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Harmonização: Queijo Grana Padano

7 de Junho de 2012

Elaborado nas regiões italianas do Veneto, Lombardia, Emilia-Romagna e Piemonte, Grana Padano é o queijo de maior produção italiana na categoria D.O.P. (Denominazione d´Origine Protetta – Denominação de Origem Protegida), seguido de perto por seu quase irmão, o belo Parmigiano Reggiano. Ver relação completa dos principais queijos italianos, conforme endereço abaixo:

http://www.clal.it/index.php?section=formaggi_dop

Sua composição admite somente leite de vaca, enquanto sua maturação, segundo o consórcio oficial, é dividida em três categorias (www.granapadano.com):

  • Maturação entre 9 e 16 meses
  • Maturação entre 16 e 20 meses
  • Maturação acima de 20 meses (Grana Padano Riserva)

Textura granulada

Conforme o grau de maturação, o queijo vai adquirindo aparência, odores, sabores e texturas diferentes. Na primeira etapa de maturação, o queijo apresenta cor palha mais esbranquiçada, granulosidade comedida, doçura mais acentuada, aroma intenso, mas delicado; textura menos quebradiça e gordura perceptível. Aqui um Chardonnay com corpo e fruta mais intensa pode equilibrar bem o queijo. Um tinto bem frutado e intenso como um Zinfandel, tinto do Alentejo ou Shiraz australiano, também são boas opções. Os taninos no caso de tintos devem ser bem dóceis. Os tintos, inclusive caem melhor no grau de maturação intermediário, onde os aromas são mais intensos e a textura do queijo mais rija.

No caso oposto, um queijo de grande maturação, a cor é mais acentuada, assim como a granulosidade. Nos aromas, predominam a manteiga, caldo de carne e frutas secas, bastante acentuados. No sabor, a doçura é amenizada e a sapidez aumentada, evidenciando a suculência. Um belo Amarone della Valpolicella é uma parceria clássica, onde seus aromas intensos fazem frente ao queijo, e principalmente o àlcool equilibra a sapidez. Em queijos mais duros como neste caso, os taninos costumam funcionar bem, equilibrando a suculência. Um Nebbiolo (Barolo, Barbaresco, Gattinara, Ghemme, Langhe, …) por exemplo, costuma apresentar esta tanicidade acentuada. É uma outra forma de raciocínio. Enquanto o álcool com seu poder desidradante equilibra a suculência no caso do Amarone, os taninos também cumprem o papel, precipitando a mucina, proteína da saliva responsável pela lubrificação, no caso do Nebbiolo. Neste caso, certifique-se sobre a qualidade dos taninos para não provocar amargor devido ao choque taninos x sal.

Área de produção abrangente no norte da Itália

Como a denominação Grana Padano abrange diversas regiões importantes da Itália, praticamente todo o norte, existem inúmeros vinhos locais que podem harmonizar muito bem, levando em conta o grau de maturação do queijo. Na denominação lombarda Valtellina, temos o Sforzati di Valtellina, o qual em última análise, pode ser considerado o Amarone da região elaborado com a uva Nebbiolo, localmente conhecida como Chiavennasca.

Grandes vinhos da denominação Soave podem eventualmente acompanhar o queijo em sua tenra idade, desde que o produtor seja diferenciado como Anselmi ou Pieropan. Na fase de maturação mais avançada, podemos ter perfeitamente o Recioto di Soave, elaborado com a mesma uva Garganega, sofrendo o característico processo de passificação.

Em resumo, um grande queijo, selando com chave de ouro as melhores refeições italianas.

Harmonização: Moqueca Capixaba

7 de Maio de 2010

A típica panela de barro é um dos segredos

Para quem não suporta dendê, esta é a melhor alternativa. Como o próprio nome diz, vem do Espírito Santo (deixem a religiosidade de lado). Os ingredientes mais comuns são: peixes de carne firme para suportar longo cozimento (cação, badejo, garoupa, robalo, entre outros), tomates, azeite, limão, cebolas, pimenta a gosto, urucum ou colorau, coentro ou salsinha como alternativa e farinha de mandioca (para fazer o pirão com o próprio caldo da moqueca).

É um prato relativamente encorpado, baixo teor de gordura, suculento e com os aromas e sabores marcantes do tomate e do coentro. O pirão, praticamente obrigatório,  fornece uma textura mais espessa ao conjunto.

O vinho precisa ser relativamente encorpado, exuberante em aromas, fresco e bastante frutado, formando um conjunto harmonioso. Se ainda houver um toque de ervas, fará sintonia perfeita com o coentro. A melhor alternativa é um típico Sauvignon Blanc da Nova Zelândia. Exemplares chilenos de Casablanca e Vale San Antonio, bem como sul-africanos, ficam igualmente muito bem.

O segredo aqui é o vinho ter força de aromas, muita fruta, muita juventude e textura macia. A suculência do prato sobrepuja vinhos magros, mesmo que jovens e de boa acidez. A ação da pimenta se for incisiva, dependendo da coragem dos convivas, exige o frescor dos brancos geralmente jovens. Chardonnays fermentados em barrica, sobretudo com certa evolução, tendem a ser muito marcantes, sobrando madeira sem sintonia com o prato, além de faltar o frescor tão necessário, principalmente para a opção mais apimentada.

Nesses pratos de peixes de textura mais firme, longo cozimento, caldo suculento e rico em aromas são também um dos melhores exemplos onde a opção por um tinto pode ser surpreendente. No caso da nossa moqueca, um Tempranillo, um Syrah ou um Sangiovese, todos relativamente encorpados e obrigatoriamente jovens, apresentam força de aromas, acidez e fruta suficientes para o prato. Quanto aos taninos, não sendo vinhos provenientes de longas macerações, serão absorvidos pela suculência do molho. Mesmo o risco de metalização torna-se remoto, já que o longo cozimento abranda muito o efeito da maresia.

Quanto aos rosés, as opções mais encorpadas do Novo Mundo pelo método de sangria podem ser interessantes, sobretudo aqueles provenientes de Cabernet Sauvignon, que costumam ter um toque herbáceo. Enfim, um prato versátil, bem brasileiro, que exige frescor, juventude e vibração.