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Vale do Loire: Parte V

26 de Janeiro de 2012

Neste último post, vamos falar sobre alguns números englobando os mais variados tipos de vinhos encontrados no vale do Loire. Estranhamente, o site oficial dos vinhos do Loire (www.vinsdeloire.fr) deixa de fora os chamados vinhos do Centro, que por sua vez, estão em outro endereço (www.vins-centre-loire.com).

Os brancos predominam em número e estilos

São 76 apelações de origem, incluindo sete dos chamados vinhos do Centro. São comercializadas cerca 380 milhões de garrafas por ano, boa parte dentro da França. É a região mais importante para espumantes na França, evidentemente depois de Champagne. É a segunda mais produtiva região para vinhos rosés, superada só pela Provence.  

Em todo o Loire são pouco mais de 57.000 hectares de vinhas produzindo quase 3.200.000 hectolitros. Uma em cada cinco garrafas comercializadas é exportada principalmente para Reino Unido, Bélgica, Alemanha e Países Baixos.

Os vinhos do Loire são extremamente propícios para quem busca delicadeza, variedade de estilos e originalidade. A uva Chenin Blanc como vimos, cumpre bem estes requisitos, sendo a grande referência para brancos. Os tintos são belas alternativas para quem busca vinhos mais leves, com bom frescor e sem interferência da madeira. Os espumantes sob várias denominações estão entre os melhores de toda a França com preços bem atraentes.

Enfim, brancos secos ou doces, rosés, tintos e espumantes formam um belo arsenal dificilmente encontrado em outras regiões, dentro ou fora da França. Além disso, pelo equilíbrio, pela diversidade e pela discrição de seus vinhos, tornam-se naturalmente muito receptivos à harmonização gastronômica, mesmo das mais refinadas cozinhas.

Espumantes para as festas II

26 de Dezembro de 2011

Dando prosseguimento às opções de espumantes para o final do ano, mais três indicações francesas saindo das alternativas mais óbvias. Todos eles elaborados pelo método tradicional (segunda fermentação em garrafa), sendo dois da apelação Crémant já comentada em artigo específico neste blog (Crémants de France).

 

Opções francesas a bom preço

Da esquerda para direita, temos um raro Crémant disponível no Brasil da fria região do Jura (região montanhosa limítrofe da Suiça). Na verdade, é um Blanc de Blancs (100% Chardonnay) que permanece pelo menos doze meses sur lies. Delicado, elegante e muito apropriado para recepções, entradas e pratos leves. Importado por Le Tire Bouchon (www.letirebouchon.com.br). O produtor Baud Pére et Fils elabora também grandes brancos como Château-Chalon, a melhor apelação para o famoso Vin Jaune, matéria de artigo neste blog (Chateau-Chalon: O Xérès da França).

A segunda opção é um Vouvray Brut do ótimo produtor Didier Champalou elaborado com a uva Chenin Blanc. Os aromas de mel e um fundo de marmelo são marcas registradas neste espumante. Acompanha bem pratos onde estão presentes damascos e/ou frutas secas. Importado pelo Club Tastevin (www.tastevin.com.br).

A última opção, também do Club Tastevin, é um Crémant d´Alsace do belo produtor René Muré. O vinho-base é um assemblage de várias uvas brancas e tintas como Pinot Blanc, Pinot Auxerrois, Riesling, Pinot Gris e Pinot Noir, todas vinificadas em branco. O contato sur lies é de pelo menos doze meses, conferindo boa cremosidade ao produtor final.

Feliz Ano Novo a todos!

Espumantes para as festas I

21 de Dezembro de 2011

Sabemos que em boa companhia e sem problemas para gastar, os champagnes no mundo das borbulhas são insuperáveis. Entretanto, a vida não é feita só de sonhos. Precisamos muitas vezes olhar nossa conta bancária e encarar certas situações e eventos com mais frieza. Isso não significa abrir mão da qualidade e até nos surpreendermos favoravelmente com algumas escolhas. Neste contexto, Vinho Sem Segredo sugere algumas opções no mercado ainda para este finalzinho de ano.

Vigna Del Duc

Três opções confiáveis

A primeira opção acima à esquerda é o nacional Cave Geisse Brut. O chileno Mário Geisse foi um dos pioneiros na introdução de espumantes de qualidade na serra gaúcha.  Seus espumantes são muito bem elaborados pelo método tradicional, alguns com um bom tempo sur lies (em contato com as borras). Pode ser encontrado em São Paulo na loja Vino Mundi (www.vinomundi.com.br).

A segunda opção é o Cava Raventós trazido pela importadora Decanter (www.decanter.com.br).  Seu vinho básico Raventós I Blanc L´Hereu Brut por pouco mais de oitenta reais oferece qualidade acima da média. É bastante fresco, cremoso e muito bem equilibrado. A cuvée especial Gran Reserva Elisabet Raventós passa pelo menos quatro anos sur lies antes do dégorgement.

A terceira e última opção também é da importadora Decanter com seu Prosecco Case Bianche. Aqui podemos perceber as reais qualidade de um bom Prosecco que são leveza, mousse agradável e notas frescas de frutas e flores. Bela oportunidade para tirar a má impressão de proseccos insípidos servidos em eventos sem o mínimo critério, a não ser o preço. O Prosecco Case Bianche Vigna del Cuc é um DOCG Conegliano Valdobbiadene de vinhedo único. Muito agradável para recepção num jantar, à beira da piscina, e pratos leves neste verão que se aproxima.

Seja qual for sua opção, a qualidade está garantida. De resto, é curtir o momento, as pessoas, tornando o ambiente agradável e receptível ao Ano Novo que está chegando. Boas festas a todos!

 

Espumantes: Métodos de Elaboração II

19 de Dezembro de 2011

Dando prosseguimento aos métodos de elaboração, seguem mais alguns interessantes:

  • Método Ancestral

             Este é o método que deu origem aos espumantes, provavelmente por acidente, e depois de forma intencional com os relativos cuidados e procedimentos, de acordo com a evolução do conhecimento enológico. Também chamado de método rural, consiste em engarrafar o mosto não totalmente fermentado. Com isso, sob determinadas temperaturas, a fermentação prosseguirá na garrafa até a total transformação dos açúcares em álcool, e conseqüentemente, o aprisionamento do gás carbônico. Não há licor de tiragem (adição de açúcar e leveduras), não há licor de expedição (dosagem de açúcar) e nem dégorgement (expulsão dos sedimentos). Convém movimentar a garrafa no serviço do vinho de forma cuidadosa, a fim de minimizar a mistura dos sedimentos, principalmente no final da garrafa. É o método utilizado originalmente para o Blanquette de Limoux (elaborado com uva local Mauzac) na região de Languedoc (sul da França). Inclusive, há documentos oficiais que reivindicam a paternidade dos vinhos espumantes, frente à consagração mundial dada à região de Champagne.

 

Uma das poucas opções disponíveis

Importado pela In Vino – www.invino.com.br

Atualmente, são elaborados na região as apelações Blanquette de Limoux e Crémant de Limoux pelo método tradicional (com licor de tiragem, remuage, dégorgement e licor de expedição). Apenas uma pequena parcela é elaborada com o método ancestral descrito acima sob a apelação La Blanquette Méthode Ancéstrale.

  • Método Gaillacoise

             Muito semelhante ao método ancestral, elaborado na região do Sudoeste francês sob a apelação Gaillac com a mesma uva Mauzac. O processo basicamente é o mesmo, diferenciando-se na expulsão dos sedimentos e novo arrolhamento. Conforme o potencial de açúcar no mosto, teremos um produto final no estilo Brut, demi-sec ou doux.

  • Método Contínuo

             Também chamada de método russo (a Rússia é grande produtora e consumidora de espumantes), é um processo de escala industrial onde continuamente são elaborados os espumantes. Numa ponta entra o chamado vinho-base e na saída, o espumante engarrafado. Evidentemente, não são sofisticados, mas de bom preço e com razoável qualidade, se bem elaborados.

Existe uma série de tanques com funções específicas para as várias etapas: fermentação, decantação, filtração e engarrafamento, tudo isobaricamente. É como se fosse um Charmat curto (pouco contato com as leveduras) e de forma initerrupta.

Finalizando, existem também denominações como método Cap Classique, que nada mais é que o método clássico ou tradicional aplicado em espumantes na África do Sul (segunda fermentação na garrafa).

Outras denominações como método de gaseificação, dispensam comentários. Aqui, tudo converge para a desgraça, vinho-base ruim e gás carbônico injetado artificialmente com bolhas gigantescas. São os vinhos trazidos nas festa de final de ano pelos cunhados para nos provocar. Melhor tomar um refrigente zero. Pelo menos, é mais honesto.