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Panorama da Vitivinicultura Brasileira

28 de Abril de 2011

O Brasil ainda é um país incipiente no mundo do vinho, quaisquer que sejam os números, parâmetros e índices. Não conseguimos fugir muito do consumo anual de dois litros per capita. Embora nosso progresso nos últimos anos seja inegável, o vinho brasileiro é proporcionalmente caro frente aos importados, notadamente, nossos vizinhos (Chile e Argentina).

No panorama atual, a situação tende a se agravar, já que o dólar encontra-se num consistente e gradual processo de queda. Para piorar, os impostos do vinho nacional tão reclamado por nossos produtores, como tudo no Brasil, tendem a aumentar.

Dados recentes fornecidos peal Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura) mostram números que muita gente não faz idéia:

Produção de uvas no Brasil em toneladas (dados de 2010)

Rio Grande do Sul ………………………………….. 692.692

São Paulo ……………………………………………. 177.538

Pernambuco ………………………………………… 168.225

Paraná ……………………………………………….  101.900

Bahia ………………………………………………….   78.283

Santa Catarina ……………………………………..    66.214

Minas Gerais ………………………………………….  10.590

Brasil ========================     1.295.442

Neste total estão inclusas uvas viníferas e não viníferas, bem como, uvas destinadas à produção de vinhos, consumo in natura, suco de uva e derivados.

Deste mesmo total, 737.554 toneladas (57%) são destinadas ao consumo in natura, ou seja, uvas de mesa. Veja que o vinho no país da cerveja, já começa ficar em segundo plano.

Agora vamos falar de vinhos finos no Brasil. Fino na legislação brasileira, quer dizer que o vinho é elaborado com uvas viníferas, e não que ele seja elegante e de grande categoria. Pode até ser, mas não é essa a idéia.

Como o estado do Rio Grande do Sul responde por cerca de 90% da produção de vinhos e suco do uva do Brasil, segue abaixo um panorama da situação gaúcha em 2010 (produção em litros):

Vinhos de mesa …………………………………….. 195.267.979

Vinho fino ……………………………………………… 24.805.713

Suco de uva ………………………………………….  143.080.684

Portanto, ainda somos o país do suco de uva e do vinho de garrafão, ou seja, de uvas não viníferas.

A briga entre o vinho fino brasileiro e os importados continua bastante desigual em termos de consumo interno. Veja os dados de 2010 em litros:

Chile ……………………………………………………… 26.441.596

Argentina ……………………………………………….  16.965.446

Itália ……………………………………………………..  11.922.944

Portugal …………………………………………………… 8.001.006

França …………………………………………………….. 2.801.073

Espanha …………………………………………………… 1.622.322

Uruguai ……………………………………………………. 1.248.667

Outros países ……………………………………………. 2.006.783

Total de importados =================== 71.009.837

Os vinhos finos brasileiros participam com 20% do mercado, perfazendo um total de 18.288.055 litros. Somente Chile e Argentina respondem por cerca de 60% do nosso mercado de consumo.

Os números acima não levam em conta champagnes e espumantes. Neste cenário, o vinho nacional consegue inverter a situação com 75% do mercado em 2010 (em litros):

Espumantes brasileiros ………………………………. 12.573.114

Importados ……………………………………………….. 4.314.253

Esses números mostram a consolidação do espumante nacional em nosso mercado, com consistência de qualidade e preços relativamente competitivos. Além de nosso terroir ser propício a este tipo de vinho, nossas cantinas estão muito bem equipadas para elaboração de espumantes, sobretudo pelos métodos Charmat e do tipo Asti espumante com a uva Moscatel.

Se na cantina (vinificação) não devemos nada aos principais países vinícolas, no campo (viticultura) há um longo caminho a percorrer. Trocar o manejo do vinhedo de latada para espaldeira, visando um rendimento menor por hectare, menos chances de doenças e um amadurecimento da uvas mais eficiente, é um dos grandes desafios do setor. É uma mudança lenta, necessária e que ainda demorará algumas gerações.

 

O Vinho e as Mulheres

7 de Março de 2011

A percepção do vinho sob a ótica feminina na CBN, Blog Milton Jung:

http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/miltonjung/2011/03/05/as-mulheres-e-o-vinho/

Degustação às cegas: Existem Experts?

21 de Fevereiro de 2011

Degustar às cegas é sempre um ato de humildade, principalmente quando temos um intruso na degustação, chamado Chateau Reignac. Um Bordeaux Supérieur que não se intimidou com mitos como Petrus, Margaux, Lafite, Cheval Blanc, entre outros, conforme vídeo surpreendente abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=ptXx_1lPwG8

A degustação realizada em Paris por François Mauss, reuniu um grupo altamente qualificado de degustadores, entre os quais, Olivier Poussier (melhor sommelier do mundo em 2000) e Michel Bettane (crítico de vinhos reputado na França). Aliás a cena com Bettane, mostra bem sua “humildade”, quando argumenta que o Petrus tomado com Christian Moueix (proprietário do château) é perfeito. Nós pobres mortais, temos que pagar mil e quinhentos euros na França para tomar algo suspeito.

Outra cena que confirma a impressão digital de um Haut-Brion mesmo às cegas, é quando Olivier percebe os aromas de trufa e defumado num vinho ainda relativamente novo (todos os vinhos são da safra de 2001), mostrando o toque de Brettanomyces já classicamente incorporado neste grande terroir.

O intruso foi da safra de 2001

Mais uma comprovação que desmistifica os chamados “experts”, onde supostamente podem adivinhar qualquer tipo de vinho, são os concursos mundiais de sommelier. Profissionais extremamente preparados para este tipo de prova, demonstram na prática o baixo índice de acerto sobre os vinhos provados às cegas. No último concurso realizado no Chile em 2010, apenas Gerard Basset foi capaz de apontar com precisão um dos vinhos na prova final. É bem verdade que, quanto maior o conhecimento, maiores as possibilidades em confundir os inúmeros tipos e estilos de vinhos.

Chateau Reignac***

Segundo vinho de Reignac

 Para aqueles que querem conhecer maiores detalhes do Chateau Reignac, localizado na porção norte de Entre-Deux-Mers, comuna de Saint-Loubès, próxima à margem esquerda do rio Dordogne,  acessar site: www.reignac.com. A comercialização no Brasil fica por conta de Castel Studio no site www.castelstudio.com.

Tendências na vitivinicultura mundial

14 de Fevereiro de 2011

A organização mundial da vinha e do vinho (OIV) divulga periodicamente dados concretos sobre o cultivo da vinha e a produção de vinho em termos globais. No entanto, esses dados são cuidadosamente compilados e divulgados com certa defasagem para um mundo atualmente on-line. Tanto é verdade, que os últimos dados oficiais são do ano de 2007 (www.oiv.org).

De acordo com a última assembléia realizada em 2010 na cidade de Tbilissi (Georgia), seguem abaixo as últimas tendências mundiais no que tange aos números do vinho:

Superfície de Vinhedos

  1. Espanha – 1.113.000 ha (hectare)
  2. França – 840.000 ha
  3. Itália – 818.000 ha
  4. Turquia – 505.000 ha
  5. China – 470.000 ha

Os três primeiros colocados sem grandes novidades, com tendência de queda nos próximos anos. Os vinhedos na Turquia são destinados sobretudo à produção de uvas passas. Já a poderosa China, tem seus vinhedos em franca expansão, principalmente para consumo de uvas in natura.

Produção Mundial de Uvas

  1. Itália – 81.500.000 quintais (um quintal = 100 kg)
  2. China – 72.000.000 quintais
  3. Estados Unidos – 63.800.000 quintais
  4. França – 61.800.000 quintais
  5. Espanha – 55.400.000 quintais

Novamente, a produção dos europeus com tendência decrescente. Estados Unidos e China em expansão. A produção de uvas passas nos Estados Unidos tradicionalmente é bastante significativa, com Turquia e Iran sendo seus fortes concorrentes.

Nota: os dados acima referem-se à produção de uvas para outros fins, além do vinho (consumo in natura, uvas passas, sucos, …)

Produção Mundial de Vinhos

  1. Itália – 47.700.000 hl (um hectolitro = 100 litros)
  2. França – 45.600.000 hl
  3. Espanha – 35.200.000 hl
  4. Estados Unidos – 20.600.000 hl
  5. Argentina – 12.100.000 hl

Sem grandes novidades. Itália e França revesam-se no primeiro lugar. Espanha e Estados Unidos são eternos terceiro e quarto lugares, respectivamente. Argentina está correndo sério risco de perder seu posto de quinto lugar para China ou Austrália.

Itália: uma potência na produção de uvas e vinhos

 

Consumo Mundial de Vinhos

  1. França – 29.900.000 hl
  2. Estados Unidos – 27.300.000 hl
  3. Itália – 24.500.000 hl
  4. Alemanha – 20.300.000 hl
  5. China – 14.000.000 hl

Os quatro primeiros colocados com tendência de estabilização ou decréscimo. A China em franca expansão.

Exportação Mundial de Vinhos

  1. Itália – 18.600.000 hl
  2. Espanha – 14.400.000 hl
  3. França – 12.500.000 hl
  4. Austrália – 7.700.000 hl
  5. Chile – 6.900.000 hl

Itália é o grande exportador mundial em volume. A briga entre Austrália e Chile promete acirrar-se cada vez mais.

Importação Mundial de Vinhos

  1. Alemanha – 14.100.000 hl
  2. Reino Unido – 11.900.000 hl
  3. Estados Unidos – 9.200.000 hl
  4. França – 5.900.000 hl
  5. Rússia – 4.500.000 hl

Os três primeiros colocados com alto poder aquisitivo estão sempre no topo. Rússia, cada vez mais com sede.

De um modo geral, a tendência em diminuir a superfície de vinhedos, principalmente os destinados à produção de vinhos, consolida-se cada vez mais. O mundo quer beber menos e melhor. Portanto, a qualidade média dos vinhos em termos globais tem melhorado, a despeito de uma certa padronização. Vinhos diferenciados têm seu custo ligado à baixa produtividade.

É melhor beber uma boa garrafa do que três mais ou menos, pelo mesmo preço. A saúde também agradece.