Posts Tagged ‘shiraz’

Australia: Parte V

13 de Fevereiro de 2013

New South Wales ou Nova Gales do Sul é o berço da viticultura australiana. Localizada no extremo sudeste do território australiano, compete em produção com o estado de South Australia. Das diversas regiões vinícolas em Nova Gales do Sul, Hunter Valley é a mais famosa e de maior prestígio. Seu Shiraz de estilo inconfundível, seu Sémillon singular e seus belos Chardonnays mostram vinhos de personalidade atrelados a um  terroir diferenciado.

Hunter Valley a norte de Sydney

Hunter Valley não tem nenhum problema em amadurecer seus frutos. O grande inconveniente é o perigo das chuvas na colheita. Seu Shiraz bem diferente do habitual padrão australiano, apresenta-se menos encorpado, mais equilibrado e com um traço mineral terroso característico, muito provavelmente, de seu solo de basalto (origem vulcânica). O Sémillon colhido precocemente, apresenta baixa alcoolicidade e alta acidez. Quando novo, mostra-se pouco atrativo. Contudo, após alguns anos em garrafa, revela-se com aromas encantadores, lembrando algo tostado, apesar de ser vinificado longe da madeira. É um estilo praticamente único no mundo. Os Chardonnays, estes sim, geralmente amadurecidos em barricas, são aromáticos, cheios e podem envelhecer muito bem. As grandes referências dos estilos acima mencionados são McWilliam´s Sémillon Elisabeth e Tyrrel´s Chardonnay Vat 47, respectivamente. O rótulo abaixo é importado pela KMM, especialista em vinhos australianos no Brasil (www.kmmvinhos.com.br).

Semillon do Hunter: Estilo único

Um desmembramento do Hunter ocorrido na década de setenta é o chamado Alto Hunter ou Upper Hunter. Na verdade, foi um acréscimo da região, buscando terras mais ao norte, livre das chuvas, mas com necessidade de irrigação. A vinícola Rosemount, uma das pioneiras, elabora um dos mais emblemáticos Chardonnays denominado Show Reserve, além do topo de gama chamado Roxburgh. Ambos trazidos pela importadora Vinci (www.vinci.com.br).

Outras regiões de Nova Gales do Sul a oeste e a sul de Hunter Valley como Mudgee, Orange, Cowra, Hilltops, Canberra District, Shoalhaven Coast, Southern Highlands, Gundagai e Tumbarumba, ainda não ganharam vida própria. Muitas delas, quer pela altitude, quer pela proximidade do úmido litoral do mar da Tasmânia, são regiões relativamente frias com cultivo da Chardonnay, Pinot Noir e Sémillon, principalmente.

Por outro lado, regiões como Riverina, parte de Murray Darling e Swan Hill, fornecem vinhos em grande volume, fomentadas por uma irrigação eficiente do rio Murray, a exemplo de Riverland em South Australia, comentada em artigos anteriores. São vinhos relativamente simples, francos, frutados, macios, bem ao gosto do mercado internacional. Em particular, a região de Riverina irrigada pelo rio Murrumbidgee, fornece vinhos densos com as uvas Durif (a mesma Petite Syrah da Califórnia) e Sémillon. Aliás, o grande Sémillon de Riverina não é de estilo seco, e sim um intenso vinho dourado à base de Botrytis, muito comum em áreas específicas da região todos os anos. A vinícola Elderton tem um belo exemplar.

Australia: Parte IV

8 de Fevereiro de 2013

Dando prosseguimento à região de South Australia, vamos sair um pouco da vizinhança de Adelaide já comentada em artigos anteriores e prosseguir na direção sul a caminho do estado de Victoria. Conforme mapa abaixo, observamos uma extensa região acompanhando o frio litoral australiano denominada Limestone Coast. Como sugere o nome, é uma região com importante presença de calcário onde algumas regiões destacam-se como Padthaway e principalmente Coonawarra.

Região relativamente fria para padrões australianos

Coonawarra distante cerca de quatrocentos quilômetros a sul de Adelaide é uma pequena região com solo muito particular denominado “terra rossa”. Elabora um dos melhores Cabernets australianos num terroir diferenciado. Favor ver artigo especial neste mesmo blog denominado “Terroir Coonawarra”.

Padthaway, embora não tão famosa, elabora tintos e brancos bem equilibrados, fugindo um pouco da exuberância e maciez dos vinhos australianos. Seu Chardonnay destaca-se como varietal, apesar do cultivo da Riesling, Cabernet e Shiraz. Seus vinhos frequentemente são misturados com os de outras regiões, fato comum na concepção australiana.

Wrattonbully, Mount Benson e Robe são regiões ainda em desenvolvimento onde dificilmente há menção de seus nomes em rótulos. Normalmente, quando são engarrafados sem mistura, a menção Limestone Coast é mais apropriada, sobretudo em termos comerciais.

Terminando South Australia, observamos no mapa acima a produtiva região de Riverland. Aliás, uma das mais produtivas de toda a Austrália. Dependendo fundamentalmente de irrigação através do rio Murray, seus vinhos destacam-se muito mais pelo volume do que propriamente pela qualidade. A região é extremamente quente e seca. Tem papel estratégico na produção de vinhos relativamente simples, com grande apelo, e preços altamente competitivos no mercado internacional, fazendo jus ao grande poder de fogo dos vinhos australianos no comércio de exportação. É bom lembrar que South Australia é o estado mais produtivo, elaborando quase metade de todo vinho australiano.

Próxima região, New South Wales.

Australia: Parte III

1 de Fevereiro de 2013

O mapa abaixo mostra a região de Adelaide em detalhes, cercada de áreas vinícolas famosas como Barossa Valley e Eden Valley vistas em post anterior, além de McLaren Vale e Adelaide Hills, as quais veremos a seguir.

Região de Adelaide: a marca do Shiraz australiano

Adelaide Hills

Região de altitude fazendo a transição entre McLaren Vale e Barossa Valley. É relativamente fresca com tradição de belos brancos calcados em Sauvignon Blanc, além de Chardonnays. Vinhas de Shiraz antigas também são muito afamadas. O vinhedo Magill Estate da Penfolds nas cercanias de Adelaide já foi base para o mítico Grange, comentado em artigo anterior.

McLaren Vale

Se Barossa Valley é quente e árida, e Adelaide Hills com clima bem mais fresco, McLaren Vale fica no meio do caminho com boa influência do litoral. Suas vinhas são refrescadas com boas brisas, mas nem por isso a região deixa de ser quente o suficiente para promover cativantes tintos à base de Shiraz com muita fruta e corpo. Merlot e Cabernet são cultivadas na região, mas as vinhas antigas de Shiraz e também Grenache são o grande diferencial. A vinícola Clarendon Hills exemplifica bem este conceito com vinhos muito bem  elaborados com estas duas cepas. O baixo rendimentos das videiras em vinhas relativamente jovens, ou a essência das velhas vinhas, mostram vinhos de muita personalidade, equilibrados e profundos. Seu Shiraz topo de gama Astralis com vinhas plantadas em 1920 está num seleto grupo entre os melhores de toda a Austrália, fazendo companhia para o mítico Grange, Hill of Grace e o poderoso Armagh de Clare Valley, região que veremos a seguir.

Clare Valley

Pouco mais de cem quilômetros a norte de Adelaide, encontra-se ClareValley (fora do mapa acima), região de altitude entre 400 e 500 metros. Seu riesling, introduzido por imigrantes alemães, é o mais clássico estilo australiano com um toque cítrico característico lembrando lima. A latitude a norte aliada à uma região mais interiorana é compensada pela altitude dos vinhedos, promovendo dias quentes e noites frias. Com isso, o amadurecimento das uvas é pleno, preservando ótimos níveis de acidez. Seu Shiraz e também seu Cabernet são famosos, com muita fruta e bela sensação de frescor. O produtor Jim Barry trazido para o Brasil pela importadora KMM (especializadas em vinhos australianos – www.kmmvinhos.com.br), apresenta vinhos diferenciados tendo com ápice o grande Armagh, citado em parágrafo anterior.

Austrália: Parte II

29 de Janeiro de 2013

Se há um estado que personifica o exuberante estilo shiraz australiano, este estado é South Australia. Regiões como Barossa Valley, Adelaide Hills, Mclaren Vale e Clare Valley, demonstram esta marca com algumas variações e características próprias de cada região. O mapa abaixo ilustra estas regiões.

South Australia: concentração de grandes vinícolas

Barossa Valley

Além de grandes vinhos e grandes vinícolas, Barossa Valley entrou definitivamente no mapa-mundi dos vinhos com o mítico Grange Hermitage, hoje denominado apenas Grange, e considerado por muitos o maior tinto do hemisfério sul. Sonho que começou nos anos 50 com Max Schubert da vinícola Penfolds, um visionário que ousou fazer um grande bordeaux na região. Fã desta região e voltando de um estágio em vinícolas bordalesas, confiava no clima propício de Barossa, com muito sol e pouquíssima chuva. Um de seus pilares para elaboração de seu mítico vinho era partir de uvas perfeitamente maduras e de grande concentração. Observando antigas vinhas de Shiraz em vinhedos escolhidos a dedo, encontrou a matéria-prima ideal. Na vinificação cuidadosa a lição das barricas bordalesas entrou em ação. O vinho então amadureceu em barricas novas de carvalho americano, apostando na riqueza exuberante dos grandes shiraz da região. Seu vinho da safra de 1955 entrou para história, fazendo parte de um seleto grupo dos melhores do mundo de todos os tempos.

Vinhedo histórico em Eden Valley

Outro vinho de Barossa, mais especificamente de Eden Valley, região mais alta pertencente à Barossa Valley, é o famos Hill of Grace da vinícola Henschke. Este é um Shiraz elaborado exclusivamente de um vinhedo pré-filoxera plantado em 1860. É bom esclarecer que este conceito de vinhedo único, bastante ortodoxo no Velho Mundo, é exceção na Austrália. O próprio Grange mencionado acima, parte de vinhedos não só em Barossa Valley, mas também Mclaren Vale e Adelaide Hills. Para finalizar os grandes tintos de Barossa Valley, não poderíamos deixar de mencionar o grande Command Shiraz da vinícola Elderton. Um blockbuster com toda a riqueza, autenticidade e exuberância de um belo shiraz australiano.

De um modo geral, Barossa Valley é uma região bastante quente e árida, necessitando de irrigação. Eden Valley, mencionado acima, é um pouco mais fresco, inclusive com cultivo de uva riesling em locais propícios. Seus vinhos são o ápice da exuberância, notadamente seu típico Shiraz. Misturas com Cabernet Sauvignon são comuns, algo bem particular de South Australia.

Do lado dos brancos, a Chardonnay reina absoluta, quer como varietal, quer em misturas com a Sémillon. A Sémillon como varietal não é comum. Este estilo é mais presente em Hunter Valley, que veremos mais adiante, sendo praticamente um clássico desta região. Um pouco de Sauvignon Blanc é cultivada e geralmente participando de cortes com a Sémillon. Os vinhos costumam ser bem aromáticos, cativantes, porém carecendo geralmente de certo frescor.