Posts Tagged ‘mil-folhas’

Vinhos de Lisboa e a Enogastronomia

17 de Junho de 2016

Belo evento organizado pela Tema Assessoria de Comunicação através da competente Gabriela Galvêz, promovendo vinhos portugueses da região de Lisboa. A palestra conduzida pelo simpático Vasco d´Avillez, presidente da região dos vinhos de Lisboa, foi elucidativa e ao mesmo tempo, com muita descontração.

Os vinhos desta região não têm a badalação de outras regiões como Douro e Alentejo. Entretanto, são vinhos muito versáteis em estilo e principalmente, amigos da boa mesa, ou seja, muito gastronômicos. Foi essa a ideia passada num belo jantar realizado no restaurante Parigi do grupo Fasano.

menu parigi vinhos lisboa

Menu sintonizado com o tema

A recepção foi feita com dois brancos muito interessantes, um espumante e um vinho branco dito leve. O espumante Moscatel Graúdo Reserva Seco, surpreendeu positivamente. Longe de apresentar aquele aroma típico muito intenso, além da doçura normalmente excessiva, é um espumante seco, agradavelmente perfumado, e muito equilibrado. Bom perlage, mousse consistente e um final limpo. O branco por sua vez, Sottal Leve 2014, elaborado com as castas Arinto, Moscatel, e Vital, apresenta corpo leve, aromas delicados e muito bom frescor. Não há passagem por madeira, e as uvas são colhidas precocemente, evitando assim, um teor alcoólico excessivo. O vinho tem apenas nove graus de álcool, assemelhando-se a um Vinho Verde. Aliás, uma bela alternativa sem sair de Portugal.

sottal leve lisboa

moscatel seco lisboa

os agradáveis brancos da recepção

À mesa, os vinhos foram harmonizados prato a prato. Para a entrada, Tartare de Saumon, um branco exótico elaborado com a então desconhecida casta Jampal, mais uma surpresa de Portugal. O vinho chama-se Dona Fátima Cheleiros safra 2014. Em sua elaboração, a vinificação é finalizada em barricas de carvalho francês, onde permanece por seis meses com um trabalho de bâtonnage. Branco elegante, de boa acidez e madeira bastante sutil. Seus aromas têm um lado cítrico, mesclado com fruta tropical. Casou muito bem com o prato.

tartar de salmão parigi

tartar de salmão

dona fatima jampal lisboa

branco exótico de Lisboa

Em seguido, acompanhando um saboroso Arroz de Pato, tivemos um tinto à base de Touriga Nacional chamado Grand´Arte. Faltou um pouco de corpo e estrutura ao vinho para enfrentar o prato, mas mostrou-se muito equilibrado e com grande frescor. Seus taninos bem moldados foram domados com seis meses de estágio em barricas francesas de carvalho Allier. Esta nobre casta molda-se bem a diversos terroirs de Portugal. Nesta região de Lisboa, em particular, o vinho prima mais pela delicadeza do que potência.

arroz de pato parigi

arroz de pato

touriga nacional lisboa

touriga nacional distinto

Por fim, acompanhando um Mil Folhas com Crème Pâtissière, um raro vinho Generoso, sinônimo de Fortificado, chamado Carcavelos. Enaltecido e divulgado pelo Marquês de Pombal, este vinho fez fama nos séculos dezoito e dezenove, sendo que nas últimas décadas pouco a pouco foi desaparecendo devido à especulação imobiliária nos arredores de Lisboa. Ultimamente, há uma espécie de renascimento do vinho, enriquecendo sobremaneira as opções deste gênero dentre os ótimos fortificados portugueses. Villa Oeiras é o produtor deste Carvavelos provado, assim elaborado com as uvas Ratinho, Arinto e Galego Dourado. O vinho estagia cerca de dez anos em toneis, adquirindo cores topázio e complexidade aromática. Assemelha-se de certo modo aos Madeiras, mas tem identidade própria. Belo fecho de refeição.

mil folhas parigi

mil folhas clássico

carcavelos villa oeiras

belo fortificado de Portugal

Agradecimentos à Tema Assessoria de Comunicação pelo convite, e também à costumeira fidalguia do pessoal da Região dos Vinhos de Lisboa na pessoa de Vasco d´Avillez, mostrando mais alguns segredos da Terrinha …

Comemoração entre amigos

22 de Janeiro de 2016

Aniversário é sempre bom comemorar, sobretudo quando trata-se de três grandes amigos. Não dá para passar em branco. Carlos, Bacchi e João, são grandes anfitriões  e sabem como emocionar seus convidados. Evento realizado no restaurante Parigi com serviço impecável, do inicio ao fim.

parigi fasano

a hora do Mouton 85

Para começar, dando o tom da recepção, um champagne Cristal 2000. Êta  champagne elegante!, harmônico, e de rara personalidade. Macio, equilibrado e persistente, foi muito bem com as entradinhas antes do almoço e os vários brindes propostos.

cristal 2000

pura elegância

A entrada continuou em alto nível. Um branco Hermitage do Guigal Ex Voto safra 2010. Baseado na uva Marsanne, este vinho provem de fermentação em toneis de carvalho novo com posterior amadurecimento por 30 meses. Quando o vinho está à altura da barrica, a madeira não sobressai. Lindos aromas de frutas brancas delicadas, flores e um toque de incenso muito exótico. Combinou maravilhosamente com um crostini de patê de alcachofra na entrada. Vinho já agradável, mas com grande potencial pela frente.

guigal ex voto

Ermitage de livro

tartare saumon

Tartare de Saumon

Prato acima muito equilibrado em seus temperos, deixando o Ermitage à vontade para seu desfile de aromas L´Occitane, bem provençal.

Em seguida, o grande Mouton 85 em garrafa Jeroboam, decantado à perfeição. Um vinho de sonhos. Não tem a potência de 82, mas sua elegância é algo notável. Frutas em compota, ervas, especiarias, e um toque equestre maravilhoso. A polimerização de seus taninos é um caso à parte. Perfeito equilíbrio em boca com uma persitencia aromática expansiva. Sua harmonização com o Jarret (francês) ou Stinco (italiano) de Cordeiro foi dos deuses.

mouton jeroboam

1985: safra super elegante

gigot parigi

lento cozimento: carne descolando do osso

Na sobremesa, um grande Yquem 1999. Não é uma safra soberba, mas Yquem é Yquem. Seus aromas, seu equilíbrio, e sua persistência em boca, são notáveis. Acompanhou muito bem o mil-folhas com creme de baunilha. Apesar de ser servido em garrafa Magnum, faltou vinho para o bolo de aniversário. Fomos então obrigados a cometer mais uma extravagância. Foi aberto um concorrente à altura, L´Extravagant de Doisy Daëne 2006. Inspiração do mestre Denis Duboudieu, esta cuvée é elaborada com parcelas especiais do vinhedo em Barsac onde a maturação e o ataque completo da Botrytis Cinerea são levados ao extremo. O vinho ao mesmo tempo que exibe um grande potencial de açúcar, tem por trás um suporte de acidez essencial para um equilíbrio perfeito. A destacada porcentagem de Sauvignon Blanc (34%) confere um bom frescor ao conjunto.

magnum 99

o astro maior de Sauternes

mil folhas baunilha

mil-folhas à altura de um Yquem

extravagant 2006

cuvée especial do mestre Dubourdieu

bolo chocolate

homenagem aos anfitriões

Já fora da mesa, encerramos o almoço com um raro destilado. Nada mais, nada menos que um DRC Fine de Bourgogne 1991, engarrafado em 2008. É uma espécie de cognac da Borgonha, ou seja, o vinho é destilado em alambique e  envelhecido em tonéis de carvalho por longos anos. Esse foi engarrafado em 2008.

drc fine

Raridade do DRC

Em resumo, foi um lindo passeio pela França onde além dos clássicos Cristal (champagne), Mouton (Bordeaux – médoc) e Yquem (sauternes), tivemos o exotismo do Ermitage branco (rhône norte), L´Extravagant (sauternes/barsac) e DRC Fine Bourgogne (Côte de Nuits). A França realmente tem um arsenal fabuloso com muitas cartas na manga.

parigi joao camargo

resumo da brincadeira

Mais uma vez, desejo a todos os aniversariantes deste evento, vida longa, com muita saúde, sucesso, nos brindando com sua alegria, companheirismo e extremo bom gosto. Que venham muitas comemorações pela frente! Saúde a todos!

Harmonização: Mil-folhas

5 de Abril de 2012

Quem nunca cedeu à tentação de abocanhar um mil-folhas? Pode ser desde um singelo doce de padaria até sofisticadas sobremesas dos melhores restaurantes franceses. O fato é que as camadas de massa folhada são intercaladas com creme de confeiteiro geralmente aromatizado com favas de baunilha. As frutas vermelhas podem estar intercaladas, ou serem dispostas para compor o prato, conforme segunda foto abaixo. A cobertura pode ser açúcar de confeiteiro peneirado ou um crème fondant (preparação à base de açúcar e água).

Proporção maior de massa folhada

As fotos acima e abaixo mostram proporções de creme e massa folhada bastante diversas. Se as camadas de massa folhada forem proporcionalmente mais relevantes do que as camadas de creme, temos mais crocância e menos untuosidade. Neste caso, espumantes demi-sec (na verdade são doces. vide artigo intitulado Champagnes e Espumantes: grau de doçura) mostram textura mais adequada, com a mousse  harmonizando bem o lado crocante. É só uma questão de calibrar o açúcar do prato com a doçura do vinho. Se houver presença de frutas frescas, Asti Spumante pode ser uma bela opção.

Proporção maior de crème pâtissière

Se por outro lado, a proporção de creme for significativa conforme foto acima, a untuosidade prevalece, pedindo vinhos doces de maior textura. Aqui precisamos de vinhos com mais densidade, mas sem exageros. Brancos do Loire como Quarts de Chaume ou Bonnezeaux baseado na casta Chenin Blanc podem ser ideais. Vendange Tardive da Alsácia baseado na Riesling ou Pinot Gris são alternativas eficientes. Muscat de Rivesaltes é uma opção original do sul da França. Sauternes ou outros Botrytizados muito untuosos são exagerados para o prato. A presença de frutas vermelhas frescas no prato pede mais frescor nos vinhos, sem a necessidade de tanta doçura. Mais uma vez, a calibragem entre o açúcar do prato e a doçura do vinho deve ser observada.

Bela opção para encerrar o almoço de Páscoa neste domingo. Bom feriado a todos!