Posts Tagged ‘geneve’

Vinhos da Suíça: Parte III

5 de Junho de 2014

Voltando ao nosso mapa abaixo, veremos a seguir as regiões de Vaud e Genève ou Genebra.

Regiões próximas ao lago Léman

Vaud

A região de Vaud ao longo do lago Léman apresenta solos extremamente variados como argila, calcário, granito, vários minerais, areia, de origem glacial e aluvial. O clima é regulado pelo próprio lago amenizando temperaturas extremas tanto no verão, como no inverno. As altitudes variam entre 375 e 700 metros.

Os vinhos brancos estão calcados na uva Chasselas, emblemática na região, sob várias denominações em Chablais, La Côte, Lavaux e Nord Vaudois. Os delicados espumantes são elaborados com Pinot Noir, Chardonnay e novamente a Chasselas. Outras uvas como Riesling x Sylvaner (Müller-Thurgau) e Pinot Gris elaboram varietais em pequenas quantidades. A Chasselas responde por cerca de 63% na produção de vinhos brancos de Vaud.

Para os tintos, as uvas Pinot Noir e Gamay roubam a cena. São vinhos delicados, às vezes com as duas uvas da denominação Pinot-Gamay. Os rosés e até brancos fazem parte deste assemblage (mistura). Um rosé específico denominado Oeil-de-Perdrix é feito somente com a Pinot Noir.

Fazendo um parêntese na sub-região de Lavaux, situada entre as cidades de Lausanne e Montreux, existem dois vinhedos Grand Cru com as denominações Dézaley e Calamin que elaboram brancos singulares com a casta Chasselas. À beira do lago Léman, seus terraços com forte inclinação, solos e temperaturas diferenciados, propiciam um microclima distinto. As origens dessas terras remontam à idade média cultivadas por monges cistercienses. Outro diferencial é o forte adensamento das vinhas entre 9000 e 12000 pés/hectare, proporcionando naturalmente rendimentos muito baixos e uvas de alta concentração de aromas e sabores a serem desenvolvidos.

Dézaley: Inclinação impressionante dos vinhedos

Chasselas Grand Cru

Antes de passarmos à próxima região, vale abrir um parêntese ao produtor Marie Thérèze Cappaz, especialista nos chamados vinhos doces de colheita tardia, muitas vezes botrytisados. Pertence à sub-região do Valais, vista em artigo anterior, onde uvas locais como Petite Arvine são esplendidamente trabalhadas em todo seu potencial.

Genève ou Genebra

Esta é uma sub-região bem ao sul do lago Léman, fazendo divisa com o lado francês do Jura. O índice pluviométrico anual é relativamente baixo para padrões suíços e a insolação de certo modo surpreendente, em torno de quase duas mil horas anuais. Os solos são argilo-calcários e em alguns setores, pedregosos. A predominância do calcário em certos casos fornece um toque mineral à cepa branca principal, a Chasselas. Outros brancos baseados nas castas Chardonnay, Aligoté, Pinot Gris e Pinot Blanc vêm ganhando destaque. Os vinhos espumantes são delicados e calcados nas uvas Chardonnay e Pinot Noir. Já para os rosés e tintos, a Gamay é a uva predominante, tendo como coadjuvante a nobre Pinot Noir.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Vinhos da Suíça: Parte I

29 de Maio de 2014

Dando prosseguimento às principais regiões vinícolas mundiais, vamos falar a partir deste artigo sobre os vinhos suíços baseados no site: http://www.swisswine.ch conforme mapa abaixo:

Suíça: seis regiões principais

No mapa acima, temos as regiões francesas de Vaud (ao longo do lago Léman), Valais (região montanhosa ao longo do rio Rhône) e Genebra (na fronteira com a França). Neuchâtel fica mais ao norte das regiões citadas, enquanto a Suíça Oriental fica no lado alemão com a cidade de Zurich ao centro. Por último, Ticino ou Tessin para os franceses, é o lado italiano junto aos Alpes.

Encravada no centro da Europa, a Suíça recebe forte influência alemã, francesa e italiana, refletida em sua língua, costumes, culinária e vinhos.

A Suíça produz pouco mais de um milhão de hectolitros de vinho por ano provenientes de aproximadamente quinze mil hectares de vinhas cultivadas com todo o cuidado. Tintos e brancos são repartidos igualmente dentre uvas locais, francesas e alemãs. 

Pelas dimensões, a Suíça não está entre os principais produtores de vinhos, mas apresenta um dos maiores consumos per capita anual, ao redor de 40 litros por habitante. A produção é consumida quase toda localmente, sendo uma pequena parte  exportada, sobretudo para a Alemanha. Além disso, os suíços importam vinhos de outros países europeus com ênfase para os italianos, franceses e espanhóis. Esse volume de importação com cerca de 190 milhões de litros chega a ser quase o dobro da produção suíça.

Conforme quadro abaixo, seguem as principais uvas cultivadas e suas respectivas participações entre as seis regiões vinícolas deste país.

Répartition des principaux cépages par régions

 
Groupe   Cépages   Noms suisses   Part VS VD GE 3L TI SO
Blanc   Chasselas   Chasselas, Fendant, Gutedel   29%
    Müller-Thurgau   Riesling X Sylvaner   3%  
    Sylvaner   Sylvaner, Johannisberg, Rhin, Gros Rhin, Grüner Silvaner   2%        
 
Rouge   Pinot Noir   Pinot Noir, Blauburgunder, Clevner, Spätburgunder   30%
    Gamay   Gamay   11%      
    Merlot   Merlot   7%    
 
Autres           7%            
           
  VS Valais   * Cépage indigène ou rare
  VD Vaud   Principaux cépages
  GE Genève   Assez répandus
  3L Région des Trois Lacs   Peu répandus
  TI Tessin   Traces
  SO Suisse orientale

Chasselas e Pinot Noir: uvas de destaque

Pelo quadro acima, podemos perceber a importância da cepa branca Chasselas na viticultura suíça. É certamente sua uva emblemática gerando vinhos delicados e ótimos companheiros para a fondue de queijo, prato clássico da cozinha helvética.

Dentre as tintas, domínio evidente da Pinot Noir tendo como coadjuvante a delicada Gamay (uva do Beaujolais). Como particularidade, temos a Merlot quase como exclusividade na região de Ticino.

O terroir suíço expressa-se dramaticamente no limite de cultivo das vinhas. O país tem invernos rigorosos e o relevo é extremamente montanhoso. Portanto, o sol deve ser aproveitado com muita eficiência para pelo menos um razoável amadurecimento das uvas. Encostas bem posicionadas e fortes inclinações são fatores recorrentes na viticultura suíça. Os lagos como grandes massas de água é fator regulador de temperatura, além de refletirem a luz solar para as vinhas.

No próximos artigo, falaremos das principais regiões, detalhando seus pontos principais.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 todas as terças e quintas-feiras em dois horários. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes, e à tarde no Jornal em Três Tempos.


%d bloggers gostam disto: