Posts Tagged ‘charmat’

Espumantes: Métodos de Elaboração I

15 de Dezembro de 2011

Quando falamos de espumantes, pensamos imediatamente em dois métodos de elaboração: Champenoise (Tradicional ou Clássico) e Charmat (Cuba Fechada). Champagne e Prosecco são respectivamente exemplos clássicos dos métodos acima citados, e amplamente comentados em artigos anteriores neste mesmo blog.

De fato, estes dois métodos englobam a grande maioria dos espumantes que conhecemos e são comercializados no mercado. Normalmente, os espumantes elaborados pelo método tradicional tendem a ser mais caros, mais artesanais, mais complexos e de menor produção. Já os elaborados pelo método Charmat, são mais frutados, mais simples, mais baratos e de grande produção. A escolha é uma questão de estilo, ocasião e harmonização enogastronômica, se for o caso. Quanto à qualidade da espumatização, os dois métodos se bem executados, são rigorasamente equivalentes.

Além destes dois métodos, existem outros pouco comuns, mas que vale a pena serem explanados, conforme descrição abaixo:

  • Método Dioise

             Este método pouco mencionado é o método utilizado para a elaboração do famoso Asti Spumante, também conhecido localmente como Método Martinotti, homenagem ao enólogo que promoveu mudanças específicas ao método Charmat para este tipo de vinho.

Neste caso, a tomada de espuma é feita diretamente com a fermentação do mosto, ou seja, não há uma segunda fermentação para a tomada de espuma. O mosto muito rico em açúcares é fermentado em autoclaves aprisonando desde o início o gás carbônico gerado na fermentação. Quando o mosto atinge por volta de 7º (sete graus) de álcool, há um resfriamente do tanque a fim de estancar a fermentação, juntamente com uma série de filtrações para a retirada total das leveduras, sempre de forma isobárica (sem perda de pressão). Feito isto, teremos um vinho espumante, doce pelo açúcar residual não fermentado e principalmente, garantido de não haver riscos de refermentações na garrafa, por conta da total retirada das leveduras.

Moscatéis nacionais: ótima alternativa ao original Asti

O método Dioise, nome de origem francesa, é utilizado no clássico espumante do Rhône denominado Clairette de Die, desconhecido em nosso mercado. Na verdade, um dos métodos mais antigos para elaboração de espumantes. A diferença básica do Asti Spumante, é que nesta apelação a tomada de espuma dá-se na própria garrafa, porém os princípios são os mesmos: uma única fermentação e açúcar residual natural do próprio mosto.

  • Método por transferência

             Não é um método em si, apenas uma opção do método tradicional quando não há normas mais rígidas. O início é sempre como o método tradicional, vinho-base acrescido de açúcar e leveduras com fermentação e tomada de espuma na garrafa. Após a permanência sur lies (contato relativamente prolongado com as borras), retira-se o vinho das garrafas e “transfere-se” para os tanques, como se fosse o método Charmat. Daí para frente, tudo é feito isobaricamente: decantação, filtração e engarrafamento. É uma maneira mais econômica frente ao artesanal e demorado processo de remuage e dégorgement do método tradicional.

Continuamos no próximo post!

Harmonização: Frango Xadrez e Vinho

21 de Abril de 2010

A qualquer hora, um dos campeões do Delivery!

Atire a primeira pedra quem já não discou para os chineses. Mesmo que não seja seu prato favorito, é uma bela solução numa hora de apuros. E até mesmo nestas horas, uma prosaica garrafa de vinho pode e deve tornar o momento agradável e muito mais interessante sensorialmente.

As variações da receita são inúmeras, mas vamos dividí-las com legumes ou com amendoim. Os ingredientes onipresentes são frango em cubos, pimentões, cebola e shoyu. Os legumes podem incluir cenouras, brócolis, acelga, entre outros. O amendoim é uma questão de gosto, pode ser acrescentado ou não.

O prato tem peso médio (normalmente peito de frango)  e é relativamente simples. Portanto, nada de vinhos sofisticados. Lembre-se que temos pimentões que costumam ofuscar sutilezas de grandes vinhos. Um ponto importante é a textura do molho, bastante aveludada quando o prato é bem executado. A crocância dos ingredientes é também uma marca registrada da culinária chinesa.

Uma das melhores opções é um bom espumante, inclusive os nacionais de leve a médio corpo. A acidez e efervescência destes vinhos animam o prato, limpando agradavelmente o paladar da delicada textura oleosa do molho. Se sua opção for pelos legumes, opte por um espumante do método Charmat, onde os sabores frutados e florais vão de encontro ao sabor do prato. Proseccos de boa procedência no estilo Extra-Dry (não tão secos como o Brut) são benvindos.

Se a opção for com amendoim, os espumantes pelo método Champenoise (método Tradicional ou Clássico são sinônimos) apresentam melhor sintonia. Os aromas advindos do contato relativamente prolongado com as  leveduras, além de uma eventual mineralidade, casam melhor com o perfil de frutas secas dado pelo amendoim. Um Cava (espumante espanhol elaborado obrigatoriamente pelo método Clássico) relativamente simples é uma ótima pedida. Não desperdiçe um Cava sofisticado, nem tão pouco um Champagne com amendoins. Não estamos falando de avelãs, amêndoas, nem nozes, e sim de uma semente tupiniquim.

Além dos espumantes, vinhos brancos relativamente leves, frescos e frutados caem bem. Evite vinhos de aromas austeros e minerais como um Chablis por exemplo. O mesmo vale para os tintos. Um Sancerre (Pinot Noir do Loire), um Dolcetto, um Tempranillo Joven ou nacionais sem passagem por madeira são alternativas interessantes.

Por fim, a culinária chinesa é extremamente rica e vai muito além do nosso frango xadrez. Em linhas gerais, os brancos alemães combinam muito bem, principalmente com molhos agridoces e receitas com carne suína. Oportunamente, falaremos sobre o assunto.