Archive for Outubro, 2018

Semana da Riesling

29 de Outubro de 2018

Muitos partilham da ideia que a Riesling é a grande uva entre as brancas, embora este universo seja bem mais amplo. De todo modo, sua versatilidade dentro de seu melhor terroir, a Alemanha, é algo admirável, desde um estilo seco e cortante como o aço na região do Saar, até aos mais esplendorosos doces sob a designação TBA (Trockenbeerenauslese). Sua grande desvantagem é não se expressar bem fora da Alemanha com mais promessas do que realizações. Apenas na região francesa da Alsácia, vamos encontrar belos exemplares fazendo sombra aos vizinhos alemães.

Dentro deste contexto, seguem abaixo algumas impressões do que melhor se apresentou numa degustação  um tanto confusa, mas que valeu pela confraternização entre amigos do vinho com 50 Rieslings de grande prestígio, promovida pela importadora Vindame, uma das raras importadoras especializadas no assunto. (www.vindame.com.br).

img_5243ótima relação qualidade/preço

O vinho mais barato da degustação, por volta de 100 reais, com ótima relação qualidade/preço. Baron K do Rheingau do produtor Baron Kynphausen. Aromas francos muito bem delineados e um ótimo equilíbrio em boca. Kabinett clássico com um off-dry delicioso. Belo combinação com comida chinesa e pratos agridoces. 

 

o Mosel bem representado

O produtor Reichsgraf von Kesselstatt é dos mais conceituados dentro da rigorosa classificação VDP (associação do melhores produtores de qualidade). A menção Grosse Lage refere-se ao topo da pirâmide, equivalente a um Grand Cru da Borgonha. Os dois exemplares acima com diferença de dez anos provou mais uma vez que a Riesling pode envelhecer muito bem. Os dois muito equilibrados e com a elegância peculiar do Mosel. Mesmo o 2005, mostrou um belo frescor com perfeito equilíbrio. O terroir do Mosel é caracterizado pelos terrenos de ardósia que confere grande mineralidade e longevidade ao vinho.

img_5247elegância soberba

Na foto acima, as menções Grosse Lage (Grand Cru) e GG (vinhos trocken dentro do Grosse Lage), indica um vinho de alta distinção. Neste caso, Nies´Chen vem de uma parcela exclusiva do Ruwer, um dos tributários do Mosel. Solo de ardósia azul e alta inclinação do terreno, entre 60 e 70° de declividade, proporcionando ótima insolação. Um vinho muito elegante, equilibrado, e com o açúcar residual no limite para um Trocken, ratificando a ótima maturação das uvas. Bela opção para as festas de fim de ano, especialmente para o clássico peru de Natal.

 

Rieslings de maior textura

O primeiro vinho à esquerda, voltamos ao Rheingau de um vinhedo especial Steinmorgen, classificação Erste Lage (equivalente a um Premier Cru da Borgonha). Solo erodido de argila pedregosa de origem eólica. Riesling de maior textura em boca, perfeitamente equilibrado. Vai bem com frutos do mar e aves com molhos cremosos.

Pfalz – Mittelhaardt

Para falar do segundo vinho, vamos fazer um parêntese na região do Pfalz, na sub-região de Mittelhaardt, e sua classificação própria de vinhedos datada de 1828. Não menos importante, é falar do produtor Dr. Bürkilin-Wolf, que juntamente com os produtores Von Bassermann-Jordan e Von Buhl, formam os famosos “três Bs” da região.

Explicando melhor o segundo rótulo à direita, temos o vinhedo Gaisböhl e o termo G.C., pois bem, trata-se de um vinhedo excepcional dentro da sub-região de Mittelhaardt, uma espécie de Côte d´Or da região de Pfalz. Este vinhedo pertence à comuna Ruppertsberg, a qual juntamente com as comunas de Forst e Deidesheim, são as únicas com permissão para a expressão G.C., literalmente Grand Cru na rigorosa classificação local. O mapa abaixo elucida o fato.

Voltando ao vinho em si, este vinhedo GC Gaisböhl trata-se de um monopólio da vinícola Dr. Bürklin-Wolf com solos pedregosos e argilosos. A maturação das uvas acontece sem dificuldade, pois a região de  Pfalz está muito próxima da Alsace (França) como uma das regiões mais ensolaradas da Alemanha. O vinho tem uma textura notável, normalmente mais encorpados que os vinhos do Rheingau. Muito equilibrado e aroma extremamente elegante. É o topo de gama desta vinícola notável e referência da região. Belo acompanhamento para o Schnitzel, espécie de um escalope de carne empanado. Com umas gotinhas de limão fica perfeito.

img_5250o retângulo corresponde a Mittelhaardt

Além da expressão GC (Grand Cru), a classificação de Mittelhaardt contempla as classifação PC (Premier Cru), Village Riesling e Estate Riesling, por ordem de importância e hierarquia.

Além da língua, a classificação de vinhos alemães é complicada e muito detalhada. Faz parte do perfeccionismo do povo alemão.

img_5249a sublimação da Riesling

Agora para tudo, porque vamos falar de um vinho que beira a perfeição. É lógico que tinha que ser um TBA (Trockenbeerenauslese), a sublimação da Riesling. São vinhos extremamente raros, elaborados só nas melhores safras e colheitas como este 2010 acima. Michelmark é um vinhedo Premier Cru do Rheingau Oriental perto do vilarejo de Erbach. As utilizadas num TBA são uvas botrytisadas, gerando vinhos doces extremamente intensos e equilibrados. Os dados técnicos deste vinho impressionam: açúcar residual 247 g/l, acidez 15,80 g/l, e álcool 8,5%. Esse índice de acidez é uma loucura e garante definitivamente que o vinho não seja enjoativo. Ao contrário, transmite um frescor extraordinário frente a essa montanha de açúcar residual. Embora tenha apenas 8,5% de álcool, os níveis altos de glicerol gerados pela Botrytis conferem uma untuosidade sedutora em boca. A única nota para este vinho dada por Parker é de 96 pontos para a safra 1992. Este 2010 não deve fugir muito disso. Depois dele, não se bebe mais nada!

Só nos resta agradecer a importadora Vindame através do simpático Michael Schütte, pela rara oportunidade de poder desfrutar de grandes Rieslings alemães dos mais variados estilos e regiões, aguardando ansiosamente novos convites. Abraços a todos!

 

 

Vosne-Romanée e seus arredores

27 de Outubro de 2018

Em sua octingentésima edição (800 artigos), Vinho Sem Segredo precisava de uma matéria especial. E nada mais especial que falar dos vinhos de Vosne-Romanée, em particular da família DRC, Domaine de La Romanée-Conti. E lá vamos nós para mais um almoço daqueles. O pessoal estava animado e com sede.

img_5224Hospices de Beaune by Madame Leroy

O começo já foi arrasador, degustação solo de um Mazis-Chambertin da mítica safra 1985. Olha a cor deste vinho na foto. Cor de Borgonha saudavelmente envelhecida. Essa é a terceira vez que o provo, e vinhos antigos são sempre garrafas únicas. A primeira foi esplendorosa e essa não ficou atrás. Tudo que se espera de um fino Borgonha maduro em perfeita harmonia: sous-bois, especiarias, rosas, toques de carne, e outros perfumes. Lógico que Leroy tem um peso enorme na elaboração deste Hospices de Beaune num vinhedo minúsculo e de grande prestígio dentro de Chambertin.

img_5226faltou o Richebourg na foto 

img_52251cores divinas com La Tache à esquerda

Lamentavelmente faltou o Richebourg de mesma safra na foto acima, completamente bouchonné. Mesmo em rolhas tão especiais, o perigo sempre existe. Ano glorioso na Borgonha, esses dois 1996 estavam encantadores, guardadas as devidas diferenças entre si. Evidentemente, Echezeaux era o Grand Cru mais pronto como sempre. Taninos resolvidos, aromas abertos, e muita sensualidade. Já o grande La Tache, uma joia ainda em lapidação com uma estrutura tânica fantástica. Boca ampla, cheio de nuances, e uma persistência aromática daquelas. Deve evoluir seguramente por mais dez anos. Um dos grandes do almoço.

50 anos os separam

Como a comparação é cruel, este Vosne DRC da ótima safra 2009 ficou na rabeira. É um lindo vinho tomado sozinho, sem a presença dos astros maiores. Fruta bem colocada, belo equilíbrio e muita elegância. Ainda um pouco novo, mas extremamente prazeroso. Já o velhinho da direita servido às cegas, deu um trabalho e tanto. Embora com seus quase 60 anos, o vinho tinha uma presença de fruta desproporcional para sua idade, quase sem nenhum toque terciário. Não tinha o sous-bois esperado da Borgonha, nem os toques alcatroados de um Nebbiolo piemontês. Já na boca, taninos ainda poderosos que provavelmente vão morrer com o vinho. Este toque agradavelmente rústico faz dos vinhos de Pommard a menção “Barolos da Borgonha”. Uma bela lição para todos nós. 

uma pausa para as borbulhas!

No meio do almoço, um Chef convidado da Liguria devido a Settimana Cucina Italiana, estava na Osteria del Pettirosso, e fez este prato de peixe com legumes, foto acima. A entrada do Cristal 2006 foi providencial para a harmonização, quebrando de forma estratégica a sequência de tintos. Seria redundante falar que o champagne tem alta classe, grande equilíbrio, e persistência aromática notável. Realmente, os paladares foram revigorados para a continuação do almoço.

img_5231um dos mais longevos DRCs

A diferença de um Echezeaux para um Grands Echezeaux é sempre notável, sobretudo na família DRC. Grands Echezeaux é um vinho duro, fechado na juventude, clamando por anos em adega. Esses acima com mais de 30 ou 40 anos, respectivamente, alcançam esse apogeu, entregando muito prazer. Embora 76 não tenha sido um ano esplendoroso, esta garrafa estava divina, competindo seriamente com sua majestade La Tache 96, descrito acima. Um meio de boca bem preenchido e taninos condensados pelo tempo. Já o 86, teoricamente de safra mais nobre, decepcionou um pouco na comparação. Claramente, não tinha a mesma persistência de seu concorrente. De todo modo, um Grands Echezeaux devidamente envelhecido e bem construído. 

tinto com alcachofra!

Os pratos do restaurante Pettirosso foram muito bem executados, valendo a pena citar alguns. A alcachofra frita acima foi muito bem acompanhada pelo velho Pommard do almoço. Sua bela acidez e seu toque adocicado de fruta casou muito bem com os sabores e textura do prato.

risoto e lingua divinos!

O risoto de funghi porcini frescos estava irrepreensível, sobretudo acompanhado pelo La Tache 96 com seus toques terrosos. A lingua magistralmente bem executada tinha sabores e textura impecáveis, acompanhado divinamente o envelhecido Grands Echezeaux 76.

img_5237o infanticídio duplo do almoço

É difícil avaliar DRCs tão novos, ainda com seus primeiros aromas desabrochando. Ainda bem que nenhum deles tinha colocado pijama para dormir, o período de latência que a maioria dos grandes vinhos apresentam. O Romanée-Conti é um poesia com lindos toques florais e uma delicadeza sem fim. Tem muitos anos em adega para se tornar o esperado mito. Já o Romanée-St-Vivant é menos misterioso, mas do mesmo modo ainda muito novo para uma analise mais profunda. O que é extraordinário nestes grandes vinhos é seu equilíbrio harmonioso e uma estrutura incrível para envelhecer longos anos em adega.

Depois desta avalanche, só nos resta agradecer a companhia de todos e tanta generosidade. Que Bacco continue nos protegendo e nos inspirando por novos caminhos. Saúde a todos!

Alcachofra e Vinho

18 de Outubro de 2018

Nesta época do ano, as alcachofras estão no auge e em todo lugar. Despetala-las e depois ficar só com o fundo é sempre uma delicia. E o vinho, será que tem lugar pra ela?

Evidentemente que sim. Basta tomar alguns cuidados, pois a alcachofra tem uma substância chamada Cinarina. Os mais antigos vão lembrar do aperitivo Cynar, ainda existe, mas não é da moçada de hoje em dia. Essa substância pode gerar no vinho um sabor metálico ou um certo amargor, quando não deixa um adocicado diferente na harmonização. O ideal são vinhos de boa acidez e nada de taninos. Portanto, vinhos brancos saem na frente.

Minimizando um pouco o problema, a alcachofra compondo um prato, você tem outros componentes que amenizam este efeito no conjunto. Além disso, a alcachofra cozida e não em conserva, é mais fácil contornar os problemas. Para tanto, vamos a algumas receitas com esta deliciosa flor.

Carciofi-alla-romana

 um clássico da Bota

Carciofi alla Romana

Receita clássica da Italia, trata-se de alcachofras frescas banhadas em água e limão, preferencialmente siciliano, temperadas com alho, hortelã, sal e pimenta. O limão é importantíssimo, neutralizando o efeito da cinarina. Depois, elas são cozidas em azeite e água.

Serve como uma bela entrada, acompanhada de um fresco Sauvignon Blanc ou Pinot Grigio. A acidez e os toques de ervas do vinho formam um belo casamento, mantendo a leveza do conjunto.

risoto de alcachofras e camarões

foto do site Olhar Turistico

Risoto de Camarão com fundos de alcachofra

Pode-se utilizar camarões médios, fundo de alcachofra picado, e caldo de peixe para regar o arroz, além da água. Ervas e especiarias, de acordo com cada receita. A foto acima trata-se de um festival de alcachofras do restaurante Spadaccino na Vila Madalena. O vinho aqui pode ser um pouco mais encorpado, mas deve ser branco. Neste caso, um bom Sémillon da Austrália é uma boa pedida. Se for um Bordeaux branco, corte de Sémillon e Sauvignon Blanc, que não seja muito amadeirado. Um Pessac-Léognan mais elegante como o Chateau Carbonnieux.

pizza-prosciutto-carciofi

outros ingredientes, além da alcachofra

Pizza de Alcachofra

Na foto acima, temos uma pizza com cogumelos, presunto, queijo, além de coração de alcachofra. Podemos muito bem ficar nos brancos, mas há espaço para alguns tintos, sobretudo italianos. Tintos de corpo médio, boa acidez e taninos moderados, como Barberas mais simples, sem passagem por madeira, Chiantis jovens e de boa acidez, Valpolicellas jovens, são ótimas pedidas. Saindo da Itália, Tempranillos Jovens e tintos franceses do Loire, apresentam características apropriadas ao prato.

Outros vinhos

Outras opções para este ingrediente ardiloso dependendo da receita, pode ser um Jerez Amontillado, sempre seco, modernos vinhos brancos gregos, vinhos brancos de Gaillac, região do Sudoeste francês, Vinhos Verdes jovens, modernos, secos e de ótima acidez, como da uva Loureiro, por exemplo.

No caso de vinhos tintos, só devemos utiliza-los se a receita agregar outros componentes que tem a ver mais com tintos, lembrando sempre que devem ser delicados e com baixa tanicidade. Normalmente, as receitas de alcachofras são relacionadas com entradas e pratos leves, bem mais condizentes com os brancos. 

Charuto e suas parcerias

14 de Outubro de 2018

Para alguns, ele é o complemento ideal de uma bela refeição. Para outros, ele é pau pra toda a obra, não importa a hora. Uma de suas características exclusivas, é que o charuto pode ser um prazer estritamente solitário. Nem a terapia tem esse poder, já que obrigatoriamente temos a presença do terapeuta e você precisa conversar com ele. Mesmo o mestre dos terapeutas, Sigmund Freud, fazia terapias com o charuto, no mais amplo sentido do termo. Por outro lado, ele pode ser motivo para belas reuniões e encontros. Enfim, amado por muitos e odiado por outros tantos, é difícil ficar indiferente a ele.

Dito isto, o que acompanha um bom charuto, além da música, leitura, e outras coisas boas da vida. Depende da frequência do fumador, abstinência ou não ao álcool, tipo de álcool: fermentado ou destilado, tempo disponível, compromissos de trabalho, ambiente e clima envolvidos, estação do ano, entre outros fatores.

inúmeras opções

Para simplificar a história, falo por mim, adepto ao charuto gourmet, sempre após as refeições, melhor dizendo, algumas refeições. Como degustador de vinhos, dois a três charutos por semana no máximo, para manter o paladar em dia. Sempre cubanos, a vida é muito curta para tentativas quase sempre frustrantes. 

A primeira coisa que penso após a refeição como bom brasileiro é o cafezinho. Pronto, o start para o charuto. Essa é uma companhia quase unânime entre os fumantes, englobando inclusive os abstêmios. De fato, os aromas e sabores do café bem tirado tem tudo a ver com a fumaça azul.

Como nem só de café vive o homem, há outras coisas além da mais brasileira das bebidas. Mesmo ele, deve ser intensificado no sabor, à medida em que o charuto vai se desenvolvendo na queima, se a pessoa preferir ficar só no café. A propósito, é bom ter em mente que o charuto desenvolve sua queima em três terços, sempre do mais suave para o mais intenso, independente de sua fortaleza.

Numa combinação bem eclética, podemos iniciar o charuto com o café, arrematando a refeição. Em seguida, para o segundo terço um vinho fortificado. Digamos, um Porto Tawny, um vinho Madeira, Boal ou Malmsey, por exemplo. No terço final, um bom destilado. Preferencialmente, um Cognac, Rum, ou Malt Whisky, bem de acordo com a potência desenvolvida pelo charuto.

Portos e Madeiras vão bem

 

Para aqueles que não tomam destilados

Sugiro sempre charutos mais suaves como Hoyo de Monterrey. Mesmo no seu terço final, sua potência é mais comedida, encarando bem os vinhos fortificados. Se quiserem começar por cerveja nos primeiros terços, as belgas trapistas são ótimas. Seu caráter adocicado e sua riqueza em especiarias combinam muito bem com os Hoyos.

img_4890elegância e potência em sintonia

 

Para aqueles que só tomam destilados

Aqui, se separam os homens dos meninos. Bebidas mais fortes, Puros mais intensos. Marcas como Bolivar e Partagás são as mais lembradas. Pode-se começar por alguns cocktails como Negroni, Mojito, ou Caipirinhas, bebidas um pouco mais refrescantes de início, em sintonia com as primeiras baforadas mais suaves. Em seguido, tudo que você tiver do melhor arsenal. Runs envelhecidos, Cognacs e Armagnacs nessa ordem de sequência, de acordo com a sutileza do primeiro e a potência do segundo, Malt Whiskies desde de um agradável Speyside até os turfosos de Islay, evidentemente esses últimos para o terço final.

aquele expresso cremoso

 

Para os abstêmios

Além do café, bebidas como chá ou achocolatados caem bem. O chá de maneira geral é um potente neutralizador do charuto, servindo de maneira eficiente em degustação de Puros para limpar o paladar entre um charuto e outro na prova. Os achocolatos sobretudo no terço final, tem mais corpo e sabores condizentes com o charuto. O importante é sempre hidratar-se, pois o charuto resseca a cavidade bucal. Evidentemente, água em qualquer situação é sempre bem-vinda. 

fique com os vinhos para refeições

 

O que não combina

Bebidas secas ou amargas tendem a potencializar algumas características do charuto que são secura e amargor. Portanto, cervejas pelo amargor do lúpulo, e vinhos secos, aqueles que acompanham refeições, devem ser evitados. Os vinhos perdem muito na harmonização, pois são dominados pelo charuto. Mesmo os tintos, por serem ricos em taninos, tendem a ressecar a boca, potencializando a secura dos charutos.

Para aqueles que insistem nessas bebidas, sugiro tintos potentes, macios, frutados e de alta graduação alcoólica. Um belo Primtivo di Manduria, por exemplo. No lado das cervejas, as belgas trapistas saem na frente. Conforme comentário acima, elas são mais frutadas, menos amargas e ricas em especiarias.

fernando behike islayo requinte de um grande tabaco!

 

Considerações finais

De todo modo, são apenas sugestões e experiências vividas. Como dissemos, a disponibilidade de tempo, tamanho do charuto, compromissos pós charuto, tudo isso deve ser avaliado e dosado, além é claro, do gosto pessoal que é soberano. De resto, é relaxar e se divertir.

Farei em breve algumas aulas sobre harmonização dentro de um curso completo de charutos num local super bacana. Darei todas as informações com antecedência. Boas baforadas!