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Colares e Carcavelos: Vinhos de livro

7 de Outubro de 2013

As regiões e denominações vinícolas mudam ao longo do tempo, atualizando-se, sendo incorporadas num novo contexto, ou até mesmo sendo extintas. Infelizmente, estamos falando do quase total desaparecimento das denominações de origem portuguesa de grande tradição e história, Colares e Carcavelos. Situadas em região praiana da grande Lisboa, a especulação imobiliária ganhou a guerra. É uma questão friamente financeira. É mais negócio vender lotes de terra para urbanização do que elaborar vinhos com custo e paciência elevados. Veja a localização destas denominações no atual mapa abaixo com a nova denominação: Vinhos de Lisboa

Vinhos de Lisboa: Antiga região da Estremadura

Bem ao sul do mapa, as regiões 16 e 17 referem-se respectivamente a Carcavelos e Colares, especificadas abaixo:

Carcavelos

A vocação portuguesa para vinhos fortificados é notável. Porto, Madeira e Moscatel de Setúbal, confirmam esta excelência. A denominação de origem Carcavelos é quase tão antigo quanto o vinho do Porto. Tanto é verdade, que o próprio Marquês de Pombal, mentor da demarcação da região do Douro (vinho do Porto), era admirador confesso deste belo vinho.

As castas permitidas  e cultivadas em clima marítimo para a elaboração deste fortificado são: Periquita e Pedro Martinho (tintas); e Galego Dourado, Boal, Ratinho e Arinto (brancas). O vinho atualmente é elaborado em quantidade mínima na versão doce, já que em outros tempos havia graduações de doçura passando pelo seco, meio seco e meio doce. O vinho deve envelhecer pelo menos dois anos em tonéis de madeira usados, mas na prática, fica pelo menos de três a quatro anos. Um vinho com características semelhantes ao nobre Madeira.

Atualmente, existem poucas vinhas em atividade, sobretudo na Estação Agronômica de Oeiras e nas Quintas dos Pesos.

Colares

Denominação de Origem bastante antiga (1908), Colares elabora tintos e brancos com as uvas Ramisco e Malvasia, respectivamente. Em clima marítimo e solos arenosos, as vinhas são plantadas em pé-franco (livre da filoxera) e protegidas do vento por paliçadas (conjunto de estacas formando uma barreira) de cana.

O tinto principalmente, é o mais reputado. Assemelha-se um pouco com os tintos da Bairrada no sentido de serem difíceis quando jovens. São muito austeros e tânicos. Entretanto, uns bons anos de garrafa amaciam a fera, e se torna um vinho altamente gastronômico, com uma bela acidez para pratos gordurosos. O rótulo acima da Viúva Gomes é a grande referência para este tinto de personalidade. Quem tiver oportunidade de uma visita in loco, esta vinícola dispõe de safras antigas de várias décadas do século passado. Segue o site da vinícola: (www.jbaeta.com).  

Enfim, assim como na antiguidade, alguns grandes vinhos vão se perdendo no tempo. Sobram as lembranças e as menções na literatura. A vida segue …

Vinho do Porto: Parte I

7 de Abril de 2011

Os vinhos fortificados, elaborados em vários países, apresentam nítida superioridade na península ibérica. O trio de ferro imbatível, Jerez, Porto e Madeira, não tem rivais à altura, sem falar no Moscatel de Setúbal, Carcavelos (quase extinto), Pedro Ximenez de Montilla-Moriles, e tantos outros. Especialmente, o Vinho do Porto, destaca-se dos demais em termos de projeção internacional e empatia no mercado globalizado. Oxalá, Jerezes e Madeiras, um dia voltem a ter a projeção que bem merecem!

Dando início ao vasto mundo do Vinho do Porto, é bom esclarecer que Porto é a cidade homônima onde obrigatoriamente, o vinho era amadurecido até 1986. A partir desta data, o vinho continua amadurecendo em Vila Nova de Gaia (município dentro da região metropolitana do Porto), mas pode também, amadurecer na região do Douro, local onde as uvas são cultivadas e vinificadas.

O início da região escura (Douro) dista 80 km do Porto

A região do Douro inicia-se com a aproximação da serra do Marão, aproximadamente 80 km a montante da cidade do Porto. Nesta primeira parte, temos a região do Baixo Corgo (Corgo é um afluente do Douro neste ponto). Em seguida, a nobre região do Cima Corgo, onde estão as principais Casas de Vinho do Porto. No último terço, temos a cálida região do chamado Douro Superior, em constante desenvolvimento. O mapa abaixo, ilustra a explanação.

As três sub-regiões do Douro

À medida que vamos caminhando de oeste para leste, a precipitação pluviométrica vai diminuindo, enquanto as temperaturas extremas e a amplitude térmica, vão aumentando. Portanto, a maioria das uvas do Baixo Corgo, são utilizadas para vinhos do Porto mais corriqueiros e de maior volume. Já as uvas cultivadas no Cima Corgo, são uvas bem mais equilibradas e portanto, utilizadas nos Portos de maior categoria, sobretudo os chamados Vintages. Por fim, o Douro Superior, esquecido até um passado recente, vem ganhando força e está ainda por ser desbravado. Como a região é bastante quente, as uvas dão origem a vinhos potentes. É muito importante nesta área, calibrar a altitude do vinhedo para preservar melhores níveis de acidez nas uvas. Atualmente, tem uma parcela significativa nos melhores Portos, dependendo do cultivo em zonas estratégicas desta sub-região.

O Douro foi oficialmente, a primeira região demarcada do mundo em 1756 pelo então marquês de Pombal. Sem entrar em pormenores históricos, o vinho da região em épocas mais remotas não era fortificado. Para atender o mercado inglês, que em certos períodos manteve relações cortadas com a França, o vinho do Porto tornou-se uma alternativa economicamente viável para este aquecido mercado. Como a viagem era longa, acrescentava-se um pouco de aguardente para manter o vinho em boas condições de consumo. Evidentemente, esta fortificação era aleatória e despadronizada. Contudo, ao longo do tempo, este estilo de vinho foi ganhando força até que no fim do século XIX, a fortificação estava amplamente aceita e com padrões muito próximos dos Vinhos do Porto da atualidade.


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