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Marsala: Estilos e Denominações

23 de Setembro de 2013

Embora seja um vinho praticamente esquecido nos dias de hoje, o Marsala é o mais famoso e emblemático fortificado da Itália. Sua fama deteriorou-se devido à utilização do mesmo na cozinha para várias receitas clássicas. Somado a isto, as falsificações e imitações completaram um cenário até certo ponto injusto,  pois os grandes Marsalas têm tradição e qualidade. A foto abaixo mostra a melhor denominação do Marsala, em sua versão Vergine.

Vergine: o Marsala imaculado

Deixando de lado a história deste vinho, criado no século dezoito, seu território situa-se na ilha da Sicília, sul da Itália, mais precisamente no extremo oeste da ilha onde localiza-se a cidade de Trapani. A denominação de origem controlada (DOC) pressupõe as uvas nativas brancas (Catarratto, Grillo, Inzolia ou Ansonica, e Damaschino) e tintas (Nerello Mascalese, Nero d´Avola ou Calabrese, e Pignatello ou Perricone).

Começando pelo Marsala Vergine, o mais reputado dentre todos os tipos, é sempre seco e elaborado somente com as uvas brancas permitidas. Em sua elaboração só é permitida a adição de aguardente vínica depois de todo o vinho-base ter sido fermentado. Portanto, seu sabor é sempre seco, com grande frescor (acidez) e envelhecido em botti (tonéis grandes) por pelo menos cinco anos. Na versão Vergine Riserva ou Stravecchio, o vinho permanece pelo menos dez anos em madeira. Aliás o envelhecimento em madeira para os Marsalas obedece o mesmo processo do sistema “Solera” em Jerez, ou seja, o vinho mais jovem é colocado na fileira mais alta das Criaderas, após ser sacado para a fileira imediatamente abaixo, e assim sucessivamente  até chegar na última fileira junto ao solo (Solera). Maiores detalhes, consultar tema sobre Jerez em vários artigos neste mesmo blog.

Os demais tipos de Marsala, inferiores ao supremo Marsala Vergine, apresentam denominações mais complicadas devido a seu processo de elaboração, como veremos a seguir. Primeiramente, é preciso definir os termos “Mosto Cotto” e “Mistella”. Mosto Cotto nada mais é que o mosto de uvas rico em açúcares aquecido ou fervido com o objetivo de transmitir cor e aromas ao vinho. Já a Mistella ou Sifone é o mosto de uvas rico em açúcares com adição de aguardente vínica, fornecendo doçura ao vinho. Tanto um como outro são adicionados aos demais Marsalas maculando o vinho, deixando de ser virgem. Posto esses conceitos, vamos aos demais termos mencionados nos rótulos das garrafas. 

Os principais termos nos rótulos acima

Os termos Oro, Ambra e Rubino referem-se à cor do vinho. No termo Oro, não há adição de mosto cotto, somente mistella, proporcionando uma cor menos carregada e mais viva. Já o termo Ambra, pressupõe a adição do mesmo, gerando uma cor mais acentuada. No termo Rubino, não há adição de mosto cotto, pois a predominância das uvas é tinta, sendo permitido no máximo 30% de uvas brancas. Na prática, funciona mais ou menos como o termo Ruby para os vinhos do Porto.

Outro conjunto de termos referem-se à quantidade de açúcar presente no vinho. São eles: Secco, Semisecco e Dolce. Conforme a porcentagem e a concentração de Mistella, teremos açúcares residuais até 40 gramas por litro para o termo Secco. De 40 a 100 gramas por litro para o termo Semisecco. E finalmente, acima de 100 gramas por litro para o termo Dolce.

Termos: Ambra, Superiore e Dolce

Por úlitmo, os termos referentes ao envelhecimento em madeira, tais como, Fine, Superiore e Superiore Riserva. O termo Fine subentende-se envelhecimento em madeira por pelo menos um ano. Já o termo Superiore, um afinamento de pelo menos dois anos em madeira. Finalmente, o termo Superiore Riserva pressupõe um envelhecimento de pelos menos quatro anos.

Maiores informações e detalhes sobre o Marsala, favor consultar o site oficial denominado Consorzio pella Tutela del Vino Marsala DOC (www.consorziovinomarsala.it).

Toscana: Parte II

24 de Setembro de 2012

Após breve explanação sobre a região toscana, vamos abordar as noves atuais DOCGs descritas abaixo:

  • Brunello di Montalcino
  • Chianti
  • Chianti Classico
  • Carmignano
  • Vino Nobile di Montepulciano
  • Morellino di Scansano
  • Vernaccia di San Gimignano
  • Montecucco Sangiovese
  • Elba Aleatico Passito

Das nove acima citadas, as três primeiras já foram dissecadas em artigos anteriores. Na sequência, temos a DOCG Carmignano, a qual provavelmente serviu de inspiração para o surgimento dos chamados supertoscanos, pois sendo anterior aos mesmos, já utilizava uvas internacionais em seus cortes, como veremos a seguir. A legislação permite as uvas Sangiovese (mínimo de 50%), Canaiolo (até 20%), Cabernet Franc e/ou Cabernet Sauvignon (de 10 a 20%), e brancas toscanas (Trebbiano, Canaiolo Bianco e Malvasia), em até 10%.

São tintos de produção muito pequena (pouco mais de cinco mil hectolitros anuais), elaborados numa região ao norte de Firenze, num estilo mais tradicional. Dois belos produtores são representados no Brasil pelas importadoras Mistral (www.mistral.com.br) e Vinci (www.vinci.com.br). Tenuta di Capezzana e Fattoria di Ambra, respectivamente.

Outro tinto de estilo normalmente mais tradicional é elaborado sob a denominação Vino Nobile di Montepulciano. Cabe esclarecer que neste caso, Montepulciano é a cidade, e não a uva. Conforme mapa acima, a região fica a leste da famosa denominação Brunello di Montalcino. Em seu corte é permitido as uvas Sangiovese, localmente chamada de Prugnolo Gentile (mínimo de 70%), Canaiolo (máximo de 20%), outras tintas locais (máximo 20%), e brancas locais (máximo 10%). Novamente, as importadoras Vinci e Mistral trazem dois ícones da região: Dei e Poliziano, respectivamente. A exemplo de Montalcino, Montepulciano elabora um DOC famosa denominada Rosso di Montepulciano, vinho elaborado com parreiras mais jovens, menos extraído e consequentemente, mais pronto para consumo imediato. Uma espécie de segundo vinho da vinícola.

Embora o assunto ainda não seja Vin Santo, é bom lembrar que Montepulciano elabora o melhor Vin Santo de toda a Toscana, sendo o produtor Avignonesi mentor de vinhos superlativos.

Próximo post, mais denominações.