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A arte de envelhecer e permanecer relevante: Vega Sicilia

20 de Abril de 2026

Nos turbulentos anos da Segunda Guerra Mundial, o premiê britânico Winston Churchill (https://www.cartacapital.com.br/blogs/pantagruel/a-mesa-com-winston-churchill/) ainda encontrava tempo para desfrutar de comida e bons vinhos. Com frequência, jantava na embaixada espanhola em Londres, recebido pelo embaixador e duque de Alba, um parente distante. Não era apenas a amizade que o levava até lá, mas a lendária adega e o talento do chef de cozinha.

Em uma dessas ocasiões, Churchill provou um tinto que o encantou. Sem ver o rótulo, perguntou ao anfitrião qual vinho tinha bebido. Estava em dúvida em qual premier grand cru classé de Bordeaux tinha lhe sido servido. O embaixador sorriu. Não era um Latour. Revelou a garrafa: tratava-se de um Vega Sicilia. Essa anedota sempre vem à mente quando bebo um Vega, caso do recente ùnico 2013, cuja qualidade dos taninos tem poucos comparativos no mundo vitis.

Considerado um dos vinhos mais célebres e caros da Espanha, o Vega Sicilia tem raízes que remontam a 1864, quando a família Lecanda y Chaves trouxe mudas de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec de Bordeaux e as plantou ao lado da uva espanhola Tempranillo, em Ribera del Duero. Para surpresa de todos, foi a variedade nativa que melhor se adaptou ao terroir.

O primeiro engarrafamento é motivo de debate, mas a consagração veio na Exposição Internacional de Barcelona de 1929, quando as safras de 1917 e 1918 receberam prêmios. Durante décadas, o rótulo permaneceu quase um segredo, reservado a um seleto grupo de amigos e clientes, o que só aumentou sua mística.

A história mudou em 1982, quando a vinícola passou às mãos da família Álvarez, que a dirige até hoje. Seu ícone, o “Único”, só é produzido em safras excepcionais — em muitos anos, simplesmente não é elaborado. As uvas vêm de vinhas com mais de 25 anos, e até a safra de 1980 a mescla incluía, além do Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e até pequenas quantidades da uva branca Albillo, como lembra o crítico John Gilman (https://www.cartacapital.com.br/blogs/pantagruel/reflexoes-de-um-critico-de-vinhos-2/) em texto em que degustou 20 safras do lendário vinho. (Curiosidade: É uma das preferências do cantor Roberto Carlos – Boni mantém aalgumas garrafas na adega em Angra dos Reis para o rei da música. É também predileto do ex-presidente FHC).

Atualmente, o Único combina cerca de 95% de Tempranillo com Cabernet Sauvignon. A vinificação é meticulosa: cada um dos 81 lotes do vinhedo é fermentado separadamente em grandes tonéis de carvalho. O vinho amadurece, em média, dez anos na bodega, passando por barricas de diferentes idades, origens e tamanhos até atingir a integração perfeita entre fruta e madeira. Depois, repousa por ao menos três anos em garrafa antes de ser lançado. A própria vinícola fabrica suas barricas, escolhendo carvalho americano secado naturalmente por no mínimo três anos, um detalhe que reforça a obsessão pela qualidade e ajuda a explicar por que este rótulo se tornou uma lenda.

Fazer um vinho de guarda e qualidade significa atentar se a detalhes, como as rolhas. Entre 2018 e 2023, fez se um estudo na vinicola oremus na Hungria com rolhas diam e neutras no vinho mandolas. “Nao vimos o efeito uau”, diz juan pablo parra, subdiretor técnico de @bodegasvegasicilia. Por isso eles ainda utilizam rolhas naturais, com cuidados especiais. Os 11 produtores de rolhas tem de ressarcir caso haja problema em um vinho.Em dezembro de cada ano, para garantir a neutralidade absoluta, a equipe degusta essa a agua de um prensado de rolhas diversas. Se a água apresentar qualquer desvio de sabor ou aroma — mesmo que não seja TCA — o lote inteiro é rejeitado. Detalhes da produção de um dos maiores vinhos do mundo em breve em um novo projeto e plataforma.

Hoje em dia um vinho desses tem espaço diante de uma legião de consumidores que querem beber vinhos cada vez mais jovens? “O Vega tem grande potencial para envelhecer, mas pode ser desfrutado mais jovem também por conta de como é vinificado. A flexibilidade na vinificação do Veja  permite que seja desfrutado mais jovem, juntamente com o seu apelo clássico, ajuda a manter sua relevância”, diz Diana Kelley, gerente regional para Américas da vinícola, que esteve há dias, em São Paulo, em evento da importadora Mistral.

A presença da vinícola em eventos, o engajamento nas redes sociais e a expansão para novos mercados e regiões, como a Hungria e a parceria com a família Rothschild para o lançamento do Macán em Rioja, demonstram um esforço contínuo para se conectar com uma audiência diversificada e ampliar seus horizontes. O futuro lançamento de um Albariño em 2027, com base na tradição de vinhos minerais da Galícia, reflete uma estratégia de inovação alinhada às tendências de consumo sem perder o toque clássico da vinícola. “O sucesso dos tintos fez muitos perguntarem quando faríamos um vinho branco na Espanha. Foram feitas experiências e agora em 2027 deverá ser lançado um albariño diferenciado”, destaca Diana.

DIAM: Revolução nas Rolhas

22 de Março de 2019

Se você encontrar um rolha que parece ser de aglomerado, preste atenção, pode ser uma rolha com a marca DIAM de alta tecnologia francesa. Esta empresa vende 1,8 bilhões de rolhas por ano, sendo 79% para vinhos tranquilos, 17% para espumantes e champagnes, e 4% para destilados. Movimenta 145 milhões de euros por ano.

Reparem os vinhos abaixo, Montrachet de produtores famosos, utilizando as rolhas DIAM. O principal motivo é a garantia da isenção do chamado Bouchonné, advindo do TCA, presente em pequena porcentagem nas rolhas de cortiça maciças. Isso posto, vamos entender todo o processo de fabricação.

reparem a marca DIAM na segunda foto

vinhos de elite confiando na marca

Tudo começa com a coleta da cortiça em regiões do sul da Espanha, Portugal, e também na França nas regiões da Provence, Languedoc-Roussillon e Córsega. A maior parte vem da Espanha, pois a área de sobreiros na França é sensivelmente menor.

Chegada a cortiça nas fábricas, tanto na Espanha, como na França, elas são tratadas e secadas antes da moagem das placas. Aí está o pulo do gato, destrói-se a cortiça, para reconstruí-la pelo processo Diamant, descrito no vídeo abaixo.

Na reconstrução da rolha, a cortiça moída é agregada com microesferas de origem vegetal e ligadas com cera de abelhas. Como podemos notar, são todos produtos naturais com respeito à natureza, de produção renovável  e sustentabilidade. Essas esferas de origem vegetal juntamente com a cortiça, vão permitir a perfeita elasticidade e permeabilidade das rolhas. O elemento de ligação é justamente a cera do mel das abelhas.

Relembrando o pulo do gato, a cortiça moída é colocada em grandes tubos altos e recebe de baixo para cima CO2 sob condições precisas de temperatura e pressão. A passagem deste gás através da cortiça moída permite retirar por vapor aromas indesejáveis, inclusive o inconveniente TCA e suas famílias. Esse é o ponto fundamental de todo o processo.

Voltando às fotos acima, reparem que ao lado da marca DIAM temos o número 30 em uma, e em outra as iniciais GG (Grand Cru). Tanto uma como a outra, refere-se às melhores rolhas por este processo, podendo garantir perfeita vedação por 30 anos. Elas são elaboradas com precisas dosagens das microesferas para garantir permeabilidade e elasticidade por longos anos em adega.

DIAM bouchonsdestilados, vinhos, e espumantes

Para vinhos mais simples temos as rolhas DIAM 1, DIAM 3, DIAM 5, DIAM 10 e DIAM 30. Resumindo, de acordo com a longevidade dos vinhos temos níveis de elasticidade e permeabilidade compatíveis com a necessidade e de acordo com preços mais justos com cada tipo de rolha. Os números correspondem a um, três, cinco, dez, e trinta anos, de armazenagem em garrafa, respectivamente.

Clientes de peso como Chateau Carbonnieux (Bordeaux), Chateau Angelus (Bordeaux), Billecart-Salmon (champagne), Louis Jadot (bourgogne), Comtes Lafon (bourgogne), Paolo Bisol (prosecco), Bodegas Rural (argentina), Grupo Peñaflor (argentina), aderiram ao sistema Diamant com depoimentos consistentes e de grande aprovação. Maiores informações: http://www.diam-bouchon-liege.com

Por outro lado, a Empresa Amorim portuguesa, a maior produtora de rolhas do mundo, em defesa de rolha de cortiça maciça, na busca incessante pela eliminação do TCA, o terrível bouchonné, vem desenvolvendo métodos cada vez mais eficientes. A última novidade trata-se da tecnologia chamada NDtech. Essa tecnologia é uma parceria entre a Amorim e uma empresa inglesa especializada em análise de cromatografia rápida. A rolha pode ser analisada em poucos segundos, sendo descartada automaticamente se apresentar níveis de TCA acima de 0,5 ng/l (ng é um nanograma, ou seja, um bilionésimo de grama). Para se ter uma ideia desta medida, é como se jogássemos uma gota de TCA em 800 piscinas olímpicas. Portanto, esse sistema da Amorim para suas melhores rolhas destinadas a vinhos especiais, garantem total proteção ao TCA. No caso do sistema Diamant, o rigor é ainda maior, com medidas inferiores a 0,3 ng/l. Maiores informações, http://www.amorim.com 

Em resumo, as maiores empresas que lidam com cortiça, e consequentemente rolhas, se mexem exaustivamente na eliminação total do TCA em seus produtos. As soluções vão surgindo e o consumidor e produtores de vinhos só tendem a ganhar, preservando os autênticos sabores do vinho, sem inesperadas frustações.