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Spielmann Estates: Malbecs diferenciados

8 de Setembro de 2014

Dos inúmeros Malbecs que inundam nosso mercado, alguns diferenciam-se por seus vinhedos antigos, plantados em zonas nobres de Mendoza, e com uma vinificação cuidadosa. É o caso da vinícola Spielmann Estates  com assessoria do competente enólogo Pepe Galantes, responsável por muitos anos pelos vinhos da renomada Catena.

Canal Flores: Primeiro degrau da vinícola

Spielmann Estates trabalha apenas com três vinhos partindo de videiras antigas à base de Malbec. Apesar do caráter varietal, ou seja, ampla presença da Malbec, o vinho é sabiamente complementado com Cabernet Sauvignon e uma pitada de Syrah. O corte enriquece o conjunto, principalmente no que tange à estrutura do vinho e por consequência sua longevidade. Além disso, os vinhedos localizam-se em Perdriel (Lújan de Cuyo), zona alta do rio Mendoza, partilhando de nobre vizinhança (vinhedos Achaval Ferrer, Catena e Viña Cobos). Outra particularidade é a chamada micro-vinificação, feita em pequenos tanques ou pequenas barricas, onde a interação das cascas com o mosto durante a fermentação é mais intensa e eficiente, extraindo mais cor, sabores, aromas, pela riqueza dos polifenóis (antocianos e taninos presentes na casca da uva).

Começando pelo vinho-base da vinícola, Canal Flores, já estamos num ótimo nível, partindo de videiras centenárias de Malbec. O corte é complementado com 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah. O rendimento é próximo de 1,5 quilos de uva por parreira, enquanto o amadurecimento é feito em barricas de carvalho francês, sendo 76% novas, por 12 meses. O exemplar provado apresentava cor intensa, ótima concentração de frutas e madeira bem casada. Estrutura tânica marcante, sugerindo alguns anos de guarda.

O grande vinho da bodega chama-se Viñedo 1910. O nome já diz tudo. Vinhas centenárias com rendimento de 750 gramas de uvas por parreira. Alta concentração de sabores, complementada por 15% Cabernet Sauvignon.  O vinho amadurece por 14 meses em barricas de carvalho francês novas. Tinto de guarda, com taninos de rara textura. Seus componentes ainda não perfeitamente integrados, merecem uns bons anos de adega. Decantação obrigatória por pelo menos um hora e meia.

O último tinto finalizando o trio, trata-se do Icono ou Mitos. Um corte balanceado de Malbec (67%), Cabernet Sauvignon (22%) e Syrah (11%). Rendimentos baixíssimos em torno de meio quilo de uvas por planta. Pela potência e concentração, o vinho passa 14 meses em barricas francesas novas. Num estilo sutilmente moderno, prima pela intensidade de aromas e grande presença em boca. Deve beneficiar-se com bons anos de guarda. Se tomado jovem, deve ser aerado em decanter de base larga por pelo menos duas horas.

Esta degustação foi gentilmente oferecida pela jornalista Arlene Colucci, diretora da agência Gabinete de Comunicação (www.gabinete.com.br) no restaurante Chef Rouge, o qual dispõe dos vinhos acima citados.

Prato de javali escoltado por Canal Flores

Em resumo, mais uma bela opção diferenciada num mercado inundado por bons Malbecs, mas em sua maioria, de certa padronização. Os pedidos podem ser feitos diretamente com a vinícola, já comercializados no Brasil, pelo site http://www.spielmannestates.com a preços atraentes, frente à qualidade dos mesmos. Atualmente, Canal Flores sai por R$ 95 reais cada garrafa e o ótimo Viñedo 1910 por R$ 180 a unidade.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

Mendoza: Zonas, Departamentos e Distritos

15 de Agosto de 2013

Há muita confusão quando se fala de Mendoza como uma das províncias argentinas, desmembrada em dezoito departamentos, conforme quadro abaixo. Cada um destes por sua vez, são divididos em vários distritos. Fazendo uma correlação com nosso país (Brasil), províncias equivaleriam a estados, departamentos a cidades, e distritos a bairros.

Mendoza: dezoito departamentos

No mesmo mapa acima, podemos marcas as cinco regiões ou zonas  vitícolas de Mendoza, conforme mapa abaixo. Vejam que elas interseccionam alguns departamentos, gerando uma certa confusão. Nosso estudo vai concentrar-se em três das cinco zonas, ou seja, Zona Alta del Rio Mendoza (também chamada Zona Centro), Zona Este (Leste), e Valle de Uco. As zonas Norte e Sul não apresentam condições de terroir favoráveis à elaboração de vinhos de alta qualidade. Não é à toa, que a bodega Catena Zapata concentra seus vinhedos nas duas melhores zonas: Centro e Valle de Uco.

Oasis Vitivinícola de Mendoza Mendoza Wine Tours & Travel

Mendoza: cinco zonas

Cada um destes departamentos tem seus distritos muito bem definidos, conforme mapa abaixo. Maipú é um departamento importante que faz parte da Zona Alta del Rio Mendoza. Seus distritos de Las Barrancas e Lunlunta são famosos e muitas vezes mencionados em fichas técnicas de vinho. Da mesma forma, o departamento de Luján de Cuyo possui distritos famosos como Perdriel, Agrelo, Vistalba e Las Compuertas.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/DIVISION_POLITICA_DE_MAIPU.jpg

Clique acima: detalhe de Maipú, com alguns dos 205 distritos de Mendoza.

Em Valle de Uco temos três departamentos: Tupungato, San Carlos e Tunuyán. Seguem alguns distritos famosos: La Consulta (San Carlos), Vista Flores (Tunuyán), Gualtallary e Villa Bastías (Tupungato).

Terroir pesquisado por Pedro Parra

Pedro Parra é considerado um dos maiores especialistas em terroir na América do Sul. O vinho acima é elaborado a partir de um vinhedo no distrito de Vista Flores no Valle de Uco a 1250 metros de altitude. Depois de exaustivos estudos, este vinhedo foi selecionado pela boa mescla de argila com muitas pedras e boa profundidade, fornecendo um raro caráter mineral. Este vinho é comercializado pela World Wine (www.worldwine.com.br). 

Achaval Ferrer: bela linha de vinhos

Já falamos deste excelente produtor em artigo especial neste mesmo blog. Um de seus melhores vinhos, Finca Altamira, é elaborado a partir de um vinhedo de seis hectares no distrito de La Consulta com parreiras de mais de oitenta anos em pé franco a 1050 metros de altitude. A concentração deste vinho é explicada com rendimentos baixíssimos em torno de 400 gramas de uva por parreira. Esta bodega é comercializada pela Inovini (www.inovini.com.br).

Mendoza: Regiões

12 de Agosto de 2013

Guardada as devidas proporções, Mendoza está para a Argentina, assim como Califórnia está para os Estados Unidos. Região de grande produção e qualidade, acima da média das demais. Entretanto, foi-se o tempo em que vinhos de Mendoza eram um só pacote. A área está dividida em sub-regiões entre as quais, três destacam-se no cenário abaixo ilustrado: Região Leste, Região Central e Valle de Uco.

map-regions

Mendoza: fatores de solo e altitude

O clima mendocino é explicado com o esquema abaixo, mostrando a insolação eficiente, o baixo índice pluviométrico e a compensação da altitude. Aliás, artigos anteriores deste blog tratam de Chile e Argentina sob os títulos: Terroir Chileno e Terroir Mendocino.

Lluvias Anuales

Mendoza: região seca, quase desértica

Voltando ao primeiro mapa, vemos a cordilheira dos Andes ao fundo. Das três zonas mais nobres de Mendoza, a zona Leste, mais longe da cordilheira e com menor altitude média é a mais produtiva, elaborando vinhos bastante frutados, macios, mas sem grande complexidade. Os departamentos desta zona que podem estar mencionados nos rótulos dos vinhos ou em suas respectivas fichas técnicas são: Rivadavia, San Martín, La Paz e Santa Rosa.

Na chamada zona Central de Mendoza, mais próxima à cordilheira e com maior altitude média, temos os famosos departamentos de Luján de Cuyo e Maipú. Os solos são mais pobres e pedregosos e com boa área plantada de vinhas antigas. Enquanto aqui podemos ter altitudes de mil metros, na zona Leste não passa de setecentos metros em relação ao nível do mar.

Mendoza: Supremacia na produção argentina

Ao sul da zona Central e com vinhedos mais próximos à cordilheira, chegamos à nobre zona do Valle de Uco com departamentos famosos como Tupungato, Tunuyán e San Carlos. Aqui estamos falando em altitudes de mil e duzentos metros ou mais. O clima é mais fresco e as noites são mais frias, proporcionando alto nível de acidez nas uvas. A maturação das uvas tintas é lenta, fornecendo uma bela estrutura fenólica (taninos e antocianos). Os solos são bastante pobres, bem drenados e com alto teor de pedras.

Além da diferenciada altitude entre estas três zonas principais, os solos têm papel fundamental na qualidade e concentração das uvas. Na zona Leste, os solos apresentam tendência arenosa, certa salinidade e pouco material pedregoso. Na chamada zona Central ou zona Alta do rio Mendoza, temos solos franco-argilosos com grande proporção de material pedregoso (canto rodado ou pedras arredondadas) de grande capacidade de drenagem. Por último, Valle de Uco apresenta solos com areia grossa, limo (solo com granulosidade entre areia e argila) e grande quantidade de pedras, proporcionando excelente drenagem.

As chamadas zonas Norte e Sul, fora do mapa inicial, não merecem um estudo mais detalhado. São áreas com solos impróprios, altitudes e temperaturas inadequadas para uvas de grande qualidade e concentração.