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Concurso Mundial de Sommeliers

17 de Março de 2016

Está se aproximando mais um concurso mundial de sommeliers. É uma espécie de copa do mundo para a sommellerie. Será em Mendoza no mês de abril com vários candidatos de peso, entre eles, a argentina Paz Levinson, última campeã das Américas. Além de sua competência, jogará em casa, e é atualmente, sommellière de um grande três estrelas em Paris, restaurante Epicure do Hotel Le Bristol.

Quanto ao nosso candidato, Diego Arrebola, estamos na expectativa de um bom desempenho. Recentemente, ele ganhou o concurso brasileiro com certa folga sobre os demais concorrentes. Um dos motivos, é a experiência em concursos passados, inclusive internacionais, além de uma boa base teórica. Aliás, falando no concurso brasileiro do qual participei da preparação, vamos a alguns detalhes do mesmo.

taça negra

taça negra

Como sempre, há uma série de três vinhos para serem degustados às cegas e devidamente comentados em detalhes. Logo após, mais uma série de líquidos totalmente às cegas para serem identificados. Podem ser águas, licores, destilados, chás, coquetéis, e tudo que a imaginação permitir. Nesta parte, causou estranheza ninguém ter acertado a eau-de-vie chamada Poire, um destilado de pera. De fato, hoje em dia meio fora de moda, mas mesmo assim, os apurados olfatos deveriam ter detectado o nítido aroma da fruta. A proposito, na degustação de líquidos, a taça utilizada é negra (foto acima), para não haver pistas no exame visual.

chá verde

chá verde premium

O chá acima foi preparado por uma especialista para a correta apreciação dos sommeliers na prova de líquidos. Quantidade de chá, de água, tempo de infusão e temperatura, checados rigorosamente para cada candidato.

jura savagnin

a exótica cepa Savagnin

Um dos vinhos degustados às cegas (foto acima) era um branco do Jura com a uva Savagnin. A semelhança com vinhos de Jerez foi recorrente entre os candidatos. O mais famoso vinho neste estilo da região chama-se Vin Jaune do Château Chalon. Sua garrafa bastante exótica contém 620 ml, quantidade diferente dos habituais 750 ml.

No trabalho à mesa, diante de oito convivas, classicamente houve a abertura de um espumante, e a decantação de um vinho envelhecido. No caso, hipoteticamente, um Latour 1966. Como as garrafas estavam deitadas sobre a mesa, a utilização do cesto de vinhos para a abertura era obrigatória. No pedido dos convivas, uma suposta confraria, a opção foi por um menu-degustação onde nas várias etapas, quatro pessoas escolhiam pratos diferentes das outras quatro. Portanto, para entrada, primeiro prato, segundo prato, e sobremesa, metade do grupo optava por pratos diferentes.

acessórios

acessórios: cesto, taças, decanter

Um dos erros graves, foi a proposta de vinhos em taça. Claramente, o comandante da mesa esclarecia ao sommelier que não havia restrições de preços e que as sugestões de vinhos seriam bem acolhidas. Neste caso, descarta-se a opção por taças. Tratando-se de um grupo de entusiastas do vinho, a indicação de garrafas é logicamente obrigatória, mesmo porque, normalmente as opções de vinho em taça são relativamente simples quanto á qualidade e complexidade da bebida.

Em uma mesa de oito homens, cabe a sugestão de pelo menos quatro garrafas. Se bem escolhidas, podem casar com sucesso com as opções de pratos sugeridos. É nesta escolha, que entra a criatividade e o bom senso do sommelier.

O grande desafio do Brasil é conseguir ineditamente um lugar na prova final de serviço. Para isso, obrigatoriamente o sommelier deve estar entre os primeiros na prova escrita, prova esta, de extrema dificuldade.

Outra dificuldade do Brasil é motivar grandes sommeliers no serviço de salão. Remuneração e flexibilidade nos horários são os maiores empecilhos. Quando esta equação é resolvida temos casos isolados como de Manoel Beato no Fasano. Uma parceria de sucesso que a longo prazo dá resultado. Outro exemplo é de Guilherme Correa, sommelier e consultor da importadora Decanter. Com conhecimento apurado e grande carisma, salões de grandes restaurantes perdem a oportunidade de tê-lo como um atrativo de peso. Enfim, sorte ao nosso representante Diego Arrebola em Mendoza!

O Mundo do Vinho no Brasil

16 de Maio de 2015

Meus caros amigos, aqueles que me seguem há anos, este artigo vai gerar polêmicas, é um artigo duro, mas ao mesmo tempo um desabafo. O mundo do vinho no Brasil é quase uma piada. A grande maioria dos consumidores de vinho entende muito pouco do assunto, de maneira bem superficial. Compram vinhos por indicação de vendedores que por sua vez, têm uma visão limitada do produto, seus argumentos são puramente comerciais, induzindo a vocês consumidores uma expectativa errada do vinho adquirido. Muita culpa está nas próprias importadoras,  que não fazem investimentos em gente qualificada. Simplesmente, apelam para salários baixos, colocando pessoal voluntarioso, mas sem os pré-requisitos básicos para um bom aconselhamento. Ficam apegados em fichas técnicas extremamente duvidosas e sem um conteúdo condizente. A própria internet  é inundada de informações inconsistentes, inclusive os inúmeros sites sobre vinhos, que mais são transmissores de notícias, do que matérias com um mínimo de informação confiável. Muitos “gurus”, ditos conhecedores da matéria, têm relações comerciais com o marketing do vinho para empurrar produtos pouco confiáveis.

Do livro: O Espírito do Vinho

Querem uma importadora de referência, onde você pode falar diretamente com o dono, o qual é um dos maiores conhecedores de vinhos do Brasil. Pois bem, essa importadora é a Cellar (www.cellar-af.com.br) do grande Amauri de Faria. No tenho nenhuma comissão, nenhum acordo comercial, mas os vinhos são altamente confiáveis, a preços justos para o padrão nacional. Ele tem uma linha de franceses e italianos altamente recomendados. E na dúvida, é só falar com o pai da criança. Esta é uma importadora de compra segura onde você pode aprender sempre um pouco mais.

Outra exceção como importadora é a Decanter, com um portfólio amplo e bem selecionado pelo grande sommelier Guilherme Correa, campeão brasileiro, e com forte e sólida formação enológica. Além da consultoria em vinhos, Guilherme ministra vários encontros, eventos e cursos pela importadora ao longo do ano, transmitindo aos clientes seus conhecimentos e ao mesmo tempo, destacando as principais características dos vinhos apresentados e degustados.

Será que todos sabem o significado de provar o vinho no restaurante?

Na realidade, as importadoras, lojas de vinho, deveriam assumir este papel educativo, criando um grupo de atendentes competentes para educar de forma constante e paulatina uma formação enológica em torno do assunto. Isso sem falar em restaurantes, onde boa parte dos “sommeliers” prestam um desserviço ao vinho, indicando produtos comerciais, não verificando vinhos bouchonnés, e outras cositas mas. Falando em restaurantes, só para dar um exemplo positivo, veja o Fasano. A visão de Rogério Fasano não tem paralelos no Brasil. E é por isso que seu restaurante é uma referência em gastronomia e sommellerie. Manoel Beato, o melhor sommelier em atividade no salão do Brasil, é fruto de uma visão a longo prazo do restaurateur Rogério. É lógico que o salário de seu sommelier não tem parâmetros no mercado paulistano, além de muitas vezes estar ausente com outros compromissos que a profissão lhe oferece. Porém, Rogério sabe da importância de um profissional deste quilate em seu quadro de funcionários, e espertamente não abre mão deste investimento de anos a fio. Além disso, Manoel monta e supervisiona uma equipe altamente competente. Fasano é caro? é caro, mas nestes momentos você confirma a diferença abissal com outros restaurantes. Só para completar, outros sommeliers que poderiam enriquecer o trabalho de salão nos restaurantes, estão em outras atividades como consultores, onde a disponibilidade de horários e salários são altamente compensadores. É muito difícil para um sommelier de salão convencer seus patrões a investirem em sua formação e aprimoramento. Infelizmente, eles entendem isso como despesa, além de ter que dispor de uma parte do horário de seu sommelier no salão. Com isso, os sommeliers sentem-se desmotivados a se aprimorarem, agarrando-se em importadoras para a venda e vantagens de determinados produtos.

Guilherme Correa em ação

Diante deste cenário altamente duvidoso, resta ao consumidor informar-se por conta própria, através de leituras confiáveis, críticos credenciados e cursos elucidativos como os ministrados pela ABS-SP. É evidente que tudo isso não é barato, mas para ter algum conteúdo confiável é preciso investimento, o qual lhe trará grandes benefícios em futuras compras de vinho, não comprando gato por lebre. Aliás, a ABS-SP nos últimos anos tem criado inúmeros cursos profissionais em horários bastante flexíveis, dando sua contribuição na formação de sommeliers com conteúdo consistente. Evidentemente, cabe a cada aluno seguir seus estudos individualmente, procurando aprimoramentos e destacando-se neste mercado altamente competitivo.

Frases de vendedores, marketing, como: O melhor vinho é aquele que você gosta, ou não existem vinhos ruins, existem vinhos mal vendidos, são um verdadeiro desrespeito ao consumidor que quer progredir, se informar melhor, e entender realmente o que é um bom vinho. E aí não existe milagre, vinho realmente bom tem seu preço, como tudo na vida.

Finalizando, é bom que se ressalte mais uma vez as exceções. Evidentemente, existem importadoras, lojas de vinho e restaurantes sérios, que prestam um bom serviço ao mundo do vinhos. Porém, são oásis num mercado tão movimentado, com inúmeros estabelecimentos sem critério, sendo criados no dia a dia, que infelizmente são a maioria. Que os consumidores ao longo do tempo, saibam separar o joio do trigo!

Sommelier no Brasil: difícil missão

19 de Setembro de 2010

Exercer a sommellerie no Brasil não é tarefa fácil por uma série de motivos. Talvez o âmago da questão esteja na falta de tradição do vinho à mesa. Afinal, somos o país da cerveja.

O Brasil nas últimas décadas progrediu muito neste assunto e continua progredindo em ritmo acelerado. A globalização, intercâmbio de culturas e o aumento do poder aquisitivo de determinadas camadas da população, principalmente nas grandes capitais, contribuem decisivamente para este progresso.

Temos um mercado de vinhos aquecido, bem abastecido por vários perfis de importadoras, a ponto de termos à disposição grandes vinhos dos mais variados estilos, marcas e países.

Do lado nacional, o vinho brasileiro evoluiu e continua evoluindo muito, na medida do possível, embora pessoalmente, ainda muito caro, principalmente em padrões mais sofisticados.

Manoel Beato: referência em sommellerie

As pessoas que frequentam restaurantes, boa parte delas não sabem avaliar o trabalho de um sommelier, a despeito de terem acesso a bons vinhos. Existem os chamados bebedores de rótulos e aqueles que querem mostrar conhecimentos, muitas vezes humilhando o profissional e se preocupando com detalhes tecnicamente pouco significativos. O que vale na prática, é muito mais a simpatia e a facilidade em vender vinhos, do que propriamente o conhecimento técnico do profissional.

Do lado da restauração vemos situação semelhante. Os donos costumam achar que conhecem em detalhes o assunto e passam a dar ordens equivocadas sobre serviço de vinho. O sommelier muitas vezes, é designado pelo dono, gerente ou maître, sem qualquer critério técnico, e muito menos, uma formação profissional adequada. Aliás, esta profissão ainda não é regulamentada no país, e pelo andar da carruagem, não vislumbramos a curto prazo mudanças. Guardada as devidas proporções, é mais ou menos como uma pessoa que não é médico, exercer a medicina. Como no caso da sommellerie, a vida não está em jogo, no máximo, uma grande garrafa de vinho, não há esforço para mudanças.

Do exposto acima, o círculo vicioso está montado. Clientes satisfeitos e ao mesmo tempo despreparados para exigir um serviço mais profissional, donos de restaurantes satisfeitos com a sommellerie sob suas ordens, e sommeliers desmotivados e muitas vezes sem tempo, para buscarem aperfeiçoamento, além de suas chefias frequentemente não colaborarem nem financeiramente, nem em disponibilidade de tempo para tal finalidade.

Evidentemente, nem tudo está perdido. Existem clientes conscientes e conhecedores do assunto, restaurateurs que se preocupam em verdadeiramente melhorar o conhecimento de seus funcionários, e sommeliers que procuram constantemente aprofundar seus conhecimentos, executando um trabalho cada vez mais preciso no salão.

Finalizando, os poucos sommeliers que se destacam em nosso país, conseguem esta façanha quase exclusivamente por esforço próprio, e nesta incessante busca pelo conhecimento, tornam-se cada vez melhores. Salvo raras exceções, os melhores não estão no salão, seu verdadeiro palco, por razões de jornadas maçantes e sálarios insatisfatórios. Neste contexto, não podemos deixar de citar o grande Guilherme Corrêa, consultor da bem administrada importadora Decanter, além de melhor sommelier do Brasil, representando-nos em concursos internacionais.