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Almoço entre Amigos

21 de Novembro de 2015

Mais um encontro memorável entre amigos. Boa comida, boa bebida e boa conversa. Estávamos aguardando a oportunidade de abrir uma grande garrafa, o esplendoroso La Rioja Alta 890 Gran Reserva da safra de 1989. Este é o topo da vinícola onde 890 significa sua data de fundação (1890). Antes porém, algumas garrafas como preâmbulo.

alphonse mellot

Um Sancerre fora da curva

O vinho acima iniciou os trabalhos com alguns queijos e pates. Sancerre costuma ser um pouco menos incisivo que seu concorrente Pouilly-Fumé. Ambos são elaborados com a uva Sauvignon Blanc. Neste caso, o proprietário Alphonse Mellot trabalha um vinho no sentido da maciez. Metade do mosto é vinificado em cubas e a outra metade em barricas novas. Após a vinificação, o vinho permanece em contato com as leveduras (sur lies) por um período de sete a oito meses. Este processo fornece uma maciez extremamente agradável em boca, tornando-o muito gastronômico. Seus aromas de frutas e flores delicadas são de bastante distinção. Vinho de personalidade que impõe a visão de seu mentor. Importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br).

domaine arlaut

Muito longe de um Borgonha genérico

Este é um vinho de quem sabe garimpar borgonhas. Embora o produtor seja altamente confiável (Domaine Arlaud é especialista em Morey-St-Denis),  o fato de provir de uma apelação genérica não sugere fortes emoções. Entretanto, há um detalhe, a palavra Roncevie. Roncevie é um vinhedo  muito próximo aos Grands Crus de Chambertin, mais especificamente Charmes-Chambertin. O vinho tem classe, aromas de rara pureza e muito bem equilibrado. A Borgonha é feita de detalhes. Importado também pela Cellar por um preço bem convidativo.

tinto bairrada

Bairrada: a difícil uva Baga

O vinho acima entrou mais como um fator de harmonização. Tínhamos um patê à mesa à base de embutidos e pimenta que não estava harmonizando com os dois vinhos acima descritos. Daí, recorrermos a este tinto envelhecido como última tentativa. E realmente, vingou. Este tinto bairradino com mais de vinte anos estava ainda com força, mas com seus difíceis taninos domados. Portanto tinha personalidade para o patê com uma bem vinda rusticidade.

rioja alta 890

Um grande vinho numa grande safra

La Rioja Alta é a bodega referência da denominação, sobretudo quando falamos em estilo tradicional. Pessoalmente para tintos, não há nada igual. Seus vinhos Ardanza e Gran Reserva 904 já são memoráveis. Agora, este que provamos, é algo singular. Um Gran Reserva pela legislação, deve ficar pelo menos dois anos em madeira e mais três anos engarrafado antes da comercialização. Pois bem, este exemplar cumpre as regras com muito folga. Ele fica pelo menos seis anos em madeira, e mais longos anos em adega até ser liberado. A bodega possui mais de 400 hectares de vinhas e um arsenal de barricas de trinta mil unidades, todas de carvalho americano, confeccionadas na própria bodega.

Neste exemplar, temos 90% Tempranillo e 10% entre Graciano e Mazuelo. O vinho passou sete anos em barricas de carvalho americano, confirmando seu estilo tradicional. Neste período houve catorze trasfegas, proporcionando ótima limpidez e algum arejamento do vinho. Foi engarrafado em 1997. O ano de 1989 foi uma ótima safra.

Nesta altura, estávamos começando a saborear uma deliciosa paleta de marrote (leitãozinho). A maciez da carne e seus sabores combinaram muito bem com a textura do vinho. A acidez do mesmo contrabalançou com eficiência a gordura da carne, e seus toques terciários e de torrefação proporcionou um final de boca extremamente agradável.

double corona

Hoyo de Monterrey Double Corona:Um dos cinco melhores do mundo

No final, como sempre, cafés, chás, Portos, Madeiras, acompanhando uma boa conversa e alguns Puros de qualidade. Tínhamos uma Cohiba Double Corona, o belo Bolivar Belicosos (figurado) e o excepcional Hoyo de Monterrey Double Corona, o Borgonha dos Puros. Charuto de acabamento impecável, aromas finos e marcantes. Vai se mostrando pouco a pouco através dos terços, mas sempre com muita elegância e distinção. Um raro privilégio!

Vale do Loire: Parte IV

23 de Janeiro de 2012

Agora nosso último climat são os chamados vinhos do Centro ou também Alto Loire. Centro porque nesta altura, o rio Loire já percorreu metade de seu caminho rumo ao Atlântico. É a sub-região de clima mais continental com solos argilo-calcários. Em determinadas porções, temos solos pedregosos com sílex ou também marnes à petites huîtres (marga do tipo Kimeridgiano com fósseis marinhos calcinados em rocha). A essas formações são atribuídos os aspectos minerais de determinados vinhos.

Vinhos do Centro: Sancerre e Pouilly-Fumé

Uma das mais lindas garrafas de vinho

Nesta última sub-região, bem a leste do mapa acima, duas apelações destacam-se: Sancerre e Pouilly-Fumé. As duas elaboram ótimos brancos com a casta Sauvignon Blanc. Os aromas de frutas frescas, toques herbáceos e minerais são marcantes. Existem belos produtores como Michel Redde cujo rótulo acima, é sua cuvée de luxo para a apelação Pouilly-Fumé. Importado pelo Club du Tastevin (www.tastevin.com.br ). A delicadeza e a mineralidade deste estilo de Sauvignon é única, contrastando com a maioria dos Sauvignons do Novo Mundo, que possuem mais corpo e tropicalidade.

A apelação Sancerre também é estendida aos tintos com a casta Pinot Noir. Alguns são interessantes, mas sem a sofisticação dos borgonhas. É sempre uma boa opção de tinto para acompanhar peixes, dependendo da receita em questão. Desta apelação, o destaque vai para o produtor Alphonse Mellot, importado criteriosamente pela Cellar (www.cellar-af.com.br).

A apelação Pouilly sur Loire de produção muito reduzida, elabora brancos com a uva Chasselas (também cultivada na Suiça) com vinhos delicados, relativamente neutros e de boa acidez.

Outras apelações vizinhas como Menetou-Salon, Quincy e Reuilly, tentam reproduzir o bom desempenho das duas apelações mais famosas citadas acima, mas sem o mesmo sucesso. São vinhos de consumo local e dificilmente são encontrados no Brasil. Costumam ter preços mais atrativos, porém é fundamental a escolha certa do produtor.