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Toscana: Parte I

20 de Setembro de 2012

Pode contar no mapa abaixo, são vinte regiões vinícolas em toda a Itália. Vinho Sem Segredo já contemplou várias delas em artigos específicos e nesta série, vamos começar com pormenores da clássica Toscana.

Itália: Vinhas de norte a sul

A Toscana pertence à Italia Central e dispensa apresentações quanto à fama e prestígio de seus vinhos. Brunellos, Chiantis e Supertoscanos, já bastariam para abrilhantar sua rica história. Contudo, há uma gama enorme de denominações que iremos destacar a partir deste post, conforme mapa abaixo:

Dê um zoom no mapa para melhor visualização

Denominações como Chianti e Brunello di Montalcino já foram esmiuçadas em artigos específicos neste mesmo blog (vide Pecualiaridades do Chianti Classico, As várias denominações Chianti e Terroir: Brunello di Montalcino). Atualmente, a Toscana apresenta 9 DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), 39 DOC (Denominazione di Origine Controllata) e 6 IGT (Indicazione Geografica Tipica).

Quanto ao relevo e clima, as denominações mais próximas do mar Tirreno como Bolgheri por exemplo, apresentam topografia menos acidentada e clima mais quente em relação ao interior. A maior parte do relevo é composto pelas típicas colinas toscanas, compondo belas paisagens na região do Chianti. Por fim, a parte mais oriental ou interiorana, apresenta altitude acentuada por conta da proximidade dos Apeninos, dificultando a maturação das uvas.

A principal uva tinta é a Sangiovese, a mais plantada em toda a Itália, assumindo vários nomes como Sangioveto, Morellino, Brunello, Prugnolo Gentile, entre outros. As denominações Chianti e Chianti Classico juntas somam a maior produção de vinho tinto do território italiano, seguida de perto pela denominação Montelpulciano d´Abruzzo.

A produção total da Toscana em 2010 foi de dois milhões oitocentos e cinquenta e quatro hectolitros, sendo 62,3% vinhos DOCG/DOC, 25,1% IGT e apenas 12,6% Vino da Tavola. Esses valores confirmam a alta porcentagem de vinhos regidos por leis mais rigorosas e fiscalizadoras, embora não garanta a qualidade em alto nível, e sim a procedência e tipicidade dos vinhos.

O destaque para vinhos brancos secos fica por conta da DOCG Vernaccia di San Gimignano, elaborado com a uva Vernaccia, acrescida às vezes com um pouco de Chardonnay. É a maior produção em termos de denominação toscana para brancos, sendo elaborados nas versões com e sem madeira.

Continuamos no próximo post com novas denominações.

Os números da Itália em 2011

26 de Julho de 2012

Sempre é bom atualizar os números da Itália, consistentemente em segundo lugar na produção mundial de vinhos dos últimos anos. Há uma clara tendência na redução do volume de produção e também na redistribuição do vinho entre suas vinte regiões vinícolas. Os números abaixo mostram as regiões do Veneto e Emilia-Romagna assumindo a liderança de produção outrora liderada pelas produtivas regiões da Sicilia e Puglia. Nestas duas últimas regiões  a ordem é modernização e busca pela qualidade em detrimento da quantidade. Há fortes investimentos nessas regiões de produtores consagrados em regiões famosas no centro e norte da Itália, sobretudo Veneto, Piemonte e Toscana.

De todo modo, a disputa entre Norte e Sul continua acirrada, e muito  superior à produção das regiões centrais italianas (Toscana, Umbria,  Molise, Abruzzo, Marche e Lazio). 

Quadro atual das regiões italianas

Quanto às denominações mais nobres, há um decréscimo visível nos chamados Vdt (vino da tavola), e um aumento consistentes das DOCG/DOC, juntamente com a crescente IGT. A tendência ainda maior de queda dos chamados Vino da Tavola é reforçada pelo incentivo de produção de vinhos DOCG/DOC e IGT nas regiões sulinas, sobretudo Puglia, Calabria, e Basilicata.

O gráfico acima mostra claramente esta equalização entre as principais denominações a despeito da forte tendência de queda na produção total de vinhos nos últimos anos, desde 2005.

Denominações italianas em 2011

2 de Fevereiro de 2012

Atualizar denominações italianas hoje em dia é como acompanhar cotações de commodities, muda diariamente. Segundo site oficial do ministério italiano de política agrícola, alimentar e florestal (www.politicheagricole.it) até o fim de 2011, as DOCG, DOC e IGT atuais obedecem o quadro abaixo:

Pirâmide com números dinâmicos

Muita gente vai se surpreender com as atuais 70 DOCGs (Denominazione de Origine Controllata e Garantita), número que até pouco tempo atrás não passava de três dezenas. É interessante notar que existem denominações interregionais, ou seja, uma mesma denominação de origem em duas regiões vizinhas. Então, vamos a elas.

DOCG

Lison (Veneto e Friuli Venezia Giulia)

Vinho branco baseado na uva Tocai Friulano, agora denominada Tai, na versão normal e classico. Eventualmente, pode haver passagem por madeira. DOCG aprovada em 2010.

DOC

Valdadige (Veneto e Trento)

As versões bianco e rosso são cortes de uvas brancas e tintas, respectivamente. Existem as versões varietais dadas pelas uvas Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Grigio e Schiava (uva tinta).

Valdadige Terradeiforti (Veneto e Trento)

Área mais restrita que Valdadige trabalhando com varietais como Chardonnay, Pinot Grigio, Casetta e Enantio, as duas últimas, tintas.

Prosecco (Veneto e Friuli-Venezia Giulia)

Esta denominação passou por mudanças sensíveis nos últimos tempos, esclarecidas em artigo deste blog sob o título Prosecco: Novas Denominações.

Orvieto (Umbria e Lazio)

Branco de certo destaque nos anos oitenta, elaborado sobretudo com as uvas Grechetto e Trebbiano. Além da versão seca, temos o Abboccato (meio seco) e dolce, produzidos em pequenas quantidades.

Lugana (Lombardia e Veneto)

Vinho branco seco elaborado nas redondezas do Lago de Garda com a uva Trebbiano, majoritariamente. Existe também o tipo espumante.

Lison-Pramaggiore (Friuli Venezia Giulia e Veneto)

As versões bianco e rosso são cortes de algumas uvas brancas e tintas, respectivamente. Há também versões varietais com os respectivos nomes das uvas em questão: Chardonnay, Sauvignon, Verduzzo, são algumas das brancas enquanto Merlot, Cabernet e Refosco, são algumas das tintas. Participam também as versões spumante, Verduzzo Passito (vinho doce) e Refosco Passito (doce).

Garda (Veneto e Lombardia)

Uma série de vinhos varietais brancos e tintos elaborados com Garganega, Pinot Bianco, Chardonnay, Cortese, Merlot, Pinot Nero, entre outras. Existem também algumas versões espumantes.

Colli di Luni (Toscana e Liguria)

Vinhos brancos e tintos com cortes de uvas locais, além do Colli di Luni Vermentino (a grande uva branca da Liguria).

San Martino della Battaglia (Lombardia e Veneto)

Vinho branco seco à base de Tocai Friulano elaborado nas províncias de Brescia e Verona. Há uma pequena quantidade em versão licorosa (adição de aguardente vínica).

IGT

Alto Livenza (Friuli Venezia Giulia e Veneto)

Esta denominação engloba vinhos brancos, rosés e tintos em cortes ou varietais. As menções bianco e rosso são para cortes de uvas brancas e tintas, respectivamente. Uvas como Chardonnay, Marzemina, Muller Thurgau, Pinot Bianco, Pinot Grigio, Cabernet, Pinot Nero, Refosco, entre outras, são alguns exemplos de varietais.

delle Venezie (Friuli Venezia Giulia e Trentino Alto Adige)

A mesma filosofia da denominação anterior, variando um pouco as uvas, de acordo com o terroir em questão.

Vallagarina (Trentino Alto Adige e Veneto)

A mesma filosofia das anteriores com eventuais diferenciações nas uvas, de acordo com seu território.

Vigneti delle Dolomiti (Trentino Alto Adige e Veneto)

Prossegue a mesma filosofia das denominações anteriores. Como curiosidade Vigneti delle Dolomiti em língua tedesca torna-se “Weinberg Dolomiten”.

 

Prosecco: Novas Denominações

21 de Dezembro de 2009

O nome Glera entra em ação

A partir de julho de 2009 foram feitas sensíveis mudanças em torno do nome  “Prosecco”. A despeito de não ser o grande espumante da Itália, sua denominação nunca foi respeitada principalmente pelo fato da homonomia entre a uva em si e sua respectiva denominação. Os mapas acima ilustram o que havia antes e o que haverá depois das novas leis. Em resumo, o que era DOC (Denominazione de Origine Controllata) passará a DOCG (Denominazione de Origine Controllata e Garantita) e o que era IGT (Indicazione Geografica Tipica), passará a ser DOC interregional (Veneto e Friuli-Venezia-Giulia).

Para todas essas modificações foi fundamental a mudança do nome da uva branca que dá origem à denominação. Há um sinônimo da uva Prosecco chamada “Glera”, que ao longo da história foi sempre esquecido e raramente mencionado. Com este subterfúgio será possível proteger de forma eficiente a denominação de origem.

As nove subregiões do segundo mapa que englobam Veneto e Friuli passarão à DOC Prosecco. A noçao de terroir fica um tanto vaga, já que a área é relativamente extensa.  Neste caso, a importância do produtor é primordial para uma boa escolha.

As comunas de Valdobbiadene, Conegliano e Asolo que efetivamente são a essência deste espumante passarão a ser duas DOCGs distintas: DOCG Conegliano Valdobbiadene – Prosecco e DOCG Colli Asolani – Prosecco.

É sempre bom esclarecer que Prosecco não significa só vinho espumante. Pode ser também do tipo tranquilo ou frisante. No tipo tranquilo há ausência de gás carbônico. No frisante (frizzante em italiano), temos uma pressão entre 1 e 2,5 atmosferas. Finalmente, no conhecido espumante, a pressão pode  chega a 5 ou 6 atmosferas.