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Sommellerie: Wine Basket

1 de Setembro de 2011

Muita gente não faz idéia da real importância e utilização do Wine Basket (cesto para vinho). Embora seja um objeto pomposo e elegante, sua verdadeira função é bastante específica e imprescindível em determinadas situações, sobretudo em restaurantes com adegas sofisticadas.

Lembre-se dele quando o vinho estiver deitado

Imaginem a seguinte situação: O cliente num restaurante resolve escolher um grande vinho envelhecido (um château de Bordeaux da safra de 90, 85 ou 82, por exemplo). O vinho a princípio, está devidamente adegado, ou seja, dentro da adega na posição horizontal. Este vinho provavelmente apresenta depósito e deve ser obrigatoriamente decantado. Ocorre que não há tempo hábil para deixar a garrafa em pé, até que o sedimento vá para o fundo da mesma. É neste momento que o cesto de vinho entra em ação.

O sommelier vai à adega com o cesto em mãos e coloca cuidadosamente a garrafa dentro do mesmo. É a única maneira de movimentar a garrafa com o menor dano possível e principalmente, ter condições de abrí-la, sem que o líquido escorra da garrafa. O próprio trajeto da adega até o cliente para apresentá-la fica facilitado, sem que movimentos bruscos possam perturbar os sedimentos na parede da garrafa. Isso é tão importante, que pode ser motivo de devolução e mesmo de alterar a escolha do cliente, se tal procedimento não for executado devidamente. Afinal, faz parte do serviço, e o cliente está pagando caro por isso.

Com a aprovação do cliente, o sommelier leva o cesto até sua mesa de trabalho, ou ao guéridon (carrinho de serviço), ou na própria mesa do cliente, conforme as instalações do restaurante. Faz-se então, a abertura da garrafa dentro do cesto, obrigatoriamente. Em seguida, prova-se o vinho, vertendo-o diretamente do cesto. Como a quantidade de vinho é mínima, não perturbará o depósito. A partir deste momento, o cesto perde a utilidade e deve ser descartado. Portanto, tira-se a garrafa do cesto com todo o cuidado, movimentando mais o próprio cesto, do que a garrafa em si. Passa-se então, à decantação sem interrupção do movimento, de forma contínua e regular.

Para ilustrar o acima exposto, assista o vídeo abaixo do Master Sommelier, David Glancy.

Restaurantes: Posso levar o vinho?

26 de Março de 2010

 

Esta é uma questão onde o bom senso deve ser imperativo de ambas as partes, restaurante e cliente. A rigor, não existem regras definitivas e absolutas.

Se você possui uma garrafa diferenciada, provavelmente o restaurante não irá tê-la. Isso confirma algumas opiniões que defendem a inexistência do vinho levado, na carta do restaurante. Esta garrafa pode ser de um produtor especial,  uma safra antiga ou de grande prestígio. De qualquer modo, é fundamental que o cliente consulte o restaurante sobre esta questão, pois devemos respeitar os ambientes alheios para evitar constrangimentos. Nestes casos pode haver ou não a permissão, pode haver ou não a taxa chamada de  “rolha”, a qual pode ser fixa ou não. Acordo estabelecido, prepare seu vinho para a ocasião.

Principalmente para as garrafas especiais, é sempre bom lembrar de abrí-las em casa, o que pouca gente faz. Esta lição aprendi com o colunista Jorge Carrara. A razão é muito simples. Qualquer problema com o vinho no restaurante (ele pode estar bouchonné ou oxidado) não há muito  o que fazer, além da frustração. Já em sua adega, as alternativas podem ser bem melhores, além da decepção ser melhor digerida.

Outro fator importante é a decantação. Se houver esta necessidade, faça-a em casa também, principalmente se o vinho apresentar sedimentos. Por maiores que sejam os cuidados nesta pequena viagem, os sedimentos vão se misturar ao vinho. Em casa, com toda a calma, você decanta o vinho, lava convenientemente a garrafa com água mineral e retorna o vinho através de um funil. Pronto, além de facilitar todo o trabalho do sommelier, você estará seguro da potabilidade e da limpidez de sua grande garrafa.

Caso o restaurante tenha feito a gentileza de não cobrar a rolha, o serviço deve ser remunerado, sobretudo quando bem executado. Uma boa maneira de pagamento é você calcular a taxa de 10% sobre o valor que você pagou pela garrafa. Se o valor absoluto for relativamente baixo, fica a seu critério complementá-lo.

Outro detalhe importante. Leve o vinho em uma embalagem discreta, a qual pode ser simples ou em sofisticados estojos de couro. Entregue-a assim que possível ao sommelier, esclarecendo seus procedimentos previamente executados.

Em mesas maiores, onde há necessidade de mais garrafas, você pode consumir algumas do restaurantes e levar outras especiais. O importante é saber remunerar proporcionalmente o serviço e gentileza oferecidos pelo restaurante.

Casos que geram confusões e constrangimentos são aqueles em que os restaurantes não fazem concessões e não oferecem um serviço adequado do vinho. Pelo lado do cliente, a falta de educação em não consultá-los antecipadamente, além de levarem vinhos inexpressivos, simples e comerciais que sequer pagam a taxa de rolha, são comportamentos lamentáveis, principalmente se o restaurante oferecer uma carta de vinhos bem elaborada e de preços honestos. Voltando ao início da conversa, a sempre lembrada falta de bom senso.