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Grandes Vinhos, Grandes Safras: Parte VI

29 de Outubro de 2014

Dando prosseguimento à estada em Bordeaux, após o belo almoço em Saint-Emilion, fomos à noite jantar no badalado restaurante de Pauillac, Chateau Cordeillan-Bages, mesmo proprietário do Grand Cru Classe Chateau Lynch-Bages, Jean-Michel Cazes. Como de rotina, muitos pratos e muitos grandes vinhos.

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Safra 1989 bastante acessível

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Páreo duríssimo para seu rival Haut Brion

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Difícil decidir entre os dois rivais

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Safra 1961 esbanjando aromas

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Safra mítica do grande Latour

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Um nota 100 notável

Nesta noite foi a vez dos velhinhos. E que velhinhos! Safras antigas de 55, 59  e 61. Todas altamente pontuadas, mostrando a incrível longevidade dos grandes Bordeaux. A exceção foi o vinho de entrada, Chateau Lynch-Bages 1989. Apesar de seus vinte e cinco anos, não foi páreo para os demais, embora seja um belo vinho. Macio, inteiro, com a força que caracteriza os grandes Pauillacs. Nos aromas lembra o Mouton com toques de torrefação (notadamente o café). O grande problema neste confronto é que está muito novo num painel deste porte. Contudo, tomado sozinho, um tinto que beira a perfeição. Muita vida pela frente. Iniciando agora os “velhinhos”, fica difícil qualquer comparação e descrição dos mesmos. Essas safras beiram a perfeição ou melhor, são absolutamente perfeitas com 100 pontos do rigoroso Parker. Como comparar Chateau Latour 1961, Chateau La Mission Haut Brion 59 e 61, Chateau Haut Brion 61 e o estupendo Chateau La Mission 1955? São vinhos de legenda, de sonhos. Contudo, dentro deste Olimpo, uma menção especial para o La Mission 55. O melhor Bordeaux desta safra com uma vitalidade, aromas impressionantes de rosas, lembrando um Borgonha e uma textura em boca indescritível. Sensacional! O melhor e mais surpreendente vinho da viagem. Já o Latour 61 é um mamute, um vinho indestrutível, uma estrutura tânica fantástica, quase indescritível em palavras. Os La Mission 59 e 61 tem que serem julgados no par ou ímpar. Absolutamente sedutores. No photochart, O Haut Brion 59 ganha por uma cabeça. Enfim, só provando-os para entender o esplendor dos mesmos.

Próximo e último artigo desta série, a viagem de volta com o embate dos grandes Bordeaux da mítica safra de 1982.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Banedeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Vinhos do Douro: Porto e Tintos de Mesa

26 de Agosto de 2013

A região do Douro sempre foi emblematizada pelo grande Vinho do Porto durante várias décadas com forte influência inglesa. Entretanto, nos últimos anos houve um notável interesse sobre a possibilidade de elaborar belos tintos de mesa, sobretudo com o movimento recente dos chamados “Douro Boys”, uma nova geração de enólogos, viticultores, muitos deles com nomes de tradição da região duriense.

Partindo do pioneiro Barca Velha na década de cinquenta do século passado, a produção de tintos de mesa sempre foi bastante tímida. Apenas alguns nomes como Quinta do Côtto com seu irretocável Grande Escolha, além de Duas Quintas com produção no Alto Douro ou Douro Superior pelo competente enólogo João Nicolau de Almeida, podem ser lembrados com grande destaque. Mais recentemente, temos belos tintos de mesa como Vale do Meão (deixando de fornecer uvas para a produção do Barca Velha e engarrafando seu próprio vinho), Quinta do Crasto, Quinta Vale Dona Maria, entre outros.

Neste cenário, a proporção de vinhos de mesa em relação ao todo poderoso Porto tem oscilado substancialmente, conforme alguns dados abaixo:

produção douro e porto (clique outra vez na tela seguinte)

A produção de vinho do Porto tem oscilado menos em relação ao total de vinho produzido no Douro do que a produção de tintos de mesa com denominação de origem. A produção de Porto na média é de aproximadamente metada (50%) do que se produz em todo o Douro. Já a produção de tintos de mesa com denominação de origem oscila bastante conforme o ano. Contudo, verifica-se uma certa tendência de alta nesta proporção para os próximos anos.

Um dos grandes tintos do Douro

A proporção na produção dos tintos de mesa em relação ao vinho do Porto varia bastante. Normalmente girava em torno de 35 a 40%, e atualmente, este número tende a ser acima de 50%. Conforme tabela acima, no período 2011/2012 este número chegou a ser de 71%, ou seja, fora da curva.

Outro dado interessante na tabela é que os vinhos de mesa comuns, mais simples, tendem a diminuir claramente sua produção. Já os espumantes que podem ser muito bons, apresentam expressivo crescimento nos últimos anos. 

O Douro Superior, a última das três grandes sub-regiões na produção de vinhos, está revelando grandes tintos de mesa e com certeza, nos revelará muitas surpresas num breve tempo. Numa comparação francesa, se o Alentejo é o Rhône de Portugal e o Dão é a Borgonha, O Douro está nos mostrando os Bordeaux de Portugal. Não é à toa que o respeitável Château Lynch-Bages associou-se à Quinta do Crasto para elaborar um tinto elegante chamado Xisto (referência ao grande solo do Douro).