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Bordeaux não tão badalados

5 de Outubro de 2020

Euro e dólar nas alturas, os grandes bordeaux cada vez mais caros. Há alguns rótulos que não são baratos, mas não fazem feio se colocados em uma degustação às cegas com os maiorais? Pensando nisso, selecionamos algumas opções bebidas nas últimas semanas.

Margem esquerda, Saint Estèphe é um dos terroirs menos valorizados dos grandes de Bordeaux, apesar de destacar duas estrelas: Montrose e Cos Estournel, o primeiro mais tradicional, o segundo mais moderno. têm uma acidez mais destacada, grande potencial de longevidade. Nas últimas duas décadas, o Meyney tem ganho altas notas e degustações dedicadas a ele, como de Neal Martin recentemente na Vinous. É um dos bordeaux destacados quando não se tem dinheiro para comprar os rótulos mais profundos da região. Esse da safra 2009, com 92 pontos de Parker, é um ponto de inflexão do chateau para Martin, que destaca que a partir daí a propriedade engata outra marcha. Depois de mais de duas horas de decantação, denota aromas de evolução, como couro, tabaco e estrebaria, permeados por muita fruta escura. Acompanha muito bem carnes, como rabada ou o filé au poivre. Comprado em promoção na World Wine por volta de R$ 500.

Margem direita, Saint Émilion é a grande rival de Pomerol. Esse vinho aqui é de uma produção ultra confidencial. Para os padrões bordaleses, 1,6 hectares é um jardim. São pouco menos de cinco mil garrafas, que são vendidas para o palácio presidencial francês e alguns mercados de exportação. Um segredo e tanto. Às cegas pode produzir surpresas. Na @delacroixvinhos . Não confundir com o tinto acima, chateau meyney. Aqui a merlot dá as cartas, com 75%, um vinho elegante, muito mais macio que o Saint Estèphe, com aromas de evolução nobre também. Decantação de duas horas. O Meylet costuma vender seus rótulos depois de algum envelhecimento na cave. Aqui se pode pensar na harmonização em codornas com cogumelos.

A safra 2010 é excelente, o La Vieille Cure, se não viesse de Fronsac e tivesse pé em terroirs mais nobres, custaria muito mais…Adquirida por investidores americanos na metade da década de 1980, o Château La Vielle Cure tem uma produção média de 100 mil garrafas, produzidas em cerca de 20 hectares, com três quartos delas dedicadas à uva merlot. A equipe do enólogo Michel Rolland dá as cartas na propriedade, reputada por elaborar um dos melhores custos-benefício de Fronsac, apelação que circunda um dos grandes astros, Pomerol. São vinhos não tão complexos como os melhores exemplares de Pomerol (Lafleur, Pétrus, Le Pin), mas são um agrado ao bolso. Tem uma estrela pelo guia de vinhos da Revista de Vinhos da França. Esse 2010 tem 91 pontos de Robert Parker, quando ele ainda fazia as avaliações de sua região preferida. Ele destaca que o vinho é um dos mais hedonistas de Fronsac e sua proporção mais elevada de merlot permite que se beba agora ou se possa espera uns cinco anos ainda. A safra de 2010 é uma das melhores para Bordeaux da década passada, ao lado de 2015. Importadora World Wine. Um aroma de violeta permeia o conjunto. Belíssimo bordeaux.

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A importadora Clarets recebeu recentemente uma partida da safra 2003 do Potensac, uma das referências em Cru Bourgeois de tradição. Elaborado pelo grupo Delon, que entre outros produz o grande Léoville Las Cases, um dos mais reputados tintos bordaleses da comuna de Saint-Julien, esse é um dos sempre confiáveis tintos. A safra 2003 sai por volta de R$ 650, enquanto a 2013 sai por R$ 300 (ótimo preço). Na @claretsbrasil


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