euros, sendo 46% destinados à exportação para aproximadamente 160 países.

Das 100 apelações de origem na Borgonha, 33 são Grands Crus, 44 são comunais incluindo 645 climats com desginação Premier Cru, e 23 apelações regionais. Apesar de uma área relativamente pequena, praticamente 28.000 hectares, as sutilezas de todas essas apelações são segredos guardados pelos melhores produtores em cada comuna, passados de geração para geração. A rigor, Vinho Sem Segredo deveria postar um artigo para cada apelação. Contudo, ficaria um pouco cansativo. A idéia em dividir os artigos sobre a Borgonha em dez partes é mostrar as principais características de suas mais relevantes apelações e sub-regiões.

Considerando-se pouco mais de 10% entre Grands Crus e Premiers Crus, não é tão difícil entender as muitas decepções com borgonhas, principalmente os tintos, elaborados com a caprichosa Pinot Noir. O forte conceito de terroir, as peculiaridades de cada comuna e a diversidade das safras, diminuem ainda mais a chance de acerto. Talvez todos estas dificuldades, fazem da Borgonha uma das mais fascinantes regiões vinícolas do planeta.

Por enquanto, encerra-se o ciclo sobre vinhos da Borgonha. Evidentemente, voltaremos ao assunto para analisar pormenores de apelações e vinhos específicos.

Os Gigantes das borbulhas

17 de Outubro de 2011

O espumante nacional continua sendo nosso melhor representante no mercado interno e também nas exportações. A produção está estimada em mais de doze milhões de garrafas para este ano de 2011. Contudo, em termos globais, os gigantes europeus apresentam números impressionantes e de forma consistente, ano após ano.

Produção de Espumantes na Europa Central

A França lidera as estatísticas com mais de 500 milhões de garrafas por ano, sendo só na região de Champagne, mais de 300 milhões. Os demais espumantes, chamados Mousseux, apresentam expressiva produção nas apelações Crémant d´Alsace, Crémant de Bourgogne e Vouvray.

Produção de Espumantes na França (Exceto Champagne)

Na Alemanha, o famoso Sekt, sinônimo de espumante, é responsável por mais de 350 milhões de garrafa, com a maciça maioria elaborada pelo método Charmat. Das cinco maiores empresas na produção de espumantes no mundo, três estão na Alemanha. As outras duas são o poderoso grupo francês LVMH e a gigante espanhola do Cava, o grupo Freixenet. Os alemães consomem praticamente tudo, além de importar mais alguns milhões de garrafas da França, Itália e Espanha.

Henkell: um dos gigantes do Sekt

A Itália aparece em seguida, com forte produção em sua porção setentrional. Asti Spumante com 85 milhões de garrafas e Prosecco (somente a DOCG Conegliano Valdobbiadene pela nova lei) com 70 milhões de garrafas apresentam grande destaque em termos de volume. Franciacorta, a excelência do método Champenoise italiano, tem grande prestígio, mas produz pouco mais de dez milhões de garrafas por ano. Piemonte, Oltrepò Pavese e Trentino, são grandes referências. A Itália praticamente exporta metade de sua produção.

A grande referência espanhola é o Cava, com sua produção baseada na Catalunha. É a quarta força em borbulhas no planeta, com mais de 200 milhões de garrafas por ano. Pouco mais da metade é destinada à exportação. Os grupos Freixenet e Codorníu somam mais de 75% na produção total de Cava.

Outros gigantes deste mundo de borbulhas são Estados Unidos, Rússia, Tailândia, Ucrânia, Polônia e Austrália.