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DOCG: Piemonte dispara na liderança

9 de Setembro de 2010

 

Mapa em constante mudança

Não perca a conta! Até agora são catorze DOCGs (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), ou seja, o dobro da Toscana, e quase um terço das DOCGs italianas. Maiores detalhes, consultar site www.vinealia.org com a lista completa.

Como geralmente o Piemonte trabalha com varietais, é comum a intersecção de áreas das DOCGs e das DOCs. É bom lembrar também, que o Piemonte e Valle d´Aosta não possuem legislação para as IGTs (Indicazione Geografica Tipica). Seguem abaixo as DOCGs atuais em vermelho por varietal:

Nebbiolo

Barolo, Barbaresco, Ghemme e Gattinara

Barolo e Barbaresco dispensam comentários. Já Ghemme e Gattinara, são menos conhecidas. São denominações interessantes e rivais das mais famosas já citadas. A Nebbiolo é conhecida localmente como Spanna. Normalmente, os vinhos não apresentam grande profundidade, mas podem ser boas escolhas se os produtores forem referências. Travaglini e Antoniolo para Gattinara. Para Ghemme não temos referência no Brasil.

Barbera

Barbera d´Asti, Barbera del Monferrato

Barbera d´Asti é o berço do chamado Barbera Barricato, embora tenha uma corrente mais tradicionalista. É um estilo moderno, às vezes demasiado extraído e notadamente marcado pela madeira. O Barbera del Monferrato é mais leve e geralmente mais simples. Neste caso, a categoria DOCG é designada apenas para a versão Superiore.

Dolcetto

Dolcetto di Dogliani, Dolcetto di Ovada, Dolcetto di Diano d´Alba

São Dolcettos diferenciados, com uma concentração acima da média. Ovada costuma ser mais encorpado que o Dogliani e existe também a versão Riserva. Já o Diano d´Alba pode ter um estilo intermediário com menção do vinhedo. Tanto Dogliani, como Ovada, a categoria DOCG vale apenas para a versão Superiore. Nestes casos, um mínimo de 13º e 12,5º de álcool, respectivamente.

Brachetto

Brachetto d´Acqui

Tinto de estilo Claret ou Chiaretto elaborado com a uva Brachetto. É mais conhecido na versão espumante doce. Uma espécie de Lambrusco local, embora um pouco mais encorpado e persistente que as DOCs Freisa d´Asti e Freisa di Chieri. Nestes casos, Freisa é mais uma uva tinta autóctone.

Cortese (uva branca)

Gavi ou Cortese di Gavi

Branco medianamente encorpado, com eventual passagem por madeira. Costuma fazer a vez do Chardonnay local.

Ruchè (uva tinta)

Ruchè (área de Castagnole Monferrato)

Tinto relativamente leve, elaborado próximo à província de Asti, na região de Castagnole Monferrato. Geralmente, na versão secco ou amabile, embora exista a versão passito.

Moscato

Asti (engloba Moscato d´Asti e Asti Spumante)

Elaborados com a uva Moscato Bianco, são vinhos doces frisantes e espumantes, respectivamente, bem conhecidos do público em geral.

Nebbiolo e Arneis (tinta e branca, respectivamente)

Roero (Roero para o tinto e Roero Arneis para o branco)

Roero tinto é um Nebbiolo de estilo mais leve e pode perfeitamente anteceder vinhos como Barbaresco e Barolo. Roero Arneis é um branco delicado com a uva autóctone Arneis.

 

Harmonização: Ossobuco e Vinho

1 de Julho de 2010

Especialidade Lombarda em muitas versões contemporâneas

A combinação clássica do famoso Ossobuco alla Milanese é o vinho piemontês com a uva Dolcetto, de baixa tanicidade. A guarnição com risoto de açafrão ou polenta cremosa não modifica a harmonização. Já a carne de vitelo, mais delicada, bem como, cenoura, aipo, e molho de tomate, principalmente, corroboram para um vinho mais simples, aromático e jovem. Não nos esqueçamos da Gremolata ou Gremolada, mistura de alho, salsinha e casca de limão, finalizando a receita.

Em versões mais contemporâneas, o caldo, o cozimento e os ingredientes, podem e devem modificar a escolha dos vinhos. A opção mais comum e barata por carne de boi, modifica a textura, pedindo vinhos mais estruturados. Some-se a isso, um caldo de carne mais substancioso, a exclusão dos tomates e introdução de cogumelos, por exemplo, e teremos um cenário convidativo a vinhos mais complexos, envelhecidos, sem abrir mão de um bom suporte de acidez. O frescor neste caso é muito importante para dinamizar a harmonização, sem tornar o conjunto um tanto pesado, enfadonho. Portanto, neste outro extremo, podemos pensar em italianos mais estruturados, como Barolo, Barbaresco, Brunello ou Chianti Classico Riserva.

Outras opções européias podem ser um bom Rioja Reserva, que normalmente apresenta fruta e madeira na medida certa. Um bom português do Douro ou do Dão. Quinta da Leda e Quinta dos Carvalhais, respectivamente, ambos da importadora Zahil (www.zahil.com.br). Do lado francês, é bom lembrarmos da Borgonha com algumas ressalvas. Normalmente, os vinhos são muito sutis para o prato. As melhores comunas, onde você pode aliar um pouco mais de força com uma ponta de rusticidade, são as de Nuits-Saint-Georges e Pommard.

Quanto ao Novo Mundo, os problemas de sempre. Um tanto dominadores, excesso de madeira, álcool sobrando, sobretudo, nos argentinos, chilenos e australianos. Sul-africanos como Rupert & Rothschild (importadora Zahil) e neozelandeses como Rippon Pinot Noir (importadora Premium), são boas opções alternativas.