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Harmonização: Cheesecake com Geleia de Frutas

29 de Agosto de 2013

Gostei da foto postada por Silvia Percussi e resolvi fazer este artigo. É uma sobremesa gordurosa (manteiga, cheesecake e creme de leite), macia no recheio e crocante na massa, doçura comedida, e acidez presente no queijo e na geleia.

Receita de Silvia Percussi

Os ingredientes são: biscoitos processados e manteiga para a massa. Cheesecake, creme de leite fresco, açúcar, e geleia de frutas de sua preferência, tudo para o recheio e cobertura.

Pelas características acima descritas do prato, o vinho deve ter textura macia, boa acidez para manter o frescor da sobremesa e ao mesmo tempo, combater a gordura do prato. A doçura pode ser comedida, apenas para superar um pouco o leve caráter doce da sobremesa.

Num primeiro momento, as melhores opções são os vinhos doces do Loire, da Alsácia e da Alemanha. No Loire, se a doçura de um Coteaux dy Layon equilibrar o prato, sua acidez e textura são perfeitamente harmônicas. Outra alternativa seria um belo Vouvray Moelleux. Para os alsacianos, devemos tomar cuidado com a textura geralmente dominante do vinho. Um bom bom Riesling Vendange Tardive parece-me mais adequado. Já para os alemãos, Rieslings da categoria Auslese ou mesmo um Spätlese podem ter doçura suficiente para o prato. Talvez o maior problema seja calibrar a textura um tanto delgada do vinho.

Para os Late Harvest, tão comum em nosso mercado e com preços convidativos, os maiores problemas são o excesso de açúcar e a falta de frescor da maioria deles. Uma boa dica neste sentido, é o Late Harvest da chilena Concha Y Toro. Bom preço e bastante equilibrado.

Se a opção for pela região de Sauternes, escolha um Barsac, terroir que gera Sauternes mais delicados e menos untuosos. Evidentemente, Château Climens e Château Coutet estão no topo da lista. Outra boa alternativa é o Château Doisy-Daëne do craque bordalês Denis Dubourdieu.

Tokaji: Vinificação peculiar I

19 de Maio de 2011

A região de Tokaj é sem dúvida nenhuma, um dos grandes terroirs clássicos do mundo. Com quase seis mil hectares,  é composta por colinas e solos de origem vulcânica, serpenteada por vários rios, entre os quais, o famoso Bodrog.

O clima continental apresenta verões ensolarados com dias bastante quentes. A topografia local (vales profundos) funciona como uma estufa, com ventos mornos e alternância da umidade dada pela rica hidrografia da região. Neste cenário, o ataque da Botrytis Cinerea é quase inevitável, com regularidade e eficiência notáveis.

Colinas com vinhedos demarcados

A principal uva cultivada na região é a tardia Furmint com grande propensão ao ataque da Botrytis, perfazendo 60% dos vinhedos. A segunda uva mais plantada é a autóctone Hárslevelü, mais aromática que a Furmint e nem tão propensa à botrytização, com 30% de plantio nos  vinhedos. O restante fica por conta da uva Sárga Muskotály, que nada mais é que a Muscat à petits grains, além de outras uvas complementares. São todas uvas brancas.

Os vinhos dividem-se em secos, semi-botrytizados e os famosos botrytizados, como veremos a seguir:

Vinhos Secos

São elaborados com uvas não botrytizadas, com fermentação total do mosto. Podem ou não passar por madeira, inclusive nova. São relativamente encorpados, com toques florais, minerais e de mel. É comum termos vinhos varietais com a Furmint, a principal casta da região. Parte dos vinhos secos serão os vinhos bases para os chamados vinhos aszú que veremos a seguir.

Szamorodni e Late Harvest

Szamorodni em húngaro quer dizer do jeito que está, ou seja, as uvas são colhidas com ou sem Botrytis em proporções variadas, dependendo da situação de cada cacho, refletindo num mosto mais ou menos rico em açúcar, depois do término de toda a colheita para este tipo específico de vinho. Evidentemente, as uvas estrategicamente escolhidas para serem totalmente botrytizadas, não fazem parte desta colheita. Portanto, os vinhos podem ser totalmente secos (Száraz Szamorodni), lembrando um Jerez. Podem ser meio secos, ou até doces (Édes Szamorodni), lembrando os vinhos aszú, com uma bela complexidade aromática.

 

Szamorodni seco e doce na sequência

Os vinhos Late Harvest são uma categoria relativamente nova e sem muito critério e padrões definidos. Os vinhos podem ser desde um off-dry até intensamente doces. Podem ser varietais ou não. Podem ter uvas botrytizadas em proporções variáveis ou não. Normalmente, não passam por madeira, preservando toda a riqueza dos aromas frutados e florais.

Promessa é dívida! No próximo post, a explicação dos tais Puttonyos com os grandes vinhos Aszú.